Spaced!
2 Xenoacidente
Já faziam algumas boas horas que a estação estava funcionando corretamente. Os dois jovens anteriormente presos agora estavam livres e a primeira coisa que eles fizeram foi checar o horário, que marcava 19:35. Qualquer um daquela estação com vontade de arrebatar um dinheiro a mais sabia o que isso significava: Mesa de apostas no bar! Em caminhada veloz, eles foram pelos corredores da estação até o bar, mas não precisava de muito: Após sair da ala da segurança, era só virar à esquerda, logo a primeira direita e primeira esquerda. As portas do bar estariam bem à esquerda, acompanhadas por um letreiro em neon. Lá dentro, um pessoal já estava reunido.
A mesa de apostas duraria até as 20:20, então aqueles com vontade de dinheiro precisaria correr. O primeiro jogo era pôquer, e como sempre, Freitas e Haddad estavam lá. Freitas era um Brasileiro bem moreno — quase negro — com um penteado que parecia um mini black power. Já Haddad era moreno em tom mais leve que Freitas e tinha o cabelo quase totalmente raspado. Ambos estavam na faixa dos 20 e poucos, mas pareciam ter séculos de experiência com o jogo. Ao lado deles estava Numadine, uma moça loira e de estatura média. Ela usava óculos fundo de garrafa que lhe davam uma aparência extremamente nerd, mas seu olhar na mesa mostrava que não era uma oponente fraca. Junto aos que jogavam também estava Adams, um dos oficiais de segurança da estação um rapaz loiro com um corte militar no cabelo e olhos verdes. O dealer era Evans, o bartender, um tiozão barbudo de uns quase 40 anos. Em volta, Consuelo, Lobine e D'Laire — os dois primeiros zeladores e o último chef — observavam ansiosamente o jogo. C. Winterlock e Fey se juntavam as observadores, esperando sua vez. Todos acompanhavam o jogo dos NY Yankees vs NY Mets no rádio no canto da mesa, o segundo jogo do dia.– Ok, sabem as regras, como sempre. — Confirmou Evans com sua voz um tanto rouca. — Haddad, se você trapacear, eu juro que dou uma de Yakuza e arranco seu mindinho. E eu não estou brincando, o D'Laire ainda faz linguiça do dedo. — Terminou, assentindo e sério. Logo, ele começou a entregar as cartas e todos ficaram quietos, observando a situação. O jogo seria intenso essa noite!A alguns metros dali, mais ao fundo do corredor que estava o bar, estava a área da Divisão Científica. Ela estava um pouco abandonada, pois o Diretor Montblanc estava junto com o Capitão para acompanhar o jogo, Romanov, a responsável pela química, tinha ido até a biblioteca procurar livros sobre suas pesquisas, Winterlock estava trabalhando em outro Ripley e Hasami estava trabalhando em suas pesquisas xenobiológicas. O zelador sem nome, aquele que ninguém ainda sabe que é o traidor, observava atenciosamente pelo balcão o roboticista Winterlock soldando aos poucos e observando o exterior do mecha, já que sua sala era colada com o corredor. O misterioso zelador precisava entrar e sabia o que fazer, então primeiro sacou de seu bolso um pequeno aparelho e esperou. Quando o cientista da robótica colocou a mão dentro da caixa de ferramentas, o traidor apertou um botão. A câmera de segurança daquela sala estava desativada. Rapidamente, desativou duas câmeras do corredor guardou esse equipamento, logo sacando um cartãozinho e indo à porta para esperar o som da solda. Assim que ele surgisse, pudesse passar o cartão na porta. Esse novo apetrecho chamado de E-Mag(ou Electromagnetic Card) lhe daria entrada para qualquer área da estação, porém, causaria um forte choque na mesma, o qual permitiria que qualquer um pudesse escutar, além de mantê-la permanentemente aberta e quebrada — coisa