Sortilégio...

15 Capítulo 15 THE MIRACLE OF LOVE


“Ele era um covarde, um assassino e um mentiroso. Se pudesse ser descrito em uma imagem, ele seria um rato. E não aqueles ratinhos fofos da Disney, que ajudam os heróis e heroínas, mas aqueles feios e fétidos que circulam nos esgotos espalhando terror e doença por onde passam”.

Bem, era assim que ele acreditava ser, até sentir aquele toque suave da mão delicada, que agora queimava a sua pele.

— Alguma coisa errada? – perguntou Lúcia, sentindo a tensão em Jamian.

— Lúcia... Eu fiz coisas... Muitas coisas terríveis. Agora, essas... coisas, elas estão vindo atrás de mim e...

— É a polícia, não é? É dela que você está falando?

— É, eles estão em frente ao seu prédio.

— Então me deixe aqui e fuja.

Jamian olhou para o rosto delicado que agora exibia uma expressão de tristeza e aquilo o transtornou, fazendo-o esquecer-se de si mesmo e desejando que ela voltasse a sorrir como antes.

Do outro lado da calçada, a mendiga que ele havia agredido empurrava o seu carrinho cheio de bugigangas e olhava para o céu, alheia ao que acontecia. Jamian viu-a e, por um instante, sentiu aquela mesma raiva irracional que o acometera anteriormente. Fixou os olhos na mendiga e se perguntou por quê. Por que não gostava daquela mulher? Ela era uma pobre coitada que vivia da caridade e do lixo.

A mendiga voltou os olhos para Jamian e, como naquela noite, os dois pareceram se enfrentar num desafio mudo. As palavras que ela lhe dissera voltaram, nitidamente, em sua memória: “Todos nós cometemos erros, meu filho... Reveja os seus, enquanto ainda é tempo”.

Olhou novamente para Lúcia que estava parada e pensou que jamais agira como um homem decente e quando, finalmente isso acontecera, a vida cobrava o seu preço. Sim, ele podia deixá-la ali e desaparecer, mas algo forte dentro de si gritava para não fazê-lo.

— Posso pegar na sua mão? – perguntou ele, com firmeza.

— Você vai...

— Vou deixá-la em casa como um homem deve deixar uma dama.

— Jamian...

— Não se preocupe, eu sei o que estou fazendo. Pela primeira vez nesta minha vida miserável, eu sei. – respondeu ele e se encaminhou de mãos dadas com Lúcia.

O policial viu-os, se aproximando e fez um sinal aos outros. Após a denúncia de seu comparsa, tinha sido fácil e rápido chegar até Jamian. Camus se certificara que a ação policial se desse naquela mesma noite, tendo ajuda de Kanon que conhecia muita gente no ambiente da polícia e logo, o taxista que o levara havia sido localizado e lembrado da aparência peculiar de Jamian, assim como a jovem cega que o acompanhara.

— Sr. Jamian Crow, o senhor está preso por suspeita de assassinato. Por favor, queira nos acompanhar. – disse o policial se aproximando com um par de algemas. – E a senhorita...

— Ela não tem nada a ver com isso. Eu apenas a estou ajudando. Não percebeu que ela... não enxerga? – falou Jamian.

— Bem se vê que não enxerga mesmo. – disse o policial rindo.

Jamian teve vontade de esganar aquele homem, mas se conteve. Por ela.

— Bem, vamos andando- — disse o homem, após colocar as algemas e encaminhar Jamian para a viatura.

— E-Espere! – disse Lúcia.

— Fique afastada! – disse o policial, rispidamente.

Lúcia insistiu, guiando-se pelos sons, tentando saber onde estava a viatura..

— Por favor, deixe-me, apenas...

— Senhorita, este homem é um bandido. É melhor ficar longe dele. Agora vamos! – disse o policial empurrando Jamian para dentro da viatura.

— Lúcia, por favor, entre. Não quero que se exponha a isso. – disse Jamian.

— Ora, ora... não é que o bandido vestido, estilo “Embalos de sábado à noite”, é um cavalheiro? Acho melhor a senhorita ouvir o que ele disse. – completou o policial.

Lúcia se afastou e Jamian pode ver que ela mordia o lábio inferior, tentando conter as lágrimas e amaldiçoou-se por ser a causa de mais um sofrimento na vida dela. Porém, antes que a viatura dobrasse a esquina, olhou para trás e viu que ela conversava com a mendiga que parecia consolá-la. De repente, a aversão que sentia por aquela mulher pareceu ir se dissolvendo, aos poucos, e um sentimento de gratidão foi tomando o seu lugar...

