Sortilégio...

20 Capítulo 20 DIR GEHÖRT MEIN HERZ - parte I


Notas iniciais
****Bem, amadas todas, as emoções finais! Espero que gostem, que tenham curtido e agradeço, do fundo do coração todo o carinho recebido! ****DIR GEHÖRT MEIN HERZ - música tema do desenho Tarzan, cantada por Phil Collins (O SEU É MEU CORAÇÃO) **** O último capítulo está dividido em dois porque, mesmo sendo o último, ficaria muito gigantesco e como eu gosto da simetria, optei pela divisão. ****Je t'aime, grec... tu es ma vie !(Te amo grego, tu és a minha vida)

O seu é meu coração

Agora você está aqui comigo

E eu com você aqui para sempre.

Você está comigo,

Então eu sou forte.

Em meus braços

Eu te encanto.

A partir de agora

Estamos inseparáveis.

Estou aqui para você,

Não se preocupe.

O seu é meu coração.

Agora você está aqui comigo,

Porque o meu coração pertence a você,

Só você.

Phil Collins

As obras do novo empreendimento de Milo iniciaram a todo vapor. Como o ambiente não precisava de muitas reformas estruturais e sim mais ênfase na decoração, rapidamente, Sortilégio se aproximava do projeto que o grego imaginara para o seu negócio.

Recantos fechados contrastando com outros abertos... O terraço sendo incorporado ao ambiente, novos funcionários contratados para que ninguém ficasse sobrecarregado e pudesse atender bem aos clientes...Milo orquestrava tudo, trocando ideias com seus amigos, aceitando sugestões e usando sua criatividade para garantir um bom funcionamento de tudo.

De vez em quando, ele parava e olhava ao redor... Quando imaginara ser proprietário de um lugar assim? Como estaria Camus, em sua reta final para o julgamento? Como ficariam as coisas, após Camus ser indicado para juiz? Será que o seu violino... quer dizer, o violino já tinha um novo dono? As questões pululavam em sua cabeça em meio à poeira e cheiro de tinta fresca...

— Milo! – chamou Jabu. – Venha degustar a nossa nova safra de drinques.

O chamado o despertou e Milo foi até o bar onde quatro novos funcionários criavam drinques sob a supervisão de Jabu e Shiryu.

— Eu propus criar algo gostoso e atrativo sem mistura de álcool para quem vai voltar para casa dirigindo. – disse Jabu com um sorriso.

— Ótima ideia. – falou Milo vendo a movimentação de forma rápida, onde os drinques eram feitos com limão, refrigerante de cola, extrato de ervas e gengibre.

Quando provou um gole de cada um, constatou que eram bebidas bastante deliciosas e, mesmo que gostasse das de álcool, aquelas reproduziam a mesma sensação intensa de sabor, mas sem o adicional alcoólico que podia provocar acidentes e atos impensados...

— Gostoso isso! Bom trabalho Jabu. – disse Milo sorrindo e o jovem sentiu-se orgulhoso da iniciativa tomada.

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Sincronicamente, Camus também trabalhava exaustivamente no tribunal ouvindo as pessoas que seriam escolhidas como jurados. O processo exigia que ele e o promotor questionassem cada um em relação à questão a ser julgada. Você tem ligação com o réu, com qualquer uma das testemunhas, ou qualquer um dos advogados? Você está familiarizado com o caso em questão? Você tem parentes que foram envolvidos? As perguntas eram repetidas a cada integrante de cada uma das cinco mesas compostas por doze jurados em potencial e mais um substituto, durante quase o dia inteiro.

Camus precisava se lembrar do nome de cada jurado e anotar, rapidamente, cada informação que pudesse interferir no caso. Internamente, ainda esperava que a estratégia traçada e pensada junto com Aiolia desse resultado e todo o aparato do julgamento pudesse ser dispensado.

Entretanto, enquanto a resposta não chegava, um júri imparcial era importante, assim como um bom juiz... Teve a sorte de conseguir Radamanthys de Wyvern, um homem respeitadíssimo e conhecedor da lei de um modo quase sobrenatural, como diziam os advogados de defesa.

Durante o recesso dos procedimentos, Saga foi até Camus. Parou junto a cadeira onde o ruivo se encontrava e olhou-o, parecendo satisfeito consigo mesmo.

— E então... seu pai me disse que você não pretende aceitar sua indicação para juiz.

— Recebi uma proposta da Universidade para lecionar e elaborar projetos de pesquisa jurídica. Acho que tem mais a ver comigo. – respondeu Camus.

— Boa sorte! Creio que assim terá mais tempo para viver.

— Camus franziu o cenho e olhou desconfiado para Saga.

— Está falando sério?

— E por que não estaria?

— Estou estranhando essa sua casualidade. Achei que concordaria com Hades. Ele acha que estou cometendo um grande erro.

— Seu pai é um homem íntegro e possui uma carreira irretocável. Ser juiz é uma honra e uma vocação. Mas, esse estilo de vida não serve para homens como nós que desejam levar uma vida mais... prazerosa e livre. – disse Saga piscando o olho.

Camus sorriu. Não esperava isso de Saga, mas entendera a mensagem de solidariedade com a escolha profissional e pessoal.

— Que tenhamos uma boa audiência. – disse Camus estendendo a mão para Saga.

— Certamente que será. – respondeu Saga apertando a mão oferecida. – Não pense que vou poupá-lo.

— Não seria você se o fizesse. – disse Camus, sorrindo.

