Notas iniciais
Oi gente aqui é a Aline, a Giovana teve alguns problemas pra postar massss ela me mandou o capítulo pra postar aqui.

Um toque irritante de celular ecoou pelo quarto silencioso. German foi o primeiro a acordar. Se esquivou delicadamente da loira, que estava aninhada a ele, para buscar seu telefone por entre os cobertores. Quando o encontrou, coçou os olhos para conseguir enxergar a tela. Dez da manhã. Violetta ligava.

– Ahm — Angeles murmurou, acordando incomodada com o barulho. German olhou-a — Quem é?

– Violetta — o homem suspirou num tom engraçado. O que diria à filha? Ele ergueu o corpo na cama, apoiando as costas na cabeceira. Angeles fez o mesmo.

– Não vai atender? — a mulher mordeu os lábios. German respirou fundo e atendeu a chamada.

– Oi, filhote — ele sorriu no telefone, o que fez a mulher ao seu lado abrir um pequeno sorriso. Ela ajeitou a camiseta branca do homem e depois o cabelo dele. Ele olhou-a carinhosamente e beijou-lhe o rosto.

– Pai! Onde você está? Não dormiu em casa?! — Violetta quase gritou de preocupação. German colocou no viva-voz, segurando a risada.

– Hm.. não, meu amor, eu não passei a noite em casa. Desculpa não ter avisado. — o homem enrolou para não dizer onde estava.

– Tá. E posso saber onde está? — a menina parecia emburrada. German ficou em silêncio e olhou para Angie, sem ter nem ideia de que desculpa inventar. A mulher segurou o riso e teve uma ideia.

– Oi, Vilu!!! — ela falou perto do telefone, se entregando. Não se importava mais o que a sobrinha pensaria. German arregalou os olhos e desatou a rir.

– Angie? Espera... Não acredito! — a garota exclamou desesperadamente. — Vocês.. vocês..

– A gente...? — os dois falaram praticamente juntos, o que provocou riso entre eles.

– Se acertaram? Estão juntos? Ah, meu Deus!!! — Violetta soltou um grito agudo. Angie mordeu os lábios.

– Ih, se seu pai ta achando que vai me conseguir assim fácil ele está bem enganado... — a loira disse em tom de divertimento. German fez careta.

– Como assim? — ele bufou.

– É assim que se fala, Angie! — Violetta ria no outro lado da linha. — Campanha Homens Parem de Ser Trouxas.

– Super apoio — a tia ria. German mantinha uma expressão indignada.

– Chega né. Vamos desligar. — ele tomou a frente, fazendo-as rir ainda mais.

– Pai, que horas você volta?! — Violetta mordeu os lábios, divertida. — Amanhã?

– Engraçadinha. Eu já estou indo. Tchau. — o homem desligou e deixou o celular de lado. Olhou cautelosamente pra Angie, que o encarava com um sorrisinho brincalhão no rosto. — Bom dia, a propósito.

– Ótimo dia — a mulher sorriu. — Isso foi engraçado. — referiu-se a conversa no telefone.

– Concordo — German a puxou para si e voltou a deitar-se com ela. Tentou aproximar-se dos lábios da loira, porém ela se esquivou. — Ahhh..

– Eu não estava brincando quando disse que você não ia me ter fácil assim — Angeles se agarrou na gola da camiseta dele e se aproximou para beijar o queixo do homem, assim bem como ele fazia com ela. German riu, entendendo a brincadeira.

– E o que eu preciso fazer pra te conquistar? — ele puxou-a para si, mordendo a bochecha dela levemente. Um sorriso esperto brincava nos lábios da mulher.

– Não acho que conquistar seja a palavra mais certa a se usar, sabe... — ela sorriu e cedeu um selinho a ele. Era como se Angeles estivesse no comando da situação, e German apenas correspondesse. Estavam um quase em cima do outro, mas ao mesmo tempo, distantes. — Você já me conquistou há três anos.

– Então.. como eu faço pra te ter pra mim, hein? — ele tentou outro selinho, mas o indicador da loira o bloqueou.

– Vai ter que descobrir sozinho. E eu não vou facilitar não, viu. Você terá que me surpreender. — Angie mordeu a boca dele.

– Ei, chata, se não vai ficar comigo, para de fazer isso! — German falou aos risos. — Só me dá mais vontade...

– É a intenção, querido. — a loira encheu-o de beijos — Pra te fazer sentir só um pouquinho do que eu senti. Todo santo dia lembrar do beijo — então ela o beija de maneira intensa por poucos segundos — de certa pessoa e saber que não pode ter. Conviver com a memória disso e não poder tocar.

– Credo, Angie! — German suspirou. — Isso soou vingativo.

Ela riu. — Não é vingança, Ge. Eu só quero te fazer entender que as coisas não são tão simples como você pensa. Agir como se nada tivesse acontecido, como se eu nunca tivesse sofrido nada por você, e chegar do nada achando que vai estar tudo bem... não é assim.

German olhou nos olhos dela de maneira conectiva enquanto ela falava em tom sério. Ele suspirou, abaixando a cabeça.

– Faz sentido — riu triste.​

– Lógico que faz. — a loira sorriu. — Agora, aproveite bem, porque este aqui... é o último — Angeles mal terminou de falar e juntou seus lábios com os do homem, dando-o então o último beijo apaixonado que German teria até que colocassem todas as vírgulas na história despontuada que era a história deles.

XX

4 dias depois...