Quantas tristezas
Você tenta esconder,
Num mundo de ilusão
Que está cobrindo sua mente?

Eu mostrarei a você algo bom,
Oh, eu mostrarei a você algo bom:

Quando você abrir sua mente,
Você descobrirá o indício
Que existe algo [que] você está ansiando encontrar...

O milagre do amor
Levará embora sua dor.
Quando o milagre do amor
Vier na sua direção novamente...


How many sorrows
Do you try to hide
In a world of illusion
That's covering your mind?

I'll show you something good
Oh, I'll show you something good

When you open your mind
You'll discover the sign
That there's something you're longing to find

The miracle of love
Will take away your pain
When the miracle of love
Comes your way again

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Milo acordou tarde. Olhou para o outro lado da cama que permanecia vazio. Camus não se deitara ali e ele acabara dormindo, extenuado pela noite agitada. O som da cidade adentrava, ainda longínquo e a luz pálida anunciava um dia claro e agradável.

Levantou, vestiu uma calça de moleton folgada e ouviu alguns sons baixos. Devia ser Camus que voltara para casa. Pensou, enquanto bocejava e sentia o piso laminado sob os pés descalços.

Encontrou o ruivo na sala de jantar, postado ao lado da imensa mesa, analisando a papelada que havia espalhado sobre o tampo de vidro fumê. Devia ter acabado de sair do banho a julgar pelos cabelos ainda úmidos.

Milo procurou afastar da mente a imagem do corpo espetacular de Camus nu e embaixo de uma torrente de água... Mas, essa imagem, em seguida chocou-se com a imagem dele de terno, recolhendo os papéis e colocando-os dentro da pasta. Foi como um choque dar-se conta que o ruivo estava vestido à rigor, pronto para o trabalho e nem lhe dera bom dia!

— Camus? Você vai sair?

— Bom dia, Milo. Desculpe-me por não ter podido falar com você direito, mas é que conseguiram prender o Jamian e eu preciso ir até a delegacia. Depois vou direto para o escritório. Com toda essa reviravolta na situação, preciso estar preparado para o caso que começa a ser julgado no início da próxima semana.

— Mas, você não pode nem descansar um pouco? Você nem dormiu.

— Nem que eu pudesse eu conseguiria dormir, agora. Eu tenho a chance de inocentar Hyoga e dar-lhe uma oportunidade de recomeçar. Com o que consegui, mesmo um promotor do calibre de Saga não vai poder contestar se eu construir uma defesa sólida e com provas contundentes. Quanto a você, fique em casa e escolha um filme prá ver e descansar. Acho melhor você não ir trabalhar hoje à noite. Dei um telefonema e Shiryu pode substituí-lo hoje, sem problemas.

— Como assim?

— Estou percebendo que tem trabalhado muitas horas extras e ontem notei que você ficou abalado com tudo que aconteceu, então...

— Então, merda nenhuma. Não fiquei abalado com o que aconteceu, fiquei preocupado com você! Só isso.

— Viu, você está irritado. Isso já é um sinal de estresse. – disse Camus, calmamente.

— Tenho outras ideias para diminuir meu estresse. – disse Milo com aquele olhar perigoso, se aproximando de Camus.

— Infelizmente, nesse momento, não posso ajudá-lo como está... precisando. Mas, mais tarde, prometo compensá-lo. – disse Camus piscando e beijando Milo, rapidamente nos lábios.

Ditas aquelas palavras, Camus deixou o apartamento, sem olhar para trás, evitando a tentação visto que o grego estava sem camisa e se ele insistisse um pouco mais a situação ficaria... insustentável.

Milo viu-o sair apressado e suspirou. Paciência, teria que contentar-se em comer alguma coisa e ocupar seu tempo até a hora de trabalhar. Sim, porque não ia ficar parado sem fazer nada, enquanto Camus ficava o dia inteiro fora.

Enquanto preparava algo para comer, Milo ligou a TV e ficou surpreso com a repercussão do caso em que Camus estava trabalhando e mais ainda com a imagem do ruivo que era destacado como um dos advogados mais bem sucedidos da atualidade e também como um dos mais jovens a ser indicado para o cargo de juiz.

Realmente, vendo Camus desenvolto, naquele terno escuro e bem cortado, falando com aquela voz rouca com um pouquinho de sotaque fazia dele um homem poderoso... Merda, já estava ficando excitado e, pelo andar da carroça, não teria o ruivo tão cedo.

