Sortilégio...

9 Capítulo 9 WHO WANTS TO LIVE FOREVER...


Notas iniciais
O título deste capítulo é uma música do Queen e, principalmente no finalzinho onde, finalmente Camus ouve a música de Milo ela dá um clima especial à fic. http://letras.mus.br/queen/64487/ Ouçam e sintam...

O apartamento de Camus era amplo e podia-se dizer, suntuoso. Enormes vidraças proporcionavam uma vista esplêndida do porto. A mobília primava pela praticidade e estilo sóbrio, já que havia um mínimo de móveis, o que contrastava e muito com a decoração aconchegante que Milo convivera em sua infância e adolescência em Atenas.

O lugar era perfeitamente organizado, as cores mantinham um padrão neutro, das paredes ao piso laminado de madeira clara. Nada de cores vibrantes ou objetos que chamassem muito a atenção. Até mesmo a estante de livros dava a impressão de nunca ter sido tocada e os volumes de capa trabalhada dividiam-se em livros sobre Direito, em sua grande maioria, mas também havia romances e biografias.

Depois de mostrar todas as peças do apartamento, Camus o conduziu até o quarto de hóspedes que era uma pequena suíte, onde havia uma cama grande, um armário, uma mesinha com poltrona e um banheiro privativo.

— Obrigado. – disse Milo.

— Sem problemas. Fique o tempo que precisar. – respondeu Camus de modo impessoal.

Milo sorriu. Que tal seis meses, um ano? Sentiu vontade de provocá-lo, mas se conteve. Realmente, estava cansado e Camus também.

— Bem, vou deixá-lo. Se precisar de algo é só chamar. – disse Camus e, em seguida, deixou o quarto.

Milo respirou fundo e se dirigiu para o banheiro. O recinto espaçoso e com um chuveiro multifuncional parecia um oásis, um retorno a um estilo de vida que ele já conhecera. Após se despir e sentir o perfume discreto e caro de Camus em sua pele, pela última vez, permitiu que a água quente e abundante escorresse pelo corpo por um longo tempo.

Após o banho, Milo dormira profundamente. O silêncio, a cama larga e macia, o corpo dolorido e saciado... tudo conspirou para que, finalmente, relaxasse. Acordou perto das onze, porém permaneceu no quarto até depois do meio-dia. Aguardou até que não ouvisse nenhum som no apartamento e então se aventurou a sair.

Abriu a porta e espiou em ambos os lados. Silêncio absoluto. Caminhou pelo corredor até chegar à sala e dessa vez teve tempo para apreciar o ambiente. Era uma decoração bonita e sucinta, como notara em sua chegada, porém parecia faltar calor humano como se o lugar fosse um mostruário de móveis de uma loja cara.

Por um instante, os olhos se detiveram em dois porta-retratos solitários, postos em um intervalo da estante. Em uma das fotos, Camus estava entre um homem imponente e de olhar frio e uma mulher ruiva e de aparência melancólica. Era uma foto de infância e Camus parecia muito sério, embora devesse ter uns cinco anos de idade. A outra mostrava apenas ele e o homem no que parecia ser uma cerimônia de formatura. O que chamava a atenção, em ambas as fotos era que ninguém sorria. A expressão era sempre austera, como se sorrir fosse algo proibido.

Enquanto Milo analisava as fotografias, Camus o espiava por detrás da cortina de voal que protegia as portas de vidro da varanda, onde ele se encontrava. Não conseguia entender a si mesmo, principalmente o motivo porque convidara o grego para hospedar-se em sua casa. Nunca fizera isso com ninguém. Aliás, nunca convidava ninguém para visitá-lo, nem nunca trouxera alguém para transar. Seu lar era como um templo onde só havia espaço para ele e seu abençoado silêncio.

Olhando para Milo, sentia uma estranha familiaridade, como se fossem íntimos há muito tempo. C'est surréaliste Dizia para si mesmo ao constatar que, pela primeira vez, sua racionalidade era suplantada por uma emoção intensa e inexplicável.

— Já viu o suficiente ? – Camus perguntou entrando na sala.

— Hã ?! Que susto, Camus ! Não sabia que ainda estava em casa.

