Soulmate
6 Último por do sol
Notas iniciais
Olhar para trás e pensar que toda uma vida foi vivida aqui, é surreal. Não lembrar de todos os momentos bons e ruins, é impossível. Nós vampiros temos uma memória ótima, e são tantas lembranças que você gostaria de levar junto, mas que não pode pois você precisa de espaço para novos momentos e recordações, que as antigas serão guardadas numa caixinha em seu coração.
Eu não acreditava que estávamos voltando pra onde tudo começou, onde eu nasci. Tudo bem que não tinha vivido quase nada lá, mas lá era meu mundinho. Onde eu pertencia.
Eu amava Bergen, afinal depois de tantos anos assim numa cidade onde só tem montanhas, com paisagens maravilhosas e alguns animais apetitosos, impossível não amar este lugar.
– Você tem razão Nessie, é impossível não amar este lugar. – meu pai disse parando do meu lado e olhando para a mesma direção que eu. Olhei para trás e percebi que todos estavam fazendo a mesma coisa que eu. Admirando o nosso último por do sol, encima da montanha.
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As árvores passavam rapidamente por mim, mas isso não me impedia de observá-las detalhadamente. Eu já tinha me esquecido como era o cheiro daqui. Forks era toda verde e marrom, um pouco desanimador, pois quando você passa boa parte e sua vida num lugar totalmente colorido, cheio de diversidades e ir parar num lugar, digamos que “sem vida”, isso era desanimador. Mas na verdade classificar Forks sem vida era sim algo injusto. Era onde tudo tinha dado início, onde as coisas podiam magicamente como para os meus pais. Quando nos mudamos daqui, Esme e Carlisle me contaram que Forks era cheia de fábulas, e as suas redondezas também. Eu sabia da existência de lobisomens, mas não acreditaria até não enxergar um, sabia também do pacto de não podermos atravessar a linha de não o que, que na verdade eu não tinha prestado muita atenção, mas sabia que por algum motivo parecia que esse pacto não se aplicava a mim. Bom, eu não sei, não ligo a mínima pra isso.
Carlisle nos disse que ficaríamos só por um tempo em Forks,porque ele não podia mais trabalhar lá,e nem nós estudarmos. Quem sabe daqui alguns séculos, mas agora não. Eu não estava me preocupando muito com isso, eu só queria viver, nem que fosse um pouquinho daquele mundinho, verde e marrom.
O cheiro de musgo e madeira úmida invadiram minhas narinas. Eu estava no carro com minha mãe e meu pai, eles deviam estar conversando mentalmente, pois meu pai às vezes respondia, e minha mãe nada falava. Eu não estava muito ligada na conversa, eu só queria aproveitar aquele momento. Eu queria descer do carro e correr por entre as árvores, sentir meus pés batendo nos troncos e na grama macia, e chegar em casa e ter que limpas minhas mãos cheias de barro e musgo. Ao terminar de pensar nisso, o carro foi fortemente freado, fazendo meus cabelos irem para frente. Ninguém se moveu um centímetro. A porta foi destrancada e eu olhei pro retrovisor encontrando um par de olhos topázios sorrindo para mim.
– Pronto você esta livre! – meu pai disse olhando para mim todo alegre – Só quando chegar a casa tome cuidado para não sujar tudo. Lembre-se que Esme tem paixão por aquela casa.
– Obrigada pai, eu te amo – eu falei já tirando minhas botas,minha jaqueta e fazendo um coque mal feito no cabelo.
– Você se lembra do caminho?
– Como a palma da minha mão – eu falei rindo e fechando a porta do carro que já estava andando.
Sai do asfalto e pisei na grama molhada. Devia ter recém chovido. Andei um pouco passando as mãos pelos troncos, cheirando algumas flores e arrastando meus pés pelo barro, eu estava me comportando como uma criança. E eu não estava nem ai. Faziam anos que eu não voltara para aquela lugar, e tudo parecia estar do mesmo jeito. O mesmo cheiro, a mesma sensação reconfortante da grama abaixo de meus pés. Impulsionei-me um pouco e voei até o topo de uma árvore, podendo observar toda a beleza daquele lugar, enxerguei uma parte da cidade, a nossa nova velha casa, e a praia. Pulei e pousei novamente no chão com graciosidade, então eu corri.
Em Bergen eu e meu pai apostávamos corrida, diariamente, por entre as montanhas, mas Edward é o mais veloz da casa, então era impossível ganhar dele. Porém aprendi o máximo que pude com ele. O vento batia nas minhas calças frouxas me divertindo, o meu cabelo se soltou do coque batendo nas minhas costas e deixando eu me sentir mais livre, parei em alguns pontos para poder perceber onde eu estava ,não queria ultrapassar aquela tal linha. Mesmo que eu pudesse. Senti o cheiro de água e corri até lá, olhei meu reflexo e percebi que estava com o rosto sujo, devido às passadas de mão nele, e com meus cabelos todo desgrenhado cheio de lascas de madeira. Puxei minhas calças até o joelho, lavei as mãos e o rosto e corri de volta para casa.