Não suportando mais a situação, desistiu de comer o macarrão instantâneo, apanhou a jaqueta e as chaves e seguiu para a rua. Andou um pouco pelas ruas, aproveitando o sol e vendo a rotina do dia que, raramente aproveitava, pois dormia pela manhã e à tarde fazia a contabilidade do bar e planejava as atividades da noite.

Já eram quase seis da tarde quando resolveu ir até o bar. No caminho, aproveitou para dar uma parada no restaurante chinês e levar um yakisoba para viagem. O cheiro delicioso da comida lhe despertou o apetite, já que passara o dia em jejum. Acelerou os passos e ainda teve o prazer de desfrutar uma pequena banca de degustação que a atendente lhe oferecera.

Quando Milo chegou, antes da abertura do bar, Shina se espantou.

— Não deveria estar de folga? – perguntou ela de cenho franzido.

— Camus se precipitou em me colocar de molho. Quem sabe de mim, sou eu.

— Mas ele tem certa razão, você tem trabalhado demais! É o primeiro a chegar e o último a sair. Aliás, nunca te vi tão envolvido num trabalho quanto nesse.

— Tem uma hora que a gente precisa crescer. Nunca gostei de me prender a nada, mas agora é diferente.

— Por causa do Camus?

— Por ele e por mim mesmo. Eu sou capaz de fazer algo dar certo e quero que Camus sinta orgulho de mim.

— Acho tão bonito o amor de vocês! Antes eu achava estranho, mas agora acho muito romântico. – disse Shina suspirando.

Milo sorriu e beijou a mão delicada, mas altamente mortal da segurança. Piscou e foi até o escritório onde se sentou e desfrutou da sua janta. Dali a pouco, Shiryu entrou e riu vendo Milo lambendo os dedos.

— Pelo visto a comida era boa mesmo. – disse o jovem.

— Eu estava faminto. Quer falar comigo?

— É que o Camus tinha me ligado hoje cedo e agora te vi aqui. Ficou preocupado em ser eu a substituí-lo?

— Claro que não, Shiryu, eu confio plenamente em você. O caso é que eu não preciso de folga, pelo menos não agora que o bar está crescendo e ficando conhecido.

O jovem sorriu, timidamente e Milo deu a volta na mesa e tocou-o no ombro.

— Sabe, eu tenho algumas ideias que gostaria de discutir com você. Vamos fazer isso amanhã? Te pago o almoço e a gente conversa.

Shiryu sorriu, novamente, mas agora de forma aberta. Concordou com Milo e deixou o escritório, sentindo-se confiante e fazendo com que o grego sorrisse também.

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O ambiente estava envolto pelo aroma e pela fumaça espiralada do incenso. As cortinas transparentes cortavam o ambiente e o tapete de peles cobria o chão repleto de almofadas em forma de coração e rosas...

Quando Saga entrou, um sorriso malicioso instaurou-se em seus lábios e ele passou a língua no lábio inferior de forma instintiva. Naquele momento, o promotor que defendia a lei de forma ferrenha e implacável cedia lugar ao apreciador de fetiches, cuja sensualidade encontrava em Afrodite, o par perfeito para suas extravagâncias.

Havia instruções deixadas em um bilhete bem à vista, onde dizia que, para adentrar o templo da perdição, ele deveria tirar os sapatos, mas conservar a roupa. Ele obedeceu e seguiu em frente, sentindo a textura da pele macia que cobria o chão e acariciava seus pés. Aquele apartamento havia sido adquirido para ser o local onde todas as perversões poderiam ser concretizadas e sempre que Saga precisava espairecer das tensões do dia, corria para lá onde Afrodite sempre o esperava com alguma novidade.

Aos poucos, uma música suave e baixa preenchia o ar e ele ouvia o som de unhas raspando em algo metálico que o arrepiava, ao mesmo tempo, que despertava sua libido, pois sabia que Afrodite, apesar de jovem, era um verdadeiro mestre em personificar suas fantasias eróticas.

Sentindo a respiração ficar um pouco mais rápida, Saga andou em meio às cortinas até chegar ao centro do ambiente. Ali, em meio às almofadas estava Afrodite, usando uma coleira preta incrustada de pedras brancas que lembravam diamantes, cuja corrente permanecia entre as suas mãos e ele brincava com ela, passando-a sobre o corpo nu, coberto por um óleo de aroma intenso que fazia brilhar a pele alva.

