Sos mi más bello error
15 Third woman
Notas iniciais
– Tia!!! — Violetta gritou no telefone. Havia se passado uma semana, mas era como se o tempo estivesse parado. Nada acontecia, nada mudava, German e Angie continuavam na mesma situação, com os mesmos sentimentos, e sem se falarem. — Eu PRECISO te contar uma coisa. E tem que ser pessoalmente. — a garota exclamava eufórica, como se tivesse acabado de descer de uma montanha russa.
– Oi, meu amor. Você num pode falar por aqui? Eu meio que estou de pijama — a mulher riu meio sem graça.
– Angie, são três da tarde, como assim está de pijama? — a sobrinha se indignou. — Levanta dessa cama, eu sei que nem deve ter saído daí desde que acordou.
– Eu acordei faz pouco tempo, fui dormir meio tarde. — ela murmurou. — Me deixaaa, é sábado!
– Hummmm foi dormir tarde, é? O que andou aprontando? — Violetta riu divertida.
– Nada de muito legal. Eu passei a semana meio, tipo, chateada com o que aconteceu no baile. Aí ontem o Pablo teve a brilhante ideia de tentar me distrair, então fomos a um bar. Bebi o suficiente pra ficar mole, mas não cheguei a ficar como uma louca bêbada. Pelo menos dessa vez eu me lembro das coisas que fiz e graças a Deus não beijei muito menos transei com ninguém.
– Pera, quê?! — a garota não conseguiu captar a fala rápida e desesperada de sua tia. — Quando que você bebeu a ponto de não se lembrar que transou com alguém??? Angie!
– Ai... nada, esquece, finge que eu não disse isso — a loira suspirou exausta, colocando a mão na testa. — Não siga meu exemplo. Seja uma garota forte que não toma atitudes por causa de uma bosta de um sentimento não correspondido.
– Certo, acho que você está precisando conversar mais que eu...
– Não, fica tranquila, estou bem. Só com uma dorzinha de cabeça, nada que uma aspirina não resolva.
– E o buraco aí no seu coração? Vai continuar tentando tapar com altas doses de álcool? — Violetta bufou, repreendendo a própria tia. A mulher sorriu torto.
– Me desculpa. Eu não sou assim, nunca fui assim. Acho que a última vez que fiquei bêbada eu estava na festa de formatura do Ensino Médio. — tirando a vez que acabou transando com German, o que Violetta não precisava saber.
– Você não ta bem, tia. Estamos precisando ter uma conversa séria.
Angeles ficou alguns segundos em silêncio no telefone. Até que acabou soltando um risinho triste. — ... eu sei. Acho engraçado, eu que deveria dar a bronca na relação.
– Invertemos os papéis de vez em quando, não me importo. Só prometa que não vai fazer de novo. — a menina parecia brava.
– Hum.. — Angie murmurou manhosa. — Prometo — concluiu num suspiro. — Mas o que você queria tanto me falar no começo da ligação?
– Já disse que tem que ser pessoalmente! Que tal você levantar dessa cama, tomar um banho e dar uma passada em casa? Aproveitamos pra conversar e você ainda vai sair um pouco.
– Só faço porque é você quem está pedindo, gatinha — Angie falou rindo e se libertando dos lençóis. — Estarei aí em trinta minutos.
– Seja pontual — Violetta riu e mandou um beijinho. — Até daqui a pouco.
– Até, meu amor — Angie sorriu e mandou um beijo de volta, em seguida desligando o telefone.
XX
Angeles foi atendida na porta por uma garota mais alegre que o normal. Violetta estava eufórica desde a hora do telefone, e mal podia esperar para contar à tia a melhor novidade de todas. Queria que a mulher fosse a primeira a saber, afinal, quem teria mais este direito além dela?
– Finalmente! — Vilu mordeu os lábios enquanto ria.
– Eu fui pontual, tá? — a loira bufou e acabou rindo, adentrando a casa enquanto Violetta fechava a porta. — Vai logo que estou morrendo de curiosidade.
– E eu de ansiedade — a menina não desmanchava o sorriso. Pegou a mão dia tia e começou a puxá-la ao seu quarto — Vem, vamos logo.
– Você tá me assustando, sabia? — Angie ria, sendo puxada. — O que pode ser tão extraordinário assim a este ponto?!
– Jura que você não faz nem ideia? — Violetta mordeu os lábios, entrando em seu quarto com sua tia e fechando a porta. As duas caminharam até a cama e se sentaram. — Tenho medo da sua reação, mas eu preciso te contar, você precisa ser a primeira a saber.
– Dá pra você falar logo? — a mulher transbordava curiosidade.
– Tá, espera — a garota respirou fundo, e olhou ao redor como se alguém estivesse ali espiando. Precisa se certificar de que estavam sozinhas. — Eu... — ela engoliu em seco. Angie a encarava, esperando a resposta. — Eu perdi a virgindade. — Violetta praticamente sussurrou. Angeles não tinha certeza do que tinha ouvido.
– Quê???? — a loira arregalou os olhos — Foi isso mesmo que entendi?!!!
A sobrinha olhou-a sem graça e sorriu pequeno — Foi...
– Meu Deus, Violetta! Como isso aconteceu? — Angeles passou as mãos pelos cabelos, suspirando nervosa.