Pela primeira vez a palavra apaixonar não era sombria aos olhos de Angeles. O que aconteceu exatamente? Ela não sabia. Mas agora tudo estava diferente. O medo de amar? Se extinguiu. Toda a certeza que ela tinha agora era a sua liberdade para amar German. Antes, se sentia acorrentada, onde as garras da paixão rasgavam até a sua própria alma. Viver o amor era viver a solidão. O amor era sinônimo de escuro, de terror. E de repente, as correntes caíram sobre seus pés. Quando German aceitou o seu sentimento, ele devolveu a liberdade de Angeles para amá-lo. Finalmente ela entendia o que tantos livros e filmes idealizavam sobre se apaixonar. Finalmente ela acreditava, pois ela sentia. Ela sentia agora que amar German não era um crime, muito menos uma forma de suicídio da alma. Amar German se tornara fonte de esperança. Alegria.

O tanto que se falaram nos últimos quatro dias dava mais do que se falaram em todo o tempo em que German estava com Priscilla. Trocavam mensagens, ligações, se encontravam por aí e estavam vivendo sem saber aquilo que se chamava reconciliação. Sim, eram amigos antes, mas agora a reconciliação era mais do que o sentido da palavra poderia trazer. Era uma reconciliação com os próprios sentimentos.

Era quinta-feira, quatro da tarde. Angie arrumava a casa, mas também estava no skype com German. Seu computador estava na mesa de jantar, enquanto a loira andava pela sala tirando as almofadas do chão e passando pano nos móveis.

– Não ter que dar aula à tarde é algo maravilhoso — Angie comentou. German riu, vendo-a longe da câmera. Ele estava no escritório da mansão.

– Queria não ter que trabalhar também — comentou divertido. Angie olhou-o e se aproximou do computador.

– O que o senhor está fazendo falando comigo então?! — ela se apoiou na mesa, sorrindo. Seu cabelo estava preso em um rabo alto. — Vai trabalhar!

– Nhe, falar com você é mais legal — German mordeu os lábios.

– German... — Angeles sorriu sem mostrar os dentes, meio tímida.

– Fica tranquila, princesa, hoje não tenho muita coisa pra fazer não — o homem devolveu o sorriso carinhoso.

– Tá bom, vou confiar — a loira se desencostou da mesa e voltou para perto da televisão para limpar o móvel.

– Quer que eu vá aí te ajudar? — German a olhava.

– Não precisa, estou acabando — a mulher falou alto para que ele a escutasse mesmo de longe. — Ah, minha coluna... — murmurou.

– Tem certeza? — pareceu preocupado.

Angie olhou para o computador e sorriu. — Certeza, relaxa.

German assentiu — Eu queria te convidar para algo importante.

– O quê? — ela ficou curiosa, e a palavra "convidar" lhe trouxe calafrios de ansiedade. Tudo o que poderia vir disto indicava certa formalidade. O que tinham estava se tornando cada vez mais concreto.

– Vem aqui — German mordeu os lábios. Angie então se levantou e se aproximou da câmera novamente.

– Fala — sorriu olhando nos olhos carinhosos do homem.

– Este ano minha empresa completa vinte anos. — ele começou. — E amanhã teremos uma festa de comemoração. Queria que você me acompanhasse, é um momento muito importante pra todos nós.

– Sério?! Ahhh, que demais, Ge! Claro que acompanho — a loira mordeu os lábios, sentindo a barriga formigar. — É algo formal?

– Sim, traje social. Vai toda a empresa e tudo mais, e eu como dono tenho que estar presente.

– Entendo. — sorria — Eu vou sim!

– Ótimo — German riu — prometo que não vai se arrepender.

– Confio em você — Angie disse baixo. — Agora tenho que desligar, nos falamos mais tarde?

– Ah, chata — ele deu a língua, bufando por não querer desligar. A mulher gargalhou. — Claro que nos falamos. Não vai escapar de mim.

– Essa é a parte difícil da coisa — ela riu. — Escapar de você... falando nisso, vou desligar logo porque senão eu num consigo escapar meeeesmo!

German soltou uma risada — Ta bom, anjinha. Até.

– Até — Angeles mandou um beijo e desligou.

Respirou fundo e pegou as chaves do carro. Precisava buscar a sobrinha nos ensaios intensivos para os shows de divulgação do CD, e assim iriam retornar à médica para conferir os resultados dos exames. Ela estava atrasada, German a fazia se perder em seus esquemas.

Nunca chegou tão rápido no Studio. Violetta já a esperava na porta, e logo que entrou no carro já começou a falar e falar sobre todo o seu dia para a sua tia. Fazia tempo que Angeles não se sentia próxima de Violetta. De repente, toda a sua vida se colocou nos eixos. Tudo o que antes era motivo de choro, agora era motivo de sorrisos.

– Aí o Leon foi me segurar e o burro foi incompetente o suficiente para escorregar no meio do palco, e nós dois caímos! Você não tem noção do quanto o Gregório ficou bravo! — a garota ria descontroladamente acompanhada da loira.

– Leon tá ruim de pegada assim?! Tem que dar um jeito nesse seu namorado, Violetta! — Angie ria alto, enquanto a sobrinha deu-lhe um leve tapinha na perna de brincadeira.

– Aiiii, Angie, falando nisso viu... — a morena baixou a cabeça e seu riso de repente ficou sem graça.

– Ihhh, o que aconteceu?

– Nada demais... aquilo nem aconteceu de novo. A semana foi corrida. Só estou sentindo falta dele. — Violetta jogou os ombros. — Voltamos não faz nem uma semana e não conseguimos nem conversar um com o outro direito, tudo por causa da viagem a Espanha e os preparativos para os shows.

