Notas iniciais
Bom, ninguém comentou os Caps. anteriores e tal, e sl, acho que nem vão comentar nessa e tal, mas blz, KK
Enfim.
Boa Leitura.

Sentei no banco daquela praça e olhei atentamente para aqueles rostos totalmente desconhecidos e te procurei em todos eles. Procurei alguma semelhança entre eles. Olhei atentamente para cada nariz e não achei nenhum que fosse tão arrebitado como o seu, ou um rosto tão delicado quanto. Observei o andar de qualquer um que passasse a minha frente e tentei procurar o seu modo de se locomover ali. Tentei achar algo que me desse esperança ou algo que eu estava procurando. Mas eu não encontrei, como sempre. Não achei nada que pudesse indicar que era você.

Muitos perguntam como eu poderia encontrar você em meio a todas aquelas pessoas ali, afinal, quando você desapareceu, nós tínhamos apenas dez anos de idade. Mas nós éramos gêmeos e eu te reconheceria mesmo agora, depois de onze anos. Reconhecer-te-ia em todos aqueles lugares que eu ia diariamente. Eu sentiria você, porque o que nós costumávamos ter era algo que ia além de qualquer explicação.

Levantei suspirando daquele banco e caminhei para fora daquele parque, indo para casa. Caminhei por aquelas ruas normalmente: Olhando para qualquer um que passasse por mim, observando tudo. Eu ainda tinha esperanças, afinal. Mesmo não sabendo se você estava vivo, em cativeiro ou até mesmo naquele mesmo país. Nunca em todo esse tempo conseguiram desvendar o mistério. Ninguém descobriu quem te sequestrou e já haviam dado aquele caso como encerrado havia tempo. Mas, eu jamais desistiria, tanto é que eu ainda te procurava, ainda investigava e tinha todos aqueles jornais com a sua foto estampada nas primeiras páginas. Eu tinha tudo que se relacionava a você.

Nossa mãe já havia perdido toda e qualquer esperança que pudesse ter. Nosso pai nem se dava mais ao trabalho de ir comigo naquele parque, esperar por você.

Quando eu cheguei a casa, fui direto para o nosso quarto, que ainda não mudara nada. Deitei na cama que estava ocupando o lado esquerdo do quarto e fiquei pensando em tudo. Lembrei-me do nosso último aniversário junto e lembrei-me do dia em que te perdi.

Sentei-me naquele banco que ficava longe de tudo daquele parque e sorri para Bill, que estava sentado ao meu lado, sorrindo lindamente para o nada. Hoje nós estávamos comemorando dez anos de idade, estávamos nos tornando homenzinhos, como dissera mamãe, assim que saímos de casa hoje.

Havíamos a incomodado a semana toda para que nos deixasse ir sozinhos para o parque, para comemorar o nosso aniversário juntos.

-Tom, eu quero! – Disse um Bill sorridente, apontando freneticamente para o homem que vendia algodão doce.

Apalpei meu bolso e vi que tinha dinheiro. Sorri para ele e ele correspondeu, fazendo meu coração acelerar. Corri até o homem que vendia o doce e fiquei esperando na pequena fila que se formara ao redor do homem. Fiquei olhando para os lados, pensando em nada, até que chegou minha vez. Paguei o doce e corri até onde Bill estava. Mas ele não estava mais ali. Havia ido. E nunca mais voltado.”

***

Larguei minha guitarra ali no sofá e fui até a cozinha, vendo que minha mãe estava sentada na mesa, segurando o telefone forte contra o peito e estava terrivelmente branca.

-Mãe? – Perguntei sentando ao seu lado, estranhando sua reação. – O que aconteceu? – Perguntei preocupado, colocando a mão em seu ombro.

Ela me olhou surpresa e apontou com a cabeça para o papel que estava na mesa. Olhei desesperado para ela quando vi que suas lágrimas estavam caindo freneticamente e peguei o papel nas mãos, lendo com o coração quase parando o que estava ali. Era um e-mail. Um e-mail da polícia. Peguei-o com as mãos trêmulas e quando terminei de ler, soquei a mesa com força e corri até o quarto, escutando os soluços de minha mãe.

