Sozinhos, juntos

3 A Primeira Vez n'A Toca


Notas iniciais
Entramos agora no Calice de Fogo!! A partir desse livro que acontecem minhas partes favoritas do relacionamento entre esses dois! Esse é um momento que é deixado bem em aberto no livro, mas que eu acho que provavelmente é importante pra história deles! Espero que gostem!

O Cálice de Fogo – capitulo 3:

Vamos buscar você, quer os trouxas gostem ou não; você não pode perder a Copa, só que mamãe e papai acham que é melhor a gente primeiro fingir que está pedindo permissão. Se eles disserem que sim, mande logo a Píchi com a sua resposta, e iremos buscar você às cinco horas no domingo. Se eles disserem não, por favor, mande Píchi de volta depressa e iremos busca-lo no domingo às cinco horas, assim mesmo.

Hermione está chegando hoje à tarde. Percy começou a trabalhar – Departamento de Cooperação Internacional em Magia. Não fale em ir para o exterior enquanto estiver aqui a não ser que queira que ele lhe arranque as calças pela cabeça.

Até mais – Rony.”

Hermione nunca havia usado a rede de flu antes. Estava ansiosa para testa-la, sabia que era o principal modo de transporte entre a comunidade bruxa.

Ficara tão animada ao receber a carta de Rony que a lera duas vezes.

Semana que vem começa a Copa Mundial de Quadribol. Sei que você não é a maior fã do esporte, mas papai conseguiu uns ingressos no ministério e perguntei a ele se poderíamos levar você e Harry e ele deixou! Se você quiser, papai pode conectar a sua casa na rede de flu para você pra toca e a gente poder ir juntos! Então me avise, ficarei feliz se você vier e acho que Gina também, ela tem me perguntado se você poderá vir, acho que está animada com a ideia de não ser a única menina. Mande a resposta pela minha nova coruja, a Píchi.

Até mais – Rony

Hermione sentiu algo estranho em sua barriga quando ela leu “ficarei feliz se você vier”, mas balançou a cabeça para afastar essa sensação. “É claro que ele ficará feliz, nós somos amigos” pensou.

Explicara seus pais sobre a rede de flu. Eles ficaram um pouco confusos com a ideia de viajar através de lareiras, mas concordaram, confiavam em sua filha.

Então, quando chegou o dia, Hermione pegou suas malas, deu um beijo e um abraço em sua mãe e seu pai, entrou na lareira e jogando o pó de flu falou “A Toca”.

Fechou os olhos quando as chamas verdes a consumiram e quando os abriu viu que estava na sala da família Weasley. Nunca havia estado ali antes então percorreu os olhos pelos detalhes: o sofá laranja com uma manta colorida, uma mesa grande e com várias cadeiras diferentes uma da outra, em uma quantidade o suficiente que coubesse toda a família. Ela nunca havia parado para imaginar como seria o interior da Toca, mas se tivesse, achava que teria imaginado exatamente da maneira que via, combinava com os Weasleys.

Só demorou alguns segundos olhando pela casa quando uma Molly Weasley animada foi recebe-la.

—Hermione, querida! Entre!

—Olá, Sra. Weasley.

—Deixa eu te ajudar com as malas.

A Sra. Weasley lançou um feitiço nas malas fazendo-as flutuar e acompanha-las enquanto subiam as escadas.

—Vamos, vou leva-la ao quarto de Gina! É onde você irá ficar. Falei a Rony que você provavelmente chegaria logo, mas acho que ele ainda está no banho. É essa porta, querida, pode vir. Gina!

E bateu na porta que logo foi aberta por uma menina de cabelos longos ruivos que sorria amistosamente.

—Oi, Hermione, pode entrar. Eu ajudo ela com as malas, mamãe, pode deixar.

Sra. Weasley fez um movimento com a varinha e fez as malas se posicionarem no chão ao lado da porta e então saiu do quarto dizendo que iria preparar o almoço.

Hermione nunca havia realmente conversado com Gina durante esses anos. Provavelmente porque a ruiva ficava tímida perto de Harry e todas as vezes que as duas se encontravam, Harry estava perto. Mas só as duas naquele quarto, Gina parecia mais descontraída e parecia até mais velha, porque Hermione antes a via como a irmã caçula de Rony, mas naquele momento ela percebera que a diferença de idade entre elas era de apenas um ano e alguns meses, não era tanto assim.

