Spring. As Sicatrizes
3 Capitulo 3
− Vem do latim, além de ser predominantemente feminino, o significado varia, quer dizer “pedra do flanco” ou “pedra do lado”, além disso, Jade também é uma pedra preciosa de cor esverdeada que é utilizada para decoração e joias. Antigamente acreditavam que essa pedra ajudava a curar problemas renais durante o parto, por isso ela tem esse nome. E eram levadas da China, América central. Muito embora o fato de Jade ser uma pedra preciosa seja predominante para os pais optarem por esse nome, evidenciando a preciosidade que as filhas são. – Pendo a cabeça confirmando a definição que Spencer simploriamente ditou em disparada sem deixar de contorcer o rosto, mover as sobrancelhas, enquanto seus ombros permanecem alinhados. Acho que eram tantas as informações que se a respiração não fosse um mecanismo involuntário do corpo humano, ele não o faria enquanto fala.
− Era exatamente isso que Jade significava e embora não esteja aqui, significa pra mim. Uma joia preciosa. – Pisco os olhos para não permitir que minhas pupilas dilatem é inevitável quando o vazio toma o meu coração e contenho a ânsia pelo choro antes que as lagrimas percorram a superfície do meu rosto.
− Foi o que aconteceu? –
− Foi o que aconteceu. – Um suspiro baixinho, e meus ombros descem como se houvesse tirado um peso exorbitante que eu havia carregado durante todo esse tempo.
Me sinto tão ridiculamente egoísta enquanto eles me encaram. Percebo o quão minha decisão de omitir, me isolar, e ainda por cima guardar tudo para mim. Foi egoísta.
Se eu tivesse contado a todos como deveria, dar uma satisfação para os que se importam comigo. Talvez essa última vítima não teria morrido. De certa forma me senti responsável por isso.
E se...
E se...
E se...
O tom de azul do mar da camisa com as mangas dobradas para cima de Jennifer faz com que seus olhos atentos a cada palavra minha acendam em meio ao louro dos seus cabelos perfeitamente alinhados que recaem além do tecido perfeitamente passado. Ela se inclina sobe a superfície concreta da mesa que eu tanto via enquanto interrogava os suspeitos naquelas quatro paredes de cor fria.
Infelizmente para mim, a frieza minutos atrás não estivera apenas nas paredes, mas felizmente agora deu-se lugar a suas sobrancelhas erguidas e curvadas, as rugas na horizontais ao longo da sua testa devido a abertura das suas pálpebras.
− Beck, você assinaria os papeis para fazermos a exumação? – Inicialmente, enrijeço as sobrancelhas e os ombros me questionando onde ela pretende chegar. No entanto, deixo meus pensamentos levarem-me e logo encontro a conclusão da sua questão. – Se a sua irmã for mesmo a primeira vítima... Pode ter as respostas que precisamos para solucionar o caso. – J.J joga as cartas na mesa. Ao encarar nós dois, enquanto seus olhos claros elevam-se levemente. E logo, como se num piscar de olhos, as linhas na parte acima dos olhos de Spencer tornam-se visíveis para nós.
− Sabe, J.J, não acho que a exumação seja necessária, afinal, fazem seis meses. Nas primeiras 4 semanas após o óbito a pele humana rompe devido a preção dos gases internos, e as unhas, cabelos estão tão soltos que podem ser removidos com facilidade o que dependendo das condições climáticas pode levar um mês para o calor e dois meses para os climas frios. Mas o resultado da necropsia pode...
– Ter as respostas que precisamos. −Confirma a minha suspeita. Como se pensássemos juntos.
− Como andam as investigações? – Já estamos os três de pé quando J.J questiona sobre isso. O suspiro que eu rompe meus lábios e chama a atenção de ambos quando quase estamos para fora daquela sala.
− Nada ainda, continua sem solução.
Quando você tenta ignorar a raiva, ela vai se acumulando, acumulando, acumulando. Até que a explosão se torna indubitável. É exatamente assim que eu me sinto agora enquanto ando de uma ponta a outra com eles para nos reunirmos a equipe e darmos o próximo passo na investigação. Mas não é raiva, raiva não faz o que é de mais profundo de nós doer como se fosse arrancado de nós. Esses seis meses foram os mais difíceis da minha vida. Ao que parece deixar pra lá durante todo esse tempo não deu certo.
