Sortilégio...

3 Capítulo 3 PERFÍDIA...


Dégel entrou no aposento, encontrando seu pai bebendo uma taça de vinho. O ruído de seus passos fez o pai erguer a cabeça devagar, enquanto um dos criados se afastava levando a bandeja com o pão fresco intocado.

— Olá, pai. Não o esperava tão cedo. – disse Dégel indo ao encontro de Hakurei.

— Realmente, estranhei a sua ausência. Por onde andava a essa hora? – perguntou o comerciante fixando os olhos no filho.

— Estava no acampamento cigano, havia um casamento e fui convidado. – respondeu Dégel tentando não transparecer o nervosismo.

— Casamento? Bem, que coincidência interessante...

— Coincidência? No quê?

— Nesta viagem que fiz, não só tratei de negócios. Já está na hora de constituir a sua própria família, Dégel. Um grande amigo meu possui uma irmã em idade de casar. O nome dela é Sasha e, segundo fui informado, ela possui todos os predicados necessários para ser uma boa esposa, além da beleza física. Já tratamos do noivado e do dote.

A surpresa moveu-se pelas feições do jovem, detendo-se, perturbadora, nos lábios que se abriram de imediato.

— Casar? Está me dizendo que tratou o meu casamento sem me dizer nada? Quem disse que quero me casar?

— Não se trata de querer! Já é um homem e precisa começar a agir como tal. É meu único herdeiro, Dégel e sabe disso. Precisa de uma mulher e filhos para sair desse mundo mental que o isola de tudo e todos!

— Meus planos quanto ao meu futuro são outros, quero estudar em Florença. Quero ser advogado.

Uma ponta de surpresa se fez notar nas feições duras de Hakurei. Ele apertou a taça de prata que tinha em mãos e voltou-se para o filho.

— Você quer o quê? Estudar? Desde quando faz esses planos lunáticos e mirabolantes? Seu futuro está aqui, nas terras que seu avô e eu construímos o negócio do mármore! Filho meu não será um almofadinha dos livros, enquanto há trabalho duro a ser feito.

— Sim, eu quero e vou estudar em Florença. Como o senhor mesmo disse, sou um homem e um homem é senhor do seu destino. Não vou me casar e quanto ao negócio do mármore, o senhor ainda tem muito tempo para administrá-lo. Quando não puder mais, coloque alguém de sua confiança. – falou Dégel com firmeza, embora tremesse por dentro em desafiar o pai.

— Desde quando ousa se portar de forma desobediente, Dégel? O que aconteceu com você, enquanto estive fora?! – gritou Hakurei.

Um criado se aproximou, interrompendo a discussão e fazendo uma mesura, falou baixo:

— Tem alguém que deseja vê-lo, senhor. Diz que é urgente e do seu interesse.

Hakurei inspirou fundo e olhou para o filho. Estava profundamente irritado e surpreso com a atitude de Dégel. O rapaz sempre fora calmo, obediente e agora parecia outra pessoa, alguém que não conhecia e não queria conhecer!

— Pois bem, diga que o receberei. – falou Hakurei entre dentes.

Olhou para Dégel com um brilho raivoso no olhar.

— Nossa conversa não terminou. Vá para o seu quarto e me aguarde. Enquanto estiver sob o meu teto, vai me obedecer e eu ainda não terminei o nosso assunto!

Dégel enrijeceu, porém achou melhor acatar as ordens do pai. Seria uma batalha difícil e ele precisava cercar-se de argumentos convincentes para oferecer ao pai. Deu as costas em silêncio e subiu as escadas.

Asqueroso e sujo. A primeira impressão que Hakurei tivera daquele homem era essa. Ele era asqueroso, sujo e não somente na aparência, mas no olhar reptiliano que parecia exalar inveja por todos os poros.

— Bem, senhor Zelos... sou todo ouvidos! – disse por fim, tentando abreviar aquele contato.

— Sei que é um homem rico e sabe dar valor ao que eu tenho para negociar... – disse o cigano tocando no canto da boca.

— O que quer dizer com isso? Fale logo que não tenho tempo a perder.

Zelos sorriu maldoso e se aproximou de Hakurei.

— Seu filho, senhor, foi enfeitiçado. Todas as noites ele foi ao nosso acampamento e passou com Kardia, o afilhado do líder dos Rom. E agora, diga-me se estou errado, seu filho não lhe parece outra pessoa? É o sortilégio... e muito poderoso! Mas, eu posso desfazer o encantamento por um preço justo. Dê-me um cavalo e seu filho voltará a ser o mesmo.

— O que está dizendo, homem? O que esse tal Kardia fez com meu filho?!

— Não sei se devo revelar tudo. – respondeu Zelos bancando o difícil e aumentando a tensão quase palpável que enchia o ar.

— Fale! O que ele fez com Dégel?

