Paloma

— Você está muito calma para quem está prestes a ser desmascarada. Paloma. — Balanço os ombros e a doçura e ao mesmo tempo o sabor forte do vinho preenche cada centímetro da minha boca. Enquanto a taça entre meus dedos fazem o liquido dançar em círculo nas extremidade de vidro da taça a medida que eu arquiteto o último passo.

— Está com medo, James? — Molho os lábios e sorrio encarando-o pelo vidro da janela assistindo o sol deixar a cidade em meio aos edifícios. É tudo uma questão de tempo.

— De modo algum. — Repouso a cabeça na curvatura do seu pescoço assim que ele se despede da sua bebida e logo seus braços fazem um círculo em torno de mim. — você sabe que ela não pode provar nada, mas agora as coisas mudaram. Embora você declarasse a Jade como incapaz de ser responsável pelas suas faculdades mentais, foi melhor assim.

— Claro que foi, Rebeca foi um péssimo exemplo para ela. – Constato. − E então... Está pronto para o grande final? Eu mal posso esperar— Questiono e quase posso sentir a saliva preencher minha boca e a ansiedade faz a pulsação do meu coração aumentar mais ainda só de imaginar o plano.

− Você não faz a menor ideia do quanto. Será um belo final. − Seus lábios consomem os meus com vontade tirando-me o ar e meus braços rodeiam as curvas de seu pescoço diminuindo ainda mais a distância. Eu posso até ser presa, mas irei em grande estilo.

− Paloma, você está disposta a perder a liberdade por isso?

− Querido, eu abri mão da liberdade no momento que eu matei pela primeira vez.

Eu fiz tanto, me doei tanto, e elas foram com certeza o meu maior erro.

Tudo acabaria em horas.

Em um selinho breve, abro a gaveta perto da cama e retiro de lá o que futuramente eu precisarei.

Me despeço dele antes ir.

Aguardei por tanto tempo este momento, nada poderia dar errado. Para este fim, eu estou disposta a tudo.

Rebeca

Admiro cada detalhe com atenção. Com as imensas arvores distantes mas imponentes a neblina toma o ambiente e luz solar contorna os formatos das nuvens. O branco delicado que compõe as rosas devidamente cortadas destacam-se em cada bloco das roseiras que formam um jardim que parece não ter fim, as rampas de cada lado dos degraus dão um toque de classe a escada a qual eu desço com calma.

As gotículas de agua espalham-se em torno do espaço dentro da fonte no centro do jardim e entre os pequenos vãos que contornam o tapete verde, a agua de ambos os lados refletem o céu como um espelho. Encantador; de fato.

O meu romper de lábios, crescer de olhos e sobrancelhas e repousar a mão sobre meu peito com certeza evidenciam a minha descrença em quem está diante do meu nariz. As pétalas brancas na sua cabeça destacam-se em meio ao escuro dos seus cabelos, é como se seus olhos límpidos sorrissem para mim enquanto as dobradiças no canto deles ficassem perceptíveis a medida em que suas bochechas rosadas crescem e seus lábios vermelhos abrem caminho para os seus dentes brancos desenhando as linhas de expressão entorno de sua boca. Questiono-me como ela não tropeça em tantos contornos que aquele vestido vermelho tem a cada paço que ela dá em minha direção.

− Jade. Como você está linda. – Minha voz soa abafada, entrego-me as recordações que seus cabelos perfumados trazem enquanto deslizo minhas mãos por suas costas ela faz o mesmo comigo.

O tempo parece parar em breve segundos.

− Hum, que saudade de você. – A empolgação dela se evidencia no seu sorriso ao esticar de lábios e o brilho em seus olhos. Havia uma paz tão grande envolvendo a nós duas. Como se não fosse real. Ou será que...

Há uma tranquilidade em sua face, em momento algum a solto mesmo quando somos banhadas pelo sol esticamos os braços para nos olharmos melhor.

