Soulmates

12 The One That Got Away


Notas iniciais
Eu, particularmente, gosto dessa Fic. Sempre quis postar ela, mas n sei, não tinha coragem e tal. Espero, de verdade, que gostem. Enfim.
Boa Leitura.

Uma estocada dentro daquele corpo e eu pude sentir meus olhos pesarem. Fechei-os e me deparei com os seus olhos. Castanhos, perfeitos e agora, sem vida. Ofeguei, sentindo uma dor insuportável rasgar meu peito.


Escutei a pessoa abaixo de eu gemer e comparei a voz dela com a tua. Não era nada parecido, cheguei rapidamente nessa conclusão. Nenhuma voz era parecida com a sua, na verdade. E mesmo que fosse jamais teria o efeito que a sua tinha em mim. Só a tua me acalmava nos momentos de desespero, fazia meu corpo estremecer. Só a tua voz conseguia tirar-me desse mundo cruel. Só a tua voz, sendo sussurrada ao pé do meu ouvido dizendo ‘eu te amo’, era capaz de fazer-me acreditar que mesmo com todas as nossas dificuldades, conseguiríamos ser felizes.


Senti duas mãos tocarem meu peito e eu pude sentir suas mãos, delicadas, perfeitas. Eu queria, mais que tudo, parar de lembrar de você. Eu queria parar de comparar você com todos que vão para a cama comigo. Mas você era perfeito, o melhor, e acho que jamais encontrarei alguém assim. Talvez o segundo melhor.


Abri meus olhos, tentando fugir de todas as lembranças dolorosas e concentrei-me em dar atenção para a pessoa abaixo de mim. Beijei seu pescoço e pude sentir seu cheiro. O cheiro que me inebriava e deixava-me tonto, em um estado de torpor intenso.


Movimentei meu quadril e senti nojo com aquele ato. Era difícil, ainda, fazer sexo com outra pessoa. Era difícil, pois eu fico aqui lembrando de como nossos corpos eram feitos um para o outro. De como o seu quadril vinha de encontro com o meu, em um movimento sincronizado. Uma dança perfeita, eu diria. De como nossas bocas encaixavam-se perfeitamente, de como nossos lábios massageavam um ao outro, de como as nossas línguas dançavam em perfeita sincronia. De como as nossas mãos, entrelaçadas, se encaixavam, como todo o resto.


Fazer tudo sem você era difícil. Entrar no palco, tocar minha guitarra e não ver você, lá na frente, cantando com todas as tuas forças. Chegar a casa e não ver você sentado no sofá, vendo televisão. Ou então, na cozinha, arrumando algo ou até mesmo comendo. Entrar no carro que um dia fora nosso e saber que por um descuido meu você partiu, assim, tão de repente.


Entrar em nosso quarto era a parte mais difícil, eu diria. Deitar naquela cama enorme e não sentir seu corpo perto do meu, causando-me arrepios. Não puxar você para meus braços e dormir assim, entrelaçados um ao outro. Acordar então no outro dia e ver você dormir, vigiar teu sono, acariciar teu rosto e beijar tua face. Eu sinto tanta falta disso.


Acordar, dormir, viver; nada disso, sem você, é a mesma coisa. Não é a mesma coisa rir sem você para me acompanhar. Não é a mesma coisa sair para beber sem você lá, para ficar implicando com o tanto que eu já bebi. Não é a mesma coisa tomar um banho sem você ficar batendo de minuto em minuto na porta, igual a nossa mãe fazia. Mas você se cansava e entrava comigo, rindo como uma criança. Nada é o mesmo sem você aqui.


Respirar, andar, coração batendo. Tudo é automático agora. Eu sou automático, como um robô. Apenas o que resta de mim, sem você, é nada. Apenas e absolutamente nada. Um corpo vazio, sem capacidade de amar novamente.


Sinto a pessoa que jazia ali beijar meus lábios e fecho os olhos, te imaginando aqui. Tomo-te em meus braços e aprofundo o beijo, dando uma estocada forte, mas delicada, com amor, suavidade. Acaricio teus cabelos e sinto o aroma deles impregnar em meus sentidos. Acaricio tua face, ainda de olhos fechados, e escuto você suspirar. Eu abro os olhos, para ver sua expressão, e sinto as lágrimas virem com força quando noto que não é você ali.


Não é teu corpo, teu cheiro, teus beijos, teus toques, tuas mãos, teus olhos. Não é nada teu. Sinto raiva de você agora. Porque foi tão cedo, hm? Porque me deixou aqui? Porque quebrou a mais valiosa das promessas?


“Juntos, para todo o sempre”.


Porque não foi, realmente, assim?


Você tem alguma ideia de como é doloroso sair de casa, comprar as tuas flores preferidas e entrar no cemitério onde teu corpo está? Claro que não. Sabe como é se culpar, dia e noite, por ter brigado com você por algo idiota? Pois é, de novo não. Você sabe como é doloroso saber que as últimas palavras proferidas por mim a você foram ‘eu te odeio’? É, você não sabe. E eu nem queria que soubesse, pois dói tanto.


Uma última estocada e eu me sinto vindo. Despejo meu prazer dentro da pessoa que está ali e saio de dentro dela, deitando ao seu lado. Lembra de como era com a gente? Cada um em seu tempo, nunca juntos. De como você ficava esplendido com os olhos fechados, a boca meio aberta e a respiração ofegante. De como você achava sagrado os carinhos depois de uma noite de amor. De como nós ficávamos horas, deitados, de mãos entrelaçadas, nos olhando, sorrindo um para o outro. De como era bom observar você cair no sono, lentamente. Era bom apenas ficar ali, escutando sua respiração e sentindo as batidas de seu coração. Era bom quando você ainda estava vivo, e comigo, sendo apenas meu.


A pessoa aconchega-se nos meus braços e eu a abraço, fingindo que é você, afinal, fingir é a coisa que eu mais faço desde que você partiu e levou-me consigo. Fecho os olhos novamente, e consigo te enxergar, sorrindo.


Eu sorrio de volta e murmuro um ‘eu te amo’ para você. Sei que pode ouvir. Você prometeu lembra?


“Quando nada parecer certo, quando teu mundo estiver desabando ou até mesmo quando você sentir minha falta, feche os olhos e me imagine. Eu estarei ali, ao teu lado, como sempre estive.”


Essas foram as suas últimas palavras.


Rolo na cama e finjo que vou dormir. As lembranças vêem a tona e me fazem querer chorar. É por isso que eu amo e odeio a noite, pois é nela que eu mais sinto tua falta. Mesmo sabendo que irá doer, eu deixo tudo vir, deixo levar-me. Desde quando nós éramos pequenos, até um mês atrás. A lembrança do nosso primeiro beijo, da nossa primeira vez. Das nossas promessas, das juras ao pé do ouvido de madrugada, dos arrepios causados por apenas um roçar de dedos. Sorrio em meio a todas as lembranças. É bom lembrar-se do que nós dois tivemos, mas seria infinitas vezes melhor você aqui, para revivê-las comigo.


Notas finais
Bom, o que acharam? Tosca demais ou, sl, alguma coisa demais? Digam, tudo bem?
Até o próximo.