– Ah, meu amor, vai valer a pena, eu te prometo. Quando estiverem em Sevilla vocês vão ter todo o tempo do mundo. Mas ser artista é isso. Tem que saber conciliar o tempo de ser profissional e o tempo de relaxar. Às vezes, é necessário sacrificar os nossos momentos de lazer para conseguirmos realizar certos trabalhos. Vai ter que aprender a conviver com isso se realmente quer ser artista. — Angie mordeu os lábios, olhando de relance para a sobrinha, enquanto dirigia.

– Ah, sei lá — a menina suspirou.

– Sei lá?!?! Não era esta a resposta que eu esperava ouvir! — Angie provocou-a. Violetta ficou em silêncio por mais alguns segundos. — E aí, garota, vai querer ser artista ou não?

Violetta riu. — O que mais eu poderia ser? Faz parte de mim. Eu sei que não vai ser fácil, e é exatamente por isso que eu tenho você.

– Aí siiiim! Uma resposta digna de uma sobrinha minha. — Angeles ria. — Agora honre sua vocação e me mostre do que você é capaz — a mulher aumentou o volume do rádio e deu um sinal para que a sobrinha começasse a cantar.

– Ah, canta comigo? Honre sua profissão! — Vilu mordeu os lábios.

– Você primeiro.

A menina assentiu e logo acompanhou a música que tocava. — Pro tanto que eu te queria o perto nunca bastava e essa proximidade não dava.... — jogou a vez para a tia.

– Me perdi no que era reaaaal e no que eu inventeiii... — Angie se empolgou. — Rescrevi as memórias, deixei o cabelo crescer e te dedico uma linda história, confesso...

– Nem a maldade do tempo consegue me afastar de vocêeeee — Violetta falou rindo.

No verso seguinte, ambas ignoraram completamente a sintonia da música, e a calma da melodia. Começaram a cantar, e gritar, juntas, o mais alto e empolgadas que conseguiam. E riam sem parar.

– TE CONTEI TANTOS SEGREDOOOOOS QUE JÁ NÃO ERAM SÓ MEUS... — gritavam animadas — RIMAS DE UM VELHO DIÁAAARIO QUE NUNCA ME PERTENCEU... — abriram os vidros e chamaram a atenção de pessoas na rua.

– ENTRE PALAVRAS NÃO DITAAAAS TANTAS PALAVRAS DE AMOOOOR — Violetta gritou com toda a emoção que sentia, e Angeles se sufocava em gargalhadas.

– ESSA PAIXÃO É ANTIIIIGA, E O TEMPO NUNCA PASSOU... — a mulher concluiu o resto da estrofe, mas nenhuma das duas conseguiu continuar a música de tanto que riam.

– Meu Deus, você viu a cara daquele senhor?! — Violetta estava vermelha de tanto gargalhar.

– Devem achar que somos loucas!!! — Angie balançava a cabeça, tentando controlar para que sua risada não confirmasse a frase que acabara de dizer. — Ok, foco, Angeles!

– Foca aí no volante, gata — a menina se acalmou e respirou fundo, recuperando o fôlego.

– Nem precisa, chegamos — a loira parou o carro em frente à clínica. Violetta engoliu em seco. Angeles estacionou e então tia e sobrinha adentraram o local, retiraram a senha e se sentaram na sala de espera enquanto não eram chamadas.

– Violetta Castillo — a recepcionista anunciou. Olharam para ela rapidamente. — Doutora Alice te espera no consultório 5. Última sala à esquerda daquele corredor. — ela apontou. Violetta e Angie se entreolharam. A loira sorriu carinhosa, pegou a mão da sobrinha e foi com ela para dentro do consultório, sem enrolar.

– Que bom revê-las, meus amores! — Alice as cumprimentou. Ela era o tipo de ginecologista que era um doce de pessoa. E seu trabalho era ótimo.

– Olá, Alice! Viemos pelo retorno dos exames. — Angie sorriu, sentando-se na cadeira em frente a mesa de vidro.

– Muito bem, vamos ver aqui o que deu — a mulher mais velha procurou o envelope com o nome de Violetta por entre tantos outros envelopes. A menina se mantinha em pé. — Não quer sentar, Vilu?

– Senta aqui, princesa — Angie puxou a sobrinha para a cadeira ao seu lado.

– Eu quero ver este resultado logo — a garota riu baixo, vendo a médica achar seu envelope e tirar dele os resultados dos exames.

– Muito bem... Primeiro o ultrassom — Alice analisou as imagens realizadas no ultrassom e sorriu — Por aqui está tudo certo. Útero aparenta estar normal, os ovários também.

Violetta e Angie assentiram.

– E os exames de sangue... — ela pegou o papel com os diagramas do resultado. Angie se perguntava como médicos conseguiam entender tantos dados e o que eles significavam. — Nenhuma alteração, tudo perfeito.

A garota sorriu, um tanto aliviada.

– Vilu, de quanto em quanto tempo é sua menstruação? — continuou.

– Hum... na verdade não é muito regular. Sempre cai em dia diferente.

– Certo. Vou te prescrever um anticoncepcional mesmo assim, é importante se prevenir pelo menos nesta idade. — Alice pegou uma caneta e começou a escrever no seu bloco.

– E ela vai ter que tomar todos os dias ou só quando tiver relação? — Angeles tomou a frente das perguntas, bem como uma mãe faria.

– Na verdade, o anticoncepcional também vai ser para regular o ciclo menstrual dela, assim fica mais fácil enxergar o seu período fértil. Por isso ela vai tomar uma pílula por dia. — a doutora terminou de escrever e deu a receita nas mãos da loira. — É só isso. Vamos fazer um acompanhamento para ver como você vai reagir ao medicamento. E é importante sempre realizarmos alguns exames. Tudo bem?

Violetta assentiu.

– Bom, meninas, não tenho mais nada a dizer. — Alice sorriu.