O ruivo juntou sua papelada e deixou o tribunal. Eram cinco horas e ainda precisava enfrentar mais duas horas de trabalho no escritório com questões de rotina antes que pudesse ir para casa. Mas também, não havia pressa de chegar a um apartamento vazio.

Pensava em Milo, quando seu celular tocou.

— Camus?— A voz rouca e baixa insinuou-se, tendo ao fundo, um som de coisas sendo quebradas.

Os olhos do ruivo se abriram, procurando reconhecer a voz. Acreditando que era mesmo dele.

— Milo...? Milo é você mesmo?

— Sim, sou eu. Estou ligando para dizer que ainda te amo e muito. Espero que não tenha me esquecido...

Camus sorriu, nervoso, e apertou ainda mais o celular, como se quisesse tocar na voz do homem que amava.

— Onde você está? Que som estranho é esse? O que anda fazendo? Tem se alimentado? Conseguiu um novo emprego?

Milo riu do outro lado da linha.

— Você parece um pai, falando... Eu estou bem, Camus. Mas, e você? Tem dormido? Garanto que a insônia voltou e que sua única refeição é o café da manhã tomado no escritório entre as várias causas espalhadas em sua escrivaninha. Acertei?

— O roto falando do rasgado... Agora é você bancando o pai. – respondeu Camus rindo.

— Não te liguei antes, porque muita coisa aconteceu e eu... eu queria que estivesse tudo encaminhado quando a gente se reencontrasse. – falou Milo coçando a cabeça do outro lado da linha.

— Você é orgulhoso, eu sei. Até por isso, resisti em ligar, deixei que o fizesse quando se sentisse pronto.

— Você também é orgulhoso, ruivo... Não pense que me engana!

Os dois riram, ao mesmo tempo. Era estranho que poucos dias haviam se passado, mas para os dois parecia uma torturante eternidade.

— Bem, vou ter que desligar... Se cuida, Camus.

— Você também, Milo.

— É só isso que tem pra me dizer? – insistiu o grego.

Camus sorriu. Sabia a que ele se referia, mas continuou provocando.

— Não. Eu quero dizer, também que... estou muito feliz que a sua situação tenha mudado e...

— Camus, se não disser logo o que eu quero ouvir vou desistir de encontrá-lo! – falou Milo, irritado.

Novamente, Camus sorriu e então falou baixo e rouco, naquele idioma que Milo adorava ouvi-lo falar e que raramente ele o fazia.

— Je t'aime, grec... tu es ma vie !

Um sorriso largo se fez no rosto de Milo e ele retribuiu a declaração de amor, adicionando várias palavras picantes relacionadas ao que estava louco para fazer com Camus quando se reencontrassem...

O ruivo riu, sentindo uma leveza no peito que há dias não experimentava, junto com uma excitação genuína que pulsou em determinada região do seu corpo.

Mas, enfim, a realidade, ao redor dos dois, puxou-os para dentro dela junto com as obrigações e trabalho de cada um. Os celulares emudeceram e cada um retornou ao que estava fazendo.

Cinco minutos, depois, Camus recebeu uma segunda boa notícia...

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Hades preparava um bule de café, quando fixou sua atenção no telejornal noturno na tv deixada ligada na cozinha. Uma notícia de última hora saltava da tela em uma das estações de maior audiência de Nova York.

« Senhoras e senhores, estamos filmando direto do escritório de advocacia Leroy & Aiolia Associados onde estão reunidos o promotor Saga, os advogados Camus e Aiolia e Jamian Crow, o homem que, segundo nossas fontes, é o principal suspeito de ter assassinado um traficante conhecido como Laimi e incriminado um jovem de dezesseis anos chamado Hyoga Romanoff. Estamos esperando que alguém saia e nos informe o porquê desta reunião tarde da noite e, um dia antes do julgamento que todos estão esperando. Que novidade terá surgido agora?”

Aqui é Kate Huxlei da NBC e vamos ficar à espera do desfecho desta reunião, digamos, “secreta”.

O juiz parou, serviu uma xícara para si e sorveu um gole. Seu rosto ficou rígido ao ouvir a notícia. Depois suspirou e relaxou quando sua mente, extremamente analítica e sagaz, percebeu o que estava acontecendo. Seu filho puxara a sua linha de raciocínio, isso era evidente. Ao invés de aceitar um julgamento que poderia ser longo e exaustivo, era melhor avaliar todas as possibilidades. Pela primeira vez, naquela semana trabalhosa, permitiu-se sorrir e mostrar o orgulho que pouco demonstrava, mas que sentia, enormemente, pelo seu único filho.

Ao voltar para o seu gabinete, uma voz feminina chamou sua atenção. Com a notícia, quase esquecera que Sasha estava ali, excepcionalmente em sua casa, ajudando-o com uma série de documentos que precisava analisar. A jovem advogada era filha de um de seus amigos e se dispusera a fazer uma espécie de estágio em seu gabinete, já que pretendia tornar-se promotora.

— Com licença! Separei todos os arquivos e os cataloguei por ordem de data e hora de entrega no tribunal. Amanhã podemos começar as audiências com um panorama amplo sobre as causas a serem despachadas. – disse ela com um sorriso tímido.

— Obrigado, Sasha. Não havia notado o adiantado da hora. Está tarde. Gostaria de um café, antes de ir?

— Um café seria ótimo, obrigada! – disse ela olhando para Hades.

— Quando fui à cozinha, acabei da saber que talvez Camus consiga desfazer-se do ônus de enfrentar Saga no tribunal.