− Jade, o que eles fizeram com você? – Inclino a cabeça quando apoio a superfície da minha mão na sua bochecha. –Me recuso a acreditar que eu sabia de tudo e no entanto fiz nada. – Ela já nega veementemente antes mesmo que eu conclua e eu já entrego-me as lagrimas. − Foi tudo culpa minha. Se eu tivesse dado um basta quando me mudei para Quântico. Tudo isso poderia ser evitado. – Alguns fios do seu cabelo colocam-se entre nós duas. – Quantas noites eu acordei assustada tendo pesadelos com isso... – Encaro meus próprios pés, envergonhada, sinto minha garganta apertar igual ao meu coração. − Jade, eu morri? – Nos encaramos, vi meus olhos maiores que o normal, minhas sobrancelhas erguidas através dos seus olhos.

−Não, ainda não. Rebeca, agora que você sabe a verdade, eu posso ir. – A calmaria está no seu rosto e nem mesmo suas doces palavras me confortam.

− Eu não queria que fosse assim Jade, eu queria ter ajudado você. Você era tudo que eu tinha lá. − Lamento tombando a cabeça para frente.

− Sabe, Rebeca, eu desejei que um dia você viesse e eu morasse com você, e tivéssemos finalmente uma família, mas...

− Não deu, não deu e agora você esta morta. – Por que é como uma faca que encrava cada vez mais na minha alma quando digo isso?

− Não se culpe Beca, você foi forte por nós duas, seguiu em frente. – Sorri sarcasticamente assim que ela completa

− Você teve uma morte horrível porque eu não fiz nada. – Meus lábios ficam curvos, as lagrimas atravessam meus olhos mesmo com eles pressionados embora eu tenha tentado a todo custo não deixar que passasse da garganta.

− Eu vou ficar bem, porque agora vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo bem Beca. –Ela sussurra pra mim enquanto eu a mantenho ao redor dos meus braços. – Não se sinta culpada.

− Mas eu me sinto, eu era responsável por você, eu sabia como era, deveria ter feito algo. – Me recuso aceitar suas palavras ao fechar os olhos e logo a palma de suas mãos preenchem minhas bochechas me obrigando olha-la nos olhos.

− No final tudo vai ficar bem, tudo vai ficar bem. – Ela tem de fato razão. Mas... – Agora vá. Estão esperando por você. – Seu sorriso gentil, o brilho sutil e amoroso, são as últimas coisas que vejo.

Tomo o máximo de oxigênio que eu posso e no entanto não tenho forças. Ao que parece em volta do meu rosto tem uma máscara de oxigênio, me acostumo a luz após picar algumas vezes. As paredes brancas, o soro ao meu lado me fazem crer que eu estou em um quarto de hospital. “− Achamos um esqueleto humano. – Ergo a cabeça rapidamente. – Garcia já verificou quem era.

− E ela conseguiu algum nome? – J.J e eu retornamos aos poucos para o estacionamento.

− Achou. E é por isso que queremos vocês aqui. – O tom de voz de Morgan já me preocupa quando batemos quase ao mesmo tempo as portas do carro.

− Quem era ele Morgan? – Tento manter a calma, mas a verdade é que o nervosismo já rompe as minhas veias.

− Era seu pai Back”.− Como flashs de fotos tudo vem diante dos meus olhos, meu coração doe e me sinto tão impotente e as lagrimas inevitavelmente me vencem nessa batalha. Ouço passos rápidos se aproximando de mim e os olhos desesperados de J.J encaram e ela segura minha mão.

− Back, calma. – Demora um pouco mas eu consigo me acalmar com a sua ajuda. – Calma.

− O que aconteceu? – Afasto a máscara do rosto e engulo a saliva com dificuldade tal como meus pulmões fracos tentam me manter viva. A essa altura, será que valeria a pena?

− Eu explico tudo mas fica com a máscara no rosto. – Sinto meu peito subir e descer conforme meus batimentos voltam ao normal. – Você teve um mal súbito. Eu fiquei com você, ainda estão investigando e depois de liberarem os perfis... você sabe o procedimento. – Respiro profundamente quando lembro vagamente do meu suposto sonho.