– Bem, obrigada, doutora — Angeles analisou a receita — Está ótimo. Vamos, Vilu? — elas se levantaram.

– Até a próxima vez — Alice deu a volta na mesa para cumprimentá-las.

– Até mais — elas saíram.

Angie e Violetta andaram todo o corredor, a recepção e foram até o carro sem dizer nada. Quando entraram, Violetta desabafou.

– Anticoncepcional engorda.

Angeles olhou-a e soltou uma gargalhada. — Que bom, você está precisando.

– Tia, é sério — a menina fez bico.

– Vilu, é importante você tomar. Não é bom ficar com essa menstruação desregulada aí, e imagina se acontece um acidente e você... engravida — a mulher sussurrou a última palavra.

– Por que você está sussurrando? — Violetta respondeu também em sussurros.

– Porque eu quis, rum. Eu sou mais velha e sei o que é melhor pra você. Você vai tomar o remédio. — ela deu partida no carro e iniciou o caminho de volta para casa. Violetta arregalou os olhos.

– Tenho certeza de que se minha mãe estivesse aqui ela diria isso.

– Ai, meu Deus — Angie mordeu os lábios sem graça. — Desculpa...

– Não precisa pedir desculpa, foi algo bom. — Violetta sorriu. Um silêncio predominou no ambiente, um pouco quanto desconfortável. Não querendo que sua tia ficasse estranha por isso, resolveu puxar assunto. — E você e o papai?

– O que tem? — a loira não tinha nenhuma expressão no rosto.

– Estão bem?

– Estamos sim — ela finalmente sorriu. — Vamos à festa da empresa dele amanhã.

– Aquela festa que tem de cinco em cinco anos? — Violetta mordeu os lábios. — Uau, sinta-se bem especial, ele nunca me deixou ir nesta festa.

– Por que não?! — Angie olhou-a.

– Ele dizia que não era um lugar para crianças. Mas nem quando eu cresci ele me deixou ir — a menina jogou os ombros. — O que importa é que você vai estar lá! Linda e brilhante com ele.

– É... — a mulher abriu um pequeno sorriso, um tanto ansioso.

– Você já tem roupa??? — a morena quase saltou do banco de entusiasmo. Sua tia olhou-a calmamente.

– Pior que não! Por quê? O que está pensando? — Angeles riu da cara da garota.

– Acho que temos algo a se fazer. Muda a direção desse volante aí porque o shopping é para o outro lado. — Violetta piscou.

XX

No dia seguinte...

Angie ouviu a buzina e saiu da casa. Seu vestido era vermelho escuro e longo, e seu cabelo estava solto, com cachos grandes assim como ela costumava usar antes de ir morar na França. A maquiagem era simples, mas ao mesmo tempo chamativa. Não era necessário muito para realçar os traços perfeitos que a mulher carregava em seu rosto. German sorriu vendo-a caminhar até o carro, e não se segurou em roubar-lhe um selinho quando ela entrou.

– German! — a mulher bufou irritada. — Se começar com graça eu saio do carro agora mesmo.

– Você correspondeu. — ele mordeu os lábios, sorridente, e deu partida no carro. Angie o olhava com raiva. — Certo. Desculpa. A propósito, você está linda.

– Obrigada. — respondeu ainda não muito contente, cruzou os braços e olhou pra frente.

– E cheirosa. — German não tirava a atenção do trânsito.

– Obrigada.

– E se eu disser que também esta sexy você me bate?

Não foi nem necessário dizer, ela virou-lhe um tapa no braço, mas em vez de brava, começou a rir.

– Não estou com nenhum decote ou algo curto pra você dizer que eu estou sexy. — ela olhou pela janela do carro em movimento. De repente, sentiu dedos se entrelaçarem com a sua mão solta no banco.

– Você não precisa estar com decote ou roupa curta pra eu te achar sexy. — o homem apertou a mão dela.

– Você não acha meio perigoso dirigir com uma mão só? – Angie riu baixo.

– Não, não me subestime. Confie em mim. – German sorriu para ela. O resto do caminho foram em absoluto silêncio, cada um com seus devidos pensamentos, mas ambos conectados pelas suas mãos entrelaçadas.

Quando chegaram, German deixou o carro para o manobrista estacionar. Era um local elegante, havia fotógrafos na porta e tudo parecia muito sofisticado para Angeles. Todos os homens de terno e todas as mulheres de vestido longo. Mulheres da classe alta, cheias de joias e carros caros. Era uma festa de rico. Por um momento, a loira se sentiu levemente deslocada.

– Tudo bem? – German repousou a mão nas costas de Angie para guiá-la para dentro do salão. Ele era o dono, portanto não precisou dar nome para conferir antes de entrar. Já havia muita gente dentro do salão, enquanto a mulher olhava ao redor.

– Só me sentindo meio tirada do meu ninho – Angeles riu. German olhou-a carinhosamente.

– Fica tranquila, você vai gostar. Todos os meus amigos são casados, e sempre trazem as esposas. Você pode fazer amizade com elas. – German guiava Angie por entre tantas mesas redondas espalhadas pelo salão. A decoração do local era incrível.

Eles chegaram até uma mesa perto do palco, onde estavam sentados cinco homens que aparentavam a mesma idade de German. Todos de terno.

– Olha quem chegou! – um dos homens se manifestou, olhando para German. Angie se posicionou ao lado do companheiro.

– E aí? A comida está boa? – German riu, cumprimentando-os. Eles assentiram. – Gente, quero apresentar vocês a Angie.

Os caras soltaram um berro de comemoração.

– Criou vergonha na cara para assumir, cara? Meus parabéns! – um outro homem, este loiro, brincou com German, fazendo a mulher ao lado dele soltar uma risada divertida.

