Sozinhos, juntos
2 Estudando até tarde
Notas iniciais
O prisioneiro de Azkaban – capitulo 10
“Madame Pomfrey insistiu em manter Harry na ala hospitalar pelo resto do fim de semana. Ele não discutiu nem se queixou, mas não deixou jogarem no lixo os estilhaços de sua Nimbus 2000. (...) Rony e Hermione só deixavam a cabeceira de Harry a noite.”.
Hermione passou pelo buraco do retrato, logo seguida por Rony, olhou pros lados e viu que havia uma quantidade considerável de pessoas no salão comunal. Provavelmente porque já eram quase nove horas quando saíram da ala hospitalar e já estava quase acabando horário permitido de circulação pela escola, sem falar que maioria dos alunos estava com medo desde que Black atacara o quadro da mulher gorda há algumas semanas atrás.
Hermione se sentou em uma das mesas no canto e Rony se sentou ao seu lado. Ela tirou o livro de Aritmancia de dentro da mochila para completar um dos seus deveres de casa quando ouviu um barulho que a fez olhar para Rony.
-Foi o meu estomago. – Ele explicou.
-Mas a gente acabou de jantar. – A garota riu.
-Acabou não. Tem um tempinho. Mas tudo bem porque eu tenho isso.
Ele então tirou da mochila um pacote de doces da Dedosdemel.
-Você tem carregado isso por aí? – Ela perguntou olhando-o sem acreditar.
-Nunca se sabe quando vou precisar. – Rony respondeu abrindo uma embalagem de sapos de chocolate. – Quer um?
Hermione fez que não com a cabeça.
-Não é bom comer doces antes de dormir. Minha mãe dizia que dão pesadelos.
-Acho que o que dá pesadelos é toda a atmosfera que fica no castelo após ser invadido por Sirius Black. –Ele disse mastigando seu sapo de chocolate. – Acho que isso é o suficiente para acabar com o sono de qualquer um.
Hermione se contentou apenas em revirar os olhos e voltar sua atenção ao seu dever de casa de Aritimancia. Era um dos muitos que ela tinha que fazer ainda. Porém, graças a seu vira-tempo, ela acreditava que conseguiria terminar esse e o de runas nessa noite, se voltasse no tempo duas vezes. No dia anterior, ela dera conta dos deveres de Transfiguração e de Poções voltando no tempo antes de irem assistir à partida de quadribol em que Harry se acidentara por causa dos dementadores.
Ela havia respondido apenas a primeira pergunta quando ouviu Rony tossir e ela ergueu a cabeça para olha-lo.
-Que foi?
Ele se ajeitou na cadeira e cruzou os braços. Hermione viu pelos papeis na frente dele que ele já havia comido dois sapos de chocolate e três varinhas de alcaçuz.
-Me fala a verdade. – Ele começou. – Como você consegue dar conta de todos os deveres?
-De novo isso, Rony? – Ela estava impaciente já. -Já te expliquei que com uma boa organização de horário eu consigo fazer tudo.
-Mas não faz sentido! – Retrucou Rony. – Seu horário não faz sentido! As aulas se sobrepõem. Não tem como você ter essa quantidade de aulas no mesmo dia.
Ela revirou os olhos e desviou o olhar dele, olhou para seu livro. Institivamente passou a mão pelo pescoço e sentiu a corrente do vira-tempo embaixo da blusa dela, tirou a mão rápido com medo que Rony acabasse percebendo, mas não olhou para ele para ver se ele reparara. Mas ele continuou a falar mesmo sem resposta:
-Quando eu vou dormir você está na sala comunal estudando, quando eu acordo você está na sala comunal estudando. Pelo amor de Merlim, Hermione, eu nem vejo você dormir.
-Deve ser porque eu durmo no dormitório das garotas, não é? – Ela retrucou sarcástica sem olhar para ele.
-Ir dormir... Ah você me entendeu. – Ele disse impaciente.
Ela sentia que estava ficando vermelha. Não podia deixar que Rony descobrisse tudo agora... Por que ele tinha que ser tão intrometido? Não podia deixar ela tomar conta da vida dela em paz? O que ele tinha a ver com isso?
Então, ele adotou um tom mais sério.
-Você tem comido nessas noites acordada estudando, Mione?
Ela não respondeu. É claro que estava comendo, mas não tinha como explicar a Rony como conseguia tomar café da manhã no saguão enquanto estudava na sala comunal ao mesmo tempo.
-Não faz bem ficar tanto tempo sem comer. Eu sei que você falou que não come doces de noite, mas eu tenho umas tortinhas de abobora ainda da Dedosdemel... Eu sei que você gosta.
Ela sabia que o rosto dela ainda devia estar um pouco vermelho, mas mesmo assim o encarou e respondeu:
-Não precisa, Rony, eu sei me cuidar.
-Isso ainda não responde minha pergunta sobre como você frequenta aulas que acontecem ao mesmo tempo.
-Eu tenho um acordo com a professora McGonnagal, já disse.
-Mas...
-Talvez a resposta seja que você deva tomar conta da sua própria vida, Rony!
Ela encarou-o, raivosa, por alguns segundos e voltou sua atenção para o livro.
-Eu só quis ajudar, tá bom, Hermione! – Rony respondeu raivoso. Ela não se atreveu a olha-lo mas percebeu pelo barulho que ele havia se levantado da cadeira. –Porque é isso que amigos fazem! Mas se você vai continuar sendo arrogante e metida a sabe-tudo que não aceita ajuda então lide sozinha com seus problemas! E se você pirar de tanto estudar não venha me procurar!
E saiu pisando forte pela sala comunal.
Hermione manteve a cabeça baixa olhando para seu livro. Rony idiota, porque tinha que querer tomar conta da vida dela assim?
Mas ela sabia muito bem que se fosse ele ou Harry fazendo algo que ela considerasse prejudicial à saúde deles ela também interviria de qualquer modo. E também insistiria em saber o que eles estavam escondendo. Era óbvio que ela estava escondendo um segredo dos dois. E Rony parecia mais empenhado do que Harry para descobrir o que estava por trás do horário de Hermione. "É porque ele é curioso e quer ficar se metendo na minha vida" ela pensou. Mas sabia que não era verdade, ele estava genuinamente preocupado.
Ela sentiu remorso por ter sido grossa com ele. Logo agora nesse período em que estavam brigando tanto.
Ela continuou a escrever seu dever de Aritimancia. Quando acabou, restava apenas ela na sala comunal. Decidiu não usar o vira-tempo nesse momento. Ia dormir e amanhã decidiria como o usaria para terminar o dever de Runas.
Ao fechar o seu livro e guarda-lo na mochila, ela olhou para o lugar que Rony havia ocupado antes de sair da sala com raiva. Um pequeno sorriso tomou conta de seu rosto quando percebeu que, em cima da cadeira, havia duas tortinhas de abobora.
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