Notas iniciais
olha esse capítulo ta meio zzz porque eu tava com muita preguiça quando escrevi kkkkkkk e ah, por favor, quando a música começar no capítulo coloquem ela pra tocar, e vejam a tradução, na moral a letra é a cara de Germangie e a música é maravilhosa. Chama Drowning dos Backstreet Boys.

– Isso é sério? – Angie bufou, se jogando na cadeira quando Gregório os deixou a sós – German, você não precisa fazer isso por mim, pode ir para a sua casa, eu me resolvo com o Gregório.

– Angie, eu não vou te deixar sozinha nessa, relaxa... A gente consegue dar uma limpada rápida por aqui – German olhou em volta.

– Esse lugar é imenso para duas pessoas – Angie suspirou e o homem sentou ao lado dela. Ela o olhou desanimada.

– Vamos fazer isso com calma, é por uma boa causa, não? – German tentava tranquilizá-la. Angie abriu um sorriso torto, sem mostrar os dentes, e assentiu levemente com a cabeça.

Angeles, na verdade, não se importava muito com o fato de limpar, o que ela realmente mais tinha medo era de ficar sozinha no Studio com o amor da sua vida. Por que essas coisas sempre aconteciam com ela?

XX

Pov Angie

Quando terminei a última aula do dia, cansada, caminhei lentamente até a sala dos professores, me preparando para o que vinha agora. Eu não precisava ficar perto do German, certo? Ele limpava uma sala e eu outra, pronto, não precisaríamos nos ver. Sinceramente eu acho que o destino tem senso de humor, ele adora nos colocar na pior situação e depois deve rir do nosso desespero. Ou eu que tenho azar demais mesmo.

Deixei as minhas coisas na mesa dos professores e respirei fundo. Eu podia ouvir as vozes pelo Studio cessarem cada minuto um pouco mais. Os alunos estavam indo embora. Estava anoitecendo. Se meu amor pelo Studio não fosse tão forte, eu não estaria fazendo esse sacrifício todo.

– E aí – ouvi aquela voz grossa que eu reconheceria em qualquer canto do mundo atrás de mim. Virei-me para olhá-lo. – Preparada? – German estava de braços cruzados, encostado no batente da porta da sala, sorrindo um tanto animado demais para alguém que ia fazer faxina.

– Na verdade não – soltei uma risada completamente desanimada – Mas não temos escolha, não é? – caminhei até uma gaveta na sala e retirei de lá a chave do quarto de limpeza. Depois passei por German, saindo da sala – Vamos – olhei-o e ele então me seguiu até lá. Abri o quartinho e bufei, aquilo estava uma completa bagunça. Empurrei algumas coisas que estavam no caminho para o lado e procurei os produtos necessários na estante que ali havia. – Toma – fui entregando tudo nas mãos de German. Um balde, cândida, pano, rodo, lustra móveis, cera... E quando eu ia lhe entregar a vassoura, German me interrompeu.

– Angie, eu não sou um polvo – ele disse rindo. Me virei para ele e vi que o coitado estava quase se matando para carregar tudo o que eu lhe havia entregado. Soltei uma risada e o ajudei com algumas coisas.

– Seu bobo, era só colocar na mesinha ali, não precisava ficar segurando – mordi os lábios balançando a cabeça e deixei os produtos em uma mesa que tinha no canto do ambiente. – Vocês homens falam que nós mulheres somos muito complicadas, mas em certas coisas quem são complicados são vocês. – sorri.

– Muito engraçado, dona Angeles – German mostrou a língua – Por onde vamos começar?

– Bem – Angie sorriu nervosa – Que tal se... formos um para cada lado? Por exemplo, eu vou para a sala de canto e você para a de música, aí assim acabamos mais rápido.

– Ah – German jogou os ombros indiferente – Por mim tanto faz, está bem assim.

– Tá, é... pega aqui – entreguei-lhe alguns dos produtos – Nos encontramos mais tarde então? – olhei-o.

– Sim – German sorriu e então foi até a sala de música, por onde começaria.