– Engraçadinho. – o homem segurou a mão de Angie novamente. – Bom, Angie, estes são Davi, Jefferson, Mario, Rodrigo e Tiago. – German foi falando e apontando. A loira os cumprimentou.

– Prazer em conhecê-la, famosa Angie – Davi sorriu.

– Famosa? – a mulher se manifestou.

– Famosa é pouco – Mario ria da cara que German fazia. – Este aí só sabe falar de você.

– “Aí a Angie isso”, “aí a Angie falou aquilo” – aquele que fora apresentado como Tiago zombou da cara do amigo.

– Chega, não acham? – German bufou, fazendo a loira sorrir grande. Ele tinha ficado envergonhado. E ainda mais, ele falava dela. O coração da mulher permaneceu acelerado por alguns instantes. – Onde estão as mulheres? – o homem questionou aos amigos, enquanto olhava ao redor.

– Naquela mesa ali – Jefferson apontou para uma mesa pouco distante, onde se encontravam cinco mulheres com certeza mais velhas que Angie, conversando e rindo como boas amigas. German sorriu e pegou na mão de Angeles para levá-la até lá.

– Boa noite, moças – o homem as cumprimentou com um sorriso.

– German, como vai? – todas olharam e se surpreenderam ao verem uma mulher com ele. Aquela era uma cena inédita. – Meu Deus, ele trouxe alguém!

– Gente, hoje vai chover, German trouxe alguém! – uma delas bateu palmas. Angie olhou confusa para elas.

– Este alguém se chama Angie – ele riu baixo – Queria apresentá-las a vocês.

– Angie! Muito prazer em conhecê-la – a mais perto dela se levantou para cumprimentá-la. – Meu nome é Janette. – a mulher trajava um vestido azul, longo e chique. Ela tinha os cabelos claros, mas não chegavam a serem loiros.

Em seguida, todas fizeram o mesmo, se levantaram e se apresentaram como Isabel, Renata, Cristina e Melissa.

– E aí, linda? – German se virou para a sua companheira. – Quer ficar lá comigo ou quer ficar aqui com as meninas?

– Fica aqui com a gente, Angie, senão vai ter que ficar ouvindo papos sobre política e futebol – Isabel se manifestou, fazendo a loira rir levemente.

– Vou ficar aqui com elas. Depois nos falamos? – a mulher se virou para German. Ele assentiu sorrindo e depositou um beijo carinhoso na testa dela.

– Vou lá. – ele se retirou devagar, fazendo todas as outras ali gargalharem.

– Não entendi nada – Angie mordeu os lábios, se virando para as outras.

– A gente te explica, senta aqui – Isabel puxou uma cadeira para a loira e esta assim se sentou com elas – Sempre que têm essas festas ou qualquer outra confraternização da empresa, ele nunca traz alguém. Sempre vem sozinho, mesmo quando estava casado.

As coisas só melhoravam para Angie. Ela não conseguiu segurar o sorriso.

– Ele não trazia a Priscilla? – a mulher sussurrou.

– Não, nunca a vimos – Janette continuou. – Você foi a primeira, e olha, pode-se considerar muito por isso. Vocês estão namorando?

– Na verdade, é bem mais complicado que isto. – Angie sorriu triste. – Nossa história é bem complicada.

– Nossa, mas ele parece estar apaixonado por você, e vice-versa. – Cristina se manifestou, olhando para a mesa não tão distante deles, onde viu German olhando para Angie de lá.

– É, eu sei... eu sou apaixonada por ele faz três anos – ela riu um tanto sem graça. – No começo ele era por mim, até ele descobrir que eu sou irmã da ex-mulher dele.

– Você é irmã de Priscilla? – Renata indagou confusa.

– Não, que horror! – a loira riu – Sou irmã de Maria. Ela morreu quando Violetta, filha deles, tinha cinco anos. Hoje Violetta tem dezoito, então vocês devem imaginar o quanto tempo faz. Eu era uma criança quando eles eram casados. Nos afastamos depois da morte dela por alguns muitos motivos, e quando eu reapareci, adulta, ele se apaixonou. Acontece que eu acabei não contando quem eu era, pois eu me apaixonei também.

– Bem... agora eu concordo, realmente é complicado – Cristina mordeu os lábios. – E aí quando ele descobriu ele ficou bravo, certo?

– Bravo? Não olhou mais na minha cara durante semanas. Aí nosso relacionamento desandou completamente. Eu continuei gostando dele, mas ele simplesmente me esqueceu de um dia para o outro. Ficou com a Jade, com a Esmeralda, e depois com a Priscilla.

– E você todo este tempo gostou dele? Por que não tentou algo com outro homem? – Melissa entreabriu os lábios, indignada.

– Eu tentei, de verdade. Nesse meio tempo morei alguns meses na França, e lá eu tentei ficar com outros caras. Mas não consegui. Quando voltei para cá, me reaproximei de German, ele acabou divorciando de Priscilla e aqui estamos.

– Eu tenho certeza de que vão ficar juntos – Janette sorriu para a Angie – E você vai se tornar uma de nós, por mais que tenhamos uns dez anos a mais que você. – ela riu.

– Que isso, eu não sou tão nova quanto aparento – Angie riu.

– Você tem mais de trinta? – Isabel perguntou. A loira negou com a cabeça. – Então pronto! Todas nós estamos na faixa dos trinta e cinco.

– Vocês continuam muito bonitas mesmo assim – Angie foi sincera.

– Ah, meu Deus, você é um amor! – Renata riu – German fez a escolha certa. Estou torcendo muito por vocês, quero ir ao casamento!