Sasha olhou dentro dos olhos do juiz com uma admiração explícita. Depois sorriu e disse:

— Bem, o pai dele é um verdadeiro mestre! Não é à toa que ele está sendo indicado tão jovem para ocupar o cargo de juiz.

Uma ponta de tristeza viajou através do olhar de Hades. Ele inspirou e disse:

— Camus aceitou um cargo acadêmico na universidade. Isso o torna inapto para o cargo. No final, não fui um mestre, suficientemente, inspirador.

Sasha ficou muda, mas num gesto espontâneo tocou o braço do juiz e depois falou:

— O senhor deu-lhe todas as ferramentas e o capacitou, mas a decisão é dele. O senhor fez a sua parte.

Hades fitou-a notando o olhar seguro e a forma solidária com que a jovem agia. Houve um segundo de conexão entre os olhares e logo Hades voltou ao distanciamento habitual.

— Bem, como o senhor mesmo disse, está tarde. Vou indo, então. Obrigada por me aceitar como sua colaboradora. Estou aprendendo muito. – falou Sasha.

Tornando a observar aquela jovem vestindo um terninho cinza escuro, os cabelos longos presos em um coque casual e a postura ereta, porém sem arrogância, Hades admitiu para si mesmo que gostava de trabalhar com ela e vê-la olhá-lo, com aquele brilho nos olhos esverdeados, ativava algo dentro de si que parecia adormecido há muito tempo.

— Está tarde para uma jovem dirigir sozinha, eu a levo em casa.

— Por favor, não quero incomodá-lo! – disse ela com embaraço.

— Faço questão. – disse Hades e num tom que não admitia réplica.

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Saga não sabia como, mas Aiolia e Camus haviam conseguido um fato inédito: uma confissão total de Jamian Crow sobre o caso de Hyoga e a atenção dos federais, o que justificava aquele chamado urgente e de última hora.

Jamian estava algemado e sentado ao lado de dois policiais. Dois agentes do FBI aguardavam com equipamento de vídeo e Camus, assim como Aiolia, estava sentado, fazendo anotações em seu notebook.

— Saga, agradeço ter vindo, assim como os agentes, Max Houck e Davis Gardner que cuidam dos assuntos relacionados ao narcotráfico. Nós os chamamos aqui, porque Jamian se declarou culpado da morte de Laimi, também conhecido como Worm. Ele também confessou que tramou contra o meu cliente, Hyoga Romanoff plantando drogas em seus bolsos e coagindo-o a agir contra a lei sob a ameaça de morte ao seu irmão mais novo. – disse Camus.

— Em outras palavras – disse Saga com a sobrancelha levantada – Hyoga está livre da acusação de homicídio e tráfico. Isso dispensa o julgamento e poupa dinheiro dos contribuintes.

— Sim, a confissão será gravada em vídeo e feita sob a tutela dos agentes. Os policiais que prenderam Jamian, assim como nós e você, todos nós testemunharemos a ação para que a solicitação de abstenção da acusação possa estar na mesa do juiz Radamanthys logo pela manhã. Basicamente, é isso. Ficou claro?

— Claríssimo. Muito bem, então vamos ao trabalho. – disse Saga abrindo sua pasta.

Camus respirou fundo e aliviado. Quando dissera para Aiolia defender Jamian, surgira a ideia de verificar se Laimi não estaria ligado a traficantes mais importantes, do tipo que o FBI teria um especial interesse. Qual não foi a sua surpresa em descobrir que Laimi não só pertencia a uma imensa rede, como também era o que se chamava tentáculo menor que, aos poucos, financiava a entrada das drogas vindas dos cartéis colombianos e fortificava sua difusão nos bairros americanos, iniciando sua expansão bem ali, no Bronx.

Jamian se prontificara a confessar tudo, inclusive livrar Hyoga da acusação de porte de drogas. Ao fazê-lo, também se tornara uma importante testemunha para localizar outros traficantes da rede e Camus conseguiu-lhe um mandado de proteção federal, assim como a sua integração no Serviço de proteção à testemunha.

Em troca de sua ajuda, Jamian teria uma redução considerável da sua pena e, até poderia cumpri-la em liberdade. Após a constatação da importância de seu depoimento e contribuição para a localização de outros chefões do narcotráfico ele teria uma nova identidade e um novo começo em outro lugar.

Dali a algumas horas, após todos os papéis serem despachados, Hyoga estaria livre sem ter de passar por um julgamento formal e poderia ser encaminhado para um lar temporário, juntamente com seu irmão Isaac. Camus já havia cuidado deste detalhe e conseguido um casal idôneo para acolher os dois irmãos.

Mais uma vez, ele e Aiolia haviam conseguido fazer prevalecer a justiça e essa sensação era incrivelmente prazerosa. O ruivo permitiu-se relaxar um pouco e quase sorrir, enquanto Aiolia sentia-se orgulhoso e sorria, abertamente.

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Em meio ao som de batidas e poeira, Milo assistia a TV recém-colocada, destinada a funcionar como um telão e que agora estava sintonizada no canal de notícias onde a repórter da rede de TV NBC e jornalistas do New York Daily News aguardavam a saída do pessoal que se reunira no escritório de Camus.

Nervoso, o grego coçou a cabeça e olhou em volta. A reforma feita em tempo recorde e de forma ostensiva estava quase no final. Havia até um banheiro com cinco chuveiros para que os funcionários pudessem usar se assim o quisessem.