XX

Pov Off

O acordo que fizeram não durou muito tempo. Angeles chegou na sala de canto e levou alguns minutos para criar coragem e começar a varrer. Enquanto isso, já havia anoitecido. O silêncio que se instalara no Studio era um tanto medonho, a loira nunca havia visto aquele lugar tão... morto. Estava tudo escuro, as únicas luzes acesas eram aquelas dos ambientes em que German e Angie estavam. Pelo vidro das salas de canto e de música, a mulher conseguia enxergar German, e ficou um tempo parada observando-o colocar os instrumentos em um canto para conseguir varrer melhor. E então ela sorriu, balançando a cabeça e voltando para o trabalho em seguida.

Um ruído por mais simples que seja, no meio do silêncio torna-se uma ameaça. Angeles escutou algo vindo de fora. Parou e tentou escutar mais uma vez, atenta, mas o ruído se calou. Voltou ao trabalho, mas então escutou novamente. E dessa vez ela ficou com certo medo. Era como se estivessem no terreno externo do Studio. Ela ouvia passos entre a grama. Quando ouviu pela terceira vez, já não aguentaria sozinha. Foi saindo de fininho da sala, de costas, olhando ainda atenta para dentro da sala. Foi quando suas costas chocaram-se com outro corpo, e Angeles soltou um berro de susto. Ela estava no meio do pátio principal, e ali as luzes estavam apagadas. Angeles virou-se para a pessoa e mesmo com quase nada de luminosidade ela viu que era German.

– O que foi isso, Angie? – o homem falou assustado com o grito da mulher.

– German, meu Deus, que susto – ela repousou a mão em seu coração, respirando aliviada.

– Por que gritou assim? – ele segurou os braços dela.

– Ouvi barulhos lá fora, German, tem alguém aqui! – a mulher exclamou nervosa e gaga para ele, se enrolou com as palavras.

– Como assim alguém aqui? Espere aqui que eu vou ver – o homem fez de ir em direção às portas principais do Studio, que estavam fechadas, mas Angie segurou em seu braço, impedindo-o.

– Eu vou com você!

– Não, Angie, e se for um bandido? É melhor você ficar aqui – o homem suspirou, mas a mulher balançava a cabeça negativamente.

– Não me deixa aqui sozinha – ela implorou. German suspirou, assentindo. Saíram ambos juntos. Chuviscava levemente. Angie estava por trás de German e segurava os braços dele como se ele fosse seu escudo humano. Enquanto ele olhava em volta. Não havia absolutamente nada.

– Tem certeza do que você ouviu? – German falou baixo.

– Você acha que eu estou ouvindo coisas do nada? – ela murmurou. De repente, por meio de uns arbustos, o ruído se repetiu. – Vem dali, olha! – a mulher apontou.

– Calma, vamos com cuidado – German então esticou os braços para trás para segurar uma mão de Angie, para se certificar que ela não desgrudaria dele. Se aproximaram assim, em passos lentos. Angie estava com tanto medo que não teve nem tempo de arrepiar por conta do contato com German.

E quando estavam próximos o suficiente, o barulho voltou a se repetir. Angie tremeu levemente, até ver que o que saiu do arbusto foi... um gato. Apenas um gato. E de repente foi como se tivessem tirado um peso de cima de ambos. Angie suspirou aliviada e foi aí que ela notou que apertava a mão de German com toda a sua força, soltando-a imediatamente, sem graça. Ele virou-se para ela.

– Não era nada com o que se preocupar – German riu.

– Eu sei – ela sorriu tímida.

A chuva que antes eram apenas gotinhas apertou de repente, como se estivessem espremendo as nuvens. German e Angie cobriram a cabeça e voltaram correndo para dentro do Studio.

– Então – German disse fechando novamente as portas principais – é.. vamos voltar ao trabalho? – ele se aproximou dela, que espremia os cabelos para a água da chuva sair. Antes que Angeles pudesse responder, um trovão barulhento e longo invadiu os ouvidos da cidade. A mulher pulou de susto.