Durante o caminho, um cheiro totalmente gostoso, atraente me fez parar e suspirar para captar mais de sua essência. Ele era amadeirado, cheirava a flor dama da noite, extremamente sensual. Novamente corri em direção a minha casa, deixando para trás aquele aroma dos deuses.
Cheguei à frente da mansão Cullen, olhando tudo aquilo maravilhada, era como se eu nunca a tivesse visto antes. Dei a volta e fui até a porta dos fundos, enquanto subia os primeiros degraus, senti pela primeira vez que um terço daquela sensação de perda tinha ido embora. Me limpei,colocando a roupa suja para lavar e me enrolando em uma toalha,passei pela sala de TV e pela cozinha pensando onde é que deveria ser meu quarto agora.
– Seu quarto é no meu antigo quarto, filha. Mandamos reformar ele, uns meses atrás. – meu pai falou da cozinha.
– Obrigada pai. – subi até o terceiro andar e adentrei a porta do antigo quarto de meu pai, ele estava completamente diferente. Alice provavelmente devia ter feito o projeto, ele estava maior, com um banheiro, e um closet enorme. Definitivamente foi Alice, pois estava lindo.
Meus pais me deram a opção de escolher onde eu gostaria de morar, na casa de minha avó ou no chalé com eles. Na verdade eu não gostaria de morar com nenhum deles, meus pais eram “novos”, e eu não gostava que eles tivessem que me esperar dormir para terem momentos a sós. Isso que era um casal só, agora na casa de Carlisle eram três casais, com os hormônios eternamente ativos. Então eu estava num impasse, e acabei decidindo morar nos dois lugares, dias intercalados em casas diferentes. Mas essa noite eu iria dormir na casa de meu avô, pois a partir de amanhã mamãe e papai iam passar uns dias na casa de Charlie, vendo o que seria possível fazer. Eu já tinha conversado com ela, e minha permissão para ir finalmente conhecê-lo foi aceita, então eu iria o mais rápido possível.
Tomei um rápido banho, coloquei uma bermudinha com uma camiseta solta, deixei os cabelos secarem naturalmente e desci para jantar. Carlisle meu fiel cozinheiro havia feito um omelete com tudo que se tem direito, estava muito delicioso, mas a minha preferência sempre seria sangue, e eu não iria admitir isso na sua frente.
– Achei que já estivesse dormindo Candy! – Emmet disse entrando na cozinha e beijando minha cabeça.
– Tio quantas vezes eu já te disse para não me chamar mais de candy, eu não me lambuzo mais comendo doce – eu falei rindo enquanto me lembrava de quando era pequena e Emmet me enchia de doce, fazendo eu me babar e sujar.
– Eu sei disso querida, mas é que você sabe. Eu nunca perco uma oportunidade de caçoar de você. – ele falou se sentando na minha frente e cheirando o omelete de perto – Eca eu nunca vou me acostumar com isso, se eu voltasse a ser humano ia roubar sangue do hospital.
– Você me caçoando? Imagina, é tudo impressão sua. – eu falei batendo com a mão em seu ombro e logo em seguida o chamando para sussurrar em seu ouvido – Não conte para Carlisle, mas eu também prefiro sangue. – ele me olhava sorrindo.
– OK! Vamos fingir que ele não escutou!
– Fechado.
Emmet já estava saindo da cozinha quando eu tive uma ideia.
– TIO! – ele olhou para trás – Vamos surfar amanhã? Eu vi uma praia ontem enquanto corria um pouco.
No inicio ele fez cara de felicidade, depois seu rostinho maroto murchou consideravelmente.
– Sinto muito Nessie, te deixarei na mão dessa vez. Lembra? Tratado e tal?
– Oh claro me lembro sim, bom então eu não irei também.
– Mas, acho que você deveria ir, vai ser bom para você. Não será igual ao Hawaii, com aquelas ondas gigantescas, mas você ira gostar. – pensei um pouco enquanto comia se devia ir ou não. Eu não queria quebrar o tratado, mesmo que ele não valesse para mim. Devia ser porque eu sou metade humana. E eu não queria ir sozinha. Todas as vezes que surfei no Hawaii, Emmet ou qualquer outro da minha família estavam comigo, claro que sempre íamos à noite, que era quando tinha as maiores e mais excitantes ondas, fazíamos até campeonato.
– Eu irei tio Emmet. Obrigada – eu disse de maneira que ele escutasse de onde estivesse.
Lavei a louça me despedi de todos e subi até meu quarto. Eu estava cansada, precisava repor as energias. Pelo inicio da manhã eu iria caçar e depois iria até a praia surfar. E se tudo desse certo iria estar nublado.
Já em meu quarto apaguei a luz atrás de mim e me foquei na janela. Enquanto observava a lua cheia lá fora, meu sono me pegou de jeito, me trazendo novamente aqueles olhos negros.
Notas finais
COMEENTEEM =D
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