Milo havia falado com Camus, mas agora, essa novidade mudava os seus planos. Todo esse tempo, ele havia reprimido seus impulsos para estar à altura de Camus, quando enfim, o reencontraria. O telefonema fora uma brecha neste esforço e agora, aquela notícia atiçava todos os seus poros e células que estavam em síndrome de abstinência ruiva. Queria ver Camus, tocá-lo, beijá-lo e fazer tudo que seu coração e seu corpo ansiavam há dias!

Olhou para si, todo sujo e cheio de pó. Não daria tempo de ir até o albergue trocar de roupa, então tomou uma ducha rápida e lembrou que havia trazido uma troca de roupa simples, mas limpa. Vestiu a mesma camiseta que usara quando encontrara Camus, pela primeira vez. Sorriu relembrando de como o ruivo estava elegante e ele, despojado, como sempre.

Antes de sair correndo, foi até o estoque de bebidas especiais que Jabu havia encomendado e pegou o vinho francês que pedira para que ele comprasse. O Romanee Echezeaux 2008 era uma bebida elegante e cara. Lembrou-se de, após ter experimentado aquele vinho, ter achado a coloração avermelhada com aromas intensos de frutas e especiarias, algo que lembrava a cor dos cabelos de Camus e o cheiro da pele alva dele, após fazerem amor...

Todos ficaram olhando quando Milo cochichou algo para Shiryu e irrompeu a porta de saída com um simples: Até amanhã!

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Quando Saga deixou o escritório de advocacia, acompanhado por Camus e Aiolia, seguido pelos agentes do FBI e a escolta policial de Jamian, flashes piscaram furiosos e câmeras de estações de TV menores se juntaram a da NBC e aos jornalistas do New York Daily News em uma verdadeira disputa por entrevistas e informações.

— Senhor Camus! Senhor Aiolia! Porque uma reunião secreta a esta hora da noite? Quais novidades surgiram neste caso do adolescente acusado de assassinato e tráfico de drogas?— gritou a jornalista já conhecida dos dois advogados, a senhorita Aimeé.

— Promotor Saga! Diga-nos, o garoto tem chances de ser inocentado? Porque o criminoso está com os senhores? — gritou a entrevistadora Kate da NBC.

— Ali! Ali está o criminoso conhecido como Jamian Crow! Jamian Crow! Você confessou tudo?- gritaram jornalistas das redes menores se acotovelando para chegar até Jamian e sendo afastados pelos policiais e agentes do FBI.

— Calma, senhores! – Este não é o melhor momento para declarações. Amanhã cedo, eu e meu sócio os receberemos para uma entrevista coletiva onde faremos os devidos esclarecimentos do que aconteceu aqui. Por favor, não insistam! – falou Camus num tom grave e sonoro que fez estancar a movimentação.

— Não pode ao menos adiantar aos nossos telespectadores o motivo de tal reunião? Estamos aqui há muitas horas e creio que os cidadãos tem o direito de saber o que está acontecendo, principalmente sobre o caso que movimentou o Bronx e que se tornou uma âncora para a sua indicação como juiz. – perguntou Aimeé, aproveitando-se de já ser conhecida de Camus.

— Senhorita Aimeé... — disse Camus inspirando fundo. — Sabe como eu trabalho e também a minha opinião sobre direito. Os cidadãos serão informados em todos os detalhes, amanhã, às oito horas no hall do prédio onde receberemos a todos. Agora, com licença e boa noite.

A frase final de Camus foi recebida por flashes luminosos e câmeras registrando todas as expressões e movimentos.

Bufando, Aimeé, assim como os outros, resolveu acatar a decisão de Camus já que tanto Saga, quanto Aiolia permaneciam em silêncio. De repente, um repórter de uma rede menor olhou para Aiolia e disparou:

— Senhor Aiolia! Visto que não querem falar sobre o caso, que tal falar sobre o seu romance com um DJ e que acabou na internet?

Aiolia revirou os olhos, sorriu de um jeito maligno e depois ficou sério. Olhou para os repórteres que já estendiam os microfones e falou em alto e bom tom:

— E que tal eu falar sobre processos milionários movidos contra jornais e redes de televisão sobre invasão de privacidade. Tenho casos interessantes para ilustrar! Casos em que a parte lesada ganhou a causa e teve de ser indenizada em milhões!

Os repórteres se olharam, alguns ainda tentaram abrir a boca, porém Aiolia já tinha ultrapassado o corredor de corpos e já entrava em seu carro. Luzes pipocaram, mas de nada adiantou. Saga se tornou o próximo alvo, mas também os ignorou e foi até a sua Ferrari blindada, dando a partida, logo em seguida.

Jamian já tinha sido acomodado na viatura, enquanto Camus fazia menção de também afastar-se. Porém, como morava perto e deixara o carro na garagem, resolveu retornar ao escritório e aguardar, enquanto as camionetes das estações e jornais acomodavam seus repórteres para deixar o local.

Minutos depois, quando todos haviam se afastado, Camus deixou o prédio e sentiu um arrepio na nuca que o fez olhar para trás. Num primeiro momento, viu o reflexo de algo que parecia vidro e depois os longos cabelos loiros ondulando sob a brisa noturna.

Era ele!

— Milo... – o nome escapou dos lábios junto com um estremecimento dentro do peito.

O grego sorria e caminhava na sua direção. Milo estava ansioso pelo encontro e louco para agarrá-lo, ali mesmo, no meio da rua. Respirou fundo... Acalme-se Milo! Se alguém o vê agarrar o ruivo, em público, vai dar merda! Controle-se!