— É sábado, costumo trabalhar em casa. – disse Camus olhando o porta – retratos que Milo mantinha em mãos.

— São seus pais ? – perguntou Milo, refeito do susto.

— São.

— Sua mãe era uma mulher interessante. Foi ela quem tirou essa foto da formatura ?

— Não. – respondeu Camus lacônico e com o olhar congelado.

— Ela não pode estar presente ?

— Ela faleceu quando eu era criança.

— Ah... Desculpe ter perguntado. – disse Milo coçando a cabeça, gesto que Camus já percebera que ele fazia quando ficava constrangido.

— Tudo bem, eu era muito pequeno e meu pai assumiu minha criação sem maiores dramas. – disse Camus como se estivesse falando de outra pessoa.

— Seu pai é advogado ?

— É juiz.

— Então você deve ter passado a sua infância sozinho. Prá chegar a juiz ele deve ter trabalhado muito. Sei disso, porque meu tio tinha um amigo que era juiz e a mulher o largou porque o cara nunca tinha tempo para a família.

Camus franziu o cenho. Já estava ficando irritado por estar se expondo daquela maneira e pior, observando que Milo o olhava com uma atenção de quem , realmente se importava, e isso lhe parecia piedade, algo que dispensava.

Ele tomou a foto das mãos de Milo com gentileza e a colocou de volta à estante.

— E quanto a você ? Onde estão seus pais ?

— Mortos. Fui criado por um tio que também já morreu.

— Nenhum outro parente ?

— Que eu saiba... não. Mas, assim como você, eu já superei isso. Tenho amigos e acredite, as vezes eles são melhores que a própria família da gente.

Camus ficou sério, mas teve que concordar. Não tinha muitos amigos íntimos, porém Aiolia e June eram como os irmãos que ele nunca tivera.

— Bem, é quase meio-dia. Está com fome ? – perguntou o ruivo mudando de assunto.

— Combinei de almoçar com o pessoal. Mas, obrigado por perguntar. Agora vou indo. Tchau ! – respondeu Milo e, sem esperar resposta, rumou para a saída.

Camus olhou-o sair rapidamente e olhou para o relógio. Já que não teria companhia para almoçar, o melhor era dar início a sua jornada super estendida de trabalho no fim de semana.

Enquanto caminhava em direção ao bar, Milo sentia o estômago fazer aquele tipo de barulho típico de quem estava faminto. Mentira para Camus, porque se ficasse, certamente não conseguiria cumprir o que dissera: “E não vai acontecer de novo!” Sua fome se resumiria no apetite voraz por Camus, a vontade de morder aquela pele clara, de se afundar dentro daquele corpo...

Por mais que quisesse, não conseguia tirar o ruivo da cabeça. Havia algo nele que parecia tomar conta dos seus pensamentos e emoções de uma forma tão... obsessiva que era melhor ficar longe.

Quando entrou no bar, Milo sentiu o sangue ferver ao olhar para a mesa de bilhar e constatar que havia marcas de suor nela e que desejava sentir tudo aquilo novamente: Camus ardente, sacana e com aquele olhar que o deixava quase sem ar.

Fechou os olhos e inspirou fundo. Foco, Milo!

Quando a noite chegou e as portas do bar foram abertas, Milo sentiu um grande alívio. O trabalho o manteria ocupado e focado, assim não ficaria pensando em Camus. Como havia previsto, o bar lotou em menos de três horas e o movimento deixou todos animados e atarefados num ritmo vertiginoso. Camus não apareceu e Milo em parte sentia-se aliviado, mas também decepcionado. Bem, me parece que isso também é um sinal de confiança... Pensou para espantar a melancolia.

Quando Milo retornou ao apartamento, já passava das cinco da madrugada. Estava cansado e tenso. Sábado à noite fora diferente de sexta, um grupo de adolescentes tentara entrar com identidades falsas, um grandalhão bêbado vivenciou o doloroso e eficiente Golpe de dedo Ushi encaixado por Shina que, arrancou aplausos dos observadores. Realmente, tinha sido engraçado ver um homem de 120 quilos vergar-se todo enquanto Shina lhe dobrava o dedo mindinho, arrancando um forte gemido de dor. Ou seja, todos os desafios que não aconteceram na sexta, se revelaram no sábado e mais uma vez o grego agradeceu aos céus por ter escolhido uma equipe que pegava junto.