– Ontem teve festa do pijama na casa da Fran. O Leon estava lá. Tinha bastante gente, era impossível rolar algo. E tipo, o Leon e eu meio que voltamos, não oficialmente mas estávamos ficando. E queríamos passar um tempo sozinhos para matar a saudade. Então... eu fingi que estava passando mal para o pessoal e assim o Leon me levaria pra casa, mas ele sabia que não era de verdade, foi algo que combinamos juntos. Então saímos da casa da Fran e fomos pra casa dele, apenas eu e Leon, já que os pais dele estão viajando. Chegamos lá, conversamos, nos beijamos um pouco tipo muito, e chegamos a um ponto de arrancar as roupas um do outro, e enfim... aconteceu — Violetta falou tão rápido que terminou sem fôlego. Olhava para baixo, tinha medo do olhar da tia. Angeles simplesmente tentava digerir todas aquelas informações. A garota tomou coragem de encarar os olhos da tia, que pareciam hipnotizados de tão indignados que se encontravam. — Você tá brava?
– N-não — a loira mordeu os lábios, balançando a cabeça e piscando forte, como se quisesse acordar de um sonho. — Eu só... — ela engoliu em seco e olhou nos olhos desesperados da sobrinha. — Meu Deus, você era uma criança... — Angie puxou a garota para um abraço mais forte que ela conseguia dar. Violetta soltou o ar que prendia, aliviada. — Estou chocada porque acabou de cair minha ficha de que você está crescendo e não é mais minha bebêzinha.
– Ah, Angie — Vilu riu abafado no abraço. — Eu nunca vou deixar de ser sua. Você foi a primeira que contei, porque tenho certeza de que esse é o tipo de coisa que se confia à mãe. E você é a minha, você sabe que é. Eu confio em você.
– Ai, meu Deus, eu sabia que esse dia chegaria! — elas se soltaram, e Angeles tinha lágrimas nos olhos.
– Você está chorando?! — Violetta desatou a rir.
– Me deixa, estou sensível! — a mulher riu junto em meio às lágrimas. — Violettaaaa do céu! Me conta, tudo mesmo, o que você achou? Gostou?
– Ai socorro — a garota ficou vermelha de vergonha e riu ainda mais — Hum... Da primeira vez doeu. Mas fizemos várias vezes. E bem, simplesmente... foi maravilhoso.
– Várias vezes?! Sua safada!!! — a loira exclamou rindo descontroladamente, acompanhada pela sobrinha.
– Aaaah, tia — a menina escondeu a cara nas pernas de Angeles.
– Não consigo imaginar! — Angie ria. — Precisamos ir ao médico já! Vou te levar na minha ginecologista. Anda, se arruma — ela se levantou, puxando a sobrinha consigo.
– Ahhh, tenho mesmo que ir? Eu usei preservativo! — a morena mordeu os lábios preguiçosa.
– Tem que ir mesmo assim, tem que ver se está tudo bem aí. O rompimento do hímen pode causar muitas coisas. Vamos logo.
Violetta bufou. — Tá bem, tá bem... Vamos.
XX
– Se seu pai souber disso ele fica louco — Angie comentou com a sobrinha na sala de espera do consultório.
– Nem me fale! Vai ser segredo nosso, hein? — a menina encarou a mulher.
– É óbvio que vai ser! Não vou contar isso a ninguém de jeito nenhum — a mais velha sorriu, encorajando a mais nova.
– Você é a melhor pessoa que poderia existir nesse mundo — Violetta abraçou Angeles com força. — Obrigada por cuidar de mim.
A loira riu — eu sempre vou cuidar de você.
Naquele instante, a recepcionista chamou pelo nome de Violetta e mandou-a se dirigir para o consultório 4. A menina, não querendo ir sozinha, fez bico à tia e esta, não resistindo, riu e acompanhou a garota até a sala da médica.
– Querida Angie!!! — Alice, a médica de Angeles, morena e por volta dos 35 anos, cumprimentou a mulher loira e a sobrinha que a acompanhava. — Quanto tempo, hein?
– Olá, doutora Alice — Angie sorriu — Faz tempo mesmo — ela mordeu os lábios — Mas hoje não vim por mim, vim por esta moça aqui — olhou a sobrinha.
– Ah, sim! Você deve ser a famosa Violetta! — Alice exclamou sorridente, e Vilu deu um sorriso tímido. Estava nervosa. — Sentem-se, e podem começar a falar o que as trouxe aqui.
Angie e Violetta sentaram nas poltronas em frente à mesa, e Alice deu a volta para se sentar na cadeira giratória do outro lado. Tia e sobrinha se entreolharam, e a mais nova fez um gesto para que Angie falasse.
– Bem.. ela está nervosa — Angeles sorriu divertida — Alice, Violetta perdeu a virgindade e viemos para fazer os exames de verificação para ver se está tudo bem.
– Huuuummm, que rápida você foi, mocinha! — Alice brincou, e a garota ficou ainda mais vermelha.
– Não precisa ter medo da médica, Violetta — Angeles brincou com a sobrinha.
– Só estou nervosa — ela finalmente se pronunciou.
– Fica tranquila, princesa, não vai doer nem nada — a doutora riu simpática. — São só exames para ver se não tem nada errado, tudo bem? Cada organismo varia muito com isso de um novo membro adentrando o seu corpo.
– Assim soa estranho — a garota riu baixo.
– Eu sei — Alice riu — Toma aqui, ali tem um banheiro, vista essa camisola e depois deite-se ali na maca para eu te examinar. — a mulher deu uma camisola de hospital nas mãos da garota, assim a menina assentiu e se levantou para ir ao banheiro. Quando ela entrou, Alice rapidamente se virou para Angeles. — Ela é muito parecida com você!
– Eu sei, pior que sei... Você se lembra da primeira vez que vim? — Angie sorriu nostálgica.
– Claro que me lembro. Uma garota desesperada por ter tido sexo pela primeira vez, morrendo de medo de engravidar. — Alice riu divertida, enquanto Angeles balançava a cabeça.
– Nem me fale. Igualzinha a Violetta.
– Quem é igualzinha a mim? — a menina saiu do banheiro, se estranhando com aquela camisola gigante.