– Mas quem disse que ele me escolheu? Ele só me trouxe num evento – Angeles continuou.

– Ah, qual é, está óbvio que ele escondeu o sentimento durante todos esses anos, e agora resolveu aceitar. Ele ama você, é notável. – Isabel disse.

– Ele nunca disse isso... – Angeles balançou a cabeça.

– E ele lá precisa dizer? – Janette exclamou. – Olha, todas nós vamos te dar um conselho de mulher casada. No namoro é necessário que se diga sempre “eu te amo”, mas quando você se casa isso se torna um pouco mais raro. Não porque o amor diminui, e sim porque os “eu te amo” começam a ser expressos mais por ações do que por palavras. Quando o homem chega e te faz massagem porque você está com dor, quando ele te mima, quando faz sacrifícios por você, quando ele mesmo está cansado mas passa mais tempo acordado para te ajudar com alguma coisa, quando ele se preocupa, quando ele te enche para você dizer porque não está bem... são diversas ações, mas por mais simples que sejam, elas dizem por si só “eu te amo”. Não é necessário dizer para saber. Entendeu? O olhar de German pra você diz isso da forma mais óbvia possível.

– Janette disse tudo – Isabel e Cristina disseram.

– Exatamente – Melissa confirmou.

– E você, Renata? – Angie quis a opinião da última.

– Janette está completamente certa. – Renata sorriu. – Pense bem nisso. Ele te adora, e isso ficou claro para mim só pelo fato de ele ter te trazido aqui. É a empresa dele, os amigos dele, a vida profissional dele. E ele acabou de te apresentar tudo isso. É um sinal maior do que você imaginava, não acha?

– É... – Angeles ficou pensativa por alguns segundos. – Pensando por esse lado...

Todas riram – É assim que se faz. Quer champanhe? – Janette ofereceu. Angie assentiu e então foi servida. De repente, se sentiu tão enturmada no meio daquelas mulheres, ao mesmo tempo em que trocava olhares com o German, na mesa dos homens. De repente, tudo parecia tão em paz. Ela estava infiltrada no ambiente de German, mas se sentia completamente em casa. Talvez fosse isso. Talvez o ambiente de German também se encaixasse nela, porque talvez, eles realmente eram para dar certo.

XX

– Aí eu cheguei em casa e lá estava o Mario com o Caio, tentando fazer um bolo surpresa pra mim. A cozinha estava uma zona, vocês não tem ideia! – Isabel ria enquanto contava o episódio que aconteceu na semana anterior em sua casa. Caio era seu filho de sete anos. Mario era o seu marido, aquele mesmo que fora apresentado a Angeles na mesa dos homens.

A loira descobriu que além de mulheres casadas, todas elas eram mães. Já estavam conversando há quase uma hora, e Angie sentia como se fossem anos que as conhecesse. Janette era mãe de Mia, uma garotinha de cinco anos. Melissa era mãe de duas meninas, a Lua e a Letícia, de três e seis anos respectivamente. Cristina tinha o Nathan, de três, e a Julie, de quatro. Renata tinha apenas o Gabriel, de seis. Quando as famílias deles se reuniam, as crianças faziam uma bagunça juntas.

Angeles se sentiu tão impulsionada a viver a mesma coisa. Queria se casar, queria ser mãe também, queria fazer parte daquilo. E este pensamento, estranhamente, não parecia algo tão distante como parecia meses atrás.

A mulher já havia falado de Violetta e de como ela era uma filha para si, mesmo tendo-a como sobrinha. Até contou a história de que Violetta também não sabia que ela era irmã de sua mãe no começo.

– Essas crianças – a loira riu – Nem quando crescem mudam, viu.

– E você e a Violetta? Ela apoia a sua relação com o pai dela? Não acha estranho? – Cristina questionou.

– Por incrível que pareça, ela é a que mais apoia. Ontem ela me arrastou para o shopping para comprarmos este vestido aqui – Angie apontou para o vestido que usava. – Ela realmente quer que fiquemos juntos. Vilu e eu somos bem próximas, eu sou como uma mãe pra ela.

– Ah, quero conhecê-la. – Janette sorriu.

– Um dia, quem sabe – Angeles correspondeu o sorriso.

Naquele instante, uma voz extremamente conhecida ecoou por todo o salão, que estava cheio. German subira no pequeno palco e pegara o microfone para fazer um agradecimento. As mulheres resolveram prestar atenção no que ele dizia.

– Eu gostaria muito de agradecer a presença de todos vocês, convidados especiais e funcionários da empresa. Agradecer a cada um de vocês, agradecer a cada cargo, porque sem vocês nada disso teria sido possível. Hoje trabalhamos todos em conjunto para a evolução de um mundo melhor, e é necessária a colaboração de todos. Faz vinte anos que o projeto começou e tanta gente já entrou e saiu, mas mesmo assim todos colaboraram com um pouco de si. Muito obrigado a todos vocês e que possamos continuar juntos por muito tempo. – German concluiu o pequeno discurso olhando para todos e estacionando o olhar em Angeles, para quem ele deu uma piscadinha com o olho direito. As outras da mesa viram e soltaram uma risada, brincando com Angie.

– Tá vendo! Ih, esse casal vai dar o que falar... – Isabel sorriu.

– Vocês não perdem uma – Angeles balançou a cabeça, rindo tímida. – Vou ali no balcão pegar algo para beber, já volto. – ela se levantou enquanto as outras assentiram e voltaram a conversar entre si.

Angie fingiu não perceber que German descera do palco e vinha em sua direção, ela apenas continuou andando em passo firme até chegar onde queria.

– Um coquetel de morango sem leite, por favor. — a loira se apoiou no balcão e pediu ao garçom que estava livre.