O sexo estava coberto por uma concha dourada que escondia o falo avantajado e ele deslizava a mão pela superfície do tapa sexo, ao mesmo tempo em que, com a outra, movia a corrente num ato de oferecimento e submissão...

Saga sentiu a boca secar e seus olhos brilharam, se estreitando como os de um gato. Afrodite sorriu e deslizou, engatinhando pelo tapete, deixando ver as nádegas arredondadas e bem feitas...

Depois, após mostrar todos os ângulos de seu corpo perfeito, Afrodite olhou para Saga e mordeu o lábio, sem nada dizer. Devagar, revelou que, embaixo de algumas almofadas, jaziam artefatos, estrategicamente colocados: chicotes, vendas, vibradores e outros instrumentos S&M. Sorrindo malicioso, insinuou-se, elevando a corrente entre as mãos... O promotor pegou-a e puxou devagar, fazendo-o andar de quatro na sua direção.

Quando Afrodite se aproximou dos pés de Saga, beijou-os e disse com uma voz baixa e sensual:

— Eu, Afrodite, fui deixado aqui e passo a pertencer ao senhor para que faça comigo o que desejar... Sou seu escravo de prazer.

Saga sorriu. Então esse era o jogo desta noite, o Senhor e seu escravo... Ah, como adorava isso! Finalmente, deixaria o rigor para trás e sentiria, somente, prazer!

— Vai obedecer-me em tudo? – perguntou ele, puxando a corrente de forma firme, mas sem o risco de machucar o belo pescoço do amante.

— Sim, meu senhor e se não estiver a seu contento, pode me... castigar. – disse ele com ênfase na última palavra.

— Muito bem, então agora, dispa-me. – falou Saga dando um puxão na corrente e aproximando Afrodite de si.

Afrodite foi despindo Saga bem devagar, deixando-o só com a roupa íntima. Em sinal de submissão e reverência, começou a beijar e lamber seus pés, depois foi subindo devagar, tocando-o como se ele fosse um deus. Tirou sua camisa, passando a língua em seu peito e Saga aproveitou para puxar-lhe os cabelos, conduzindo-o para as zonas de prazer, em seu corpo...

Ao tirar as calças de Saga, Afrodite aproveitou para roçar seus lábios carnudos no falo dele, por cima da cueca, sentindo a turgidez e o cheiro forte e viril do sexo pulsante. Se deteve ali, aspirando, tocando...

— Hummmm... meu senhor... – sussurrou ele, sentindo Saga morder o lábio e gemer baixo.

Quando Saga ficou nu, Afrodite percorreu-lhe todo o corpo com seus lábios e língua, detendo-se nos mamilos e fazendo-o gemer, agora mais alto. Junto ao deleite de ter aqueles lábios em si, Saga sentia-se poderoso e agarrava os cabelos do amante com mais força, segurando-o pela nuca e dominando-o, sentindo aumentar o seu prazer.

Ao ver que as carícias de Afrodite ameaçavam dominá-lo, Saga ordenou que ele parasse e apossou-se de um pequeno chicote com tiras de couro.

— Vire-se de costas! – ordenou o promotor.

Obediente, o loiro virou-se lenta e sensualmente, enquanto Saga passava a mão em seu corpo escultural e lhe dava algumas chicotadas leves nas nádegas arrancando gemidos de prazer da boca que, minutos antes, percorrera seu corpo com espantosa habilidade...

Empinando a bunda para receber mais e pedindo que ele o fizesse mais forte, Afrodite exercia o poder do dominado, fascinando Saga pela forma prazerosa com que se entregava ao jogo e demonstrava no olhar lúbrico que adorava tudo aquilo...

Excitadíssimo, Saga ordenou que Afrodite o despisse por completo e foi, prontamente, obedecido. Olhando-o com aqueles olhos luxuriantes, o belo jovem, retirou a cueca boxer com a boca e lambeu-lhe o falo, antes de começar a chupá-lo com vontade...

A língua de Afrodite viajava pela virilha, pelos testículos e acabava no falo, molhando-o antes de abocanhá-lo profundamente até a garganta. Enlouquecido pela felação perfeita, Saga continuava a lhe aplicar chicotadas, entre ofegos e gemidos que aumentavam de intensidade, fazendo-o estremecer.

Aos pés de seu senhor, Afrodite sentia arrepios ao perceber o estremecimento de Saga e, a cada chicotada que levava, sentia-se em êxtase e cravava as unhas nas coxas fortes acentuando o prazer do outro.