Estava na cozinha com a intenção de esquentar um pouco de leite quando ouviu barulho de chave na porta. Em seguida, viu Camus surgir trajando um smoking que o fazia parecer um astro de cinema. Os ombros largos se evidenciavam no traje e a cor preta, em contraste com a pele alva e os cabelos ruivos acentuava a beleza do rosto.

— Acabou de chegar? – perguntou ele com a voz grave.

— Sim e estava pensando em esquentar um pouco de leite antes de ir dormir. Quer também? – perguntou Milo.

— Aceito. Tive uma noite agitada.

É deve ter sido mesmo... Certamente foi jantar com algum figurão e depois dar uma esticada em algum lugar. Um motel, talvez? Pensou Milo sentindo uma irritação se formando dentro de si.

— Saiu com alguém? – perguntou o grego como quem não quer nada.

— Sábado à noite, meu pai reúne os amigos em uma espécie de recepção festiva e faz questão que eu esteja presente. É o único momento em que podemos estar juntos sem que surjam faíscas entre nós. – confessou Camus e sentiu certo prazer em ver que o grego estava interessado em saber onde ele tinha ido.

— Vocês não se dão bem?

— Digamos que... não temos a mesma visão das coisas, embora tenhamos a mesma profissão. Se dependesse dele, eu seria promotor e não advogado de defesa. Segundo meu pai, a maioria dos infratores é culpada e merece ser afastada da sociedade. Como ele mesmo costuma dizer, não é o meio que faz o homem e sim o homem que faz o meio. Um pensamento bastante retrógado a meu ver, mas... fazer o quê. Eu e meu pai somos muito diferentes.

— Ah... Ele deve ser um homem difícil.

— Bastante.

Os olhares se encontraram e Milo sentiu a boca secar. Havia um entendimento implícito das emoções que Camus pouco mostrava, mas parecia que podia ler, sem dificuldade, o que se passava no coração do ruivo. Flashes do que ocorrera na mesa de bilhar desfilavam em sua mente e ele sentia que Camus também lembrava e também podia lê-lo como um daqueles livros que havia visto na biblioteca...

Quando o alarme do microondas soou os dois pareceram sair de um transe e, rapidamente, Milo retirou a jarra de leite, encheu duas canecas e estendeu uma para Camus.

— Obrigado. – disse o ruivo.

— Boa noite, Camus ou... Bom dia, se preferir. Vou para o quarto. – disse Milo sorrindo.

— Espero que consiga dormir. – falou Camus com a voz enrouquecida, fazendo Milo estremecer por dentro.

— Desejo o mesmo. – respondeu Milo e tratou de sair rápido, antes que seu corpo o denunciasse.

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Enquanto Milo dormia, ou pelo menos tentava, Camus trocava de roupa e se encaminhava para ir até o presídio Sloan um lugar que tinha sido adaptado para menores infratores e onde se encontrava o seu cliente.

Hyoga Romanoff era um jovem carente que fazia parte de um programa de recuperação para menores infratores do Distrito 29 e que, por reincidir no crime, agora aguardava julgamento em uma penitenciária de segurança mínima. Camus soubera de sua existência, após ter dado uma palestra na Universidade de Columbia sobre “A construção da responsabilidade penal do adolescente”.

Ao término de sua fala, ele fora procurado por um jovem chamado Isaac pedindo ajuda para salvar seu irmão mais velho. A cena o tocara, profundamente, pois o garoto devia ter uns catorze anos e parecia debilitado. Isaac assistira a palestra escondido, pois o guarda tentara mantê-lo fora do auditório. Entretanto, assim que surgira a oportunidade, ele fora ao encontro do único homem que poderia dar uma chance ao seu irmão.

“Senhor Camus, eu sei que o senhor é famoso e muito procurado. Eu não tenho dinheiro, mas posso fazer algo pelo senhor, ser seu empregado, talvez. Eu faço qualquer coisa, mas, por favor, ajude o meu irmão Hyoga!”