– Com vodka ou sem? — o moço jovem sorriu simpático.

– A moça quer sem. — German apareceu do nada, apoiando-se no balcão ao lado da mulher. Ela levou um susto.

– De onde você surgiu?! — Angie mordeu os lábios, continuando a fingir que não percebera ele se aproximar. — Aliás, quem disse que quero sem? Só por isso vou pedir com vodka sim, viu, garçom?

– Pode deixar — o menino que devia ter seus 25 anos assentiu e saiu para buscar a bebida.

– Coquetel com vodka. Estou vendo que sou eu que vou ter que voltar dirigindo, né. — German soltou uma risada.

– Ei, eu estou completamente sóbria para a sua informação. — a mulher riu junto.

– Sei. Eu estava te observando. Duas taças e meia de champanhe. Agora isso... Vamos ver onde vai parar.

– Eu conheço minhas limitações, docinho — Angeles se virou para o homem, sorrindo divertida.

– Se você diz — German ergueu os ombros. — Está gostando? Se enturmou? — ele sorriu carinhoso.

– Sim! Elas são uns amores. Janette fica falando da Mia, a filhinha dela. E a Isabel do Caio, o filho. As outras também, mas não sei, me senti extremamente próxima de Isabel e Janette mesmo sem conhecê-las.

– Normal, fico feliz que tenha gostado delas. Costumamos nos reunir de vez em quando e vocês podem se tornar grandes amigas. – German sorriu. O garçom voltou com a bebida e deu-a nas mãos de Angie, que agradeceu docemente.

– Acho uma ótima ideia.

– Ok, mudando completamente de assunto, eu sei que até agora não passei um tempo com você, me desculpa por isso, e para me redimir... – German fez como mágica uma garrafa de vinho brotar em suas mãos. Angie ergueu as sobrancelhas e parou de tomar o coquetel.

– Uou. Tem certeza? Você está todo ocupado aí, eu entendo, Ge. – a loira sorriu carinhosa. Ela realmente entendia.

– Não, eu tenho um tempinho agora, eu juro. – ele sorriu e segurou a mão dela, quando um homem chegou por trás de German e chamou-o.

– Sr. Castillo, estão te chamando para tirar fotos no hall.

Angie sorriu triste – Viu? Vai lá, eu vou voltar para a mesa.

– Não! – German se desesperou – Marcos, fala que eu vou mais tarde e que estou ocupado. – o homem mal terminou de falar e, puxando Angeles pela mão, saiu dali.

– Você é inacreditável – a mulher riu divertida. Passaram perto da mesa onde as meninas estavam, e elas, vendo Angie de mãos dadas com German, soltaram um risinho divertido para a mulher. Angie, por sua vez, balançou a cabeça.

– Eu sei, de nada. – ele a levou até uma mesa vazia, puxou a cadeira para que ela se sentasse. Se sentou também e então serviu o vinho. – Os caras ficaram me zoando porque né... eu e você...

A loira sorriu – As meninas também. – ela mordeu os lábios.

– É, parece que temos fãs – German riu e tomou um gole da bebida. Angeles fez o mesmo. – Inclusive eu sou um deles.

– Hum... Somos dois então – Angie olhava cada traço do rosto de German, quase hipnotizada. – Argh, por que você é tão lindo? – ela bufou.

– Eu te pergunto o mesmo – ele riu – eu podia te beijar agora, mas você me impôs uma regra muito maldosa. – German fez bico.

– Ô, tadinho – a mulher apertou o bico dele com as mãos e sorriu, deitando a cabeça em seu ombro e o abraçando. – Abraço eu deixo – ela sussurrou.

O homem a segurou firmemente pela cintura. – Ótimo, assim que eu gosto.

Então, os dois ali ficaram por um tempo eterno, conversando e bebendo, ou em alguns momentos apenas bebendo. Angie gostava de ficar deitada no ombro dele, em silêncio, apenas observando o resto da festa e sentindo o carinho que as mãos de German faziam em seu braço ou perna, ou até mesmo sentindo os beijinhos que ele hora ou outra depositava em seu ombro ou pescoço.

Quando a garrafa da bebida acabou, novamente o tal de Marcos procurou por German. Desta vez, ele teve que ir, e Angeles voltou para a mesa onde as mulheres ainda estavam.

– Voltei – ela sorriu.

– Uma hora depois... – Renata olhou no relógio – Literalmente – a mulher de cabelos negros riu divertida.

Angie ergueu os ombros – Não tenho culpa!

– Está certa, Angie, tem que curtir mesmo, o início de uma relação é uma das partes mais gostosas de se viver – Janette sorriu para a loira.

Naquele instante, cinco homens bem familiares a todas elas se aproximaram da mesa, e cada um abraçou por trás a sua respectiva esposa, mesmo que estas estivessem sentadas e eles em pé. Alguns deles beijaram a cabeça da sua mulher, outros abraçaram-nas fortemente. Angeles sorriu, por mais que se sentira desconfortável por ser a única ali sem um homem.

– Acho que sobrei – a loira riu, fazendo o resto gargalhar junto com ela.

– Ow, German! – Davi gritou de longe para que o amigo o escutasse. Angie arregalou os olhos. German virou-se para ver e riu da situação. A mulher quase escondeu a cara na mesa de vergonha.

German parou tudo o que estava fazendo e andou até eles. Ao chegar, por trás de Angeles, passou os braços pelos ombros dela e segurou suas próprias mãos na altura do busto da mulher, assim como um abraço. Ele apoiou o queixo na cabeça dela.

– Cheguei. – o homem sorriu. Todos os outros soltaram uma risada, inclusive Angie.