O quarto de Gina tinha paredes brancas. Uma cama de solteiro se encontrava encostada na parede, logo abaixo de um pôster de uma banda bruxa chamada “As Esquisitonas”. E do lado da cama, uma outra cama, só que de armar, que Hermione supôs que seria para ela. Na parede a frente, uma grande janela que dava para o quintal.

—Pode deixar suas malas aí do lado da cama. – Gina explicou. – Pode guardar algumas roupas no armário se quiser. O banheiro mais próximo é o lá de baixo perto da sala, porque o outro fica dois lances de escada pra cima e é um saco quando se está precisando muito usar. Enfim, pode ficar à vontade e se precisar de algo só me perguntar, tá?

—Obrigada, Gina. – Hermione sorriu, estava sendo muito bem recebida. Botou as malas do lado da cama de armar e reparou que tinha um pôster em cima dela. – Esse é seu time de Quadribol?

Apontou para o pôster que estava escrito “As Harpias de Holyhead”.

—É sim! Acho que você ia gostar, viu? É o único time de Quadribol que só aceita mulheres. Todos os times contratam homens em maioria, mas isso não importa porque as Harpias acabam com eles mesmo assim!

—Achei que você torcesse pro mesmo time que o Rony. Os “chu alguma coisa”.

—Ah, os Chudley Canons. – Gina riu. – Não, não, só o Rony aqui em casa torce para esse time. Você não sabe como são os dias que eles jogam contra o time de Fred e Jorge... Os canons quase sempre perdem e os gêmeos não deixam o Rony esquecer por dias.

—Eu imagino.

Gina se sentou em sua cama com as pernas cruzadas e olhou para a amiga:

—Por falar em Rony, ele já sabe que você chegou?

—Não, ainda não o encontrei. — Hermione ajeitou uma mexa de cabelo que caia em seu rosto. Seu coração palpitou ao ouvir o nome, não havia reparado como estava ansiosa para encontra-lo até aquele momento.

—Ele está há semanas falando sobre como vocês dois e o Harry vão se divertir na Copa Mundial. Está tão animado que ontem no jantar o Fred perguntou se vocês três são um casal.

As duas meninas riram com a ideia, mas Hermione corou levemente.

—Nós não somos, tá? – Ela disse ainda rindo, mas achou importante ressaltar.

—Eu sei, né? – Gina disse mostrando que achava isso obvio. – Já acho difícil o Rony namorar uma pessoa, quem dirá duas. Mas vamos lá, é o quarto do sótão, é bom que eu te mostro a casa.

As duas meninas saíram do quarto e subiram as escadas. Gina ia dando instruções como: “Esse aqui é o quarto do Percy, ele está trancado o verão inteiro supostamente trabalhando. E esse é o quarto de Fred e Jorge, e eles realmente tem trabalhado bastante, você não vai acreditar, vou deixar o Rony te contar sobre...”.

Quando finalmente subiram o último lance de escada, Gina bateu na porta do último quarto.

—Pode entrar. – Gritou de dentro, uma voz que Hermione conhecia muito bem.

Gina abriu a porta e as duas entraram no quarto.

Os olhos de Hermione demoraram alguns segundos para se acostumar com o laranja vibrante. Rony estava sentado na cama dele ao lado da parede que era coberta por pôsteres dos jogadores do Chudley’s Canons. O menino tinha uns pergaminhos nas mãos e ao lado, a gaiola de sua nova coruja estava vazia.

—Mione! – Ele sorriu ao vê-la entrar pela porta, e Hermione podia jurar que viu um brilho a mais em seus olhos. – Eu acabei de mandar Píchi ao Harry avisando que você chegaria hoje à tarde.

Hermione abriu a boca para falar, mas Gina falou antes.

—Mas que bagunça toda é essa?

A atenção de Hermione foi então desviada para o chão do quarto, onde se encontravam um colchão, cobertas, várias revistas em quadrinhos onde se lia “Martin Miggs: o trouxa pirado” e peças de xadrez bruxo.

—Mamãe pediu pra eu arrumar a cama de armar no Harry. – Ele se explicou, parecendo um tanto envergonhado. – Mas aqui é muito pequeno, então quando eu entrei com ela esbarrei em várias coisas e aconteceu isso.

—E você não recolheu até agora?

—Bom, é que seria mais fácil se eu usasse magia...

Nesse momento, ouviu-se o grito da Sra. Weasley vindo lá de baixo:

—GINA!

A ruiva olhou pela porta e depois se virou para os dois.

—Eu disse que ia ajudar no almoço. – Explicou. – Não vou contar a ela sobre a bagunça, mas ela vai descobrir de alguma forma, então é melhor dar um jeito nisso antes.