— Isso... Isso, meu senhor! Mostre a esse escravo o seu gozo... marque-me com o seu poder!— disse Afrodite retirando o falo túrgido da boca, para depois engoli-lo novamente, de um jeito que fez Saga jogar a cabeça para trás.

Imerso na excitação daquela fantasia e no calor úmido daqueles lábios tentadores, Saga gozou intensamente na boca e no rosto de seu belo escravo que, mesmo tentando, não conseguiu evitar que algumas gotas caíssem sobre as almofadas.

Ofegante, Saga conduziu-o pela coleira e ordenou que ele colhesse o que tinha escapado de seu rosto e boca, com sua língua. Afrodite, prontamente obedeceu, e ficou de quatro, lambendo o sêmen que havia caído como se estivesse saboreando um manjar ou uma fruta suculenta e doce...

Quando Afrodite limpou tudo, Saga puxou a coleira e o beijou com vontade, a língua ávida adentrando com força, gemendo ao sentir seu próprio gosto na boca do outro. Em seguida, conduziu Afrodite de quatro até um local onde havia colocado roldanas no teto. Lá o ergueu e o amarrou com os braços para cima de maneira que ele ficasse nas pontas dos pés com o corpo esguio totalmente exposto.

— Você deixou escapar a minha porra sagrada, escravo... Mesmo tendo limpado tudo, vou ter de castigá-lo. – disse Saga pegando o chicote e fustigando de leve a bunda arredondada.

A cada chicotada mais forte, Afrodite gemia e gritava de dor e prazer, pedindo mais. Saga alternava as chicotadas com lambidas no corpo do jovem, puxava seus cabelos e beliscava os mamilos rosados que já estavam duros de tesão.

Ah, como adorava vê-lo assim, com os olhos semicerrados... Os belos lábios rubros gemendo seu nome.

A cada ato seu, o falo de Afrodite pulsava e endurecia mais, então Saga chegou por trás, afastou-lhe as nádegas e penetrou-o com os dedos, iniciando um movimento de vai e vem que atingiu-lhe em cheio a próstata. Ofegante pelo prazer que sentia, Afrodite gritou, usando da linguagem obscena que sabia deixar o amante ainda mais excitado.

— Preciso do seu pau, mestre! Me coma!

— Ainda não escravo... vou torturá-lo, até vê-lo chorar e implorar...- respondeu Saga movendo os dedos e tocando-o nas profundidades do corpo, enquanto o mordia na curvatura do ombro e com a outra mão masturbava-o com força.

— P-Por favor, mestre! E-Eu... não...aguento mais! – gemeu o loiro, sentindo as descargas do orgasmo iniciarem sua cavalgada pelas células do corpo.

Arrastado pelos tremores do clímax, Afrodite gozou alto e intensamente... Gritou e urrou de prazer, enquanto Saga continuava a mordê-lo e lhe penetrar com os dedos, deixando-o enlouquecido, amarrado e totalmente submisso ao seu dono.

Quando ele desabou, Saga o desamarrou e conduziu-o até o tapete ordenando que ficasse de quatro. Pegou novamente o chicotinho e roçou-o no rosto afogueado, obrigando-o a olhá-lo.

— Ainda não acabou, escravo! Sinta... – disse ele roçando o falo que já estava ereto, novamente, no rosto de Afrodite.

Ainda um tanto ofegante pelo orgasmo, Afrodite tentou abocanhar, novamente o falo que pulsava junto ao seu rosto, porém Saga o impediu. Sorrindo, ele o escorou numa almofada de veludo de maneira que ele ficasse com a bela bunda empinada e a sua disposição. Mordeu a nádega perfeita e amarrou as mãos de Afrodite para trás, colocando uma mordaça em sua boca e uma venda em seus olhos. Com um tom rouco, sussurrou rente ao lóbulo da orelha do amante e passou a mão em toda a extensão das costas de Afrodite.

— Você é muito gostoso... Belo... Meu, somente, meu... — sussurrou enquanto seus dedos percorriam a coluna e se cravavam nas nádegas e coxas bem feitas.

Arfante, Afrodite ficou ali a sua disposição, excitado com o que viria a seguir. Saga pegou uma palmatória de couro e lhe aplicou algumas palmadas, o loiro gemia e mordia a mordaça com força. Seu corpo movia-se na direção do instrumento e um som áspero e abafado escapava da boca coberta.

Saga continuava a bater e puxava seus cabelos com força suficiente para que ele sentisse a pressão de suas mãos. Respirava pesado junto ao rosto de Afrodite, lambendo sua orelha, acariciando seus mamilos e deixando marcas na pele alva como um legítimo senhor.

