Sortilégio...

2 Capítulo 2 INSTANTE DE ETERNIDADE...


O violino que encantara, trouxera alegria e encantamento, cessou, e Kardia fitou Dégel com profundidade, ambos suados e afogueados. A multidão que bebia, ria e dançava pareceu evanescer, enquanto o cigano estendia a mão na direção da sua...

Dégel não desviou o olhar, porém parecia fixado ao chão, embora sentisse o chamado do corpo e da alma que se perdia nos olhos do cigano.

Alegres, alguns ciganos tocavam os corpos, ali parados e seguiam adiante, eufóricos e alheios à profunda conexão que se estabelecia entre os dois.

— Venha comigo... – disse Kardia com aquele tom insondável de sua voz grave.

As fagulhas que escapavam da fogueira e o calor que exalava das brasas pareceram tão vívidas à percepção de Dégel que ele pensou estar muito perto do fogo, quando na verdade era uma resposta de seu próprio corpo às emoções que lhe eram despertadas.

— Para onde? – perguntou Dégel, sentindo-se estremecer por dentro.

— Para um lugar em que possamos dar vazão a isso que acontece entre nós dois. – respondeu Kardia sem rodeios ou máscaras.

Dégel sentiu a boca secar e apertou o lábio inferior com os dentes. Sua respiração ainda estava acelerada pela dança movimentada e ele ofegou baixo, enquanto processava em sua mente o que estava acontecendo.

Manigoldo surgiu com uma garrafa de vinho na mão, enquanto as noivas se reuniam aos futuros maridos. Um violino, ao fundo, recomeçou a música e o líder dos ciganos se aproximou dos dois.

— Salve meu filho! Sara kali deve ter sorrido muito ao ouvi-lo hoje. Sua música é como um tesouro raro... Fico honrado em saber que, quando eu me for, você conduzirá o nosso povo. – disse Manigoldo.

Kardia sorriu para seu padrinho e, por um instante, o magnetismo que o aproximava de Dégel foi quebrado. O jovem cigano levou a mão à garrafa de vinho e bebeu um longo gole no gargalo. Manigoldo riu e fez o mesmo, passando a garrafa a Dégel que, já acostumado com aquele costume cigano, sorriu e também bebeu.

— Sabem, vocês dois tem muita sorte e habilidade! Não me admira que sejam tão amigos, mesmo que, um dia, tenham de se separar. Bem que podiam encontrar uma mulher e casarem juntos, numa mesma cerimônia. Isto é, se seu pai consentir. – disse olhando para Dégel.

A simples menção do fato fez Dégel experimentar uma sensação dolorosa que tratou de afastar com mais um gole de vinho. Kardia apenas o olhou e sorriu:

— Há! Isso ainda vai demorar a acontecer. Enquanto isso, permita que Dégel e eu tenhamos uma conversa sobre os nossos costumes e sobre... nossos desejos. – disse Kardia colocando o braço sobre os ombros do amigo e o afastando dos demais.

Manigoldo soltou uma gargalhada sonora e foi ter com os homens mais velhos que fumavam cachimbo e praticavam o jogo das patacas, falando alto e discutindo com os demais.

Kardia andou na direção de sua carroça e entrou, pegando um grosso cobertor, um lampião e uma garrafa de vinho. Depois sinalizou para Dégel e ambos se embrenharam na mata composta por altos e densos freixos.

Caminharam em silêncio, até chegar a uma clareira onde o centro era composto de grama baixa e podia-se, encontrar, gravetos secos e galhos espalhados pelo chão. O orvalho já cobria os arbustos, a grama e as árvores como pequenas lágrimas de gratidão espalhadas na natureza exuberante...

O cigano depositou o lampião, o cobertor e a garrafa no chão, enquanto juntava galhos e gravetos secos para acender uma pequena fogueira. Acostumado à vida ao ar livre, Kardia não teve dificuldade e logo um fogo mediano, porém bem acesso iluminava e esquentava o local.

Dégel permanecia em silêncio, tentando mostrar-se calmo e seguro, mas seu corpo o atraiçoava desejando algo que nem mesmo ele sabia precisar tanto...

Kardia estendeu o cobertor e sentou-se, convidando Dégel para fazer o mesmo. Os dois se olharam e o cigano sorriu. A luz do fogo iluminava seu rosto viril com suas chamas douradas e tudo ao redor reluzia como se o ar se tornasse mágico, quente e receptivo...