Uma de suas atividades era defender, gratuitamente, pessoas que não podiam pagar um advogado. Aiolia encarregava-se se selecionar alguns e ele escolhia aqueles cuja inocência lhe era visível e certa. No entanto, no caso deste jovem, acontecera exatamente o contrário. Todas as evidências apontavam a sua culpa e o caso atingira proporções que atraíram o promotor mais sagaz e severo que Nova York já tivera: Saga Theo Kyriakis. O próprio nome dele continha a palavra deus (Theo) e era assim que ele era visto, um deus severo e implacável cujas causas jamais eram perdidas.

Bem, sempre há uma primeira vez... Disse Camus para si mesmo.

Camus entrou na pequena cela e viu quando os olhos azuis do garoto faiscaram e, em seguida, ele deu de ombros, ignorando-o. Ele não parecia nada amigável, porém Camus sabia que aquela fachada era apenas uma defesa. Ele mesmo já usara a indiferença e a raiva como uma máscara para a dor...

— Olá, eu sou Camus e seu advogado. Eu li seu caso e agora precisamos conversar.

— Não perca o seu tempo. Sei do que estou sendo acusado e prá caras como eu, não tem saída. E você deve ser um desses manés da defensoria pública que só aceitam os casos de perdedores porque são perdedores também!

Camus ignorou o insulto e se sentou no beliche. Embora acostumado com clientes que sabiam da sua fama como advogado, sentia-se desafiado a lidar com aquele garoto que, no fundo, estava apavorado, mas não queria admitir.

— Vamos colocar as coisas em perspectiva. Você foi acusado de tráfico de drogas e de assassinato. Tem 16 anos, mas este tipo de crime pode levá-lo à prisão, mesmo que ainda não seja maior de idade. Neste Distrito a pena mínima é de doze anos em regime fechado. – disse Camus fixando seus olhos frios nos de Hyoga. – Seu irmão me procurou e me pediu para ajudá-lo. Não sou inexperiente se é isso que quis dizer com mané. Estou disposto a ajudá-lo se quiser me contar, exatamente, o que aconteceu. Caso não queira, posso deixá-lo em paz nessa cela insalubre que, comparada a de uma prisão de verdade, é uma suíte de luxo.

Hyoga encostou-se à parede com um suspiro zangado.

— Minha mãe tinha câncer e as coisas ficaram ruins em casa. Não tínhamos dinheiro para o tratamento e eu procurei um traficante da zona, o Laimi que já me oferecera prá ser um "flipping bird". Ele me aceitou e eu... comecei a traficar um pouco de crack e cocaína. Levantei uma grana que assegurou o tratamento dela por uns meses. Isaac, meu irmão mais novo ficava em casa com ela, enquanto eu saía prá vender a droga. Nesse meio tempo eu também usei um pouco, mas parei. Minha mãe... ela morreu e... eu não sabia o que fazer. Não queria ficar à mercê do serviço social e nem me separar do meu irmão. O Laimi me deu mais crack e queria que eu passasse a droga em uma escola, mas isso eu não quis fazer. Então surgiu um cara, ele discutiu com o Laimi, os dois brigaram e o cara esfaqueou. Eu peguei a droga e saí correndo, mas o cara veio atrás de mim e me encurralou. Ele ainda tinha aquela faca ensanguentada na mão e me obrigou a entregar a droga prá ele. Ele ameaçou me entregar prá polícia e matar o Isaac, caso eu falasse alguma coisa. Eu obedeci. O cara parecia louco. Mas, mesmo fazendo o que ele tinha mandado, em seguida a polícia veio atrás de mim. Disseram que alguém fizera uma denúncia me acusando de matar o Laimi. Acharam as minhas digitais no local do crime e uns papelotes de cocaína no meu bolso, só não acharam a arma.

— Esse sujeito, como ele é?

— Ele é feio, tem uma cara que parece um bicho, uma espécie de corvo.

— Você contou tudo isso para a polícia?

— Não. Se o cara souber que eu o denunciei, vai atrás do Isaac e eu não posso proteger o meu irmão, aqui, preso.