— E então, advogado? Vamos comemorar o quê? – perguntou Milo com a garrafa de vinho na mão.

Camus sorriu e seu olhar aqueceu. Não era homem de demonstrações públicas de afeto, mas a vontade de abraçar Milo era tão forte quanto um imã atraindo-o na direção do grego.

Os dois se olharam e foram se aproximando, devagar... até ficarem com os rostos bem próximos um do outro. Milo sorriu e olhou para os lábios entreabertos de Camus.

Diante da cena, o ruivo ofegou e tocou-lhe o rosto, entregando-se ao impulso fervoroso de beijar Milo na boca, sem inibição nem restrições. A maleta que segurava caiu no chão de forma pesada no momento em que ele libertou a mão para pressionar o corpo de Milo contra o seu e intensificar o beijo de maneira quase escandalosa.

Milo deixou o autocontrole de lado e aproveitou o contato íntimo... Puxou Camus pela nuca, aprofundando os dedos nos cabelos do outro, a língua movendo-se furiosa pelos lábios, dentes e interior da boca cálida que sugava a sua...

Envoltos em fascínio e saudade, os dois não ouviram o clic discreto de uma máquina há alguns metros que disparava uma série de fotos por segundo.

Aimeé havia voltado, na esperança que Camus lhe desse uma entrevista exclusiva. Para sua surpresa, o belo advogado estava aos beijos com outro homem! Mesmo que pertencesse a um jornal sério, aquela revelação lhe garantiria alguma coisa... nem que fosse uma reportagem de capa.

Depois de alguns segundos, Camus interrompeu a carícia e recolheu a valise do chão. Foi então que notou a van do jornal New York Daily News parada há alguns metros. Franziu o cenho, mas depois acenou gritando:

— Pode sair, senhorita Aimeé! Sei que está aí!

— Vamos embora, Ned! Arranca! Movimenta essa maldita van! Agora! – disse Aimeé, quase em desespero, temendo que Camus se apropriasse das fotos tiradas.

O câmera engatou a marcha, mas Camus colocou-se à frente do carro e fez sinal para que parasse e Aimeé descesse.

A van parou e a repórter desceu.

— Espero que o senhor não vá agir como um bárbaro! – disse Aimeé nervosa e alisando a saia do tailleur bege claro ajustada ao corpo.

— E o que significa para a senhorita agir como um bárbaro? Exigir sua câmera? Processá-la por agir como um paparazzi de quinta categoria?- questionou Camus olhando-a no fundo dos olhos.

— Eu não tive intenção nenhuma de invadir a sua privacidade, mas vocês dois estavam se beijando na rua. – disse ela em um tom desafiador.

Camus encarou-a, por alguns segundos, e depois se aproximou de Milo, tocando-o no queixo e aproximando seu corpo do dele.

— Pode fotografar, agora. – disse o ruivo beijando Milo, novamente, e de um jeito que fez Aimeé sentir um frio no estômago.

Aimeé arregalou os olhos, enquanto gesticulava para que o fotógrafo batesse outras fotos. Deuses do Olimpo! Se um homem me beijasse assim, acho que encharcaria a calcinha na hora!

Quando ele terminou, Camus voltou-se para a repórter e falou:

— Satisfeita, senhorita? Tem certeza que não quer uma entrevista exclusiva também?

— U-Uma... entrevista exclusiva? Você me daria uma? Sério?

Milo olhou para Camus, ainda sem entender o gesto ostensivo do ruivo. Parecia que estava vivendo uma realidade ao estilo Matrix Reload e num ritmo tão vertiginoso que o deixava sem fala e sem ação. Como assim Camus o beijava em frente a uma repórter e ainda oferecia uma entrevista exclusiva sobre os... dois?

— Sim, uma entrevista exclusiva, após a coletiva de amanhã. Peço, apenas, que a divulgação do meu relacionamento seja feita em outro momento, pois tenho que prevenir uma pessoa, em especial.

— O juiz Hades. – falou Aimeé num tom baixo.

— Sim, não quero que meu pai veja isso, antes que eu conte.

Aimeé pareceu compreender a posição de Camus e, embora estivesse achando uma perda irreparável para a humanidade aqueles dois espécimes maravilhosos serem gays, sentiu uma emoção genuína em ver o amor explícito entre eles. Quem me dera achar um homem que me assumisse com toda essa... certeza! Pensou a repórter quase suspirando.

— Trato feito. – disse ela estendendo a mão fina e delicada.

Camus a apertou e os dois se despediram. Milo ainda estava meio em choque, mas assim que Aimeé foi embora, ele sentou na escadaria do prédio, largou a garrafa de vinho ao lado do corpo e olhou para o ruivo.

— Quer me explicar o que aconteceu aqui? Eu... Eu nem sei o que dizer... Eu... – falou Milo que, só então, se lembrou de respirar, novamente.

— Lembra quando você me disse que queria tomar as rédeas da sua vida e não ficar sujeito à ação dos outros? Eu também penso assim. Na verdade, sendo bem honesto, sempre pensei. Saí cedo de casa e nunca pedi nada ao meu pai. Eu desejo estar inteiro, sem hipocrisias, sem medo. Construí minha vida com trabalho e esforço. Não tenho motivos para viver me escondendo como se fosse um crime amar outro homem. – respondeu Camus sentando ao lado do grego na escada.

— Mas... E sua indicação para juiz? Nós sabemos que o preconceito ainda é grande e você é o alvo preferido da mídia no momento. – perguntou Milo preocupado.