Dégel inspirou, tornou a fitar Kardia e sua percepção de tudo se ampliou. Sua mente não mais dominava o corpo e lhe propunha questões. O que ele sentia no momento era primal, intenso e não admitia medo ou covardia. A paixão despertada criara raízes com suas ramificações penetrando em lugares nunca revelados...

E ele desejava e ansiava pela experiência que mudaria a sua vida:

Ele... Kardia... O anseio de consumir-se na paixão...

O cigano levou a mão ao rosto alvo e Dégel fechou os olhos, sentindo a aspereza dos dedos longos percorrerem os contornos de seu queixo. Nunca fora tocado por ninguém e aquela simples carícia embaralhava os seus sentidos. Como um toque tão inócuo podia acelerar seu coração e espalhar calor e rubor por todo o resto do seu corpo?

Ele permaneceu de olhos fechados e Kardia se permitiu um breve sorriso de êxtase antes de baixar a cabeça e roçar os lábios nos dele, sentindo a boca abrir-se e o calor do hálito de Dégel se misturar ao seu...

— Kardia... – gemeu Dégel, antes de o beijo tornar-se mais profundo e sôfrego.

Experiente, Kardia mordia o lábio inferior de Dégel antes de explorá-lo com a língua, sentindo-o corresponder com a mesma vontade numa união predestinada, intensa e sem reservas. Os corpos ansiavam pelo contato das peles e, em sua juventude os dois tinham pressa, vigor e uma necessidade que os deixava trêmulos de desejo.

Kardia despiu-se, atirando as roupas de qualquer jeito e Dégel fez o mesmo, ambos conectados, sorvendo da visão um do outro, sem vergonha ou hesitação.

Os olhos azuis do cigano abraçaram Dégel, antes mesmo de puxá-lo de encontro a si e os lábios ofegantes do jovem fidalgo se abrirem em um gemido de contentamento quando os corpos se tocaram sem barreiras, as peles quentes deslizando num roçar voluptuoso...

Como era bom, quente e estarrecedor...

As bocas se sugavam, as línguas investiam íntimas e quentes, tocando-se dentro e fora, percorrendo os lábios, dentes, pescoço, até recair sobre os ombros desnudos e os mamilos rijos...

Dégel se abandonava nas mãos de Kardia e o cigano se entregava ao redemoinho do corpo virgem que o enlouquecia.

Kardia não se lembrava de quando sentira esta paixão febril, quase desesperada... Nas vezes em que tivera outras relações com homens e mulheres, nenhuma fora dessa forma, doce e cruelmente profunda, onde seu coração sentia-se em casa, inteiro, pleno, enquanto seu corpo ardia como a fogueira que agora iluminava a ambos...

Beijando-se de forma cada vez mais intensa, os corpos se fundiam com avidez e reconhecimento. As mãos de Kardia estavam em todos os lugares, nos quadris, nas coxas, entre as pernas de Dégel...

Tão certo e perfeito como quando ele tocava seu violino, agora o cigano acariciava, colhia com as mãos o palpitar de prazer que vertia do falo de Dégel e arrancava gemidos altos e roucos da boca que exalava paixão.

Com os olhos em chamas, Dégel agarrou-se aos cabelos escuros e sedosos, puxando a cabeça de Kardia de volta, arrastando a boca de volta à dele. Dessa vez, foi ele quem o beijou com fome e prazer, abrindo-se para ele, sugando-lhe a língua, tentando fazer com que ele sentisse o que provocava nele.

Kardia o fazia sentir destemido, pulsante...

Então, em um arroubo de coragem, Dégel inverteu as posições e curvou-se sobre o corpo de Kardia, aproximando os lábios da ereção pulsante que, instantes atrás, lhe pressionava a coxa. Ficou um tempo olhando, admirando, respirando próximo e arrancando gemidos do cigano.

Ele pulsava erétil, parecendo um aríete de carne e Dégel desejou provar-lhe o gosto, tocar nas veias que se sobressaiam, cheirá-lo e roçar os lábios antes de tomá-lo na boca.

Kardia surpreendeu-se com a ação de Dégel e com a reação de seu corpo... Um som gutural irrompeu do fundo da sua garganta ao sentir a sede do amante. Dégel devorava-o, sugava-o com toques um tanto desajeitados, porém o prazer que despertava era tal que temia gozar rápido demais...