Quando o belo promotor esquadrinhou-lhe todo o corpo e moveu-se até sua entrada que pulsava e ansiava pela penetração, enfiou a língua bem dentro do lugar que ansiava afundar-se e grunhiu, fazendo Afrodite estremecer, por antecipação. Sons abafados escapavam da mordaça, enquanto a língua de Saga o penetrava.

— Assim... Isso... Implore por meu pau dentro de você, escravo!

Enlouquecido, o jovem submisso movia o corpo, tentando mostrar que o desejava e, quando Saga aproximou seu falo, totalmente duro, da entrada molhada de saliva, Afrodite mordeu forte a mordaça e empurrou-se de encontro ao grego, arfando de prazer e dor quando ele o invadiu num movimento profundo e de uma única vez.

Lágrimas se formaram nos belos olhos, mas mesmo assim ele exultou e continuou buscando maior contato com Saga, fazendo-o chocar-se contra as suas nádegas e estocar com força, sem dar-lhe tempo de se acostumar.

Os movimentos eram sincrônicos e selvagens. Saga se enterrava na cavidade estreita e grunhia como se fosse um animal no cio, enquanto Afrodite gritava e abria mais as pernas, empinado o quadril, rebolando e pedindo por mais.

Não demorou muito e, novamente, Afrodite gozou, violentamente. Saga cravou os dedos no quadril estreito e se enterrou ainda mais, sentindo-se explodir dentro dele num orgasmo tão forte que o fez parar de respirar.

Os dois caíram exaustos sobre o tapete e Saga retirou a mordaça, buscando os lábios carnudos para beijar, agora sem violência. Mordiscou devagar e depois lambeu, buscando a língua de Afrodite de forma lenta e profunda. Beijaram-se, ofegantes, até os corações voltarem ao normal.

Afrodite sorriu, agora de uma forma inocente, e Saga tocou-lhe a face, sentindo uma ternura inesperada.

Nos jogos de amor, Afrodite era imbatível, era o único com quem ele se permitia chegar num nível onde tudo era permitido. Jamais sentira com outro, o prazer que ele lhe proporcionava, mas nunca tinha se dado conta do poder que aquele jovem tinha sobre si. Olhou-o mais uma vez e viu-o fechar os olhos daquele jeito lento e convidativo. Então, deixou as divagações para trás e tomou-o nos braços, sentindo seu sexo endurecer, novamente e as mãos de Afrodite puxá-lo de encontro ao corpo...

Após gozarem, mais uma vez, Saga desabou ao lado de Afrodite e adormeceu. Nunca sonhava, mas desta vez, o sono invadiu-o com visões de uma outra época, onde viu-se ao lado de um belo homem, semelhante à Afrodite, só que muito mais jovem.

— Já vai, meu senhor? – perguntou o rapaz de pele acetinada.

— Sim, meu irmão... ele precisa de mim.

— Não sabia que tinha um irmão, meu senhor.

— Ele não me considera, mas nestas horas, a força do sangue é mais forte que as diferenças.

O jovem tocou-o no braço, carinhosamente, e Sage beijou-lhe os lábios carnudos. Amava aquele rapaz, mesmo sabendo que era proibido e patético apaixonar-se por um prostituto. Perdera sua família, dinheiro e agora recebia a notícia que seu sobrinho havia sido assassinado. Desde que assumira sua condição de jogador e seu gosto por homens, fora execrado pelo único irmão que possuía.

— Vai demorar a voltar, meu senhor?

— Não sei. Cuide-se.

— Estarei sempre a sua espera e disposição, meu senhor... – sussurrou o jovem de um jeito que Sage sentiu seu coração bater em descompasso.

Quando chegou na mansão, o silêncio sepulcral combinava, perfeitamente com as ervas daninhas que se espalhavam ao redor da casa. Sentado em uma cadeira de ferro, Hakurei permanecia com o olhar distante. Parecia ter envelhecido anos e suas mãos tremiam involuntariamente.

Sage se aproximou, após amarrar seu cavalo. Olhou para o irmão como se olhasse para si mesmo bem mais velho e bem mais sofrido. Hakurei moveu os olhos, encontrando os de Sage.

— O que faz aqui? – perguntou ele, sem emoção.

— Eu soube o que aconteceu com Dégel. Vim prestar minhas condolências.

— Dégel está morto... meu filho, meu único filho! – disse Hakurei tremendo ao levar a mão aos olhos.