– Angeles — Alice sorriu. — Você tinha que ver a reação dela da primeira vez que fez sexo. Ficou com essa mesma carinha que a sua.
Alice conhecia Angie desde que Angie tinha seus 17 anos, quando foi lá pela primeira vez. Havia adquirido certa amizade e intimidade com a mulher.
– E sua vida sexual hein, senhorita? Tá parada, é? — Alice se virou para a loira, segurando o riso. Violetta soltou uma risada enquanto se deitava na maca. Angeles ficou vermelha.
– Alice! Não precisa falar assim perto da Violetta — ela ficou sem graça.
– Tia, não sou mais inocente — Vilu falou rindo, se ajeitando na maca enquanto Alice se aproximava dela.
– Muito bem, mocinha, abre as pernas para eu ver como está — Alice ficou de frente pra garota, enquanto esta abria desconfortavelmente as pernas para que a médica examinasse sua vagina. — Ah, Angie, mas não é possível que você esteja tão inativa assim!
– Acredite se quiser, está. Acho que meu sonho de ter filhos não vai se realizar tão cedo — a loira riu, olhando a doutora analisar sua sobrinha.
– Quando foi a última vez que teve sexo, Angeles? — Alice dizia enquanto passava a uma pequena lanterna na intimidade da garota.
– Hm... há um mês, mais ou menos. — a mulher murmurou sem mais se importar se Violetta descobriria ou não.
– QUÊ? — a morena se levantou rapidamente da maca. — Como assim há um mês??? Por que não fiquei sabendo disso? E o papai, Angie?
– O seu pai é o tal do Castillo que essa mulher aqui é apaixonada?! — Alice questionou.
– É o pai dela sim. — Angeles riu tímida. — Essa é a questão, Vilu. Foi com ele...
– COM ELE? ANGELES! — Violetta arregalou os olhos numa mescla de surpresa, exaltação e indignação.
– Depois explico isso melhor, meu amor. — Angie sorriu envergonhada, enquanto Alice voltava para a cadeira giratória dela. — Está tudo certo com ela, doutora?
– Aparentemente sim. Só vamos fazer um exame de sangue para verificar se não há nenhuma DST que a infectou. — a médica digitou algo em seu computador — Pode colocar sua roupa de volta, Violetta.
A garota, então, ainda surpresa com o que acabara de ouvir, entrou ao banheiro para se trocar.
– Você transou com o pai dela?! — Alice sussurrou para que só Angie ouvisse. A loira mordeu os lábios, rindo.
– Sim. — respondeu envergonhada.
– Ei, doutora — Violetta saiu do banheiro já vestida com sua roupa de antes — Mas o Leon não tem DSTs. Como posso ter pego?
– Não tem como ter 100% de certeza que ele não tenha, meu amor — a médica sorriu carinhosa — Precisamos apenas verificar, tudo bem?
Então a menina assentiu. Ela realizou o exame de sangue, e a doutora disse para virem buscar o resultado em quatro dias. Assim, elas se despediram e voltaram ao carro, para irem para casa.
– Se está achando que vai escapar está bem enganada — foi a primeira coisa que Violetta disse quando Angeles deu a partida.
– Na verdade eu tinha certeza de que não ia escapar — a loira riu. — O que você quer saber? Não tem muito o que dizer. Eu e sei pai transamos. Fim.
– Por que eu não sabia disso?! — a menina exclamou.
– Eu não quis te iludir. Não foi algo voluntário, nós estávamos bêbados e bêbados agem por impulso. Depois disso não tocamos mais no assunto e fingimos que isso não aconteceu.
– Ah, mas você se lembra de alguma coisa pelo menos?
– Tenho alguns flashes... nada demais, só aqueles malditos beijos quentes percorrendo partes estranhas. As mãos dele me segurando fortemente. A sensação de quando ele entrou dentro de mim. — ela bufou, respirando fundo para manter a calma. Violetta riu.
– Vocês foram feitos um para o outro, definitivamente.
– Ele se lembra de tudo, ridículo. Sou mais afetada pelo álcool que ele. — Angie sorriu torto. — Mas não fala pra ele que você sabe, tudo bem? — ela parou no sinal vermelho.
– Relaxa, segredo nosso — Violetta sorriu. — E sua primeira vez? Como foi?
– Um namorado do colegial. Último ano da escola. Em uma festa na casa de uns amigos. Transamos pela primeira vez depois de eu enrolá-lo por anos. Não foi muito legal. Ele não era nada carinhoso na transa, eu me senti completamente incomodada.
– Tem homem que não serve nem pra isso mesmo, né — a menina balançou a cabeça e Angeles assentiu. — Inclusive o papai. Ainda não acredito que vocês transaram e estão ignorando completamente este fato.
– Foi uma decisão por ambas as partes. É melhor assim, Vilu. — Angeles parou em frente a mansão, haviam chegado. — Eu fiquei morrendo de medo de engravidar, porque não usamos camisinha nem nada. Mas acho que eu não estava em período fértil, graças a Deus.
– Realmente, um bebê no meio desta situação não seria muito conveniente.
– Com certeza — ela riu triste. — Agora vai, entra aí e se o seu pai perguntar fala que fomos ao shopping.
– Você não vai entrar??? Ahhh, janta com a gente hoje, Angie! Por favor — Violetta juntou as mãos, fazendo bico como uma criança.
– O clima entre German e eu não está legal, meu amor — a mulher sorriu torto.
– Exatamente por isso, vocês podiam conversar e resolver as coisas. Eu sei que você quer.
– Olha, eu não prometo nada. Vamos, vai — então as duas saíram do carro e adentraram a mansão.