− Eu sonhei com ela. J.J, eu sonhei com ela. – Ela desliza seus dedos pelos meus cabelos e eu pressiono seus dedos entre os meus.

−Calma, vai ficar tudo bem. – Acabo franzindo as sobrancelhas lembrando das palavras da Jade: “vai ficar tudo bem”. Será que depois de tudo isso vai mesmo ficar tudo bem? Eu sinceramente não faço ideia.

Spencer

− A pior parte do trabalho. – Ele suspira descansando na cadeira enquanto batuca irritantemente a caneta em cima da mesa. −Não era melhor irmos ver a Back? – Morgan resmunga. Já tínhamos liberado o perfil.

−Ela está com as pessoas que podem ajuda-la e J.J está com ela, precisamos ficar aqui para qualquer eventualidade, agora que sabemos quem são os descons, temos que manter Rews longe da investigação. – Hotch diz de pé com as mãos dentro do terno ao lado do Morgan que o encara de sobrancelhas erguidas e olhar sugestivo.

− Sabe que não vai ser possível não é? Ela só passará algumas horas no hospital fazendo inalação e logo será liberada, do jeito que está esse caso parece que só vai piorando, o quão longe isso tudo vai? Você melhor do que ninguém sabe que não é simples assim, Foyet é só um exemplo dos casos envolvendo alguém da equipe. Você Hotch, se eu fosse ela eu iria querer respostas. – Eu não escuto mais nada quando entregam-me um relatório sobre a morte de Jade, as linhas da parte superior do meu rosto se tornam evidentes, meus olhos também ficam levemente maiores e surpreendentemente encontro algo muito intrigante. No momento em que eu ia me pronunciar, um oficial entra na sala. Alertando a todos nós.

− Recebemos uma denúncia. Encontramos ele. – Morgan murmura um “finalmente” antes de se juntar a Rossi, Hotch que já estavam ao pé da porta.

− Gente, acho que descobri algo. – Por mais absurdo que seja eu digo a minha teoria e cada um acompanha a sua maneira, Morgan franze os olhos, Hotch os fixa com os braços cruzados, Rossi parece não acreditar.

− Muito absurdo mas depois de todo esse tempo de trabalho eu não duvido de mais nada. –Rossi se pronuncia assim termino com os olhos grandes.

− Se eles fizeram tudo isso com a Jade, o que poderiam ter feito com a Back? – Hotch murmura antes de concluir seu raciocínio já com as chaves da viatura em mãos. Eu estava pesando o mesmo. – Reid vá até o hospital e diga a J.J pra encontrar a gente aqui, precisamos de todas as chances para não deixar mais esse caso empuni. E fique com a Rews, se não acharmos um dos dois significa que tem mais um plano. E dessa vez será o movimento final. Vamos!.

Jennifer

Vejo uma foto minha abraçada ao Henry antes de encerrar a ligação e é angustiante pensar em tudo isso, imagina passar por isso em uma espera interminável? Enquanto retorno ao quarto após uma ligação breve do Will me questiono como ela passou por tudo isso sem enlouquecer. No início do corredor seu olhar distante e caminhar rápido me chama atenção.

− Spence, você veio. Onde está a equipe? – Pergunto olhando ao redor com as mãos na cintura já na porta do quarto da Beck.

− Eles foram averiguar uma denúncia que recebemos sobre o paradeiro de Paloma e James West, mas eu descobri algo no exame de toxicologia da Jade que eu não vi antes e algo na necropsia também.−

− O que foi? – Tombo a cabeça para o lado.

− Ela tinha doses de Cytotec no organismo.

− Mas pra que? A finalidade não era exatamente matar ela? – Ergo a sobrancelha sugestiva.

− Esse medicamento também chamado de Misoprostol, é utilizado inicialmente no tratamento de ulceras mas por provocar contrações uterinas, eu acredito que tenha sido usado para outros fins deliberados. – Ele segura na sua companheira inseparável que sempre está com a alça amarela entorno do seu pescoço enquanto suas sobrancelhas parecem dançar enquanto se coloca.