Não podia... Queria olhar nos olhos de Dégel e vê-lo gozar, gemer seu nome, beijá-lo com aquela boca que o desnorteava ao sorrir, beijar, dizer-lhe coisas que nenhum outro podia igualar!

Antes que o clímax o tomasse, Kardia reassumiu o controle e puxou Dégel de encontro ao corpo.

— N-Não... – gemeu ele ao interromper a felação.

Dégel ergueu os olhos, confuso e ofegante.

— Eu o machuquei? – sussurrou ele, com os olhos aflitos.

Kardia sorriu e enterrou as mãos nos cabelos de Dégel. Olhou-o com fome e desejo e então falou:

— Não... não me machucou. Muito pelo contrário, se continuar assim vou gozar e quero fazê-lo dentro do seu corpo.

Dégel fechou os olhos e Kardia o beijou, novamente, de um jeito mais selvagem e faminto, fazendo com que o amante estremecesse contra o seu peito.

O cigano continuava explorando os lugares mais íntimos do corpo do amante, seus quadris se alinhando sobre os dele, as mãos deslizando para o meio de suas pernas para sentir-lhe o falo rígido e tocá-lo, arrancando gemidos ainda mais altos, enquanto sua língua escaldante continuava a morder e atormentá-lo com aquela voracidade erótica que fazia a carne exultar e o sangue pulsar violento...

Com um movimento sinuoso, Kardia afastou as pernas de Dégel e se insinuou ainda mais entre elas, fazendo-o sentir a pressão das coxas musculosas contra as suas, o falo rijo pressionando-o, latejando próximo da entrada de seu corpo, enquanto sua língua traçava círculos molhados lambendo e sugando a pele rente ao pescoço, a nuca, a curvatura dos ombros...

Seus quadris se elevaram, instintivamente e Dégel passou os braços ao redor do pescoço de Kardia, colando a boca junto ao tórax largo e sentindo as batidas do coração dele.

Então os olhares se encontraram como se nunca tivessem visto antes, como se capturassem naquela conexão um instante de eternidade...

Dégel entreabriu os lábios, ansioso, e Kardia o penetrou, lenta e profundamente, fazendo arder chamas de dor e prazer dentro do amante...

O delicioso e tenso calor do corpo de Dégel acolheu o falo que mergulhava fundo dentro de si e Kardia gemeu alto, preenchendo, marcando e estancando com dificuldade os movimentos de posse que seu corpo ansiava empreender.

Dégel agarrava-se a ele e gemia, suplicando pelo poder daquele corpo, cravando os dedos nos contornos fortes das costas suadas, abrindo mais as pernas para receber o impacto dos quadris e a invasão poderosa que o arrebatava para uma realidade nunca experimentada.

Havia dor, mas também uma agonia prazerosa que ansiava por mais... Mais força... Mais profundidade... Mais da carne... Mais dele, do homem que o arrancara de um mundo cujas únicas sensações eram as peregrinações da mente e que o fizera perceber que havia mais para viver e sentir...

Kardia sentia a entrega de Dégel e estocava com força, aumentando o ritmo na medida em que sentia as mãos do amante apertando seu corpo, os gemidos inundando-lhe os ouvidos.

Ele sentia seu corpo cavalgar em êxtase e também os tremores de Dégel abaixo de si, enquanto segurava as mãos que lhe marcavam o corpo para entrelaçar-lhes os dedos enquanto se movia com um vigor veemente e trêmulo, cada vez mais próximo do clímax.

Os olhos de ambos se fecharam e os corpos se contraíram convulsos em uma tensão crescente... O orgasmo avassalador inundou-os, fazendo com que gritassem ao mesmo tempo, enquanto o prazer se derramava quente e abundante dentro e fora dos corpos.

Kardia sentiu o gozo de Dégel em seu abdome e viu quando ele abriu os olhos úmidos, arfando e gemendo seu nome. Sentiu o coração disparar e seu sêmen derramar-se na profundidade do corpo ardente... Então, neste momento, viu-se morrer naquele ápice, uma morte deliciosa e sem igual, uma morte perfeita e, ao mesmo tempo, a primeira vez que vivia o amor em sua plenitude.

Com a cabeça enterrada nos ombros de Dégel, Kardia sussurrou:

— Me Volis Tu, Dégel...