Ao contrário de Spencer, J.J não adentra a sala sem antes me chamar um momento. O sentimento compartilhado está estampado no alinhamento dos seus olhos e sobrancelhas.
− Rebeca, eu só queria dizer que eu sei exatamente pelo que você passou nesses seis meses. – Alguns oficiais passam por nós enquanto conversamos.
− Obrigada J.J. de verdade.
− Por que não quis contar pra gente?
− Eu não queria incomodar vocês, eu só... –Deixo meus ombros caírem. −é complicado.
− Pode falar mamãe urso. – Garcia anuncia assim que atende a chamada de J.J. enquanto Hotch, Morgan, Rossi, J.J, Spencer e eu formamos um circulo na parte central da sala que foi designada para a nossa chegada. Não é nem grande, porem não é espremida a ponto de impedir a circulação.
− Garcia, preciso que você verifique a ficha de Jade Rews. Ela morreu seis meses atrás. –Com as mãos nos quadris
− Eu já ouvi esse nome... Beck, esse não é o nome da sua irmã? – parece que eu estou vendo o seu queixo caído e olhos acesos atrás dos óculos.
− É Penélope. – Confirmo com pesar.
− Garcia, foco. – Hotch murmura impaciente mantendo a seriedade no rosto ao meu lado esquerdo.
− Sim Sr. Foco, foco, mas focar em que? O que devo procurar? – Com certeza ela está com os dedos a postos. Mas no segundo seguinte ouvimos o teclado através do celular que esta por entre os dedos da J.J – Pronto, mandei tudo o que achei para os celulares de vocês.
− Ela parece com as outras vítimas. Será que isso esta mesmo certo? Havia DNA nas unhas dela mas não era do assassino. –A dúvida aveludada. – Era dela mesma. – Eu preciso aguentar firme e pressionar os lábios e piscar algumas vezes antes que...
− Interessante. O exame toxicológico atestou escopolamina e sevoflurano, dissociativos muito eficazes. O sevoflurano é muito usado para anestesia, já a escopolamina é um antiespasmódico, possui efeitos alucinógenos extremamente fortes, boca e garganta seca, pupilas dilatadas a produção de saliva cessa, mucosas e suor o que causa calor na pele, náuseas, tonturas e vomito, alucinações fortes delírios como visões de cadáveres ou monstros inanimados sentindo como se estivesse sendo perseguido por algo ou alguém, quase sempre acompanhados de pesadelos, pânico e agonia. Tem até um nome para o consumo excessivo da escopolamina chama, síndrome anticolinérgica.
− Então um foi usado para paralisar a vitima e o outro foi para causar alucinações, para induzir ela se cortar. – Como em um súbito momento de lucidez eu sinto-me enrijecer assim que Morgan complementa a explicação de Spencer.
Meu Deus, Não é possível.
Um arrepio percorre cada parte do meu corpo, e por um instante minha cabeça gira e rapidamente dou um passo a frente e tento, já que estou mais perto da mesa, segurar-me na sua superfície.
− Rebeca, esta tudo bem? – Em um escurecer rápido e logo vejo sobrancelhas franzidas e rugas entre elas no rosto de todos.
− Eu... eu não sei o que me deu. –Tento me recompor, pisco algumas vezes, a saliva quente desce pela minha garganta, e meus batimentos ficam descompassados ao me dar conta de algo realmente sério. – Acabo de lembrar.... –As alucinações que me assombravam, os monstros que eu via, a tortura psicológica...
Eu costumo pensar que a dor física é melhor do que a dor psicológica, porque em algum momento ela passa, já a psicológica não importa quanto o tempo passe, as cicatrizes sempre estão lá. A questão é que elas podem sangrar a qualquer momento.
− Eu sei quem é o descom. – Inevitável não permitir que meu queixo caia e minha boca fica levemente aberta, e meus olhos piscassem não acreditando nas minhas próprias palavras.
− Então quem é? – Hotch questiona com os pés não tão distantes um do outro, mantendo a postura de autoridade de sempre, e ambas as mãos enfiadas nos bolsos do terno escuro assim como a gravata. Exceto pela camisa clara.
Eu seria um monstro se declarasse a equipe ansiosa pela resposta a minha frente quem eu suspeito de quem seja? Ou melhor, suspeita não. Certeza.