German não estava na sala, para o alívio de Angeles. Ela não era do tipo que ansiava para ver o homem que ama. Era do tipo de quanto mais amasse, mais não queria vê-lo. Principalmente na situação em que se encontravam. Aquilo não fazia muito sentido na cabeça dela. Não conseguia decifrar a mente do homem. Ele a amava também? Ou não? Nada ficava claro. Uma hora parecia que sim, e na outra não. Isso a frustrava. Mas nem as maiores decepções a faziam perder o sentimento por ele.
Angie e Violetta sentaram-se no sofá e a mulher abraçou a sobrinha. Um carinho rotineiro, nada demais. Permaneceram em silêncio até ouvirem a porta do escritório se abrir. O estômago de Angeles já se embrulhou desde aí.
– Boa noite — o homem disse simpático, porém sério. Angie olhou-o, acompanhada da garota.
– Nossa, acho que a Olga deve estar precisando da minha ajuda, né?! — Violetta rapidamente se levantou do sofá — Volto logo! — disparou em direção a cozinha, deixando os dois sozinhos na sala. German balançou a cabeça, e sentou-se no sofá meio afastado da loira.
Angie tirou o celular do bolso e fingiu estar fazendo alguma coisa nele. German fez o mesmo com o tablet. Enquanto ela simplesmente fingia conversar com alguém, ele abriu um joguinho e ficou jogando discretamente, sem que ela percebesse.
O silêncio durou eternos cinco muitos. German e Angie não trocaram uma palavra sequer, mas ambos querendo que o outro tomasse a iniciativa, o que aparentemente não iam fazer. Até que se cansaram daquilo e resolveram ao mesmo tempo puxar assunto.
– Então.. — os dois disseram exatamente juntos, mas pararam no mesmo instante quando perceberam que o outro tinha começado a falar. — Pode falar — Angie quebrou mais uma vez o silêncio.
– Primeiro as damas — German sorriu sem mostrar os dentes.
– Estou bem assim — ela suspirou e voltou a olhar para tela do celular.
– Psiu — ele chamou a atenção da mulher, fazendo-a olhá-lo novamente. — Você está linda, sabia?
– E você é um cara de pau, sabia?
– Ei, eu tenho sentimentos. — ele bufou, e se aproximou dela no sofá. — Não tente me enganar, sei que você não está falando com ninguém aí.
– Quem disse que não estou? — ela ergueu as sobrancelhas. German sorriu e tirou o seu celular do bolso. Abriu o whatsapp e procurou a conversa de Angie.
– Visto hoje às 16:20. — ele leu a descrição do contato dela. — Que engraçado, são 19:15.
– Sem graça, vou desativar esse negócio aí. — ela murmurou derrotada.
– German wins — o homem riu.
– Ah, ta, como se você também estivesse fazendo algo de super importante aí nesse tablet — ela mostrou a língua a ele.
– Mas eu estou! — German rapidamente saiu do jogo no tablet e abriu uma planilha de valores qualquer, no mesmo instante que Angie puxou o aparelho das mãos dele para olhar. — Viu?
– Que falso! Você acabou de mudar — a loira bufou, arrancando risadas do homem. Pegou o aparelho e verificou os apps recentemente abertos. Lá estava: Candy crush. — Não acredito que você estava jogando isso! — a mulher caiu na risada.
– Ei, pra sua informação é super legal, viu! — ele exclamou.
– Claro, opa — Angie não parava de rir. German mordeu o rosto dela.
– Paraaaa — ele fez biquinho.
– Para você, eca, nojento — a mulher limpou a baba dele em seu rosto.
– Nojento, aham, sei — o homem sorriu divertido, enquanto Angeles obteve o rosto brevemente avermelhado.
– Fica quieto, ridículo! — ela voltou a rir.
– Você se entrega — German sorriu satisfeito. — Vai jantar aqui?
– Infelizmente, sim, você vai ter que conviver com minha presença por mais umas horinhas. — a loira lançou-lhe um sorriso.
– Nossa, isso sim que vai ser uma grande luta — ele rolou os olhos, fazendo-a rir mais uma vez. — Senti sua falta, bobona — o homem se levantou do sofá, puxando-a para que ela ficasse de pé também.
– Não posso dizer o mesmo, sinto muito, querido — ela sorriu divertida. German abriu a boca indignado.
– Traidora! Que péssima amiga eu tenho. — o homem cruzou os braços.
– Ô, tadinho. Vamos te botar na rua com uma plaquinha "preciso de amigos". — Angie mordeu os lábios.
– Não, eu só quero você de amiga — German mordeu os lábios e se aproximou de Angie, enquanto ela dava passos para trás, se afastando.
– Sinto muito, não vai rolar! — ela prendia o riso.
– Ah, mas vai! — German então começou a correr até a mulher, que começou a correr fugindo dele. Angeles começou a rir descontroladamente enquanto corria, o que possibilitou que ele fosse mais rápido e a alcançasse. Ele encurralou-a na parede da escada, prensando seu corpo contra o dela, inocentemente. — Admite que sente minha falta! — ele disse divertido.
– Aaaah, você não tem ideia do quanto eu te odeio! — Angie dava soquinhos no peito do homem.
– Dizem que ódio e amor andam lado a lado. — ele piscou.
– Só se for paralelamente, né, docinho — ela rolou os olhos, fazendo-o gargalhar.
– Ok, essa foi mais que ruim — ele se afastou dela para rir. Angie olhou-o por alguns instantes, sorrindo, e então se aproximou novamente para abraçá-lo. German estranhou a doçura repentina, mas a abraçou de volta.
– Filho da mãe — ela sussurrou sem soltá-lo.
– Eu disse que você me ama. — o homem sorriu satisfeito, até que ela o chutasse por entre as pernas e ele gritasse de dor. — AI, SUA LOUCA!
– Para aprender a ser menos descarado — ela ria. — Vem, bobão, Olga já está servindo o jantar. — Angeles desceu as escadas e foi andando até a mesa, enquanto ele, se recuperando da dor momentânea, a olhava apaixonadamente. German balançou a cabeça, rindo sozinho, e desceu para jantar.