O pouco espaço entre eles foi preenchido com o som das respirações ofegantes e corações retumbantes. Kardia ficou mais um pouco sobre Dégel antes de rolar para o lado e puxá-lo num abraço.

Dégel aconchegou-se nos braços fortes, sonolento e saciado. Sentia uma euforia estranha e uma emoção que parecia colada a sua pele. Ouvira Kardia falar algo, depois que tinham gozado e mesmo não entendendo as palavras, a intensidade apaixonada do tom de voz o preenchera tão profundamente quanto o falo mergulhado dentro de si.

Enterrou o rosto no peito dele, sentindo a fragrância do corpo. Kardia era bonito de um modo que não se podia definir em palavras. Era especial e o fazia se sentir assim...

— Agora há pouco... você disse algo que eu não entendi. — sussurrou Dégel, os lábios roçando os músculos que se estendiam do peito ao ombro de Kardia.

O cigano levantou o rosto, olhando nos olhos de Dégel. Passou a mão pelos cabelos desalinhados e sorriu, aproximando a boca da dele e também sussurrando.

— Eu disse que te amo.

Dégel ficou vermelho, o coração disparado. Amor, uma palavra que ele só encontrara nos livros e ainda sim, era mais um conceito, uma abstração que não se aplicava a sua realidade. Amava seu pai, mas os dois jamais haviam trocado um abraço, sequer. Não se lembrava da mãe que morrera cedo e nem de pessoas que o fizessem sentir com o agora.

Olhou nos olhos escuros e intensos do cigano e seu peito se aqueceu. Estar nos braços de Kardia não significava apenas sexo, era como realizar algo importante que aguardara o momento certo para ser descoberto e vivenciado.

Com Kardia, o cigano livre, ironicamente, Dégel sentia-se mais em casa que na mansão com seu pai. Com ele, não era o fidalgo esquisito ou o filho de um grande comerciante. Com ele, descobrira a si mesmo e encontrara um sentimento verdadeiro onde antes só havia uma incógnita e um vazio.

Sorriu perfazendo os contornos do rosto de Kardia com os dedos e então, usando da fantástica capacidade de aprender que tinha, disse as mesmas palavras que tocaram o seu coração:

— Me Volis Tu, Kardia.

O cigano sorriu e beijou-o, fazendo com que sua língua se emaranhasse na dele provocando-o, trazendo-o para mais junto de si. Ficaram um tempo abraçados, felizes e silenciosos, até o momento em que o presente cobrou o seu tributo e eles voltaram para o acampamento...

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Esmeralda caminhou até os limites do acampamento e não viu Kardia, nem Dégel. Então se virou quando ouviu uma voz anasalada que tentava amansar o cavalo em que o jovem fidalgo viera montado.

— Calma... Calma... – dizia o cigano passando as mãos pelo pescoço e os flancos do animal, enquanto conversava com ele.

— O que está fazendo, Zelos? – perguntou Esmeralda.

— Estou olhando, não posso? – respondeu o cigano que possuía feições semelhantes às de um sapo.

— Esse cavalo é do gajo. Melhor deixá-lo quieto.

— É um belo animal... eu gostaria de um desses. – falou o cigano sem dar importância à fala de Esmeralda.

— Não seja tolo! Acha que poderia ter um destes? É um puro sangue.

— E porque não? Vou falar com o gajo.

— Você não tem dinheiro o suficiente para comprá-lo.

— E quem disse que eu vou comprar? – falou o cigano com um sorriso malicioso.

— Como assim? Você espera que ele o dê a você? – perguntou Esmeralda com um tom de escárnio.

Zelos ficou sério e depois sorriu, mostrando os dentes de ouro. Fitou Esmeralda com superioridade, como se soubesse de algo e isso disparou um alarme no coração da cigana.

— Todos pensam que Zelos é burro, mas eu não sou. Eu sei de coisas que... valem muito. Valem até mais que esse cavalo!

Esmeralda franziu o cenho e se aproximou do cigano.

— Desembucha, homem! O que você sabe sobre o gajo?

— Quer mesmo saber? Seja boazinha e eu te conto... – respondeu Zelos levando a mão aos cabelos fartos e dourados da cigana

— Tire as patas imundas! Vou lhe dar um aviso, Zelos... O gajo é amigo de Kardia. Melhor não mexer com o que não poderá arcar depois!