— Bem, vamos por partes. Descreva este homem em todos os detalhes possíveis. Tente se lembrar de algo que ele tenha dito para que possamos ter uma ideia de como ele é e onde podemos encontrá-lo.

— Uma coisa que ele disse quando discutiu com o Laimi era que tinha sido demitido, mas que não ia ficar assim, ele ia voltar e usar o lugar prá passar a droga. Disse que tinha muito riquinho que ia fazer festa no Brooklyn e se dispunha a pagar bem por cocaína ou ecstasy e que o Laimi era um idiota em não dar sociedade a ele.

Atento às palavras de Hyoga, Camus pensou em locais onde esse tipo de droga poderia ser distribuída e logo pensou em clubes e... bares grandes. Um homem com cara animalesca e que havia sido demitido... Bem, ele não conhecia pessoalmente o gerente que Saori havia demitido, mas fora encarregado de processa-lo... talvez fosse o momento de conhecer o sujeito. Afinal, o Pégasus era uma referência no bairro e um ponto em potencial.

— Eu tentarei encontrar esse homem. – disse Camus.

Hyoga o olhou desconfiado. Estreitou os olhos avaliando Camus de cima a baixo.

— Um cara certinho como você deve ter cuidado com caras como ele.

Mas que diabo! Até aquele garoto! Pensou Camus antes de responder com um sorriso sarcástico.

— Não se preocupe, se eu parecer certinho como diz, ele não terá com o que se preocupar, não é mesmo?

Camus deixou a cela e rumou para casa, Lá averiguaria as fichas dos empregados e tentaria resgatar o endereço do antigo gerente. Sua intuição dizia que era ele o homem que procurava e que poderia salvar aquele garoto da cadeia.

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Quando Milo acordou já eram umas três da tarde. Sentiu a cabeça pesada, mas o silêncio sepulcral assegurava que era seguro sair do quarto. Camus saíra e havia ido de carro o que significava que seu destino era longe, já que sabia que o ruivo gostava de caminhar.

A varanda do apartamento tinha uma vista espetacular e, naquele horário, parecia que tudo vibrava num tom dourado... O grego inspirou e bebeu o leite gelado que pegara na cozinha. Depois, mesmo com fome, resolveu pegar seu violino e tocar um pouco. A música sempre o deixava feliz e relaxado. Trazia uma sensação de liberdade tão forte que ele sentia-se um verdadeiro cigano.

Entretanto, naquele momento, essa sensação era substituída por uma vulnerabilidade emocional que o incomodava. Não conseguia tirar Camus dos seus pensamentos. Dormira em seus braços e se deixara possuir de um jeito tão intenso, que o turbilhão de sensações o deixava perplexo consigo mesmo.

Encaixou o violino e começou a tocar. A melodia era suave, ao contrário do que se passava dentro de si. Aos poucos, o ritmo foi mudando e logo a música alegre tomou conta do ambiente e Milo sentiu seu corpo vibrar como se todas as células estivessem expandindo. Sua expressão era de puro enlevo e ele permanecia com os olhos fechados, a boca entreaberta...

Ele não soube quanto tempo tinha se passado, mas sentia nos dedos cada nota, cada vibração e cada sentimento que acompanhava a melodia. Por fim, ofegante, ele parou de tocar e quando olhou para frente, viu Camus postado na porta com uma expressão que ele não soube identificar. Parecia curioso, surpreso, atônito, tudo junto. Mas, o que chamou a atenção de Milo foram as lágrimas que escorriam pelo belo rosto do advogado...

Notas finais
Golpe de dedo Ushi = para quem como eu, adora Kung Fu Panda! *risos eu não resisti! E pior, gente boa é que esse golpe existe mesmo!!! ****C'est surréaliste= Isso é Surrealista ! ****"flipping bird" - gíria americana para garotos que passam droga. Aliás, tem uma fic da Belle Princesse com Hyoga passando por algo semelhante. Chama-se Código Secreto e vale a pena ler! OBRIGADA a todas que passam por aqui e deixam um carinho, um review, uma emoção, o seu silêncio!!! Bjs, XD