Soul Off - O Diário De Uma Vampira
3 Capítulo 3 - Um novo amigo
A primeira refeição foi pior do que tudo. Acho que já não comeria o que me jogavam.
Não podia sair para lugar nenhum, mas achava muito melhor, até porque já não saia muito. Afinal só era eu e minha mãe.
Lá na minha sala tinha uma luz bem fraquinha, não conseguia dormi sem ela.
Fiquei lá uns 24 dias com a mesma rotina, até que minha luz parou de funcionar.
Não conseguia dormir, chorei a noite toda. A escuridão dominava meu quarto, e meu choro incomodava os demais. Até que uma mulher venho na minha sala e disse:
— Você vai ir para outra sala ate que arrumem essa luz.
Eu fui pensando no que ia ter no outro quarto, ao lado do meu.
Tinha um menino com uns 13 anos, com um calça jeans toda rasgada, uma blusa velha, descalço, com olhos verdes da cor do mato onde eu morava. Muito magro.
Não falei nada com vergonha, só entrei e deitei em um colchão que estava no chão.
A mulher que me levou na sala desse menino foi embora.
Ele olhou para mim e me ofereceu um pouco de agua.
— Obrigada mas não, vai te fazer falta. -Respondi
— Pode beber, por favor você parece estar com fome também. -Disse com uma voz amável, me entregando uma garrafa com agua.
—Um pouco -Respondi
Peguei a agua, pois estava com muita sede. Bebi tudo.
— Me desculpe acho que bebi tudo.
— Eu te dei a agua para beber, como é seu nome? — ele falou
— Haine Japreeson, e o seu?
— Jonny Kily, por que você esta aqui?
— Não sei exatamente — Respirei fundo -Apenas acho que fiz coisas ruins, mas me fizeram antes, e ainda sim, me torno ruim.
— Uau.
— E você?
Jonny respirou fundo e disse que tinha roubado para para se alimentar, pois não tinha mãe nem pai.
Eu disse que tambem não tinha nem mãe nem pai, e tinha medo do escuro, e contei o motivo, contei muita coisa para ele, em questão de minutos, ele deixou de ser apenas mais um, e sim um, talvez amigo.
Conversamos a noite toda, eu o contei que quando o menino morreu eu fui chamada de monstro.
E ele me falou algo que me fez pensar muito.
— É assim que eles nos chamam, pessoas que são diferentes de toda classe comum deles, os que não fazem nada e apenas pelo fato de existir sendo uma pessoa diferente, bom ou ruim, são monstros. Sabe, eu roubei, apenas para não morrer, e estou aqui, você apenas olhou para alguém, e esta aqui. Tem gente muito pior lá fora, e sim, estão lá fora.
Mas sorria Hai, você não é um monstro, é apenas uma garota maravilhosa, em uma sociedade podre.
Eu fiquei feliz por ser um monstro naquele momento.
Jonny me abraçou forte e me falou boa noite, e desligou a luz;
—Não!!! -Eu gritei
—O que foi Haine? -Ele me perguntou assustado.
Eu olhei para ele, o segurando com força.
— Não gosto de escuro deixe a luz acessa por favor?
— Fique calma a luz vai ficar acessa o tempo que você quiser. -Ele disse sorrindo.
Me tranquilizei e fui dormi feliz pela primeira vez depois da morte da minha mãe.
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