— Eu não quero ser juiz. Toda essa especulação... Nunca foi o que eu, realmente, quis. Não nego que fiquei orgulhoso em ser considerado para um cargo deste nível, mas... Eu quero viver com mais liberdade e qualidade, Milo, e sinto que só entendi isso ao amar você. Eu serei professor na universidade, continuarei com o escritório e...

Camus interrompeu a frase e olhou profundamente dentro dos olhos brilhantes de Milo. O grego estava com a respiração presa, o coração disparado. Parecia que o Universo tinha conspirado a seu favor e em dobro!

— E? – balbuciou Milo.

— E eu quero viver com você. Isto é, se você quiser. – completou Camus vendo a expressão de espanto do grego.

— Se eu quiser? SE EU QUISER? MAS É CLARO QUE EU QUERO! – gritou Milo abraçando Camus com tanta força que o ruivo quase caiu para trás.

Os dois riram, agarrando-se em um abraço ainda mais forte, trocando beijos rápidos sob o olhar desconfiado de alguns transeuntes que passavam. Camus não se importou. Milo, muito menos...

Alguns minutos depois, os dois chegaram ao apartamento de Camus. Milo olhou em volta e sorriu. Tudo estava em ordem, como se Camus não morasse ali.

— Ah, eu ia me esquecendo, esse vinho é prá você. – disse Milo estendendo a garrafa para Camus.

— Hummm... Um Romanee Echezeaux 2008. Um dos vinhos preferidos de meu pai. Mas, creio que não estamos comemorando, somente, a minha vitória. Vai me falar do seu novo emprego? – disse Camus olhando a garrafa e depois retornando para Milo.

— Bem, eu...

Antes que Milo continuasse, a campainha soou demoradamente e, várias vezes, como se a pessoa tivesse “esquecido” o dedo nela.

— Quem será há esta hora? – perguntou Camus e, em seguida, pensou: Só pode ser meu pai! Bem, vamos lá Camus, parece que hoje é o dia D, afinal.

— Alguém com pressa e nervoso... – disse Milo.

Entretanto, ao abrir a porta, Camus não foi com Hades que ele se deparou e sim com uma jovem de longos cabelos de cor lavanda que o empurrou e foi entrando, sem ao menos pedir licença.

— Só porque o senhor ficou famoso, não pode destratar a família desse jeito! Como pôde desligar o telefone na minha cara e ainda dizer todas aquelas grosserias? – disse a jovem num tom agudo e irritado.

— Saori! Mas, o que você está fazendo aqui há essa hora?- perguntou Camus, após levar um safanão da jovem.

— Ah! Milo! Que bom ver alguém alegre e gentil, pra variar. – disse Saori, ignorando seu primo e indo de encontro ao grego com um sorriso nos lábios.

— Vocês dois se conhecem?- perguntou Camus, surpreso.

— Mas é claro! Se você não tivesse desligado na minha cara, saberia que eu vendi o Pégasus para o Milo.

— Hã?

— Deixe-me contar, Saori. – disse Milo vendo que Camus já levava a mão à gravata para afrouxá-la.

— Eu procurei a senhorita Saori e fiz uma oferta pelo bar.

— E eu, como sou um doce de pessoa, vendi a ele, mesmo que a tal construtora me oferecesse o dobro! E sabe por que eu fiz isso? Porque você havia me mandado um relatório completo de tudo o que Milo havia feito, enquanto gerente, e isso me sensibilizou.

— Você? Sensibilizada?— disse Camus, sarcástico.

Saori mostrou a língua para Camus e encaixou o braço no de Milo.

— É claro que as intenções do senhor Milo ajudaram bastante a... me decidir em perder dinheiro e apostar no amor. – disse ela num tom malicioso.

Camus franziu o cenho, enquanto Milo, habilmente se desvencilhou do braço de Saori e foi ao encontro do ruivo.

— O que a senhorita Saori quer dizer é que... bem, eu disse a ela que tinha vendido uma peça rara para adquirir o bar e que fiz isso, porque amava muito uma pessoa e desejava me tornar alguém melhor para viver esse amor.

— Sim, e eu na hora soube quem era essa pessoa! Francamente, primo, eu espero que diante de uma prova de amor dessas, esse seu mau humor acabe. E, Milo? Você é um fofo! Agora vou deixá-los curtir... – disse Saori piscando o olho para o grego e indo em direção à porta.

Os dois ficaram olhando Saori deixar o apartamento tão rápido quanto havia aparecido. Ela ainda olhou para trás, atirou um beijo na direção dos dois.

Logo após a saída de Saori, Camus voltou-se para Milo. Estava sério e havia uma ponta de tristeza nos olhos azuis.

— Uma peça rara... Você vendeu seu violino, não foi? Você adora aquele instrumento, Milo. – disse o ruivo se aproximando e tocando o rosto do grego.

— Eu amo você, Camus e nada vale mais que isso. – respondeu Milo sem hesitar, nem demonstrar nenhum tipo de arrependimento.

Uma lágrima solitária rolou pela face de Camus. Seu coração acelerou e o ambiente da sala pareceu mudar como se uma força o fizesse vibrar com uma súbita energia. Ele nada disse, apenas olhou dentro dos olhos de Milo e sua alma pareceu expandir além do corpo, além de si mesmo...

Por alguns segundos, os dois fitaram-se de um modo terno e íntimo, até as bocas se unirem em um beijo saudoso e profundo...

Os corpos se uniram numa reciprocidade imediata. O calor, o desejo, o amor... três forças exigindo passagem em cada carícia que se intrometia por baixo das roupas e depois, em cada peça que era deixada para trás, enquanto chegavam ao quarto...