− Para que então, ela não tinha índicios de ter algum problema estomacal. – Alinho as sobrancelhas e deixo o braço dobrado em V. me questionando tal fato.

− Não, mas eu acho que ela estava gravida. Quando ingerido em excesso causa abortos – médicos usam mulheres quando decidem não ter os filhos −e revendo melhor o caso era possível que ela tivesse tecidos no útero. – Pisco algumas vezes constatando que nada está tão ruim que não pode piorar. Suspiro.

− Foi por isso que eles mataram ela, não queriam que ela colocasse tudo a perder. –Constato com os dedos no queixo e o outro junto ao meu corpo.

− Hotch quer você na delegacia. – Sinto meu sangue fervilhar embora eu mantenha a calma.

− Ótimo, eu mesma quero interrogar aquela mulher. – Estou decidida a confronta-la.

Os olhos zelosos de Spence agora direcionam-se para os vidros do quarto da Back eu suspiro.

− Como ela está? – Sai quase em um sopro de voz quando suas mãos juntam-se ao seu corpo. Entrelaço os braços sentindo o peso em meus ombros só de lembrar as palavras dela enquanto conversávamos no parque. – O que conversaram?

− Spence, é complicado. –Junto as mãos meio sem jeito após colocar uma mecha de cabelo para trás da orelha. – Quando ela estiver pronta ela conta mas... digamos que a Jade não foi a primeira pessoa que aqueles monstro machucaram. – Eu vou indo. – Adentro o seu quarto e Spence fica onde está.

Ela encara as persianas brancas das janelas por cima da máscara de oxigênio.

− Back. Eu vou precisar ir na delegacia. – Ela retira a máscara do rosto e questiona:

−Já acharam eles? – Seus olhos ansiosos anseiam por uma resposta. E me sinto frustrada por não dizer que sim.

− Recebemos uma denúncia e já foram averiguar, mas você vai ficar aqui descansando, depois voltamos para ver você.

− Vai deixar alguém ai na porta? – Ela sussurra e eu nego.

− Não. Quer dizer, também. Mas o Spence vai ficar aqui com você enquanto isso. – O arregalar de seus olhos fizeram-me erguer as sobrancelhas ao mesmo tempo que tombo a cabeça para o lado com um sorriso sorrateiro. – Alguma objeção quanto a isso? – Pisco sugestiva.

− Não, é que ele ainda está meio relutante comigo, eu não sei se isso é uma boa ideia. Se for por causa do Hotch, pode dizer a ele que eu ficarei bem sozinha aqui. Afinal, eu preciso pensar. Ele não precisa ficar aqui se não quiser. – Um pigarro, mesmo que contido, faz nós ela inclinar a cabeça para a porta e eu apenas viro-me já com um sorriso no rosto.

− Eu fico. – Puxo os lábios e dou piscadelas tanto para a Back que me encara como se suplicasse para eu ficar, como para o Spence que está encostado inexpressivo na porta com as mãos nos quadris, o que está acontecendo aqui? Meus pensamentos são interrompidos por uma mensagem do Hotch avisando que já estão na delegacia. Ótimo.

− Bom Beck, você não tem muita escolha. Vou indo! – Eu saio do quarto com um sorriso suspeito no rosto, eu ainda não sei o que realmente está acontecendo, mas já estou cogitando. Não disse nada a respeito porque tudo que Beck precisa no momento é de descanso.

Spencer

− Como você fez isso? – Finalmente ela esboça um sorriso mesmo que pequeno enquanto não tira os olhos das minhas mãos.

− Isso é confidencial. – A mascará não é mais um empecilho em seu rosto, e apenas um cateter O2 ajudando-a aliviar a anoxia, ou seja, a falta de oxigênio. Guardo o baralho o qual eu sempre carrego na bolsa após entretê-la um pouco.

− O que será que tinha naquela mensagem para a J.J sair quase correndo? – Entorto a boca começando a folhear as páginas de um dos meus livros.