Eu não sabia se ficava feliz ou se me desesperava. Não sabia se sorria ou se chorava. Não sabia de nada. Estava tudo confuso e eu não pensei que quando esse dia chegasse, eu ficasse tão desesperado. Sempre esperei que aquilo acontecesse e agora, quando aconteceu, não tinha certeza de que queria mesmo a confirmação.

O e-mail contava que o policial que cuidava do caso de Bill tinha encontrado alguma coisa. Ele estava em outro caso, em uma praça, investigando outro desaparecimento, quando ele achou uma blusa escrita “Bill” na frente, em uma letra incerta de criança, toda desbotada e velha. Imediatamente ele se lembrou do nosso caso e levou para a delegacia, constatando que aquela camiseta pertencia ao meu gêmeo. Ele estava usando aquela camiseta quando fomos ao parque.

Enquanto pensava sobre tudo isso, lembrei-me de como quis que aquele dia chegasse. Lembrei-me de quantas noites passei acordado apenas sentindo a dor da perda e olhando para as nossas fotos juntos, quando éramos pequenos, querendo desesperadamente no dia em que algum dos policiais achasse alguma coisa referente a você, alguma coisa que pertencesse a você. Afinal, viver naquela angustia era terrível.

Eu acordava todo dia e não sabia se você estava bem, se você estava respirando ou se você estava por perto. Todo dia quando eu saía de casa eu olhava para aquela multidão e meu coração batia dolorosamente pensando se você estava por perto, se não era você aquele cara que eu havia esbarrado a alguns metros antes, ou se era você o cara que sentou ao meu lado no bando do ônibus. Viver naquela dúvida matava-me aos poucos.

Mas se eu fosse à delegacia e descobrisse que ele está morto? Que se todas aquelas vezes que eu olhava esperançoso para aquelas pessoas fossem em vão, ou se todas as noites e dias que eu passei imaginando o nosso encontro. Ou pensando se você estava bem ou não.

Eu, realmente, não tinha certeza se queria viver sem aquela esperança toda.

***

Sentei naquela cadeira branca e encarei o policial que estava sentado a minha frente, segurando um plástico com a camiseta preta dentro. Meu estômago se contorceu em ansiedade e meus olhos ficaram úmidos, implorando para que eu deixasse as lágrimas escorrerem livremente por eles.

-Então, Tom, estivemos investigando durante todos esses últimos onze anos e especialmente nesse mês que se passou. E, para ser sincero, encontramos mais respostas nesses trinta dias do em todos os outros. Achamos essa camiseta enterrada no chão de um parquinho, do outro lado da cidade. Investigamos, colhemos digitais e achamos o suspeito, como você mesmo sabe – Disse olhando-me com compaixão. Assenti. – O pegamos ontem e o fizemos confessar. Ele contou tudo o que fez com o seu irmão e o porquê. – Disse fechando os olhos e estremecendo de leve.

-E eu posso saber? – Dizem que nós não podemos fazer perguntas se não aguentamos a resposta, mas eu não estava em condições de seguir aquele velho clichê.

A dor estava pior a cada segundo que passava, mas um sorriso estava impregnado em meu rosto. Se tudo corresse bem, eu iria ver ele. Hoje. Depois de todos esses anos de tortura.

-O nosso culpado, John Pary, confessou tudo e nos contou tudo. Ele disse que pegou o seu irmão sim, no Dia 1º de Setembro, e o levou até a sua casa, na frente daquele parque que foi encontrada a camiseta. Tom, eu não gostaria de ter que te contar isso, porque você sabe que eu sou seu amigo e sei o quanto vai doer, mas ele estuprou seu irmão durante alguns meses e Bill apenas morreu porque tentou fugir. Levou um tiro no peito e o culpado não o levou ao hospital. Bill pegou um a infecção e não resistiu. Morreu no dia 15 de Janeiro, do outro ano – Tenente Gustav disse, olhando-me estranho.