Puxando-o em direção à cama, Camus deitou-se, atraindo Milo para si, sorrindo daquele jeito que só fazia com ele. Emocionado, o grego encaixou seus quadris ao corpo sôfrego de Camus e os dois se acariciaram, rolando na cama, desfazendo a ordem simétrica dos lençóis...

Havia uma necessidade de sentir o calor do corpo um do outro, da voracidade do reencontro, de matar a saudade que os deixara sedentos do gosto e do cheiro das peles nuas...

Camus explorava o corpo do amante com avidez, sentindo-se terrivelmente excitado e poderoso. Os olhos azuis, normalmente frios, estavam cheios de amor, fazendo Milo deliciar-se com os sons eróticos que ele emitia ao morder e lamber seu corpo. A língua, como uma serpente furiosa e ardente a vasculhar todos os recônditos não só da boca, mas do corpo inteiro do grego, insinuava-se fazendo-o gemer e ofegar, estreitando-o mais junto de si.

Com um sorriso carregado de luxúria, Camus se afastou por um momento, dedicando-se a acariciar as coxas de Milo e mordiscar-lhe a virilha, arrancando gemidos mais longos e desesperados.

— Adoro as suas coxas... — falou ele, enquanto as apertava com as mãos, deixando as marcas dos dedos.

Quando viu que o amante arfava e o apertava com força, deslizou o corpo, lentamente sobre ele, roçando a ereção túrgida entre as pernas, o ventre e o falo... Sentia em seu membro o pulsar do outro, sua pele incendiava, ao mesmo tempo em que o falo gotejava de tanta excitação e molhava as coxas fortes de Milo.

Então, sua boca se fechou sobre os lábios entreabertos do grego, num beijo molhado e longo, a língua passeando sobre os lábios arfantes, os dentes roçando e mordiscando, entre gemidos roucos...

As mãos iniciaram sua trajetória ardente, acariciando os mamilos e, depois, foi a vez da boca cair sobre eles, sugando-os como se sorvesse um néctar, arrepiando-os e causando um tremor prazeroso em todo o corpo de Milo...

Milo sentia o corpo em fogo e gemia quase implorando. A vontade que tinha era gritar: “Me come logo!”, mas a intensidade das carícias de Camus não permitiam que ele articulasse um pensamento inteiro, quanto mais palavras com algum sentido.

Olhando-o, entregue e em desespero, Camus afastou as pernas de Milo, até que todo o seu corpo estivesse intimamente colado ao dele. Seus dedos, umedecidos com a própria saliva, mergulharam dentro dele e começaram a acariciá-lo, preparando-o para a penetração, sentindo a cavidade quente contrair-se, ansiosa...

Quando sentiu Milo acelerar a respiração, posicionou o falo túrgido no canal e mergulhou fundo, soltando um gemido rouco e arrancando um gemido longo, de puro êxtase, do amante.

Excitados, os dois começaram a mover-se num ritmo intenso e devastador como se faíscas tivessem desencadeado um incêndio cujo combustível eram o suor, a saliva, o olhar arrebatado, a fricção dos corpos...

Milo enlaçou as pernas em torno das costas de Camus, aprofundando-o ainda mais dentro de si, sentindo um delicioso vigor a cada estocada e começando a chegar ao ponto em os músculos se contraíam, os gemidos escapavam roucos e altos e os ossos pareciam liquefazer próximo do orgasmo...

Camus entrava e saía devorando-o, possuindo-o, fazendo-o estremecer antes de enterrar-se, novamente e, embora Milo tivesse tido suas experiências eróticas, em nenhuma havia se entregado desta forma e nenhuma se comparava à Camus e ao gozo que ele provocava em seu corpo, arrebatando-o para além da carne, para algo inexplicável que o fazia tocar a eternidade cada vez que era penetrado ou tomava Camus para si...

Uma onda de emoção, mesclada com um prazer intenso e devastador insinuava-se por todo o seu corpo e Milo sentiu Camus enterrar o rosto em seu pescoço e cerrar os dentes, gemendo o seu nome e contraindo o corpo que convulsionou forte em espasmos delirantes...

— Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh.............!— o grito alto que irrompeu dentro do quarto saiu, ao mesmo tempo, das duas bocas que agora arfavam, enquanto os corpos tremiam encharcados de suor...

As pupilas dilatadas, o olhar tempestuoso, a respiração ofegante anunciava o gozo intenso... O sêmen de Milo atingiu o ventre de Camus em jatos quentes, enquanto o grego fincava os dedos nas costas molhadas do ruivo e ele se entregava ao clímax...

Sincronicamente, Camus se derramou dentro de Milo, cada poro ardendo, cada célula tocada pelo orgasmo avassalador que o dominava e o tirava do controle. E, ao estocar as últimas gotas de seu prazer, olhou-o nos olhos e disse com a voz trêmula e embargada:

— Deus, como eu te amo!

Sorrindo e também trêmulo, Milo acariciou-lhe o rosto e olhando-o nos olhos, falou num sussurro rouco:

— Não importa quantas vidas eu tenha, em todas, eu vou te amar sempre... Sempre!

Suados, ofegantes e sorridentes, os dois se olharam, enquanto uniam, novamente, os lábios lânguidos e inchados de tantas mordidas e encontros sôfregos... Camus sentia o torpor envolver seu corpo, mas se negava a fechar os olhos e perder o olhar semicerrado de Milo, o rosto afogueado e sorridente do grego, os lábios dele em seu pescoço...