− Ela tinha meios singulares de disciplina. – Puxo e ao mesmo tempo pressiono o lado direito dos meus lábios ao som do meu sarcasmo.
− Você é filha dela. – Rossi complementa meu raciocínio assombroso.
− Você deveria ter ido com o restante da equipe. – Pronuncio pela vigésima vez entortando o rosto; observando a brisa sacudir os galhos das inúmeras arvores da redondeza e assim que encho a palma da mão com o copo de plástico que ela estende para mim sutilmente, sinto o ardume sutil do café que ela se dispôs a pegar para nós duas assim que deixamos a delegacia para conversarmos. Hotch praticamente me proibiu de ir por ser um caso mais pessoal para mim, e eu entendo; e mesmo assim não sei se poderia. Mas tantos anos.... mas mesmo assim...
− Nada disso, eles conseguem sem nós duas. Qualquer coisa entramos em contato. – J.J fala. Recebemos de bom grado o frescor do parque ao redor assim que ela junta-se a mim no pequeno banco de madeira para admirar a beleza da natureza. – Você está pronta? – O sol da mais luminosidade aos seus cabelos balançados pelo vento. Apenas aceno já com a beirada do copo entre meus lábios sentindo o café.
− Por experiência própria, eu sempre achei que as pessoas podem ser facilmente manipuladas. – Começo após deixar o gosto do café tomar conta dos extremos da minha boca. − Porque aos que apenas observam, a falsa perfeição pode ser encarada como real quando é espelhada para os externos mas quando se sabe que de fato não é verdade. – Molho os lábios rapidamente quando aperto o copo de plástico entre as mãos. − Porque para os que presam a reputação isso é tudo que importa. E isso, confesso, me incomodou ao longo da minha vida toda. – Certamente franzo as pálpebras e sinto as ondulações entre meus olhos se tornarem mais evidentes a medida que eu sou tomada pelos meus piores pesadelos.
− Inicialmente, meus pais e eu morávamos em uma cidade pequena. Onde todos se conheciam.
− É, eu sei como é. – Ela parecendo lembrar de algo, estica os lábios e as bochechas inflam quando ela sorri. Eu também sorrio e afirmo com um aceno de cabeça.
− No entanto, eu não tenho muitas memorias desse tempo, minha mãe era uma contadora. E a medida que ela foi conquistando mais espaço acabamos deixando a cidadezinha que morávamos. Mas sem meu pai, que nunca mais eu vi. E poucos anos depois, minha mãe se casou com James West. – Repentinamente, fica difícil se quer engolir a salivai quando pronuncio o nome daquele verme. Talvez seja um insulto aos vermes chama-lo dessa forma.
O frio do toque do ar atravessar meu nariz quando eu me preparo para mergulhar no meu obscuro passado. O que a de mais podre de mim.
— Paloma, você realmente parece uma boneca de porcelana. – Um dos amigos engravatados do marido a minha mãe disse assim que encontrou com ela e com meu padrasto que recepcionavam a todos que entravam.
— Ah Stiven, são seus olhos. – Ela piscou com delicadeza e puxa os extremos dos seus lábios mesmo que os manteasse selados sob o vermelho marcante do seu batom.
— Ele não está exagerando Paloma, você está expendida com essa pele jovial com seus olhos sempre claros e este cabelo sensacional, você pintou novamente? – A acompanhante do tal Stiven embora não o soltasse de jeito nenhum, não deixou de vistoriar a minha mãe de cima abaixo adornando um coque pomposo em seus cabelos escuros ao contrário da minha mãe que usava as mechas claras e onduladas. Ela presava pela aparência. – este vestido vermelho esta incrível. – E de fato estava, minha mãe tinha um gosto extravagante, o tal vestido caminhava até as suas pernas com uma fenda discreta que deixava as pontas dos pares também em vermelho, dos seus sapatos.
— Apenas retoquei, você também está uma divina nesse vestido verde esmeralda. – Minha mãe sorriu com uma falsa cordialidade.
Disfarcei meu olhar baixo enquanto a minha garganta se fechou praticamente impedindo a passagem quase que até mesmo do oxigênio. Ao erguer o olhar reconheço o sorriso alegre dela. Esse era um mundo que minha mãe de fato adorava.