— Eu sei, irmão. Eu... sinto muito.

— Sente? O que um... um doente como você sabe de perder um filho? Você fode com homens! Foi essa... essa doença que você tem que passou para meu filho!

Sage franziu o cenho.

“Dégel... ele também preferia homens! Deus, se estivesse ao lado dele, poderia tê-lo orientado. Mostrado todas as faces do prazer que, certamente, lhe tinham sido negados.” Pensou o gêmeo de Hakurei.

— Por favor, Hakurei. Não é momento para isso agora. Deixe-me, apenas ser seu irmão e... compartilhar seu sofrimento.

Sage abraçou seu irmão e ele não o recusou. Abraçou-se a ele soluçando e chorando como uma criança.”

Saga acordou de sobressalto. Viu Afrodite dormindo ao seu lado e levantou, passando a mão nos cabelos fartos. Nunca lembrava dos sonhos, mas esse que acabara de ter, estava vívido em sua mente e, de repente, sem saber o porquê, pensou em Camus...

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A noite no Pégasus estava animada, como sempre. A confusão da noite anterior parecia não ter acontecido, nem sido registrada por seus frequentadores habituais. Mu conversava com Aiolia, antes de assumir seu posto. Chateado, o leonino explicava a razão de ter adiado o almoço que ambos haviam combinado e recebia um sorriso compreensivo do DJ que compreendia o momento que ele e Camus estavam passando.

— Não esquenta, Aiolia. “Paz e Prosperidade!” – disse Mu fazendo o gesto com a mão direita.

— Eu queria que você soubesse que eu jamais teria adiado se não fosse algo urgente e intransferível. – disse Aiolia, sério.

— Eu sei. A gente marca outro dia. – disse Mu se preparando para subir até o mezanino.

— Mu... – disse Aiolia pegando-o pela mão. – Deixa ao menos eu te pagar um drinque ou um suco se você não bebe em serviço.

O DJ sorriu e olhou para a mão forte e macia que apertava a sua. Aiolia agia de forma tão espontânea que o encantava, cada vez mais. Sentiu o rosto quente, mas não estava preparado para o que o advogado faria a seguir.

Olhando-o fixo, dentro dos olhos, Aiolia levou sua mão aos lábios e beijou intensa e demoradamente. Mu arregalou os olhos e sentiu-se gelar. Ele acabou de beijar minha mão em público!

Como se não tivesse feito nada fora do normal, Aiolia soltou-lhe a mão de forma lenta e sorriu. Depois acenou para o garçom e pediu uma cerveja para si e um suco de frutas para Mu. Os dois ficaram se olhando e, ao redor, ninguém pareceu estranhar.

Após cada um saborear sua bebida, os rostos se aproximaram. Mu mordeu o lábio do jeito que sempre fazia quando nervoso e Aiolia se debruçou no balcão, olhando-o com muita atenção. Então, ainda sorrindo e tocando de leve em seu rosto, o leonino aproximou-se ainda mais de Mu e beijou-lhe a boca.

Milo viu a cena e sorriu. No mesmo instante, viu Camus entrar e sentiu o coração acelerar de modo alarmante. O ruivo estava acompanhado de uma mulher. Ela era bonita e caminhava com elegância. Uma saia preta justa destacava as longas e bem torneadas pernas, bem como os sapatos de saltos confortáveis em estilo clássico. Uma blusa de seda na cor verde evidenciava os cabelos loiros e presos em um coque primoroso. Definitivamente uma advogada e definitivamente íntima de Camus. Estava óbvio na maneira como ela olhava para ele e no modo como se mantinha próxima dele.

O sangue do grego ferveu e ele se perguntou se a tal folga que Camus lhe arranjara não era uma desculpa para não tê-lo presente quando trouxesse aquela mulher ao bar.

Camus viu-o e caminhou na direção do balcão, após acomodar sua acompanhante em uma mesa próxima da pista de dança.

— Você é teimoso, não é mesmo? Porque não ficou descansando só por essa noite? – perguntou Camus.

— E qual é o motivo de tanta preocupação? Queria trazer a sua amiga sem ter o perigo de ter de apresentá-la a mim?

Camus franziu o cenho.

— Aquela é June, minha secretária. Eu a trouxe para que visse como o Pégasus evoluiu e também pra relaxar um pouco depois do dia extenuante. E, Senhor ciúmes, ela já sabe de você.

Milo olhou na direção da mulher que lhe acenou, afetadamente e sorriu.

— Ela é bonita e parece sofisticada. – disse Milo, ainda sério.