XX
– Já vai, tia? — Violetta abraçou a mulher enquanto elas se levantavam da mesa após comerem. German já tinha voltando ao escritório para atender a alguma ligação.
– Vou, meu amor — Angie sorriu. — Obrigada pelo convite, viu? E juízo! Quero saber se rolar entre você e o Leon de novo, hein!
– SHHHHH, fala baixo! — a menina exclamou, olhando ao redor.
– Calma, ninguém escutou — ela sorriu. — Agora boa noite, anjinha. Você precisa descansar. — Angeles beijou o rosto da menina.
– Você também. Ô PAI, leva a Angie pra casa! — Violetta gritou e a loira arregalou os olhos.
– Violetta!!! Não precisa! — ela se exaltou enquanto German saía do escritório no mesmo instante.
– Depende, Vilu, você garante que esta louca não vai me matar no carro? — German falou bravo, mas brincalhão.
– Se reclamar eu chuto seu saco de novo! — Angie ergueu as sobrancelhas, sorrindo.
– Parem de melação e vão logo! — Violetta provocou e ambos a encararam. — Quê? Vocês se amam tanto que ficar tentando esconder isso com ódio só faz o negócio ficar mais meloso — a menina riu.
– Ai, meu Deus — Angie balançou a cabeça. German segurou o riso.
– Vamos logo, vai, loira — ele pegou as chaves do carro e abriu a porta. Angeles assentiu e o acompanhou.
– Tchau, Vilu — a mulher mandou beijo para sobrinha.
– Tchau, casal! — ela gritou caindo em risos.
XX
– German, você tá indo pelo caminho errado. — a mulher bufou no carro, enquanto encarava o homem que dirigia.
– Não estou, você mal sabe, tô te levando para o meio do nada para te estuprar. — ele falou divertido.
– Credo! Nem brinca, isso me lembra a Priscilla e o amiguinho dela. — Angeles fez careta.
– Cruzes, não gosto de lembrar disso — German balançou a cabeça.
– Né? Vamos pensar em coisas boas. — a loira sorriu pensativa. — Churros! Churros são maravilhosos.
– Disto infelizmente eu não posso discordar — o homem sorriu — Principalmente sobre aquela vez, em que eu e você comemos churros depois de fazer faxina no Studio.
– Eu me lembro disso como se fosse ontem. Ficamos fazendo perguntas um para o outro, e você disse que já se apaixonou por três mulheres. — Angeles sorriu, suspirando. German olhou-a divertido.
– E não menti — ele assentiu.
– Maria, Esmeralda e Priscilla? — a loira continuou. Não sabia por que o fazia, se no fundo já sabia que aquilo a machucaria.
– Nossa, Angie, pensei que me conhecesse um pouco melhor — o homem levantou as sobrancelhas, sorrindo. Ela lançou-lhe um olhar de confusão — Você acertou apenas uma.
– Uma? — Angeles estranhou.
– Nunca me apaixonei por Esmeralda ou Priscilla. — German a encarava. — Digamos que sou um pouco exigente. — riu, mas a mulher continuou séria.
– Mas.. por que noivou Esmeralda e casou com a Priscilla, então? Não faz sentido. — ela respirou fundo. German sorria.
– Desespero, impulso, egoísmo.. não sei porque me casei ou noivei com elas. Digamos que se apaixonar é algo forte. Intenso. E com elas foi superficial.
– Certo — Angie assentiu, agora curiosa — E quem são as outras duas, então?
– Violetta é a segunda. — o homem mordeu os lábios. Angeles franziu a testa. — Você nunca especificou o tipo de se apaixonar que era — riu — E eu me apaixono pela minha filha cada dia mais. Como pai.
– Ridículo!!! Não vale! — Angie se ajeitou no banco, rindo.
– Claro que vale! — ele a encarou sorridente.
– Tá, e quem é a terceira mulher, então? — bufou, cruzando os braços. German sorriu.
– Está aí é segredo. Descubra você mesma — piscou para ela.
– Ah, poxa! Me fala! Eu sou curiosa. — Angeles ficou inquieta no carro. Estava perto de conseguir o que queria.
– Não — ele riu. — Na verdade, podemos fazer uma troca. — Neste dia que ficamos conversando você não quis responder à minha pergunta sobre em que você pensa todos os dias antes de dormir. Se você responder agora, eu te digo quem é a terceira mulher.
– Muito esperto, moço — a loira balançou a cabeça. — Mas não. Não vou te contar.
– Então você também não vai saber!
Ela deu de ombros — Nem queria mesmo...
– Imagina — German riu novamente. — Sabe, eu me lembro também que você me perguntou se uma estrela cadente pudesse realizar um desejo meu, o que eu pediria. O engraçado é que eu estou tentando realizar este pedido desde aquela noite.
– Qual era? Eu não me lembro.
– Ser menos covarde — German flertou indiretamente com Angeles. — O que junta com a sua outra pergunta sobre o que mudar sobre o passado.
– Aquela que você disse que não deixaria a Maria fazer o show. Essa eu lembro — a mulher olhou-o.
– Eu nunca disse isso. — German franziu a testa. — Eu disse que não deixaria o amor da minha vida partir!
– Ué, mas quando eu perguntei se era sobre a Maria você concordou!
– Não concordei, eu fiquei quieto! — o homem ria da confusão da mulher.
– Quem cala consente, nunca ouviu o ditado, não? — Angeles cruzou os braços.
– Não no meu caso. Maria não é o amor da minha vida. O amor da minha vida é aquele impossível sobre o qual eu comentei também. As minhas respostas estão todas interligadas. Terceira mulher. Amor da minha vida. Menos covarde. Não deixar partir. Amor impossível.