Lembro que nem os olharess de pessoas estranhas, ao menos para mim amigos deles eram completos desconhecidos pois jamais tinha os visto na vida, que foram convidadas pela minha mãe para o jantar de ano novo não James inibiu em momento algum e logo senti um frio percorrer o caminho que seu toque me causava.
Após satisfazer sua vontade momentaneamente, sua mão se despediu de mim, mas eu sabia que essa satisfação era vaga. Pois não era a primeira.
Todos nós assistimos a chegada do ano novo aquela noite.
Este ano, minha mãe quis dar um jantar em comemoração em nossa casa nova nos Hamptons e ainda bem que a casa era realmente grande, pomposa e confortável para caber todos os convidados, caminhando para fora após o jantar, vejo de longe o chafariz na entrada, iluminando o gramado do jardim extenso com elegância. Apenas uma parte dos dois mil hectares que toma a nossa mansão.
Pouco me importei se o vestido azul safira ia ou não sujar, eu senti a macieis da grama e as pontas fazerem cocegas na palma da minha mão e eu ergui o olhar contemplando o céu, pedindo as estrelas o que eu tinha desejado todos esses anos.
Afeto de verdade, uma família de verdade, amor, coisa que eu nunca conheci.
— Você está aqui. –Me assustei, olhei para trás, ele já estava desfazendo o nó da gravata quando seus passos se aproximaram de mim com rapidez e agilidade. Enquanto os meus faziam o mesmo para ficar o mais distante possível dele — Procurei você por toda parte, quero começar o ano bem. — O brilho sombrio dos seus dentes romperam a escuridão da noite. Seus braços me cercaram na passarela de entrada. Quem olhava pensaria que era apenas um abraço afetuoso de um padrasto para com uma enteada. Mas eu sabia que não era. O odor do champanhe incorporou-se junto ao seu perfume forte. Com o rosto no meu pescoço, ele sussurra. — Feliz ano novo, Rebeca. — A saliva descia apertadamente pela minha garganta. Sabendo o que vem a seguir, claro que não aos olhos nus, mas o que se sucederia aquela noite.
− Mas você nunca contou a ela, por que? – Não me surpreendo pelo fato do queixo de J.J cair, seus olhos crescerem tamanho fora seu espanto.
− Eu falei. Mas a reação dela não foi a esperada. – Lamento sentindo um gosto amargo preencher as extremidade da minha boca. −Ela achava que eu estava só querendo chamar a atenção. – Eu noto meus ombros espremerem entre minha cabeça. – Até que um dia ela viu com seus próprios olhos.
O ponteiro menor no quatro e o maior no doze foi o momento em que eu ouvi o carro se aproximando, e eu sabia que ela tinha chegado cedo excepcionalmente aquela tarde. Talvez ela tivesse trazido trabalho para casa desta vez. No entanto, acredito que ele estava tão ocupado que nem percebeu a sua chegada. Eu mantinha os olhos selados, meu nariz ficou enrugado, e puxei meu lábio superior para cima abrindo vagamente a boca me sacrificando ao sentir o seu toque asqueroso em minha pele na esperança de que fosse pela última vez. Foi um grito de socorro!
Mas não foi bem assim.
Enojada, eu enfiei as mãos nos seus cabelos asquerosos, tentando mantê-lo longe de mim assim que me contorci; e isso aconteceu mas só quando o choque de um atrito brusco no chão o fez esquecer o que estava fazendo. Seus olhos quase saltaram para fora de orbita, e por alguns segundos ele ficou mais branco que o normal. Como se tivesse passado a vida inteira sem se expor ao sol.
− MAS O QUE SIGNIFICA ISSO! – Os olhos dela foram de arregalados para franzidos e explodindo fogo, suas bochechas foram de infladas por causa de sua boca aberta, que acabou evidenciando mais tarde os dentes trincados, a vermelhas inflamáveis de um segundo a outro.
Quando eu ergui meu tronco ao me apoiar com os cotovelos nas cobertas brancas vejo o couro brilhar junto com as fivelas da sua bolsa junto com o metal das chaves e o fio de luz do celular todo estropiado no chão.