− Sei lá. – Respondo dando de ombros.

Passos em alto e bom som retiram a minha concentração do que está entre meus dedos. Ergo o olhar acima do livro e um enfermeira tem o prontuário dela em mãos que está ao lado da cama.

− Ela não tem que tomar medicamento, apenas anoxia. – A mulher alta, alguns fios vermelhos de cabelo ultrapassam a sua toca branca, de pele clara me encara através da máscara que encobre parte do seu rosto parecendo não compreender o que eu digo. Isso realmente é estranho. – Ouviu o que eu disse? Ela só precisa descansar.

− Não é o que diz aqui Sr. – Sua voz soa abafada.

− Reid eu conheço ela. – Rebeca anuncia com os olhos grandes e boca aberta. Imperceptivelmente, ela aperta as mãos junto ao corpo, a parte mais visível é a preção que ela faz entre os lábios. – É a Paloma! – Saco a arma imediatamente quando ela diz isso.

− Olá filha, como vai? – Sustento a arma em punho na altura do seu rosto enquanto ela traça um sorriso diabólico e sarcástico nos lábios.

− Largue a seringa devagar, agora. – Rebeca estremece ao ouvir quando engatilho a arma a centímetros do meu relógio; do contrário do que eu disse, por fora tento manter-me o mais calmo possível contudo admito que ver o liquido escorregar através da seringa e atravessar a sua pele me causou arrepios. Dado a sua fatídica escolha, me vejo sem alternativas.

Tudo parece correr em câmera lenta.

O branco do uniforme rapidamente começa a ser encharcado pelo vermelho do sangue abaixo do peito e ela perde a consciência em questão de segundos. O sangue envolta dela começa a escorrer por ela. Guardo a arma e corro para próximo da mulher disfarçada de enfermeira e grito por ajuda, o caos ao redor soa silencioso. Pessoas correndo por todos os lados. Volto para perto da Rebeca e ela está paralisada. Atônita na verdade.

− Você está bem? Precisamos saber o que ela aplicou em você – As lagrimas vem à tona na face de Rebeca, ela se joga sobre mim inesperadamente no entanto eu não retribuo de imediato enquanto sinto seus braços contornados sobe meus ombros. Sua carótida pulsa sem parar, seus ombros sobem e descem, ela treme como se não houvesse amanhã, seus olhos parecem que querem sair de orbita e seus lábios permanecem abertos mas também mudam de cor.

− Ela queria me matar, Spencer, ela queria me matar. – Ela murmura desesperadamente, e enfim e mesmo receoso lentamente meu abraço retribui o seu. Mas de um segundo para o outro ela desfalece em meus braços.

Spencer

Impacientemente, bato o pé contra o chão ansioso por notícias da Rebeca ou da Paloma, ambas estão na cirurgia há um bom tempo, angustiante devo dizer, eu nem sei quantas livros eu li ou quantos copos de café já bebi; e o tempo parece não correr quando olho no meu pulso mais uma vez e os ponteiros parecem estar no mesmo lugar.

Como uma fita de vídeo, as imagens dela desmaiada nos meus braços passa diante de meus olhos como que automaticamente repetidas vezes e só sou interrompido por uma voz masculina ao meu lado.

− Com licença. – O mesmo homem de uniforme azul escuro, aproximadamente 40 anos e quase calvo que atendeu as duas anteriormente chama minha atenção; levanto abruptamente.

− Como elas estão? – Eu mantenho os pés alinhados e os dedos cruzados uns nos outros sem mesmo perceber, não completamente mas posso jurar que meus olhos cresceram e as curvas entre eles evidenciarem-se um pouco sim.

− Elas estão bem, retiramos a bala da mãe e fizemos a lavagem intestinal e gástrica na filha, elas ficarão bem. Embora a dosagem inserida na agente tenha sido alta, o socorro imediato foi primordial. Mas ela está desacordada por causa do Propofol mas está estável. – Foi como um alivio que me fez soltar o ar.