– Não acredito! Você é bem espertinho, German. — Angeles abriu a boca surpresa.
– Eu sei. E eu poderia te revelar tudo se você me respondesse àquela única pergunta. — falou divertido.
– Por que você quer tanto saber em que eu penso antes de dormir? — ela o encarou.
– Bem.. dizem que antes de dormir as pessoas pensam no que elas mais amam e mais têm medo de perder. — o homem falou baixo.
– Então me diz você, em que você pensa antes de dormir? — Angeles revidou. German sorriu.
– Pra que pergunta se sabe a resposta?
– Eu te pergunto o mesmo. Pra que me pergunta se sabe a resposta? — ela sorriu satisfeita.
O silêncio voltou a preencher o ambiente, até que German parou de andar do nada com o carro, fazendo com que Angie olhasse ao redor e visse a mesma praça que viera com ele meses atrás. — Se isso explica o "caminho errado" que eu estava fazendo, vim aqui porque sei o quanto este lugar significa para nós.
– Você é muito romântico às vezes. — Angie murmurou baixinho. — Isso me irrita.
– Por que te irrita? — German segurou o riso. Ele sabia muito bem por quê.
– Porque somos só amigos — ela sussurrou olhando para baixo.
– Tem razão. Mas amigos também têm que tratar uma dama assim como ela merece. Quer comer churros e reviver um pouco daqueles velhos tempos? — German disse carinhosamente, enquanto ela insistia em não olhá-lo.
– German — Angie respirou fundo, indo completamente contra a todos os seus desejos. — Eu acho melhor não, tudo bem? — ela o olhou. Aquela conversa de minutos atrás com ele a deixara pensativa. — Me leva pra casa e ficamos por aqui por hoje.
German não esperava esta resposta, e acabou soltando um suspiro triste. Ele gostava tanto dela, mas depois de tantas mancadas não restavam mais jeitos em que ele pudesse se aproximar. Isso estava mais que claro.
– Tudo bem — respondeu baixo. Nada mais disse, apenas deu a partida no carro de novo e rumou para casa da mulher. Não demoraram a chegar, era perto. Assim, Angeles deixou o carro sem dizer nada além de um obrigada. German estava frustrado, convencido que definitivamente ele perdera todas as chances. Não havia mais jeito. Por isso mal a respondeu, e voltou rapidamente para a mansão.
Estacionou o carro. Pegou as chaves e entrou em casa. Desanimado, se dirigiu à cozinha e pegou a jarra de suco na geladeira.
– Se tem algo que eu aprendi com a Olga é que a mulher sempre fala que não quer quando ela mais quer. Elas se fazem de difícil. Querem te testar, testar se você é capaz de decifrar os desejos mais profundos de seu coração. Se você passar no teste, pronto, ela vai te considerar o homem perfeito. — uma voz tão conhecida pegou German de surpresa naquele momento.
– Não, Ramalho — ele virou-se para o amigo. — Eu a perdi. Ela realmente não quer nada.
– Tem certeza, German? Ela te amou durante 3 anos, por que acha que justo agora ela desistiria? — o homem sentou-se em um banquinho. — Se fosse para ela ter desistido de você, ela já teria feito isso há muito tempo.
– O que você quer que eu faça? — German bufou.
– O que ela te negou hoje? — Ramalho cruzou os braços.
– Um churros — ele riu desanimado.
– Está aí a tua resposta. Faça tudo o que ela diz não querer. Vai comprar o bendito do churros e levar pra ela.
– Você tá falando sério? Tipo, agora? — German encarou o amigo.
– O que você tem a perder?
XX
Nada. Ele não tinha nada a perder. E foi exatamente por isso que ele aceitou a loucura. Pegou as chaves do carro novamente e disparou até a praça dos churros, torcendo para que a barraquinha ainda estivesse aberta, já que não era tão cedo assim. O destino parecia pela primeira vez estar junto dele, pelo fato de que a barraquinha estava aberta e cheia como nunca. German comprou dois churros e pediu para viagem. O velho dono da barraca embrulhou os doces em uma caixinha própria da barraca e colocou em uma sacolinha para o homem. Sem perder mais tempo, German voltou ao carro e dirigiu com pressa até a casa da mulher.
Não admitiria nunca, mas ele estava nervoso sim, tanto quanto esteve no dia do seu primeiro encontro de toda a sua vida. Mas desta vez era diferente. Ele não tinha ideia de como Angie ia reagir. Esperava todo o tipo de reação dela.
Parou o carro em frente a casa e saiu dele, segurando a sacola com os churros. Aproximou-se da porta da casa e estava pronto para tocar a campainha quando notou que a porta não estava trancada, havia uma fresta aberta. Empurrou-a levemente e entrou na casa escura sem fazer barulho, querendo matar a Angie por ter esquecido de trancar a porta. Qualquer ladrão poderia entrar.
O próprio German trancou-a e se esforçou para enxergar as coisas ao seu redor, já que todas as luzes estavam apagadas. A única iluminação que ele encontrava vinha do lado de cima do sobrado. Então com cautela German subiu as escadas. Aproximou-se devagar da porta do quarto de Angie, da onde vinha a luz. Por sorte, a porta estava aberta. Ele olhou cuidadosamente para dentro do quarto para que a mulher não o visse, e a viu deitada na cama, de camisola, virada de costas para porta enquanto mexia no celular.
Não queria falar alguma coisa do nada e acabar assustando-a. Então, pegou o celular e chamou-a no whatsapp.
Tudo bem?
Ela não havia percebido que ele estava na porta do quarto, a observando de costas. Angie, que já estava com o celular em mãos, respondeu German rapidamente.
Estou sim, relaxa.
Ele quis rir, mas conseguiu se segurar.