− EU SABIA, SABIA QUE VOCE TINHA UMA VADIA, MEU SEXTO SENTIDO ME DIZIA QUE VOCE TINHA UMA VAGABUNDA EM ALGUM LUGAR, MAS NÃO QUE FOSSE DEBAIXO DO MEU PROPRIO TETO, QUEM EU ME SACRIFIQUEI TANTO DURANTE TODO ESSE TEMPO! – De um lado para o outro e expelindo o ar com tanta força que faziam seus ombros subirem e descerem, com ambas as mãos sob os quadris em cima do vestido longo branco. Ela pisava como se quisesse furar o chão e cavar do continente americano para o continente Asiático em dez minutos.
Eu não conseguia acreditar no que eu estava ouvindo, o que eu fiz de errado? Por que eu era responsável por aquilo? Minha cabeça girava a mil por segundo.
− Foi muito pior do que eu imaginei, se fosse com qualquer outra, qualquer uma... eu não ligaria, eu estou certa quando eu falo que você só quer chamar atenção, não é Rebeca? – A sua voz engasgada e afiada como uma lamina e se ela pudesse me fuzilar com os olhos eu sei que ela não hesitaria. Eu nunca senti um contato tão brutal quanto quando ela agarrou meus cabelos com força, muito força alias. Foi ai que eu percebi que a dor física que causamos é momentânea e em algum momento ela passa. Mas as facadass que ela cravou em mim jamais saíram naquela tarde.
− Ele parou de atormentar você? Não! Espera! – Ela espalma a mão no ar ao esticar os braços. −Ela aceitou sem mais nem menos? – J.J questiona com os olhos bem abertos, e as sobrancelhas erguidas com o copo já pela metade na mão. Nego antes de preencher a boca com o café e posteriormente retrucar.
− Deixou, mas foi por alguns dias. E, eu sei que ela sabia, mas fazia de tudo pelas aparências, afinal, tudo tinha que girar ao redor dela. – Paro e penso por um breve momento. – Eu passei muito tempo me julgando, julgando meus atos. Até ter certeza de que a errada não era eu, que eu precisava sair daquela casa antes que eu fizesse uma besteira. Eu não tinha ninguém. Ninguém Jennifer, ninguém. – sinto o choro descer pela garganta quando despejo as palavras sentindo meu peito palpitar como se uma injeção de adrenalina tivesse sido injetada em mim e minhas pupilas dilatam quando as primeiras lagrimas vem só de lembrar, mesmo que vagamente, esse momento.
− Agora você tem a nós− O silencio vem como uma calma reconfortante. − A Jade veio depois? – Questiona tirando os fios de cabelo do rosto que o vento acabou trazendo para sua face.
− Sim. Paloma tinha 16 anos quando eu nasci. – Junto rapidamente os cílios e o gosto forte do café escorregar goela a baixo.
− E como ela era como mãe? – Ela também beberica o seu copo sem deixar de prestar atenção. − Ela com certeza não ganharia o prêmio de mãe do ano. – Seus lábios esticaram-se no seu rosto. – Vamos caminhar um pouco. – Começamos a caminhar lentamente admirando a paisagem.
− Ela vivia dizendo que estragou o corpo dela comigo, que ela perdeu parte da infância dela por minha causa, e sempre que eu perguntava por que ela se separou do meu pai, ela dizia que estava cansada de “levar uma vida desprezível como aquela”, Jennifer, eu passei noites em claro querendo saber o que eu estava fazendo de errado. E toda vez que eu não fazia como ela queria, ela me colocava pra baixo e não perdia a oportunidade de demonstrar todo o seu “afeto” por mim. – Soo com sarcasmo. Essa parte não foi algo que a Dra. Ouviu no consultório nas minhas sessões. Bebo em fim, o ultimo gole de café que tinha no copo.
− Rebeca. Você se lembra quando foi a primeira vez que usou a droga? – Chegamos ao X da questão, sinto minhas pernas estremecerem, momentaneamente admiro uma revoada de pássaros que atravessa o céu tendo o pequeno lago de agua límpida como espelho.
− A partir do momento que eu fui crescendo, eu comecei a me impor. Mas as coisas saíram do controle. – Ela suspira junto comigo com cara de pesar.
− E então eles começaram a drogar você. Rebeca eu sinto muito. – Sinto o acolhimento nas suas palavras. – Imagino que ela não ficou contente quando você saiu de casa dela, ainda iria ter a Jade lá mas não seria a mesma coisa.