− Posso vê-las?

− As duas não, por hora só a mãe da agente.

− Compreendo. – Ele me guia pelos corredores até o quarto de Paloma, agradeço ao médico que se despede de mim e segue seu caminho logo lembro de ligar para J.J já que anteriormente ela havia pedido para mantê-la informada quando liguei. Eu adentro o quarto.

Ela encara a janela pensativa.

−Eu sou Spencer Reid, sou do FBI. – Eu mantenho-me firme próximo a cama.

− Eu sei quem você é. Você trabalha com a minha filha. Unidade de Analise Comportamental, não é? – A essa altura, mesmo sendo o mais jovem da equipe, eu sei que não se deve confiar em rostos bonitos ou algo do tipo; até mesmo quem parece inofensivo pode não ser.

− Você sabe que está presa pela morte de Jade, a tentativa de homicídio contra Rews, a morte de seu primeiro marido e somado as outras mortes durante esses meses, arrisco dizer, com otimismo, que você no mínimo será condenada a prisão perpetua. – Advirto embora eu saiba que pessoas sem escrúpulos não ligam para isso. Mas mantenho a expressão inexpressiva quando estou jogando com a equipe, como eu costumava fazer em Vegas, ainda com os braços cruzados. Não consigo evitar deixar minha cabeça pesar para o lado e as laterais entre meus olhos evidenciam-se quando ela sorri sarcasticamente.

− Eu sempre tive noção das consequências dos meus atos. – Ela da de ombros para mim como se não fosse nada demais. E isso me causa uma certa curiosidade.

− Então por que se submeteu a isso? – É uma pergunta estupida eu sei, sei que pessoas como ela são incapazes de sentir empatia.

− Eu só queria ter filhas perfeitas, como todos tem, se possível até melhor.

− Isso é impossível e você sabe. – Me mantenho firme de pé a sua frente e ela em fim me encara. Mas ao contrário do que eu esperava, ela não diz nada.

Eu esperava mesmo por isso.

Do corredor e ainda ouvindo a movimentação constante do hospital ouço J.J do outro lado da linha:

− Spence! Como ela está? –Ela está realmente aflita.

− Ela está em observação agora, não pode receber visitas ainda. mas está bem, como vai o interrogatório?

− Já terminamos aqui, estamos indo pra ai, a culpa era inegável.

− Dr. Reid. – Uma enfermeira chama a minha atenção me fazendo girar meus pés e me despeço de J.J − Ela acordou. – Isso é tudo que eu consigo ouvir.

Rebeca

Por conta da luz impertinente, eu não sei quantas vezes pressiono as pálpebras sentindo-as engelhar. E os fragmentos do que aconteceu vem a minha mente. O branco ao meu redor é tudo que consigo ver.

− Reid!− Tento gritar, mas o máximo que faço é um sussurro, aperto os lábios um contra o outro.

− Rebeca. – Minha cabeça pesa muito mais do que para o lado da porta que é para onde está a sua voz.

− O que houve? Onde ela está? – Aos poucos consigo vê-lo.

− Está tudo bem, não se preocupe com isso agora. – Pisco algumas vezes um pouco incrédula.

− Acabou. – Sinto os milímetros do meu corpo se aliviarem.

O alivio em meu peito é quase palpável. Aqui e agora, diante das nuvens frente as nuvens que passavam nas janelas, fico feliz por ter acabado.

− Ei, eu soube o que aconteceu, como você está? – J.J senta a minha frente com uma perna sobre a outra e corpo inclinado.

− Eu... – Eu sinto meus ombros subirem e descerem e o ar escapar entre meus lábios. – Eu não consigo pensar direito sobre isso, eu não. Droga!

− Ei, calma. Já passou, os dois vão para onde realmente merecem estar, e convenhamos que há muito tempo. – Concordo. – Não posso pedir para esquecer isso. Seria burrice mas, você precisa seguir em frente. E lembra sempre estaremos aqui por você.

