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2 Acordando


Não sei ao certo onde estava. Não conseguia enxergar muito bem. ]

- Onde estou — falei para mim mesmo, mas não ouvi o som da minha voz.

De repente, começo a ouvir uma voz. Uma bela e melodiosa voz, que parecia chamar o meu nome. Tentei me mover para saber de onde vinha essa voz, e de repente uma luz forte invadiu meu campo de visão. Mas esta luz me ajudou a enxergar melhor.

Olhei para baixo e vi meus pés cobertos por água, mas não qualquer água, era o mar. Levantei minha cabeça e me deparei com mais bela vista que eu já vira. Era uma bela praia. O mar estava aparentemente calmo, com apenas algumas leves ondas oscilando e quebrando sobre as formações rochosas que lá havia. O sol estava se pondo, dando uma coloração magnífica no céu.

Novamente comecei a escutar aquela voz, mas desta vez não estava me chamando. Era uma voz de mulher, e ela estava cantando. Aquela voz me fazia sair de mim e esquecer tudo a minha volta. Comecei a procurar de onde vinha a tal voz, até que meu olhar parou em uma cena curiosa. Tratava-se de uma mulher, quer dizer, mais ou menos uma mulher. Possuía o corpo de uma mulher e cauda de peixe. Tinha belos cabelos loiro-avermelhados que balançava conforme o vento soprava, e belas curvas que eram destacadas pela luz solar que contornava aquela bela imagem.

Era estranho, mais aquilo me atraia de uma forma que eu não conseguia controlar. E com um movimento involuntário, dei um passo adentrando o mar em direção àquela criatura. Aquilo me fez perceber algo, eu estava nu. Mas depois do que estava vendo, conclui que nada mais faz sentido.

À medida que me aproximava, encontrei seus belos olhos cor de âmbar, e assim que cheguei perto, ela parou de cantar.

- Acorda Tom — okay, isso não faz sentido mesmo — Por favor, acorda — espera essa é a voz do... do Bill?

De repente, aquela imagem se desmanchou diante dos meus olhos, e então abri os olhos me deparando com uma forte iluminação. Mas não aquela iluminação do sol, era uma luz artificial incomoda.

- Tom — ouvi a voz de Bill vinda do lado, e logo senti alguém me envolver com os braços.

- Bill — sussurrei. Minha voz estava rouca e falha. Tentei me mover assim que ele me soltou de seu abraço, e senti minha cabeça e costas doerem, e gemi de dor.

- Calma Tom, não pode fazer esforço — eu estava em um quarto de hospital e Bill estava ao meu lado.

- O que aconteceu?

- Você não se lembra? Você caiu do barco — aquilo me chocou. Me lembro de estar no barco e ele partir, e depois ele se virou e ouvi o Bill gritar e depois não me lembro de mais nada.

- Mais ou menos — minha voz estava melhorando a medida que eu falava, mas ainda estava fraca — Só me lembro do barco virando e daí eu...caí. Tem razão eu caí, e me afoguei — a lembrança fora atingindo minha cabeça — Eu me afoguei e depois aquela criatura apareceu...

- Criatura? — Bill me interrompeu confuso.

- É. Era uma mulher e ela me beijou e eu voltei a respirar... — tentei contar a história, mas fui novamente interrompido.

- Espera, está falando sério? — Bill me questionou.

- Por que não estaria?

- Sei lá — ele deu de ombros — Isso pode ter sido coisa da sua cabeça. Você levou uma bela pancada nela.

- Mas pareceu tão real.

- Tom, você vê mulher em qualquer lugar.

- Ei — fiz uma cara de ofendido — Tem razão — sorri malicioso e Bill revirou os olhos.

- Olha só quem acordou — um homem que aparenta ter uns quarenta anos e de estatura média, entrou carregando uma prancheta e acompanhado de uma enfermeira — Agora que acordou vamos fazer alguns exames. Bill pode nos dar licença, por favor?

- Claro — ele disse e se levantou da cadeira que estava sentado ao meu lado.

Depois de fazer uns exames chatos, o médico concluiu que eu estava bem. Logo fui liberado para voltar para casa.

Notas finais
reviews?