Notas iniciais
Capítulo curtinho, mas já estou trabalhando com todo carinho no próximo e vou dar meu máximo pra que seja lindo! Boa leitura!

Não demorou muito para que Darcy e Elisa se encontrassem de novo. Sendo o Vale do Café tão pequeno o encontro era inevitável. Elisa estava com Jane na Casa de Chá quando Darcy chegou acompanhado de Julieta e Camilo, que havia acabado de chegar de São Paulo. Ao ver Elisa o inglês não pôde deixar de sorrir para ela, que retribuiu de forma amigável. Mas foi Julieta quem tomou a iniciativa de convidar as irmãs Benedito para sentarem-se com eles. As meninas tentaram recusar o convite, alegando que aquela provavelmente era uma reunião de negócios — o que de fato era — e elas não queriam atrapalhar, mas Julieta insistiu para que aceitassem, pois queria que seu filho fosse devidamente apresentado às moças mais bonitas e simpáticas da região.

Jane, tímida como era, logo ficou vermelha de vergonha, pois mesmo sendo a irmã que mais recebia elogios desde criança nunca se acostumara com eles. Convite aceito, Darcy tratou logo de puxar as cadeiras para as irmãs, deixando Elisabeta por último, não sem antes lhe dirigir outro sorriso irônico.

— Peço desculpas por fazê-la me suportar mais uma vez, senhorita Elisabeta. Sei o quanto minha presença lhe incomoda. — Darcy provocou Elisabeta, sem tirar o sorriso do rosto.

— O senhor até que consegue ser tolerável quando quer, sr. Darcy.

Os demais olhavam de Darcy para Elisabeta sem entender o que estava acontecendo ali, mas se divertindo com a cena. Até mesmo Jane estava surpresa com tal interação, pois a primeira e última vez em que a irmã falara de Darcy parecia descrever uma relação muito distante do que ela conseguia ver agora. Darcy e Elisabeta pareciam bons amigos.

A conversa fluiu sem muita dificuldade na mesa, graças à simpatia e curiosidade de Elisabeta, que estava muito interessada em ouvir de Camilo e Darcy suas histórias na Europa. A primogênita de Seu Felisberto possuía o sonho de conhecer o mundo e se aproveitava de todas as formas e estratégias possíveis para isso, ouvir sobre as experiências de outras pessoas em lugares que ela não conhecia era uma das maneiras que ela encontrou de conhecer o mundo, além dos livros, é claro.

Descobriu que Darcy e Camilo haviam se conhecido na faculdade, em Paris, e embora fossem de idades e cursos diferentes os dois logo ficaram amigos, e foi através de Camilo que Darcy conheceu sua sócia Julieta Bittencuourt.

— E foi quando começou a melhor fase nos meus negócios. — Darcy completou, sorrindo com os olhos para a mãe de Camilo — Julieta é uma mulher firme e inteligente, que soube guiar perfeitamente os negócios para o rumo certo. Eu não poderia pedir por uma sócia melhor.

Era perceptível a admiração que Darcy sentia por Julieta, e Elisabeta gostou do que viu. Gostou mais ainda do que ouviu. Sempre admirou muito a rainha do café, e era muito grata a ela por tudo que fez por sua amiga Ema desde que começou a se envolver com Aurélio. Foi só após a convivência com Julieta que a melhor amiga de Elisabeta passou a reconhecer o seu valor, a lutar por seus próprios desejos. Aos poucos Ema estava se transformando em uma mulher forte e independente, e Elisa não poderia estar mais feliz. Devia isso a Julieta.

Camilo parecia tão tímido quanto Jane. Na verdade era difícil decidir qual dos dois era mais tímido e retraído. Quanto mais a sra. Bittencourt Cavalcante contava das rebeldias de Camilo durante a adolescência, mais constrangido o rapaz ficava. Elisa e Darcy riam com humor genuíno, mas Jane sorria sem graça, como se tomando para si a vergonha do pobre moço.

Todo esse clima de nostalgia despertou em Elisabeta uma curiosidade quanto às histórias da infância e adolescência de Darcy, mas quando a jovem tentou tocar no assunto ele desconversou de uma forma nada sutil e um breve silêncio tomou de conta do ambiente. Graças ao bom Deus Dona Agatha chegou com os refrescos e eles puderam voltar a risos e conversas.

Darcy puxou o relógio de bolso e assustou-se ao notar que haviam se passado quase duas horas. Ele saíra da ferrovia para buscar Camilo, mas com intenções de conversar com os Bittencourt sobre os atrasos na ferrovia, e agora estava mais atrasado ainda. Pediu licença e se despediu apressado de todos, alegando que não havia percebido o tempo passar, o que era verdade.

Com a saída de Darcy os demais também se dispersaram. As Benedito agradeceram pelo convite e pela companhia e saíram de braços dados para casa.

— Diga-me, Jane, o que você achou de Camilo?

— Prefiro dizer o que achei de Darcy: muito simpático e bem-humorado. Bem diferente do lorde Williamson que você pintou! Aquele sim parecia um velho britânico rabugento. “Meu chá está frio, Gertrudes!” — Jane riu — Sua descrição nem de longe fez jus a Darcy. E eu achei que você jamais seria capaz de cometer uma falha no julgamento de caráter de uma pessoa.

— Você que enxerga bondade demais nas pessoas, minha irmã. Mas não desconverse. Eu bem vi que você ficou toda envergonhada diante de Camilo.

— Ah, Elisa, pare. Você sabe que eu fico tímida diante de desconhecidos, principalmente os do sexo masculino. Mesmo se fosse apenas na companhia de Dona Julieta eu ficaria tímida, ela é tão chique!

— Ai, Jane, você é tão fofa, minha irmã!