– Bem... seria muito ridículo se eu dissesse que tenho medo de trovão? – ela o olhou, sorrindo sem graça.

– Ahm... não sei, seria muito ridículo se eu dissesse que com a minha idade eu ainda não sei passar pano de chão? – German passou as mãos pelo cabelo, sorrindo para ela da mesma maneira. Angeles soltou uma risada.

– Certo, façamos o seguinte: eu não conto isso que você acabou de me falar para ninguém e você também não conta sobre meu medo de trovão – ela sorriu e German a acompanhou. Angie estendeu o mindinho para ele, como se fechasse a promessa.

– Fechado – ele riu e enlaçou o mindinho com o dela – Vai ser nosso segredo.

– Está bem – ela sorriu besta, mas logo balançou a cabeça. – Agora vem que eu vou te ensinar a passar o pano de chão enquanto você me faz companhia, sabe como é, trovões... – a mulher ia puxando-o para a sala de música, e ele soltou mais uma risada antes de voltarem ao trabalho.

XX

As coisas estavam saindo melhores do que Angeles imaginava. Sua proximidade com German sempre a fazia bem, a fazia relaxar e se sentir completa por apenas alguns minutos. E era exatamente por isso que ela o evitava tanto. Ela detestava sentir-se tão bem, mas no final do dia percebesse que aquilo fora apenas um momento ilusório e passageiro. Doía ver que na realidade ela não o tinha. Por isso ela preferia manter distância. Infelizmente às vezes Angie era fraca demais para tal, mas era porque em alguns momentos, por mais que fosse por um segundo sequer, ela precisava disso. Sabia que ia se arrepender depois, não tinha dúvidas. Porém se sentir completa com German também era uma solução temporária para o seus problemas. Havia um lado ruim, mas o bom não deixava de existir.

Ela o havia ensinado a passar pano no chão, como se ensinasse para uma menina de doze anos. E agora ele estava passando cera no chão, enquanto Angie limpava os vidros da parede com uma flanela e um pouco de álcool. Uma música saía do celular de Angie, preenchendo o silêncio que havia antes. German havia concordado com a ideia de que trabalhar ouvindo música era sempre mais incentivador.

Nenhum dos dois falava nada, e pela primeira vez isso era algo confortável. A loira, que antes não queria fazer essa faxina de jeito nenhum, agora desejava que ela nunca mais terminasse.

– Angie, posso ver suas músicas? – German pegou o celular dela, que estava sobre o teclado, onde a Beyoncé cantava altamente.

– Claro – ela não tirou os olhos do vidro por onde passava o pano. O homem havia acabado de terminar a passar a cera no chão, deixando-o incrivelmente brilhante.

German foi passando todas 300 músicas da mulher e se sentiu velho quando percebeu que devia conhecer no máximo umas cinco. E então no meio de tantas músicas e playlists, ele achou uma gravação de nome “refrão – teste 34”. Curioso, clicou. E então a voz firme de Beyoncé foi substituída por uma voz doce e suave, que cantava o refrão de uma música à capela, sem nenhuma melodia. Era Angeles que cantava. E a mesma arregalou os olhos quando ouviu.

– Ai, meu Deus, German, tira disso! – ela exclamou completamente envergonhada e largou o pano para correr até ele e tirar o seu celular de suas mãos.

Mas a mulher havia esquecido que a cera ainda não havia secado.

E cera escorrega.

– Angie, cuidado! – German viu que a loira escorregou levemente e estava prestes a levar um tombo de costas, mas como num passe de mágica ele largou o celular dela em cima do teclado para segurá-la. Ergueu-a com cuidado enquanto a mesma se apoiou nos ombros dele. Ficaram próximos um tanto demais do que o normal.

– Er... – Angie murmurou sem descolar o olhar do dele. E depois tomou coragem para desviar. Soltou-o cuidadosamente – A.. a música – ela pegou o celular e pausou sua voz que continuava cantando.