Milo sussurrou alguma coisa e se aninhou em Camus, atraindo-o para si, mergulhando no doce calor da pele do amado. Mesmo sem querer, os dois penetraram na deliciosa escuridão do sono, relaxando juntos e dormiram abraçados.

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O som musical do despertador parecia estar a quilômetros de distância. Aos poucos, Camus abriu os olhos, sentindo-os pesados, enquanto seu corpo saciado experimentava um bem-estar incrível. Sentiu o braço de Milo em seu quadril e o calor do corpo do grego colado ao seu. Sorriu e desvencilhou-se do abraço devagar para não acordar Milo. O grego resmungou e Camus beijou-o com suavidade sussurrando:

— Ainda é cedo... durma mais um pouco.

Os lábios do grego se abriram em um sorriso sonolento.

— E quem quer dormir depois de ser acordado desse modo por um advogado gostoso e bem-sucedido? – disse Milo puxando Camus para si.

O ruivo sorriu, mas logo ficou sério. Traçou as sobrancelhas de Milo com o indicador e olhou-o com ternura.

— Preciso estar cedo no escritório para a coletiva. Depois vou falar com meu pai. Podemos almoçar juntos e você me conta direitinho essa história de ter comprado o Pégasus, o que acha?

— Eu fiz algumas reformas no bar e mudei o nome. Agora é um clube chamado Sortilégio. Os arremates na decoração terminam hoje e, ao meio-dia vou fazer uma última reunião para planejar a abertura amanhã. Então... Que tal um jantar? Afinal, ontem não deu tempo da gente abrir o vinho e comemorar... – respondeu Milo mordendo o lábio inferior, enquanto levava a mão à nuca de Camus e fazia uma leve carícia.

— Não faz isso, grego... – disse Camus com os olhos fixos nos lábios carnudos de Milo.

— Isso o quê? Por acaso estou perturbando você? – perguntou Milo com a cara mais safada do mundo.

A respiração de Camus se alterou e ele soube que se permanecesse mais um segundo ali...

Ao tentar reagir contra aquilo e protestar, teve sua boca invadida pela língua afoita de Milo. Apesar de saber que tinha horário, mais uma vez, entregou-se àquele devaneio erótico deixando que o grego o explorasse, sentindo aquele cheiro enlouquecedor na pele dele, o calor do sol que parecia impregnado no corpo ardoroso que atiçava o seu.

Gemeu em meio ao beijo ao sentir as mãos do grego insinuando-se por sua pele, acariciando-lhe as costas e descendo até as nádegas, apertando-as e puxando-o de encontro a si. Milo o provava, profunda e lentamente e ele não conseguia interromper o prazer faminto, que aquela boca sempre despertava nele...

Descendo até o pescoço de Camus, Milo foi lambendo e mordiscando, enquanto tocava a ereção túrgida, entre as pernas do ruivo, sentindo-a pulsar na palma de sua mão. Camus moveu os quadris em direção à mão que o tocava e puxou o loiro pela nuca, movendo-se contra a boca que o devassava, entregando-se à paixão de ter Milo em seu corpo.

Com o rosto afogueado, Milo interrompeu o beijo e desceu pelo tórax de Camus, ao mesmo tempo em que continuava a acariciá-lo, deixando o falo depositar-se em sua mão. Sorrindo, envolveu-o com as duas mãos e tomou-o por inteiro em sua boca, apertando os lábios em volta, movendo-os por toda a extensão, sugando e lambendo como quem degusta uma iguaria deliciosa no café da manhã...

O falo de Camus avolumou-se dentro da boca quente e úmida, tornando-se cada vez mais rígido e vibrante. Suas coxas estremeceram e eram apartadas pela força das mãos de Milo que cravava os dedos nos músculos, imprimindo a sua marca na pele clara.

Sentindo a ansiedade crescendo, prestes a explodir em gozo, Camus gemeu rouco e descontrolado, os olhos fechados, a cabeça lançando-se para trás. Segurou a cabeça de Milo, afundando as mãos nos fios loiros, a boca abrindo-se para sorver o ar...

O clímax veio com toda a força e o sêmen quente derramou-se potente dentro da boca do amante. Camus soltou um gemido longo de alívio e, exaurido, reclinou-se para trás, percebendo que estava todo retorcido na cama. Quando ergueu os olhos, viu Milo sorridente diante dele.

— Tem cinco minutos... pra se recompor e cumprir seus compromissos. – disse ele, calmamente, limpando a boca com as costas da mão e aproximando-se dos lábios de Camus.

O ruivo sorriu com malícia e ternura. Não havia mais ninguém que o tocasse daquela forma, que o fizesse perder o controle, a não ser ele. Entreabriu os lábios para receber o beijo permeado pelo seu prazer e então respondeu:

— Não preciso de cinco minutos... E agora que você começou... vai ter que terminar.

Ao dizer isso, pegou a mão de Milo e colocou-a sobre o seu falo, fazendo-o sentir uma nova e túrgida ereção...

Notas finais
****Perdão para quem esperava que eu colocasse um julgamento aqui. Na verdade, achei que ficaria muito extenso, então pesquisei uma outra solução na lei americana e misturei THE FIRM com LAW AND ORDER e...VIAGENS DE VAGABOND já que não sou nenhuma expert em leis, nem advogada(risos!!!) e me safei!!! Mas, no final, eu gostei deste formato, porque me permitiu explorar outras situações na fic sem me estender demais!!!