A estação aos poucos ficava mais cheia. As funções principais, como cozinheiro, médico, engenheiros e guardas já estavam a postos. O capitão Miller ficava sentado em sua cabine, fumando seu caríssimo charuto cubano enquanto observava membro por membro nas telas de segurança de seu escritório. Ali dava pra observar Pendler, chefe da ala hospitalar, observar "cuidadosamente" uma paciente desacordada que estava com dificuldades respiratórias. Será que ele precisaria fazer uma cirurgia? Afinal ela estava nua em sua mesa. Miller riu e olhou para a outra tela e viu Plant e Waters comandando a equipe de engenharia para lidar com reparos de última hora na contenção da singularidade. Era uma tarefa perigosa, mas extremamente necessária para o bem da estação. Deixe-a muito forte e ela consumirá a todos. Deixe-a muito fraca e não conseguirá nem ao menos acender uma lâmpada.
Olhando para uma tela mais abaixo, o capitão viu o Quartermaster Suzuki dar entrada a naves contrabandistas na baía de carga. Não havia problema e ninguém o pegaria nem o repreenderia, afinal, duas caixas de charuto e um pacote do "pó de pirilimpimpim" eram o suficiente para manter o capitão e o chefe da guarda cegos e sorridentes.
Na área de robótica, o jovem Winterlock suava para produzir um Ripley com direito à broca de diamante para os mineiros. Miller e toda equipe do RH sabiam muito bem que a divisão de pesquisa científica era a área mais unida de toda estação, além de ser o motivo principal daquela estação enorme estar na ativa. Winterlock produzia robôs e eventualmente algum assistente o ajudava. Emmerich seguia suas pesquisas e desenvolvia novas tecnologias, novas placas e acessórios para Winterlock, enquanto a simpática Romanov produzia e desenvolvia novos químicos, tanto para Winterlock quanto para a ala hospitalar. Lá no fundo, dois loucos trabalhavam em sincronia: Numadine e Hasami. A primeira cuidava da Xenoflora, conduzindo suas pesquisas com plantas desconhecidas. O segundo cuidava da parte de Xenobiologia, cruzando e extraindo gosminhas para fins científicos, utilizando-as como fontes de até mesmo plasma.
Há boatos pela estação que o trabalho mais fácil é da manutenção atmosférica. Tudo bem que McKenzie passa o dia inteiro fumando, lendo playboy e comendo fritas, mas um pequeno erro em seus tubos e válvulas e toda estação morre.
O capitão não podia ver, mas pelos dutos e por trás das alas e corredores estavam alguns engenheiros que constantemente reparavam os problemas da fiação... Mas claro que às vezes um joguinho ou outro não mataria.
– Trinca de Ás. — Disse Freitas, mostrando suas cartas na mesa improvisada.
– Full House, meu amigo! — Exclamou Haddad, mostrando sua mão superior.
– Como assim?! Seu trapaceiro de bosta! NÃO VOU DAR MEU DINHEIRO PRA VOCÊ! — Retrucou o perdedor, partindo pra cima e saltando no pescoço do suposto mentiroso, que tentou se defender. Esse movimento fez com que eles batessem na parede, assustando um belo casal adolescente de assistentes estagiários que estavam do outro lado — C. Winterlock, irmão do jovem veterno da robótica, e Fey, um ano mais nova que o primeiro, com 16 anos. — que caíram para fora do grande armário, se esborrachando quase aos pés de dois seguranças. Suas roupas não estavam bem "colocadas" por culpa de seu momento caliente ali dentro, e por isso iriam presos por algumas horas.
Ao mesmo tempo, um macaco era clonado por Jekyll, dando errado e gerando um macaco cheio de problemas genéticos que não aguentou viver por mais de 8 segundos. A divisão de genética ficava exatamente entre a ala hospitalar e a ala científica por motivos óbvios: Poderia dar uma segunda chance a um funcionário, ou servir como avanço para as pesquisas que eles faziam lá.
No corredor principal, o capelão Cameron gritava palavras de Deus e tentava a todo custo pregar a palavra de seu Senhor à frente da pequena capela, mas era ignorado por todos, praticamente como se fosse um pequeno robô de limpeza que faz seu trabalho que passa despercebido.
Já os mineiros, num asteroide não muito longe daqui, encontravam uma espécie de ruína, coberta por estranha flora e estranhos esqueletos. Suas vidas estavam em perigo, mas eles nem ao menos sabiam disso.
Nem Miller nem os guardas perceberam que em certo momento, um zelador sem ID limpava os corredores com um sorriso no rosto. Em seu ouvido, uma escuta do Sindicato ditava suas próximas ordens. Em poucas horas ele causaria um caos absurdo, afinal, a atenção do capitão, do chefe da segurança e da própria segurança naquele momento estava em outro assunto: O jogo de baseball da semana, que passava diretamente nos rádios da estação inteira.
Notas finais
Esse é apenas um prólogo para mostrar como a estação funciona e como será a narrativa.
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