Fechei os olhos com força e senti aquela dor agonizante atravessar meu peito e perdi o ar, tendo que respirar bem fundo para não perder os sentidos. Não estava escutando nada, apenas a voz mansa de Bill gritando, pedindo socorro, minha mente estava inundada com imagens suas chorando, definhando lentamente e morrendo, logo em seguida.

-Eu quero ver esse assassino – Disse firme, limpando uma lágrima que começara a escorrer pelo meu rosto.

-Claro – Disse levantando da cadeira e assumindo sua posição de policial, não de amigo. Sabia que depois ele iria a minha casa, afinal.

Caminhamos até uma sala no final do corredor. Minhas pernas estavam moles e eu quase não conseguia sentir meu coração batendo. Minha pulsação estava fraca e eu sabia que quando eu menos esperasse, ela se cansaria e pararia, definitivamente.

Entrei naquela sala e olhei para o homem que estava sentado na mesa, com as mãos algemadas e um sorriso de escarnio no rosto. Não senti raiva ao vê-lo, apenas nojo, desprezo. Ele havia, definitivamente, tirado a pessoa que eu mais amava de minha vida.

-Uau, então você é o irmão daquela coisa insignificante que eu matei há alguns anos atrás? – Perguntou sorrindo debochado – Nada mal.

-Por quê? – Perguntei simplesmente, olhando friamente para ele. Não deixaria minha dor à mostra. Pelo menos, não agora.

-Porque o que? – Perguntou ironicamente, olhando-me desafiadoramente nos olhos. – Por ter matado e estuprado seu lindo irmãozinho? – Perguntou, sabendo que eu não responderia. – Não seja idiota. Sabe como ele morreu? Morreu chamando por você, seu inútil. Ele vivia chamando por você, sabia? Era Tom pra cá, Tom pra lá, chegava a irritar – Disse revirando os olhos. – Aquele afeminado pediu misericórdia, acredita? Bom, eu não dei. E quer saber de uma última coisa? A última coisa que ele falou, enquanto morria lentamente, era que amava você. Veado mesmo. – Disse sorrindo para mim.

Tranquei a respiração e senti alguém puxando meu braço. Saí daquela sala sem ter para onde ir, sem rumo, sem esperanças. Meu irmão estava morto e eu nem pude me despedir. A culpa corroía meus ossos.

-Você quer ficar com isso? – Gustav perguntou erguendo o saco que continha a camiseta de meu gêmeo.

Olhei para o saco e o peguei, tirando a camiseta dali de dentro. Vi o pano preto e sujo ali e deixei, finalmente, que as lágrimas corressem livremente por meu rosto, fazendo um grito sair de minha garganta. A dor era muito mais do que insuportável.

Aproximei a camiseta pequena do meu peito e solucei, quase perdendo os sentidos. Passei os dedos lentamente pelas palavras escritas ali e sorri em meio ao meu desespero, lembrando-se do dia em que mamãe havia nos obrigado a fazer uma camiseta com nossos nomes na frente, para saber quem era Bill e quem era Tom. A letra era incerta, totalmente infantil. Era a letra de Bill. Chorei mais.

-Sabe o que é mais triste? – Disse retoricamente para Gustav, olhando-o desesperado. – É ter que viver agora com a certeza de que eu nunca vou poder ir para o parque e ficar observando as pessoas e do nada, ver aquele rosto que eu tenho certeza que seria diferente do meu. Eu vou ter que viver sem esperanças, agora. – Disse sorrindo tristemente.

Saí dali ainda com as lágrimas escorrendo por minha face e a dor rasgando-me ao meio.

Eu iria sentir falta de toda aquela esperança. Afinal, ela era que me dava forças para acordar todos os dias. E agora, sem ela, não sabia se conseguiria seguir em frente.

Notas finais
Bom, ficou bem maior do que os outros e sl, enfim. Espero que quem leu tenha gostado e pfvr, deixe Reviews, okay? Nem que seja um 'Legal, gostei' ou um 'Terrível, pode melhorar naquilo e blábláblá' Enfim.
Até o próximo.