− Eu mal acabo de chegar, e já jogo essa bomba em cima de vocês. – Nego de olhos fechados e sinto os meus cabelos virem para meu rosto.

− Negativo. E você sabe disso. – olho em volta no jatinho enquanto tomamos o caminho de volta pra casa. Rossi e Hotch conversam lá nos fundos, Reid se diverte com o livro que ele lê o mais rápido e natural como ele sempre faz. Ela acompanha meu olhar e completa inesperadamente. – Eu fiquei sabendo também, que uma certa agente desmaiou nos braços de um certo Dr. Por ai. – Ela sorri divertidamente e eu franzo as sobrancelhas, e as laterais dos meus olhos. Ah meu Deus!

− Eu não... ai meu... minha nossa! – Meu rosto cabe nas palmas das minhas mãos, sinto minhas bochechas ganharem vida e um frio percorre da minha barriga a minha garganta. Ela continua sorrindo. – Seria pedir muito se o chão abrisse agora? – A sobrancelha dela ergue e apenas um dos seus lábios esta puxado.

− Seria sim, até porque estaríamos mortos.

− Em minha defesa. – Eu sorrio tocando a mim mesma. –Eu estava desacordada. – Ela ergue as mãos.

Somos todos bombardeados pela Penélope estonteantemente animada. Lá vem!

− Eu não quero nem saber, depois de todo esse sufoco com certeza, merecemos um jantar num restaurante? Ou talvez uma bebida; Um programinha só da UAC porque olha... – Ela solta o ar exageradamente diante de todos nós. Seus olhos brilham para nós por trás dos óculos de Hotch, que esta na ponta direita, a mim que estou na esquerda com J.J ao meu lado. Puxo os lábios em sorriso e encaro J.J sugestivamente com as sobrancelhas arqueadas aguardando sua resposta com as mãos nos bolsos.

− Bom, eu estou morrendo de saudades do meu filho mas acho que uma bebida não seria nada demais. E você Beck? – Sorrio sem graça chegando a quase tocar minha bochecha com o ombro antes de replicar.

− Bom, eu não me oponho.

− Eu vou para casa se não se importam. – Ele nem mesmo aguarda uma resposta e nos deixa no meio das mesas, mas o alcanço antes que ele chegue no elevador. E com certeza tendo a atenção de todos para nós.

− Spencer! – Deslizo nos meus sapatos e logo seus olhos me fitam enquanto ele permanece de perfil para mim. – O que foi? Está tudo bem?

− Está, eu só estou um pouco cansado da viagem. Divirta-se com a equipe.

− Spencer, não estamos bem? – O seu ato de quase se jogar no elevador foi evitado pois assim que ele abre eu seguro em sua mão, fato que o faz encarar o meu gesto repentino. – Você ainda está com raiva de mim? – Quando percebo meu ato precipitado guardo minhas mãos nos bolsos sem jeito.

− Não. De verdade, você sabe que esse tipo de programa não é muito a minha praia. − Confirmo mais aliviada do que demonstro estar e ele sorri para mim.

−Não mesmo. Então nos vemos na segunda? – Tento suavizar. E tento me desculpar – Ah e me desculpe pelo o que aconteceu no hospital?

− Sem problemas. Até segunda. – Com suas bochechas infladas em um sorriso tímido o vejo sumir por trás das portas do elevador assim que as mesmas se fecham.

Desde o momento em que entrei para a equipe eu percebo que ele é diferente; como se tivesse um mundo só seu. Estatísticas, contas mirabolantes, citações minuciosas de acontecimentos. Deixam qualquer um de boca aberta quando falamos de Spencer Reid, mas por outro lado, sempre tão solitário. Sempre na sua.

Hotch com as mãos nos bolsos, Rossi de sobrancelhas erguidas, J.J sorrindo de braços trançados e eu quase consigo ver os neurônios do Morgan criando um comentário desnecessário com aquela carinha de maroto dele.

− Me ensina a tática quando você conseguir convencer o garoto a ir num programa que não envolva um caso ou livros.− Quase todos nós sorrimos.