que ele havia se esquecido.Com a porta aberta, antes de entrar, desativou a câmera daquele corredor e avançou até a outra porta, obrigando sua entrada. Conforme seguiu pelos pequenos corredores da ala científica, foi desativando câmera por câmera, dando foco naquelas que faziam caminho da área do roboticista até a área do xenobiólogo. Claro, ele as desligava antes que pudesse ser visto. Para entrar na sala de Xenobiologia, era necessário passar por uma pequena salinha fechada à frente e atrás para ser esterilizado. O tempo de esterilização passou, porém, para liberar a última porta, era necessário a confirmação do ID em um painel e um último botão a ser pressionado. Isso não era problema para o zelador: Ele passou seu E-Mag que desativou completamente o dispositivo de confirmação de ID e apertou o botão. Lá dentro, Hasami observava os viveiros de gosmas e anotava algo em sua prancheta. Ao escutar o barulho da porta se abrindo, ele se virou.– Ah... Obrigado por vir, Sr. Zelador. Tá meio sujo aqui e ali, se você puder dar uma limpada, agradeço. — E se virou, voltando para as anotações.O xenobiólogo estava totalmente vulnerável e mal percebia a ameaça se aproximava. O misterioso zelador chegou perto do mesmo e sacou uma caneta branca com escritos em vermelho, apertando um botão e encostando-a no japonês. Ele gritou, mas logo foi interrompido — A caneta era uma ParaPen(Paralyzis Pen) e desferia um poderoso choque, paralisando completamente a vítima.– V-V-VOC-CÊ... Q-QUEM É-É VO-VO-CÊ?!!?! A-A-ARR-GHH...!!– Sou apenas alguém que limpa registros velhos e sujos. Você traiu O Sindicato.– O S-Sin-Sin-dica-t-t-to... A-ah m-me-merd-d-da...Hasami sabia que aquele era seu fim. Mesmo se esforçando e dedicando a maior força de vontade da estação inteira em mover um único músculo, nada adiantava. Logo, ele foi pego pela gola da roupa pelo assassino, que abriu a porta de um dos viveiros de vidro e o jogou lá dentro, logo após fechando-o. Hasami sentiu o desespero. As Slimes chegavam perto, e ele arregalava os olhos, tentando evitá-las inutilmente, afinal, seu corpo não o obedecia.Uma grudou.E mais uma.E mais outra...Pouco a pouco, elas foram esmagando seu corpo e seus ossos, lhe sufocando conforme tentava gritar e pedir inutilmente por ajuda. Sua voz saía fraca e tremida. Nem ao menos o rádio conseguiu ativar. Era irônico: As Slimes, que serviam para mil e um propósitos e até mesmo para alimento, agora se alimentavam de seu mestre, que só podia observar seus últimos momentos de vida. Sem tempo para admirar o show de horrores, o zelador tratou de sair rapidamente para o corredor e sumiu para outro corredor qualquer, voltando a limpá-lo conforme sorrateiramente ligou as câmeras como se nada tivesse acontecido.
Em pouco tempo, Hasami perdeu sua vida, mas não antes de seu rádio ser esmagado e enviar um bizarro som de líquidos e alguns grunhidos humanos ao fundo. Mattos, chefe de segurança, escutou e imaginou quem poderia ser, logo ativando as câmeras e observando o corpo morto do cientista servindo de alimento para gosmas alienígenas. Sem perder tempo, falou no rádio pela frequência da segurança:– Detetive Grandfall! Oficial Caprice! Compareçam à frente da ala de pesquisas. Temos um aparente acidente.Os dois, incluindo o próprio chefe Mattos, correram para lá. Aqueles que jogavam pôquer observaram a estranha movimentação e suspenderam sue jogo, seguindo-os. Alguns outros pelo caminho resolveram ver o que havia acontecido.O relógio agora marcava 19:55 e exatamente nesse horário, a estação tinha ganhado sua primeira vítima.
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