— Ele o fodeu.

Hakurei não estava preparado para a resposta e seu sangue ferveu fazendo seu coração acelerar ao ponto de deixá-lo trêmulo.

Dégel, que ouvira os gritos do pai, deixou o quarto e foi verificar encontrando-o com o cigano que tentara chantageá-lo para conseguir seu cavalo.

— Mas o que está acontecendo aqui? O que disse ao meu pai? – perguntou ele olhando para Zelos.

Hakurei estava vermelho, as mãos crispadas. Quando pousou os olhos no filho parecia louco, totalmente fora de si.

— Diga! Diga que isto não é verdade! Você e aquele cigano... Pelo amor de Deus, Dégel! Diga que não... que não se permitiu essa abominação! – gritou Hakurei.

Dégel prendeu a respiração, perguntando-se o que fazer. Mas, no fim, elevou os olhos e encarou o pai. Não podia recuar, não podia mentir, mesmo que isso lhe custasse tudo.

— Pai, eu... amo um homem e eu não acho que isso seja uma doença ou abominação. Os maiores filósofos gregos tinham relações com pessoas do mesmo sexo e nem por isso deixaram de ser considerados sábios. Eu...

— Você nada! Não me venha com essa conversa de amor entre gregos, demônios, ou o que for! Eu vou tirar essas ideias de você, nem que seja à força!

— Pode fazer o que quiser que nada vai mudar. Eu deixo esta casa e vou viver a minha vida como eu acredito que devo.

Hakurei grunhiu como se fosse uma fera enlouquecida. Pegou o chicote que deixara sob a mesa e partiu para cima de Dégel. O jovem elevou os braços, mas a fúria do pai penetrou em sua defesa, agredindo-o na face, nas costas, em todo o corpo.

Zelos aproveitou para deixar a cena, indo direto ao estábulo para reclamar o seu prêmio...

— Maldito! Filho meu não fode com homem enquanto eu estiver vivo! O cigano tem razão, você está enfeitiçado! Mas vou tirar esse feitiço do seu corpo, nem que tenha de matá-lo! – gritava Hakurei golpeando Dégel com tanta força que o jovem, em poucos segundos, estava coberto de sangue.

Os criados vieram ver o que estava acontecendo e encontraram o seu senhor batendo em Dégel que já não conseguia mais defender os golpes. Todos ficaram assustados, porém Oliver, o criado mais velho se aproximou e aparou o braço de seu patrão.

— Perdão, senhor... mas o jovem já apanhou demais. Assim vai matá-lo!

Hakurei pareceu voltar a si. A mão trêmula deixou cair o chicote e ele se deixou conduzir por Oliver, enquanto os outros davam assistência a Dégel que estava quase inconsciente de tanto apanhar.

— Levem-no para o quarto e tranquem-no! – gritou Hakurei.

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Zelos chegou ao acampamento ao anoitecer. A fogueira estava acesa e alguns ciganos jogavam e bebiam ao redor dela.

Esmeralda fazia chá na sua pequena fogueira e viu o belo corcel negro em que o cigano estava montado. Franziu o cenho e tocou o braço de Nadja.

— O que esse traste aprontou desta vez? – falou Esmeralda.

— Não sei, mas boa coisa não é. – respondeu Nadja, enquanto pegava uma criança pequena no colo.

— Então, o que acharam dessa belezinha? – perguntou Zelos para um grupo de homens em pé que conversavam.

— De onde veio isso, Zelos? – perguntou Justino, um cigano alto e forte que fumava um cachimbo.

— Um gajo me deu! Fiz um serviço prá ele e... aqui está! Belo animal, não?

— Não é um animal qualquer. Pelo visto, o serviço foi caprichado... – falou Justino.

Kardia apareceu reconhecendo o cavalo de Dégel. A atmosfera, antes agradável, agora recendia à conflito e os dois se olharam com agressividade.

— O que você fez? – perguntou Kardia entre dentes.

— Eu avisei que levaria alguma vantagem nessa história... Se não tivesse bancado o machão...— respondeu Zelos, displicente.

— E eu avisei que se continuasse com essa bobagem, eu o mataria! – falou Kardia avançando na direção do cigano e pegando-o pelo colarinho.

— Me larga! Você não pode fazer mais nada, agora! Seu putinho foi descoberto pelo pai e você perdeu o rabo que tanto ama! – vociferou Zelos.

Kardia desferiu um soco no rosto de Zelos que quebrou dois dentes e partiu para cima dele, quando outros ciganos se aproximaram e o contiveram.

— Mas o que é isso homem? – falou Justino agarrando Kardia pelo braço.

— Eu te avisei, maldito! Eu vou acabar com a tua raça, víbora peçonhenta! – gritava Kardia.

