Spaced!
3 Dedos de Fantasma
20:25 e o quarto inning do jogo terminava. Estava 3x1 para os Mets, e alguns membros da estação comemoravam os rápidos Strikeouts66 dos Yankees e com isso, a chance de uma boa reviravolta. Assim com o resultado final do jogo era um mistério, o novo acidente da estação também.
A área de pesquisas estava completamente isolada e fechada com faixas amarelas da equipe de segurança. Winterlock, o roboticista, havia sido levado à ala da segurança pela oficial Caprice para ser interrogado pelo detetive, enquanto o chefe Matos conversava com o capitão Miller na entrada. Lá dentro, na cena do acidente, Grandfall observava tudo cuidadosamente. As slimes haviam sido sacrificadas e como estavam adultas por terem se alimentado do corpo do xenobiólogo, serviram como recurso para a estação. Já o corpo de Hasami havia sido enviado para a ala hospitalar para uma cuidadosa autópsia, logo depois indo para as mãos de Jekyll, que tentaria cloná-lo. Talvez fosse difícil tudo isso: O corpo estava totalmente seco, sem fluído algum, e a maioria de seus ossos estavam esfarelados. Seu cérebro havia sumido e talvez esse fosse o maior problema. Essa era a maneira que as Slimes se alimentavam. Bizarro, mas quem somos nós para julgar? Apenas mais um organismo no universo.
De qualquer modo, Grandfall analisava cada canto da sala de xenobiologia com seu Scanner Forense. Grandfall é um homem de 30 e poucos anos, barba por fazer, alto, corpulento, com cabelo levemente ondulado e um pouco comprido — lá pelo meio da nuca — e olhos castanho escuro. Ele já havia tirado foto de todas as portas que ficaram abertas e sim, já havia checado as gravações das câmeras, que pulavam direto de tudo normal para tudo aberto e japonês morto. Não havia nenhuma evidência pelo chão, apenas digitais na roupa da vítima, indicando homicídio. Estranhamente, nada além disso... Mas pelo menos as digitais levariam até o suspeito?
Errado.
Aqueles dedos não pertenciam à ninguém da estação. Mais tarde ele precisaria da aprovação do capitão que pediria aprovação de um superior que averiguaria a situação com o conselho para liberar informações globais para o detetive. Infelizmente, isso tudo seria negado quando o capitão pedisse para o superior.
Quem poderia ter entrado lá? Digitais falsas podem ser obtidas. Os principais suspeitos eram os assistentes, os membros da segurança, os engenheiros, os zeladores e os membros da ala de pesquisas. Primeiro eliminamos aqueles que possuem álibi no momento do ocorrido. Freitas, Haddad, Consuelo, Lobine, Numadine e Adams estavam no bar com Evans e as câmeras podiam provar. A Srta. Romanov, responsável pela química, estava na biblioteca com Greyhound fazendo... Bom... Vocês devem imaginar, né? E o chefe Montblanc estava tendo uma reunião com Pendler, chefe da ala hospitalar. Mïchel, o outro zelador, estava limpando a cantina, enquanto Plant, um engenheiro, estava auxiliando Waters, engenheiro-chefe no reparo de algumas fiações. Caprice, Merkathor, Dorelan e o próprio Mattos estavam na ala de segurança conversando com o próprio Grandfall minutos antes do problema. Como suspeitos então sobram Winterlock e Jekyll.
Winterlock sempre foi um homem tranquilo. Seu rosto gentil e empolgado, unidos à seu cabelo bem curto e um pouco arrepiado lhe davam uma aparência jovial. Parecia uma criança brincando de montar robô. Já Jekyll era um pouco esquisito e seu cabelo estava sempre seboso e bagunçado, mas sempre seguiu com suas pesquisas mantendo a seriedade — por incrível que pareça. Ou seja, nenhum dos dois era realmente suspeito.
Sem muitas ideias, o detetive sacou um cigarro e o colocou na boca, logo acendendo-o com seu isqueiro e deu uma profunda tragada, guardando o aparelho. E a possibilidade de acidente? Impossível. Hasami era um experiente profissional e já tinha tido alguns bons acidentes com Slimes anteriormente, então ele saberia muito bem como lidar em qualquer tipo de situação. Sendo assim, homicídio era a única chance.
Grandfall saiu dali e selou a sala de xenobiologia, liberando a entrada pra ala de pesquisas para que os outros pudessem voltar a trabalhar e para que as portas pudessem ser reparadas pela equipe de engenharia. O próximo passo seria interrogar Winterlock.
Ele já estava sentado na sala de interrogatórios, esperando o detetive que acabou de chegar apagando o cigarro no cinzeiro à frente.
– Que sujeira, ein? Nunca pensei que teria que vir pra cá. — Comentou o roboticista.
– Protocolos às vezes servem pra alguma coisa. Bom, me fale... O que estava fazendo na hora que Hasami morreu? — Perguntou Grandfall, ligando o gravador e deixando-o sobre a mesa. O jovem o observou, mas logo ignorou e começou a falar.
– Bom, eu estava na minha sala, trabalhando num Ripley. Estava soldando suas placas exteriores, sabe? Fica difícil de escutar alguma coisa e, como eu tava com a máscara de solda, não consegui ver quase nada. Lembro que depois que terminei, escutei um barulho estranho no rádio vindo do Hasami e vi que a porta estava aberta. Achei estranho, até porque eu não tinha a aberto pra nada. Quando saí, todas estavam abertas. Fui até os corredores, e depois fui até a xenobiologia e vi aquela cena. Logo depois vocês chegaram e aqui estou.
– Tem certeza que não ocorreu mais nada?
– Claro que tenho! Olha pra mim, eu tenho cara de quem mataria alguém? Além do mais, a gente volta e meia conversava e tomava uns cafés juntos. Eu nunca teria motivo pra matar o Hasami!
– Ainda sim, você é suspeito. É o único que estava na ala aquele momento.
– Ah, qual é, detetive. Cê tem que acreditar em mim, eu nunca mataria alguém!
– Sinto muito. Pra mim, todos suspeitos podem ser assassinos, e infelizmente, você é um. Bom... — Grandfall tirou uns papéis de baixo da mesa. — Você não tem histórico de problemas psiquiátricos. No máximo, uma depressão entre a pré-adolescência e adolescência, certo? Dos 12 aos 15.
– Exatamente, senhor.
– E segundo históricos, você cresceu, estudou e trabalhou na Nanotrasen, exatamente como ainda faz.
– Isso.
– Hm... Você ficará sob vigilância, mas poderá trabalhar normalmente em sua sala, ok?
– Isso é... Desconfortável, cê sabe.
– Regras são regras e os protocolos estão aí pra alguma coisa. Foi mal, guri.
Os dois se levantarem e foram para a saída daquela pequena sala. Os oficiais e chefes da segurança estavam observando.
Enquanto isso, em outro canto da estação, algo acaba de acontecer. Às 20:20, o capitão havia entrado na ala hospitalar por algum motivo. Às 20:30 ele correu até o primeiro rádio de uma parede qualquer e o ligou, transmitindo para a estação inteira.
– Chefe Mattos e sua equipe, por favor, compareçam à ala hospitalar. Aqui é Miller falando, tenho um caso urgente.
Todos acharam estranho. Mais uma morte?! Grandfall correu para lá e foi diretamente até o capitão, que o levou ao ocorrido. Seu receio se tornou realidade: Jekyll, o geneticista, estava morto.
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