− Eu tinha 17 anos quando terminei os estudos, no fundo eu queria sair dali o mais rápido possível. Era horrível mas mesmo não podendo deixar a Jade lá eu tive que deixar. – Lamento ao mesmo tempo em que a culpa me consome, me sinto mal por isso.
− Você acha que ela deu o coquetel pra sua irmã também? – Sugere.
− Eu sabia que ela seria a próxima, por isso entrei na polícia e estudei o comportamento humano, mas quando ela morreu não deu em nada. Por isso o caso dela estava emperrado. Até agora.
− Mas você acha mesmo que foi ela desta vez?
− Tenho certeza. – Paramos no meio do caminho, e logo encho os bolsos com minhas mãos. No entanto, J.J entorta os lábios, e franzir as sobrancelhas douradas, apoiar a mão no quadril por cima da calça, e a outra mais próxima do coldre com a arma.
− Mas homicídios e narcisismo são dois caminhos distintos, como ela fazia esse coquetel? – Ela soa pensativa. Como se planejasse algo.
− Ela dizia que o pai dela era como meu pai, um fracassado, acho que era pelo fato da mãe dela dizer algo assim, mas dizia também que ele era químico ótimo.
− Então ela deve ter ensinado a ele, ou eles devem trabalhar juntos nisso. − Ela entorna o conteúdo do seu copo.
− Mas eles já mataram a Jade, por que tantos efeitos colaterais? – Franzo os olhos tal como a sobrancelhas e sustento mantenho a palma da mão no queixo pensando.
− Talvez o alvo deles não tenha sido alcançado ainda. – Ela sugere. E por um instante ela me encara como se estivesse pensando se faria ou não uma pergunta. – Você ama ela? – Sua pergunta soa receosa. E essa pergunta me pega completamente de surpresa, fitando o céu alguns segundos e pressiono meu lábio inferior com dos dentes, fiquei tão confusa durante toda a minha infância até perceber a realidade. Eu deveria sentir algo, mas....
− Jennifer, eu sinceramente não sei, eu sei que deveria sentir alguma coisa por ela mas... eu não consigo, seja algo bom ou ruim. Eu odeio o James, é por causa de homens como ele que não importa qual seja o lugar do mundo, que tira a segurança no único lugar que deveríamos nos sentir seguros, eu só queria distância. Mas de certa forma, foi um presente de grego que eu precisei fazer uma limonada. É para prender malucos como ele que eu faço o que eu faço. – Confesso. Ela se junta a mim assim que encontro uma lixeira e jogamos nossos copos vazios. – É errado? – As minhas rugas entre meus olhos se engelham quando eles se unem quando tento pensar se é errado ou não. Nos encaramos. E a pequena ventania calorosa faz com que minhas mãos busquem abrigo nos bolsos modestos da minha calça que infelizmente só comportam apenas as pontas dos meus dedos. Conforme seu rosto vira de um lado para o outro, alguns dos seus fios acompanham a ação.
− De jeito nenhum. – Seus olhos franzem junto as suas sobrancelhas quando ela se pronuncia. E aos poucos, damos passos lentos entre as gramas que são divididas pelo caminho desfrutando da paisagem tendo algumas pessoas em volta como companhia. − É totalmente compreensível. Rebeca você passou por muita coisa, eu não me imagino passar por isso tudo e não ter o apoio da pessoa que em tese, deveria estar lá para você. Até porque eu sempre fui muito apegada aos meus pais. – O silencio é quebrado pelo seu telefone, o qual ela prontamente coloca no viva voz para que eu também possa ouvir.
− Pode falar Morgan.
− Hotch quer vocês aqui na delegacia agora. Achamos algo.
− Não pode adiantar o que é? – Questiono.
− Achamos um esqueleto humano. – Ergo a cabeça rapidamente. – Garcia já verificou quem era.
− E ela conseguiu algum nome? – J.J e eu retornamos aos poucos para o estacionamento.
− Achou. E é por isso que queremos vocês aqui. – O tom de voz de Morgan já me preocupa quando batemos quase ao mesmo tempo as portas do carro.
− Quem era ele Morgan? – Tento manter a calma, mas a verdade é que o nervosismo já rompe as minhas veias.
− Era seu pai Back. – Nos olhamos e uma pode facilmente ver o susto na cara da outra. Eu não sei o que acontece nesse momento, percebo minha cabeça girar, a visão enturvar e em seguida tudo fica escuro.
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