Zelos cuspiu os dentes quebrados e sorriu de modo cruel. Atrás de Kardia, estava o seu padrinho, Manigoldo, o líder dos ciganos, e sua expressão era de desagrado.

— O que está acontecendo aqui? – perguntou o líder.

Kardia estava exaltado e respirava, ruidosamente. Esmeralda se aproximou e tocou-lhe o ombro, cochichando algo. Ele a encarou e voltou-se para Manigoldo.

— Nada! Isso é assunto meu. –falou o jovem.

— Nada? Você envergonhou um companheiro, um irmão, batendo nele desse jeito. Vão me dizer o que aconteceu ou tenho que pedir à Makri que jogue as cartas?

— Seu sobrinho ficou com inveja do presente que ganhei... só porque foi o seu amiguinho quem me deu! – falou Zelos cuspindo saliva e sangue.

— Inveja? E desde quando, meu afilhado inveja quem quer que seja? E que história é essa de amiguinho? Não gosto do seu tom, Zelos e não gosto do seu descontrole, Kardia! Os dois comigo em minha carroça, agora!

Esmeralda olhou para Kardia. Os grandes olhos implorando... Por favor, Kardia! Não faça nada que venha se arrepender. O cigano rumou na direção da carroça de seu padrinho com o semblante fechado, enquanto Zelos sentia uma satisfação interna em ter Kardia em suas mãos. Odiava o afilhado de Manigoldo com sua beleza e seu maldito talento. Teria prazer em vê-lo sofrer, em implorar...

Como se a natureza previsse o desfecho daquele embate, um vento forte, de repente, varreu o acampamento levando as roupas penduradas nos varais, além de pequenos itens como as garrafas que antes eram levadas às bocas. O coração de Kardia parecia prestes a explodir dentro do peito. Seu queixo tremia e ele se recusava a ser refém de um homem como Zelos.

Já na carroça, os dois ficaram em lados opostos. Zelos, como o covarde que era posicionou-se perto de Manigoldo e Kardia cruzou os braços na altura do peito.

— Muito bem! Aqui somos somente nós três e eu exijo saber o que há entre vocês dois! – disse o líder dos ciganos.

— Por mim... se Kardia me pedir desculpas, eu aceito. Não quero trazer a infelicidade para o nosso clã. Foi uma bobagem. – disse Zelos, falsamente e fixando o olhar no jovem cigano.

Manigoldo olhou para o seu afilhado, torcendo para que todo aquele conflito terminasse.

— Então, Kardia, aceita a trégua que Zelos oferece?

Kardia pensou em mandar Zelos para o inferno, mas antes tinha de descobrir o que ele fizera. Engoliu, a contragosto, seu orgulho e sua ira. O maldito podia esperar... Fez que sim com a cabeça e virou as costas quando ouviu o cigano falar:

— Você não disse que sente muito e também não me ofereceu algo em troca do que eu perdi...- falou Zelos levando a mão à boca faltando dois dentes.

— Sinto muito. Quanto a dar algo em troca, não tenho nada que lhe sirva. – disse Kardia com o maxilar contraído.

— Ficarei feliz com as suas boas intenções...

— O Inferno está cheio de boas intenções. – respondeu o jovem cigano.

— Gosto de seu senso de humor, companheiro... Façamos as pazes! Por hora...Pensou Zelos comprazendo-se com aquela situação bizarra.

Não sou seu irmão, seu maldito! Mas, por hora vou fazer o seu jogo. Pensou Kardia ao ouvir a fala de Zelos.

Manigoldo se levantou pegando uma garrafa de vinho e uma peça de queijo de cheiro forte.

— Vamos beber e esquecer as desavenças! – disse ele sorrindo.

Zelos aceitou a caneca de prata, porém Kardia recusou-se a beber com eles. Pensou em uma desculpa que não parecesse tão esfarrapada e então falou:

— Prometi ajudar Esmeralda com a roda da carroça. Já demorei demais e o vento está ficando forte.

O humor de Manigoldo se manifestou e ele disse algo malicioso, antes de rir e bater nas costas do afilhado.

— Vá! Um uomo precisa do calor de uma mulher pra ficar mais calmo e menos violento!

Kardia se despediu e Zelos sorriu de canto, satisfeito com o resultado de sua armação.

Esmeralda foi a primeira a ir ao encontro de Kardia e perguntar o resultado da conversa. Preocupada, deu-se conta que Makri tinha razão, ela e Kardia haviam sido amantes, mas o que sobrara era uma grande amizade que, às vezes, era acrescida de desejo sexual, mas não amor.

— Então? O que disseram lá dentro? – perguntou ela, ainda aflita.

— Me controlei como pediu. Quero saber como ele conseguiu o cavalo de Dégel!

— Esqueça isso, Kardia. Talvez, o gajo tenha mesmo dado a ele.

— Não, Esmeralda! Zelos nos quer como reféns de suas artimanhas e isso eu não vou tolerar!