– Você é um cara de pau, eu já disse isso? – Angeles inclinou a cabeça para trás, para conseguir olhar German.

– Já sim – ele lhe lançou uma piscadela, e, se aproveitando de que ela manteve a cabeça inclinada, o homem aproximou-se rápido para fingir que lhe daria um selinho, quando na verdade beijou-a no queixo.

– UOU – Jefferson exclamou divertido, acompanhado de outras mulheres.

– German!!! – Angie lhe deu um tapa no peito, não muito forte. – Foi no queixo, gente, não se desesperem.

Os outros mais uma vez gargalharam. German ria, e então beijou o queixo dela mais uma vez. A loira amava esta mania dele de beijá-la ali.

– Esse casal vai dar muito do que falar – Tiago riu, puxando uma cadeira de outra mesa para se sentar. Logo, os outros homens de pé fizeram mesmo, assim ficaram os doze amigos, seis casais, conversando para o resto da noite, até que o último doce fosse servido.

XX

Era três da madrugada. Angie e German deixaram o salão, exaustos, e foram logo para o carro depois de se despedirem de todos. Colocaram o cinto e o homem deu partida.

– Gostou? – ele olhou-a.

– Amei! – Angie riu baixinho. – Nunca me senti tão bem no meio de pessoas desconhecidas.

– Eles gostaram muito de você. Os caras já te conheciam porque eu vivia falando, então... – German sorriu.

– Eles são todos incríveis! São famílias incríveis. – a mulher riu.

– E você decorou todos os casais?

– Hum, acho que sim, vamos ver. A Janette é casada com o Davi. A Isabel é casada com o Mario. A Melissa com o Rodrigo, a Renata com o Jefferson e a Cristina com o Tiago? — Angeles questionou confusa, enquanto German e ela estavam no carro.

– Exatamente! Você conseguiu! — o homem brincou, rindo. — Falta apenas um.

– Quem? — a loira o olhou, sem entender.

– Um tal de German com uma tal de Angie. — ele olhou-a rapidamente, sorrindo, e voltou seu olhar para a pista. Ela soltou uma risada.

– Vai nessa. Estamos bem longe disso, querido. Eu disse que não ia facilitar as coisas...

– Mas eu estou sendo bonzinho! — German exclamou, olhando-a com calma agora que parara no sinal.

– German, são quase três da manhã, o que você está fazendo parado no semáforo? — a mulher indagou. — Ninguém nunca te disse que é perigoso?!

– Não tem ninguém na rua, Angie... — o homem balançou a cabeça, olhando ao redor.

– Anda logo com esse carro, criatura — Angeles o encarou. German riu e obedeceu ao pedido dela. A loira sorriu satisfeita, estava gostando do fato que o local da festa era longe, e então teria muito tempo no carro com German. — Muito obrigada.

– De nada, docinho. — o homem mostrou a língua. — Você fugiu do assunto.

– Do que estávamos falando mesmo? — ela fingiu não se lembrar. Apoiou a cabeça no vidro e fechou os olhos. O sono a consumia.

– De que eu estou sendo bonzinho. — German mordeu os lábios, sorrindo ao vê-la daquele jeito. Ele soltou uma mão do volante e segurou a mão da mulher que estava repousada no banco, entrelaçando os dedos. Angeles rapidamente abriu os olhos com o toque.

– Você está mesmo. — ela apertou a mão dele, enquanto ele a acariciou.
German sorriu, erguendo suas mãos entrelaçadas e depositando um beijinho na mão da loira. – Você está com sono. Descansa até chegarmos em casa, vai demorar um pouquinho.

– Tem certeza? – a mulher o olhou.

– Claro, eu te acordo quando chegarmos. – German sorriu. Angie então mandou-lhe um beijo de longe, apoiou a cabeça no vidro e fechou os olhos. Não chegou a dormir, mas foi assim até o final da pequena viagem. Ela sentiu quando German estacionou o carro, mas não quis se levantar. – Psiu – o homem sussurrou.

– Af, pareceu passar tão rápido – ela murmurou.

– Foram trinta minutos – ele riu.

– Foi rápido – ela o encarou. German então nada disse, mas sorriu. – Bem... é isso. – suspirou. Ela não queria sair. Faltava algo. E Angeles sabia bem o que era.

– É isso... – German assentiu.

– Ai, German, te odeio! – a loira falou meio rindo e meio irritada. German soltou uma gargalhada.

– Que isso! Por quê? – ele se indignou.

– Deve ser o efeito do álcool no sangue, não é possível. – balançou a cabeça — Vem cá. – a mulher o puxou pela gola da camisa e simplesmente o beijou.

O beijo foi surpreendente e extremamente carinhoso. Durou um grande espaço de tempo, nenhum dos dois queria parar. Angie teve que se afastar dele no primeiro momento que teve coragem, senão jamais sairiam dali naquela noite.

– Ok. Chega – ela riu – Boa noite, chato.

– Boa noite, linda – German riu bobo.

Angeles saiu do carro, subiu os degraus e procurou as chaves para abrir a porta. Quando o fez, antes de entrar, se virou para trás e viu que German ainda estava ali, parado no carro, a olhando.

– Ainda está aqui? – ela franziu a testa.

– Claro, é perigoso, só vou embora assim que você entrar aí e estiver segura – o homem sorriu.

Angeles sentiu um arrepio no estômago. Lembrou-se do que Janette dissera sobre o amor expresso nos pequenos atos, e então ela sorriu bobamente para ele.

– É... eu também te amo – a loira sussurrou, só para que ela mesma escutasse. Então, entrou em casa e deixou German ir.

Notas finais
É isso aiiii, beijinhos e comentem