Notas iniciais
Ao decorrer de sua infância...

Não me orgulho em ter uma mente vingativa, mas tive naquela hora.

Não conseguia parar de chorar, e pensar em minha mãe, ela estava viva, ela tinha que estar!

Sentada no chão a chorar, vi uma carta, em cima de um armário já meio queimado.

Na carta dizia;

Filha me desculpe por não te contar sobre isso mas você ainda esta muito pequena para saber sobre algumas coisas.

Só ligue nesse numero; xxxx-xxxx e fale meu nome e onde nos encontrar.

Você sempre será minha joia, e não se esqueça de pegar seu coelhinho de pelúcia e aquele caderninho onde você gosta de escrever, seu querido diário.

Beijos, de sua mãe Lucy

Adeus

Segurava a carta tremendo muito e a molhei um pouco com as lagrimas que iam caindo.

E só depois eu liguei para esse numero.

Uma mulher atendeu e eu comecei a falar o que minha mãe havia dito. Ela disse para eu ficar do lado de fora da minha casa.

E eu fiquei.

A mulher chegou com um carro enorme, e me olhou dos pés a cabeça, e com um certo ar de rancor me disse:

Vamos?

Balancei a cabeça que não, ela me pegou nas mãos e me levou para o carro.

Fechei os olhos e não olherei para nada nem para ninguém.

— Chegamos! -Disse a mulher

Ela me pegou nas mãos e me levou em direção a uma casa enorme, e falou:

— Aqui é sua nova casa, o orfanato, sinta-se satisfeita.

Fiquei assustada, pois eu nunca tinha ouvido falar nisso. Perguntei a ela de olhos fechados;

— O que é isso?

— Um lugar onde as crianças sem pais e sem mães vão parar garotinha.

E só então eu fui perceber, o quanto estava sozinha naquele momento, não havia mais ninguém em minha vida .

Entrei com medo, com um coelhinho em uma mão e o diário em outra.

Fui para um tipo de quarto com 24 beliches uma juntinha da outra. As pessoas que estavam lá me olhavam com um olhar assustador.

Fechei os olhos...

Não saia mais daquele quarto, só ficava na minha cama me escondendo do mundo.

Fiquei 8 dias sem comer;

No 9° dia eu sai para comer algo. Encontrei pessoas que me olhavam muito feio não sabia mais como agir diante aquilo.

Voltei peguei meu coelhinho e fui para sala de jantar novamente.

O meu coelhinho era o único que me fazia não sentir medo, ele estava comigo desde meu nascimento.

Peguei uma comida meio estanha na cantina e comi. Não tinha um gosto muito agradável, mas eu estava com fome, estava a ponto de comer qualquer coisa que me jogarem.

Enquanto comia me deu uma sensação estranha, a mesma sensação que eu tive quando perdi minha mãe. Uma sensação ruim.

Vi uns meninos maiores vindo em minha direção. Fiquei com medo.

Eles começaram me encarar, e pegaram meu coelhinho e começaram a jogar, e rir, com um ar maldoso em seus olhares.

Fiquei com medo e com raiva ao mesmo tempo e não poderia fechar meus olhos, pois era meu coelhinho!

Comecei a falar sem parar:

— Parem, parem, por favor parem!!!

O menino mais alto pegou o coelhinho na mão e disse:

— Você quer?

— Sim!!! -Disse alegre.

Ele arrancou a cabeça do meu coelhinho e disse:

— Toma essa porcaria!

Eu olhei para ele nos olhos com raiva, estava muito triste, mas a raiva tomou conta de todos os outros sentimentos. Ele olhou em meus olhos e caiu no chão duro. Uma menina colocou a mão nele e disse:

— Morto! Ele esta morto!!!

Fiquei com medo, mas a primeira coisa que eu pensei foi pegar o coelhinho. Peguei e sai correndo.

Mais tarde as pessoas me olhavam me chamando de monstro. Isso me fez mesmo me sentir um monstro.

Depois de um tempinho, venho uma mulher em minha direção, pegou em minha mão sem nem dizer nada, a unica coisa que deu para fazer naquele momento foi pegar o diario e o coelhinho.

Ela me colocou em um carro e me levou para uma casa muito grande.

Parecia um orfanato, só que tinha um quarto para cada um. E era muito isolado.

— Sua casa é aqui agora, garotinha! -Disse com aquele mesmo ar rancoroso.

Entrei sem entender nada. Fui levada a um quartinho, muito pequeno.

Deitei na cama e coloquei o meu coelhinho do meu lado, e o diário debaixo do travesseiro.