— Então tenha cuidado ou, além de refém, será amaldiçoado por seu padrinho e se tornará um proscrito. – disse Esmeralda, baixinho.

Kardia olhou-a e soube sobre o quê ela falava. Pegou a mão pequena, mas forte entre as suas, e beijou-a.

— Obrigado por ser minha amiga. Espero que sejamos unidos por muitas vidas.- disse Kardia tentando manter o otimismo na voz.

Lágrimas vieram aos olhos da bela cigana que apenas sorriu e correu de volta para onde havia música e risadas.

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Dégel acordou em sua cama, ainda vestido e tremendo. Tentou levantar, mas sentiu-se desorientado e caiu, novamente, na cama, sentindo uma dor lancinante nas costas.

Instantes depois, Oliver entrou trazendo panos limpos e água quente. Em silêncio, limpou o rosto do jovem, retirando as crostas de sangue seco.

Em seguida, outro criado trouxe uma tina e encheu-a de água para que Dégel se banhasse.

— Dispa-se e tome um banho, meu jovem senhor. Vou ajudá-lo. – disse o homem maduro que olhava Dégel com compaixão.

O jovem fidalgo obedeceu e ficou nu, revelando outras marcas que não as da violência sofrida, horas atrás. Havia, também, marcas de amor na sua pele alva e isso o consolou.

Oliver lavou os cabelos de Dégel e depois os secou e penteou. Ajudou-o a se vestir e depois o fitou dentro dos olhos. O jovem desviou o olhar, incomodado com a compaixão explícita.

Dégel respirou fundo antes de encarar o homem que ajudara a criá-lo, desde a morte de sua mãe.

— Sinto que tenha de ser espectador desse espetáculo deplorável, Oliver. Mas, obrigado pelo seu apoio.

— Não precisa me agradecer, meu jovem senhor. Trarei algo para que coma. Seu pai ordenou que ficasse no quarto e... com a porta trancada. Mas, se prometer não fazer nada que o enfureça, deixarei apenas fechada. Posso confiar no senhor? – disse Oliver.

— Obrigado, Oliver. Não precisa trazer nada. Não tenho fome. – respondeu Dégel andando com dificuldade até a janela.

Oliver saiu, deixando-o com seus pensamentos e Dégel debruçou-se na janela, fechando os olhos e sorrindo ao escutar o violino do homem que amava. Podia ouvir a música melancólica e, mesmo ferido, reencontrar a alegria em seu coração. Nada podia apagar o que vivera nos braços de Kardia, nem mesmo a surra ou o ódio de seu pai. Fechou os olhos e se permitiu levar pelo som do violino, imaginando-se, novamente, sendo amado com paixão...

Enquanto isso, Hakurei mandava chamar os homens que trabalhavam na extração do mármore. Eram homens avantajados e brutos que não faziam perguntas e obedeciam às ordens que viessem acompanhadas de um incentivo.

Com o olhar frio e carregado de cólera, o comerciante decidira por um fim no tal sortilégio que desvirtuara o seu único filho. Não era um homem dado à violência, porém a situação exigia que mudasse o seu comportamento. Sentia uma dor no peito e uma ira que pedia para ser liberada. Olhou para o vidro onde guardava as armas que, raramente empunhava, escolheu aquela que lhe pareceu mais eficaz e deixou a mansão com um grande peso sobre os ombros.

Os homens falavam baixo, entre si, enquanto preparavam os cavalos e as armas. Hakurei colocou a pistola trabalhada na cintura e montou seu cavalo. Então olhou para os homens cujas feições endurecidas esperavam as instruções.

— Então, homens, vamos até o acampamento cigano. Chegando lá, o homem que deverão prender se chama Kardia. Se ele aceitar vir por bem, ótimo. Se não aceitar, arrastem-no! Quero este homem preso, mas se ele resistir, não hesitem em matá-lo!

— E os outros ciganos, senhor? – perguntou um dos homens.

— Eu jurei ajudar essa gente e sempre o fiz. Mas, se eles se dão o direito de trazer sua infâmia para as minhas terras, eu também me dou o direito de expulsá-los! Se eles não entregarem Kardia, passem fogo em quem se intrometer e queimem uma ou duas carroças para que saibam que Hakurei é um homem com moral!

Notas finais
Obrigada às minhas deusas amadas: MADAMEDARK, MEL_DARK, KASSIMINHA, SUZUKI_YOI, SONG HAMI, SION NEBLINA , GABI-BIBI, RAN INAZUMA AMAYA, KAO, PANDORA HIEI, JSCOSTA, ANGELIQUE, e quem mais chegar, ler, se emocionar, silenciar. À vocês, minhas amadas o meu mais sincero amor e agradecimento!! Bjs. XD ***Uomo = homem em italiano.