− Engraçadinho.

Não sinto que trabalho com eles por trabalhar. Não. Eu faço o que eu gosto com as pessoas que eu gosto. Uma verdadeira família. E momentos assim suavizam a realidade do nosso dia a dia.

− Eu estou indo para uma balada aqui perto, alguém vai comigo? – Morgan sugere.

− Bom, eu vou para casa, tinha ligado para o Jack dizendo que estaria em casa vinte minutos atrás. – Hotch foi o primeiro a abrir mão do convite assim que atravessamos as portas de saída.

− Qual é garotão? Você não cansa nunca? – Digo com as bochechas infladas e sendo tocada sutilmente pelo vento que deixa a noite mais agradavel.

− Back. Querida. Isso é só o começo; o final de semana tá só começando. – J.J sorri para mim e eu respiro fundo. Uma coisa é um jantar no restaurante no centro de Quântico outra coisa é ir para uma boate. Eu passei por tantas coisas em menos de um ano...

− Olha Beck, eu não vou porque estou morrendo saudade do meu filho; mas depois de tudo que você passou, eu acho uma boa ideia você espairecer um pouco com o Morgan. – Aperto os lábios. Logo Penélope se pronuncia.

− Ah eu sinto muito meu mouse de chocolate. – Morgan, e todos nós inclusive, olha para a mão dela espalmada na camisa preta que cobre o seu peito. −Mas eu prefiro recusar. – Garcia murmura por trás dos óculos.

− Divirtam-se! – J.J, Penélope, Hoth e bem Rossi já tinha se mandado alguns minutos atrás.

– Até segunda! – Eu e Morgan gritamos quase que ao mesmo tempo enquanto nos afastamos na calçada. Agradeço assim que o cavalheiro abre a porta para mim.

− Ei olha só, eu não vou ser baba de ninguém. – Seus dentes brancos rompem a escuridão enquanto suas mãos permanecem no volante nos conduzindo na noite de Quântico. Contorço os lábios enquanto apoio o cotovelo nas dobradiça da porta.

−Não precisa se preocupar querido, – dou uma piscadinha para ele. – eu sei me cuidar, sou uma menina crescida. E qualquer coisa eu pego um taxi.

− Tem certeza? – Sorrio afirmando enquanto ele me encara parado no sinal vermelho com olhar cauteloso.

−Ah eu tenho, não quero ser estraga prazeres.

Parte de mim quer acreditar que vai dar certo. Porem a outra parte queria estar enfornada no meu apartamento.

Não deu quinze minutos que chegamos e Morgan virou fumaça, e eu não me surpreendo nenhum pouco com isso. E eu? Bem, eu estou aqui de frente para um balcão banhada por luzes coloridas e apreciando o gosto forte da minha bebida e balançando os ombros conforme a música alta.

− Um whisky com gelo, por favor. – Ouço uma voz ao meu lado.

Ele tem os cabelos escuros, apesar da iluminação hora azul hora avermelhada, posso ver que ele tem os olhos em sublime tom de castanho escuro talvez por conta da luminosidade, a pele clara, o rosto extraordinariamente perfeito com lábios finos. Embora ele tenha uma camisa escura de mangas que corriam até parte dos seus braços, seu porte atlético não passou despercebido por mim em momento algum. Posso dizer até que talvez nem por outras garotas.

− Oi.

− Oi. – Sorrio simplesmente ao erguer a bebida entre meus dedos.

− Eu venho aqui quase todos os fins de semana e nunca te vi por aqui. – Engulo o gosto forte da minha bebida e dou de ombros. – Qual o seu nome? – Ele sustenta uma mão sobre a outra e se direciona para mim.

− Hum, então você frequenta boates? Bom saber. Eu digo o meu se me disser o seu. – Sou evasiva. Com o cotovelo sobre a superfície do balcão com a bebida diante dos meus lábios. O desconhecido evidencia seus lábios esticam em um sorriso galanteador para mim quando o Bar man da seu pedido.