— Ei, June é uma grande amiga e uma excelente funcionária. Apenas, isso.

— Tudo bem, Camus. Vá conversar com sua grande amiga e excelente funcionária que eu tenho trabalho a fazer. – disse Milo virando as costas.

Camus contornou o balcão e agarrou um braço de Milo, chegando mais perto e encarando-o.

— Venha comigo, vou apresentá-los. – falou Camus com um tom impaciente.

Milo sustentou o olhar e viu que o ruivo também parecia exausto. Talvez ele tivesse razão, estava cansado e irritado. E, agora, com ciúmes de uma mulher!

— Depois eu vou. Agora vai lá, eu preciso ver o estoque de bebidas e conversar com alguns clientes. – falou Milo tentando sorrir.

Camus não insistiu. Por um lado, se sentia culpado, porque estava mentindo para Milo. Trouxera June ali por um motivo muito sério. Confiava no julgamento dela e precisava de um conselho. Esperava que Milo estivesse descansando, mas sabia que o grego era teimoso e a probabilidade dele acatar sua sugestão era zero por cento. Suspirou e foi até onde June estava. Ela sorriu e ofereceu-lhe o uísque que estava bebendo.

Instantes depois, quando Milo erguia o olhar para o próximo cliente, ficou surpreso ao ver que se tratava de June. Os imensos olhos claros o fitaram e ela sorriu.

— Bem, se Maomé não vai à montanha, a montanha vem à Maomé. Eu sou June, secretária de Camus. Prazer em conhecê-lo. – disse ela sem fazer qualquer rodeio.

— O prazer é meu, senhorita. Eu sou Milo, como já deve saber. – respondeu o grego com um sorriso falso e fingindo indiferença.

— Sim, eu sei. Camus me contou sobre você. Fez um excelente trabalho aqui, Milo. Eu não conhecia o bar, mas tenho certeza que nunca teve esse sucesso, antes de você administrá-lo.

— Obrigado. Deseja beber alguma coisa? É por conta da casa. – disse Milo.

— Aceito mais um uísque com gelo, obrigada. Amanhã cedo recomeçamos a maratona e talvez tenhamos que entrar noite adentro, novamente. Camus tem um caso e tanto nas mãos. Sabia que ele é o único jurista conhecido que pode chegar ao cargo de juiz com apenas 24 anos?

— Eu vi os comentários.

— Pois é, ele é mesmo um fenômeno. É melhor ir se acostumando, assim que ele for indicado, estará constantemente cercado por pessoas do mesmo nível. Sei que os gregos possuem sangue quente, mas vai ter de controlá-lo, bonitão. – disse June pegando o copo de uísque e deixando o balcão.

Milo olhou-a andar com um discreto rebolado até onde Camus estava conversando com Aiolia. Sentiu que ela lançara “algo no ar” com aquelas palavras ditas, entre elogios e um ar de superioridade. Não simpatizara com ela e, mesmo quando ela tentara ser agradável, havia aquele sorriso de hiena estampado no rosto bonito que a tornava chata e um tanto inconveniente. Como uma criança birrenta fez uma careta na direção de June, mas logo sua atenção foi chamada por um cliente que acenava insistentemente, do outro lado do salão.

June se aproximou de Camus e ofereceu-lhe um copo com uísque.

— Com tantos a escolher e você foi logo escolher um grego passional e gostosão. – comentou ela, com uma pitada de malícia.

— Vocês conversaram?

— Não muito. Na verdade, só eu falei. Fui bastante provocativa, mas ele manteve o controle e acho que não foi muito com a minha cara. Mas, você tem razão, ele está bastante envolvido com o bar e com você.

— Eu não sei o que fazer, June. Eu jamais esperava que isso acontecesse agora!

— Se quer a minha opinião, deixe passar o julgamento e só então converse com ele. Contar agora, só vai trazer mais estresse para e ele e para a relação de vocês.

Camus seguiu o olhar dela que acabava diretamente em Milo e quase engasgou com a bebida, pensando em como um simples telefonema podia mudar, radicalmente, a vida de alguém. Respirou fundo e bebeu tudo de um só gole. Aceitaria o conselho de June e se concentraria no caso que tinha para defender. Afinal, precisava concentrar-se em uma batalha de cada vez...

Notas finais
Agradecimentos a todas pelo acompanhamento, pelos reviews, pelo carinho e pela amizade. *** O título vem da música The miracle of love (Eurythmics) Um grande beijo e até o próximo!!XD