– Eu amo sua voz – German deixou escapar e ela o olhou surpresa. Pela primeira vez, o homem não tentou inventar uma desculpa para encobrir o que seu inconsciente pôs pra fora. Apenas abriu um sorriso tímido. Angie sentiu seu coração dar saltos e se odiou eternamente por se sentir tão adolescente. Como ela não conseguiu dizer nada, German pegou o celular da mão dela e continuou – Mas se você não quer que os outros vejam suas composições, tudo bem – ele riu e passou para a próxima música do aleatório. Uma melodia suave e lenta começou a sair das caixinhas de som do iPhone de Angie e se espalhou pelo ambiente. – Que música é essa?

– É antiga – a mulher conseguiu falar, um pouco baixo – Dos Backstreet Boys.

– Já ouvi falar – German sorriu. Depois se inclinou, esticando uma das mãos para Angie – E então, me concede esta dança? – ele riu e Angie franziu a testa.

– Dança? – ela riu e segurou a mão dele.

– Só para distrair, estou cansado de limpar – o homem riu e então segurou as costas de Angie. Ela repousou as mãos nos ombros do homem.

– Vamos escorregar com esse chão – Angie disse enquanto acompanhava os primeiros passos de German enquanto a música desenrolava.

Don't pretend you're sorry

I know you're not

You know you got the power

To make me weak inside

Girl, you leave me breathless

But it's okay

Cause you are my survival

Now hear me say

I can't imagine life without your love

Even forever don't seem like long enough

– Eu te deixei cair dessa vez? – German sorriu, fazendo Angie dar um giro e voltar para seus braços. – Da próxima também não vou deixar.

Cause everytime I breathe I take you in

And my heart beats again

Baby, I can't help it

You keep me drowning in your love

Everytime I try to rise above

I'm swept away by love

Baby, I can't help it

You keep me drowning in your Love

– Opa – Angie escorregou levemente, mas se segurou mais forte nos ombros do parceiro. Ela ria para tentar esconder toda a tremedeira que queria se manifestar nela. German e Angie não dançavam de um jeito específico, estavam mais zoando, na verdade. Ele a fazia girar e ela o fazia também, e ambos riam. Era uma dança inocente. Mas no fundo, os corações palpitavam com força.

Infelizmente nenhum deles estava disposto a admitir aquilo alto. Não naquela noite. Não daquele jeito.

Maybe I'm a drifter

Maybe not

Cause I long for the safety

Of flowing freely in your arms

I don't need another lifeline

It's not for me

Cause only you can save me

Oh, can't you see?

I can't imagine life without your love

And even forever don't seem like long enough

– Está indo bem – German riu vendo a mulher tentar se equilibrar no chão escorregadio – É como patinar no gelo.

– Como se patinar no gelo fosse fácil, né – Angie soltou uma risada e segurou em uma das mãos de German, para se apoiar e não cair. – German – a loira o olhou – obrigada por fazer isso por mim. Você podia estar na sua casa descansando e você está aqui me ajudando.. Não tenho nem como te agradecer.

– Não precisa agradecer, Angie – o homem lançou um sorriso para Angeles. – Eu fico feliz de ajudar.

Cause everytime I breathe I take you in

And my heart beats again

Baby I can't help it

You keep me drowning in your love

And everytime I try to rise above

I'm swept away by your love

Baby I can't help it

You keep me drowning in your Love

– Você é incrível – a mulher sorriu e beijou carinhosamente a bochecha direita de German. Ele sentiu um leve frio na barriga e se incomodou com isso. De repente se sentiu nostálgico, era como se fosse na época em que ele e Angie tinham algo. Confuso, German se afastou e sorriu nervoso.

– Bem – ele não a olhou nos olhos – Vamos continuar a faxina, né, ou se não só vamos sair daqui amanhã – o homem disse e se retirou daquela sala, seguido de Angeles, até a próxima sala que seria lavada.

A mulher suspirou triste antes de voltar a limpar, o momento novamente foi lindo, mas como sempre e como todos os outros, foi passageiro.

Notas finais
comentem pelo amor de jesus obrigada tchau