— Amigo? – falou Zelos gargalhando. – Pois sim! Até mais, Esmeralda...

Controlando o pânico, Esmeralda deu as costas a Zelos e foi até a carroça de Makri, a velha que lia a sorte.

— Makri! – chamou Esmeralda em voz baixa.

A cigana não se virou, mas ficou de pé, casualmente amarrando um cachecol na cabeça e pegando uma chaleira.

— O que quer Esmeralda?

— Zelos! Ele... ele parece saber de alguma coisa grave sobre o gajo.

A velha encheu a chaleira e a colocou sobre o fogo. Depois pegou duas canecas, colocou as folhas de chá e voltou-se para Esmeralda. Havia uma pequena cama em um dos lados da porta, coberta com uma colcha de seda vermelha escura com detalhes em dourado. Cortinas vermelhas emolduravam as janelas e duas cadeiras de madeira estavam dispostas ao lado de uma pequena mesa, onde Makri apontava para que Esmeralda sentasse.

— Eu lhe disse aquela noite, menina... não se deve interferir no Destino alheio.

— Mas... Kardia, ele... e o gajo. Os dois dizem serem amigos, mas ainda agora sumiram e... a senhora sabe! Isso não pode continuar! Manigoldo o matará se descobrir!

Makri ouviu a chaleira chiar. Então verteu a água quente nas duas canecas, estendendo uma na direção de Esmeralda.

— Cada um tem o seu caminho e os seus desafios. O gajo estava marcado no destino de Kardia e isso, nem Manigoldo, nem ninguém poderá mudar.

— Temo por ele... eu... o amo. – disse Esmeralda sentindo as lágrimas invadir-lhe os olhos.

— Não, você acha que ama. Kardia tem o sangue quente, assim como o seu. Mas o seu homem, Esmeralda, ainda está prá chegar. Agora vá, estou cansada... – falou a velha sorvendo um longo gole de chá e depois, indo direto para a cama.

Esmeralda cobriu Makri com um cobertor e deixou a carroça. Quando descia os degraus, viu Kardia discutindo com Zelos que tocava o rosto e parecia estar sangrando.

Ficou parada observando... O cigano com feições de sapo resmungou um palavrão e saiu meio trôpego. Kardia parecia furioso, porém estava sozinho e se dirigia para a sua carroça pisando duro no chão.

Preocupada, Esmeralda pensou em ir conversar com ele quando as palavras de Makri voltaram a sua mente, fazendo-a retroceder...

“Cada um tem o seu caminho e os seus desafios. O gajo estava marcado no destino de Kardia e isso, nem Manigoldo, nem ninguém poderá mudar.”

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Estava quase amanhecendo quando Dégel retornou para a mansão. Ao deixar o cavalo no estábulo, ele viu que o corcel negro de seu pai se encontrava ali e, por um instante, sentiu o sangue gelar.

Desde que seu pai viajara, ele passava as noites no acampamento cigano, mas nada tinha acontecido. Até esta noite. Esta noite ele tinha se entregado ao homem que amava e ainda sentia na pele as carícias que o enlouqueceram de prazer e o levaram a vivenciar o sexo em sua plenitude.

Sentia o corpo dolorido, porém era como se tivesse amadurecido num piscar de olhos. Talvez fosse o destino, como diziam os ciganos, que trouxera seu pai de volta, após uma longa ausência e agora, o fato o obrigava a tomar uma decisão.

Tinha conversado com Kardia e contado os planos que tinha em mente. Iriam para Florença e viveriam em meio ao burburinho das artes, da política e seriam livres para viver como bem lhe aprouvessem. Eles se amavam e nada, nem ninguém, mudariam o que sentiam um pelo outro.

Inspirou fundo e olhou na direção da janela, vendo que seu pai acendera uma lamparina e, certamente, o estava esperando.

Então, como todo jovem que experimentava a paixão, Dégel sentia-se senhor do seu destino e foi com este sentimento que ele ajeitou o casaco e entrou em casa de cabeça erguida.

Notas finais
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: Mel_ Dark, Angelique, Kassiminha, Gabi-bibi, MadameDark, Suzuki_Yoi, Sagara-San, Sion Neblina e quem mais chegar ou ler, silenciosamente... Bjs, amadas e obrigada pelo carinho, comentários e atenção!!!XD ***Me Volis Tu = Eu te amo na língua dos ciganos.