Não está brava comigo, né?
Angie leu a mensagem e suspirou. Encarou o celular por alguns instantes antes de digitar.
Não. Desculpa a grosseria hoje mais cedo.
German sorriu aliviado.
Que bom que não está brava, fiquei com medo de que você me matasse quando visse o que eu fiz.
Angie estranhou e respondeu curiosa:
O que você fez?
O homem mordeu a língua para não rir.
Nada demais. Olhe pra trás.
Angie leu a mensagem assim que chegou e ficou confusa, mas virou-se rapidamente para trás e viu German ali, parado, encostado no batente de sua porta. Ele ria com o celular em uma das mãos, enquanto com a outra segurava uma sacola.
– Meu Deus do céu! Você é louco, cara?! — Angeles se sentou na cama, exclamando.
– A louca é você de deixar a porta aberta lá embaixo — German gargalhava divertido.
– O que você está fazendo aqui? — Angeles se levantou da cama e caminhou até ele. German engoliu em seco em vê-la com uma camisola de seda curta e branca, que tinha aquelas alças estilo sutiã que deixava praticamente o ombro todo à mostra.
– Vim te trazer isto — o homem falou baixo e carinhoso. Entregou-lhe a sacola.
Confusa, ela pegou a caixinha de dentro da sacola e abriu-a. Soltou uma risada vendo dois churros recém feitos.
– Você não desiste, né? — Angeles mordeu os lábios, rindo.
– De jeito nenhum — German falou divertido e adentrou o quarto de Angie, sentando-se na cama dela.
– Folgado! — a mulher se aproximou e se sentou ao lado dele. Sem pestanejar, comeu os doces que ele trouxera de presente.
Enquanto ela comia, ficavam em silêncio, ambos sentados um ao lado do outro e encarando qualquer coisa que estivesse pelo quarto.
– Certo, você não veio só pelo churros, né? — Angie terminou o doce e limpou a boca com o guardanapo que veio junto.
– Ah, nós estávamos relembrando aquela noite, e sabe... pensei um pouco e decidi vir aqui para dar umas dicas sobre a misteriosa terceira mulher. — German sorriu.
– Hum... Dicas é? — ela riu, mordendo os lábios — Pode dizer então. Sou a todo ouvidos. — sentou-se de lado na cama para olhar direito o homem.
– Bem — ele sorriu e tomou ar, meio nervoso — Ela é agitada. É sincera, carinhosa, compreensiva... também é muito meiga, divertida e linda... Aquela mulher é sensacional. — German olhou fundo nos olhos de Angeles. — Ela tem um mar verde e cristalino banhando os olhos, sem contar aquele brilho estampado como em nenhum outro. Tem os cabelos delicados, loiros, cheirosos e macios. A pele clarinha, tão inocente ao meu ver. E os lábios... bem, eu nunca provei lábios mais doces. — ele concluiu a frase aproximando-se levemente da mulher. Angie engoliu em seco, não era burra para não saber que ele estava falando dela.
– É? — a loira sentiu os pelos arrepiarem. Sussurravam. E a aproximação dos rostos era tão lenta que quase não se notava. — E como ela se chama?
German sorriu. — Seu nome começa com a primeira letra do alfabeto. Acho uma ótima coincidência. Ela pode ser a terceira por quem me apaixonei, mas é a primeira e única no meu coração. Como eu disse mais cedo, o amor da minha vida.
Seu coração batia tão forte que chegava a doer. Tentou fingir não estar surpresa, pois no fundo ela queria gritar de alegria sem nem acreditar que estava ouvindo mesmo aquelas palavras. Não era algo que Angie quisesse controlar. E ela não se impediu. Apoiou a mão esquerda na bochecha de German e aproximou-se rápido, depositando um leve beijo nos lábios do homem. Não foi algo profundo, ou que durou muito tempo. Os lábios apenas se enroscaram duas ou três vezes, e se afastaram preguiçosamente. German abriu os olhos e a viu soltando um suspiro, sem recuar muito.
Dane-se. Era a primeira palavra que veio na mente do homem. Que se danassem todos os problemas. Que se danassem todas as opiniões. Ele não podia mais viver daquele jeito. Ele precisava dela. Ele era dela. Somente ela satisfazia os desejos mais profundos daquele coração. Então, que se danassem as barreiras. German reencontrou sua boca com a dela e ambos novamente iniciaram um beijo.
Começou com algo apenas carinhoso. Os lábios amassavam uns aos outros, até que finalmente German aprofundou o momento. Ficou intenso. A paixão reprimida por tanto tempo agora exalava para fora. Ele juntou seu corpo no dela, abraçando-a enquanto a deitava na cama, sem quebrar o beijo. Angie segurava o pescoço do homem, mal acreditando que aquilo estava acontecendo mais uma vez.
Tempo pela primeira vez foi algo que não existia. Beijaram-se ali, deitados um em cima do outro, por minutos incontáveis. Afastavam-se apenas para recuperar o fôlego, e logo voltavam. Em uma dessas paradas, porém, Angie tomou a razão e segurou German, antes que ele voltasse a beijá-la.
– Que foi? — o homem abriu os olhos, e quis morder aquela boca que sustentava um sorrisinho tímido, sem mostrar os dentes.
– Este vai ser mais um dos momentos em que vamos nos obrigar a esquecer e agir como se nada tivesse acontecido? — Angeles suspirou triste.