E dito isso saiu do quarto.

Rony bufou.

—Lei estupida sobre menores de idade.

Hermione riu. Era impressionante como bruxos dependiam da magia as vezes.

—Não é o fim do mundo, Rony. Eu te ajudo se quiser.

—O educado seria eu recusar, mas eu adoraria uma ajuda. – Ele falou se levantando.

Assim que ele ficou de pé e se espreguiçou, Hermione o olhou. Havia um pouco mais de um mês que eles não se viam, mas ela achava que ele havia crescido. Os cabelos dele definitivamente estavam maiores, quase tocando seus ombros. A blusa dele estava pequena, ao se espreguiçar ela levantou alguns centímetros e Hermione não pode evitar olhar o pedaço de pele exposta, mas quando percebeu que olhou, desviou o olhar rapidamente, corando. A sensação em sua barriga de quando havia lido a carta dele voltara. O que diabos era isso?

Para disfarçar, Hermione se ajoelhou no chão e começou a recolher as revistas. Rony ajoelhou na frente dela pra juntas as peças do xadrez de bruxo. Ela parou o instante para observar a capa da revista.

—O trouxa pirado? – Ela perguntou olhando para o amigo com um rosto que dizia “sério?”.

—É engraçado! – Rony disse.

—É assim que vocês veem os trouxas então? – Hermione riu juntando uma pilha das revistas.

—Claro que não! Só o Martin, que é o personagem principal. Na história ele tem vários amigos bruxos e aí ele se complica com magia, é engraçado. Tipo, nessa daqui... – Ele se esticou e pegou a edição que estava na mão de Hermione. –Ele acaba parando em cima de uma vassoura.

Hermione olhou para ele e viu que ele estava rindo.

—E nessa daqui... – Ele se esticou mais para pegar uma que estava ao lado dela, o braço dela encostou rapidamente em sua perna. – Ele acaba indo para um banco dos bruxos e se perde lá no meio, cheio de duendes em volta achando que ele está tentando invadir, mas na verdade ele só estava procurando um banheiro!

Rony ria olhando para as revistas, abri-as as vezes para mostrar cenas para a amiga. Hermione o observou. Definitivamente havia algo de diferente em Rony... Mas ela não sabia dizer o que. O jeito que ele sorria, fazia ela querer sorrir junto. Os cabelos ruivos, grandes agora, caiam as vezes sobre seus olhos e ele tirava com a mão, distraidamente. O barulho da risada dele fazia a sensação estranha na barriga dela voltar.

—... e aí ele acha uma varinha perdida e... Mione, tá tudo bem?

A garota teve a sensação de ser despertada de um transe, reparou então que estava perdida em seus pensamentos e Rony continuava falando. Agora ele a observava preocupado.

—O que? – Ela disse.

—Você está meio vermelha. – Ele falou. – Enjoou na viagem de flu? Acontece na primeira vez.

—Não... eu... – Ela engoliu em seco, devia estar mais vermelha ainda agora. – Acho que um pouco.

—Parece. – Ele falou se levantando. – Vem, eu peço pra mamãe preparar um chá para você.

Ele esticou a mão para ajudá-la a se levantar. Ela aceitou. Quando suas mãos se encostaram, um choque percorreu seu corpo. Ela se levantou ficando cara a cara com ele e, tentando não corar novamente, perguntou:

—Mas e a bagunça?

—Eu cuido disso depois. – Ele respondeu. – Vem, vamos descer.

Ele foi descendo as escadas e ela atrás dele. Totalmente confusa com aquelas sensações novas que Rony estava provocando nela. Depois de quatro anos ela estaria se sentindo atraída por um dos seus melhores amigos?

“Não, não poderia ser. É só uma fase, Hermione” pensou consigo mesma “tente ser lógica! Você tem quase quinze anos e nunca beijou um garoto na vida! O Rony cresceu e parece mais um homem agora, é isso que está te confundindo! São seus hormônios, só isso! Não quer dizer que você está atraída por ele... Talvez um pouco, mas não gostando dele! É, definitivamente não romanticamente gostando dele”.

Os dois chegaram no primeiro andar.

—Senta ali na sala, Mione. Eu vou falar com mamãe e já volto!

Ela assentiu e se sentou na poltrona. Acompanhou Rony com os olhos enquanto ele ia até a cozinha.

“Esse vai ser um ano complicado” pensou.

Notas finais
O quarto ano realmente foi complicado.... Não tanto quanto o sexto no entanto... Espero que tenham gostado!