German ficou em silêncio por alguns instantes, e respirou fundo. Ele levantou-se de cima da mulher e se sentou na cama. A loira sorriu torto, já esperava por aquilo. Ela nada disse, apenas se virou de bruço e afundou o rosto na colcha que cobria sua cama. Queria chorar, mas nenhuma lágrima veio. Apenas o silêncio, que se fazia cada vez mais barulhento. Até que o homem puxou-a pelo braço, fazendo-a se sentar na cama. Ela olhou-o sem graça, e se surpreendeu quando ele abriu um pequeno sorriso, segurando o queixo da mulher e se aproximando para beijar lentamente seu nariz, depois passando para sua bochecha, arrastando os lábios ao queixo, erguendo-os ao buço e enfim um depositando um leve beijinho nos lábios dela.
– Não — ele respondeu baixinho. — Não vamos nem devemos esquecer isso.
Angeles fez cara de confusa, mas logo sorriu, de certa forma emocionada. German acabou rindo junto, puxando-a para um abraço e logo depois levantando o rosto da mulher para voltar a beijá-la. Ela sorriu entre o beijo e foi puxando German para deitar-se com ela novamente. Seu coração estava realizado, ela jamais podia imaginar alguns meses atrás que este momento realmente chegaria. A felicidade de um devaneio se tornando concreto e real não era algo possível de ser calculado.
– Hum, vai com calma, gordo — Angie empurrou German, quebrando o beijo. Ele riu. — Linha da amizade está aqui. — ela repousou a mão no ar, na horizontal, indicando certa altura. — Estamos aqui — então esticou o braço mais pra cima, mostrando o quão maior a altura estava.
– E a linha do algo a mais? — ele murmurou beijando levemente o pescoço da mulher. Passou os lábios por toda a extensão do local, enquanto Angeles tentava manter a respiração controlada.
– Você provoca, bonitinho — a loira se segurou nos lençóis da cama.
– Não tenho culpa se você é tão sedutora — German falou, sorrindo divertido e capturando novamente os lábios da mulher que sorria.
Beijaram-se por mais longos minutos, matando a saudade de dois anos acumulados. Angie se questionava constantemente se aquilo era um sonho. Mas aquele momento conseguia ser melhor que qualquer outro já passado pela mente dela. Se afastaram mais uma vez para tomar ar, pois o fôlego fora completamente perdido. O coração de nenhum deles já havia palpitado tão forte antes.
– Psiu — Angie roçou seu nariz com o do homem — Você acha que pode vir assim dizendo essas coisas depois de tudo o que aconteceu com a gente, sem mais nem menos? — ela murmurou baixinho, de um jeito quase inaudível, já que o rosto de German permanecia perto.
O homem encostou sua boca na dela e sugou levemente o lábio inferior de Angeles, trazendo-o para frente e mordendo-o logo em seguida. Ela fechou os olhos. German voltou a beijá-la tranquilamente, sem aprofundar desta vez. Depois de parar, não desencostou as bocas e respondeu desta mesma maneira.
– Acho — disse divertido. Angie, ainda extasiada, tomou forças para afastá-lo, soltando um suspiro triste.
– Fala sério, né?! Não sei porque ainda crio esperanças. Sai daqui, German — a loira tirou-o de cima dela e se virou de costas na cama, cobrindo-se como quem fosse dormir.
German ficou confuso, tinha dito aquilo de brincadeira. Mas resolveu não dizer nada e se ajeitou para sair da cama da mulher. Angie sentiu o colchão balançar com a saída dele e bufou.
– Aonde você está indo? — pareceu brava.
– Ué, você acabou de me mandar sair! — German exclamou confuso.
– Fica... — ela murmurou manhosa, desta vez. O homem olhou-a virar apenas o rosto angelical para ele, que sorria enquanto ele voltava a se aproximar. — Vamos com calma.
German assentiu e subiu na cama novamente, abraçando Angie por trás, meio desajeitado. Se cobriu também e repousou a mão na barriga da loira, onde acariciou seu ventre virgem, mais preparado que nunca para carregar um fruto de um amor. German riu com o pensamento e afundou o rosto no pescoço da mulher.
– Posso te beijar? — provocou-a. Por alguns segundos, sua resposta foi um grande silêncio.
– Claro que não.
– Hum... — ele murmurou pensativo — Você me disse para ir embora mas queria que eu ficasse. Agora você disse não, e seguindo a lógica, isso deve ser um sim.
– Não é um sim, German — Angeles olhou-o.
Ele sorriu divertido e ignorou o mau-humor da loira. Virou seu rosto para ele e a beijou tão rápido que não deu tempo nem que ela recuasse. Beijaram-se profundamente por mais alguns instantes enquanto ela se segurava na camisa dele, fortemente, e ele segurava a cintura dela, enquanto a puxava para cada vez mais perto.
– Idiota — Angie sussurrou rindo quando quebraram o beijo.
– Sabia que era um sim. — German sorriu satisfeito e juntou os lábios novamente. Não se cansariam daquilo nunca, se pudessem ficariam daquele jeito para sempre.
– Ei, lindo — Angie tentava se afastar dele, mas nem ela queria isso.
– Fala, princesa — o homem depositava selinhos sem parar nos lábios dela.
– Estamos nos beijando muito. Abraçados. Na cama. Se continuarmos você já sabe onde vamos parar. — ela acarinhou o rosto dele.
– Muito cedo, né? — ele sorriu. — Tudo bem, Angie, não tem problema.
– Mas você podia dormir aqui comigo, sabe, super topo — a loira riu tímida.
– Por mim também é topado — German mordeu os lábios dela.
– Então está ótimo. Boa noite, German — Angeles beijou-o mais uma vez antes de se aninhar agarrada na camiseta branca do homem, deitando no pescoço dele e fechando os olhos.
– Boa noite, linda. — ele apertou o abraço e fechou os olhos.
– Ah, a propósito — sem nem abrir os olhos, a loira ergueu-se um pouco para sussurrar no ouvido do homem. — Em que eu penso todos os dias antes de dormir? É exatamente o que eu estou pensando agora. — ela sorriu e beijou o pescoço dele. — Em você.
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