Sortilégio...
14 Capítulo 14 MEA CULPA...
Notas iniciais
— Ai, ai, ai, ai... M-Meu pé! Jamian, seu filho da mãe! – o nome saiu junto com o grito, nascido de um patético tiro no pé. O corpo avantajado de Crowley se curvou e tanto Kanon quanto Shina avançaram com a mesma intenção: imobilizar o homem.
Surpreso, Camus olhava a cena sabendo-se responsável por interromper um ato que poderia ter resultado em uma bela tragédia. Um minuto antes, ele havia aberto a porta do escritório e batera em Crowley que tirava, no mesmo instante, uma arma calibre 22 de um coldre embaixo da axila e apontava, tremendo, para Kanon e Shina.
O resultado de tamanha façanha fora: um susto, a inabilidade em segurar uma arma e o cair da arma que disparou em cheio no meio do próprio pé.
— O que está acontecendo aqui? – perguntou Camus sem nenhuma alteração na voz.
— Creio que o nosso amigo aqui tem muito a explicar... Pareço ter ouvido um nome e, se a memória não me falha, é o mesmo do ex — gerente. – disse Kanon segurando um dos braços de Crowley e dobrando-o para trás.
— E-Eu não vou falar nada! Ai, meu pé... Por Deus, chamem um médico, eu não quero sangrar até morrer! Eu quero um advogado!
— E você terá... Ou seja, eu. – disse Camus com um sorriso estranho que deixou Shina e Kanon de cenho franzido.
Milo chegou correndo, a angústia estampada no rosto bonito.
— Camus! Camus! – gritou ele ao ver Crowley sustentado por Kanon e o ruivo próximo ao homem.
— Tudo bem, Milo. Está tudo bem, agora. — disse Camus, do jeito sereno e controlado de sempre.
— Como assim, está tudo bem? Quem é esse cara e porque os tiros?
— Kanon, acomode o homem aqui, no escritório, enquanto eu chamo uma ambulância e a polícia. Milo, assim que eu terminar aqui te explico tudo direitinho. Agora, preciso conversar com meu cliente.— disse Camus ignorando por completo a angústia do grego.
Milo respirou fundo e bufou. Esfregou o peito tentando dissolver a sensação ruim que tivera ao ouvir os tiros. Olhou para Camus que se mostrava calmo e à vontade com aquele marginal gordo e sua mente foi assolada por um turbilhão de perguntas.
— Está tudo bem, Milo. Esse tal Crowley é um covarde que nunca tinha pegado numa arma de verdade. Fala sério, que criminoso que se preze usa uma arma calibre 22?— falou Shina rindo e tocando o braço do grego.
— Ela tem razão. Ele é apenas um idiota útil. O cabeça disso tudo é o tal ex-gerente. – completou Kanon que já tinha largado Crowley em uma poltrona dentro do escritório. – E, Camus, inteligentemente vai saber logo, logo o paradeiro do sujeito.
— Quer saber, eu estou... exausto. – disse Milo levando a mão aos cabelos.
— Vem, vamos os três tomarmos um drink. Camus sabe o que está fazendo. – disse Kanon.
— Vocês dois podem beber, eu ainda tenho um trabalho a cumprir. – disse Shina piscando o olho e saindo.
Milo ainda olhou mais uma vez na direção de Camus que deixara a porta do escritório aberta. Ele conversava calmamente com o gordo e o grego se perguntava como ele conseguia manter a serenidade em momentos como esse? Ele podia ter morrido!
Mu, que tinha ouvido o disparo veio correndo na direção de Milo vendo-o pálido. Aiolia seguiu-o, mas se manteve distante. Não arriscaria ser ignorado, novamente, como fora, instantes atrás, afinal, tinha o seu orgulho.
— Milo! O que aconteceu? – perguntou Mu.
— Um cara disparou uma arma no próprio pé e agora o Camus tá falando com ele.
Mu franziu o cenho e Kanon interferiu.
— Sigam-me que eu explico tudo. Não se pode fumar aqui dentro, não é? – perguntou o investigador.
— Pelo amor de Deus, Kanon. Não me diga que ainda fuma aqueles charutos horrorosos cujo cheiro fica impregnado nas roupas e nos cabelos?!
— Nada melhor para acentuar o charme de um homem que impregná-lo com o aroma masculino de um legítimo charuto cubano... Você devia experimentar, Aiolia.
— Deus me livre!
Kanon sorriu e as caretas que Aiolia dramatizou fez com que todos rissem, amenizando o estresse do ambiente.
Foi neste momento que Mu permitiu-se encarar o leonino de forma aberta. Sim, ele o tinha notado, porque era difícil não perceber a beleza e a energia daquele homem. Mas, sua experiência com homens bem-sucedidos como Aiolia havia deixado marcas profundas de inadequação e mostrado que nenhum deles desejava assumir uma relação homossexual às claras. Era sempre algo escondido entre quatro paredes, motéis e fins de semana na mais completa solidão. Ele já conhecia essa história... *Once upon a time: a closeted gay, a gay deluded and unhappy ending ever!
Aiolia quase se perdeu naqueles olhos verdes e vivazes, emoldurados por dois sinaizinhos circulares no lugar das sobrancelhas, e o achou ainda mais sexy. Ficou imaginando que outras excentricidades aquele homem teria para mostrar e, de imediato, sentiu seu baixo ventre formigar. Devia processá-lo por ser tão gostoso e ao mesmo tempo, agir como se não estivesse nem aí pra isso!
— E Milo, eu sei que pode ser estranho ver o Camus se manter frio nesse tipo de situação, mas ele é assim desde os tempos da faculdade. Um dia ele me disse que não tinha medo de morrer, que morrer era fácil. Difícil era viver longe de quem se ama. Eu achei aquela frase muito estranha, porque ele nunca se apaixonava. Fora eu e alguns professores, ele não tinha muitos amigos. E, pasme você, ele também se achava um tanto esquisito, mas parecia muito à vontade com isso. Agora, quando ele o conheceu eu senti uma mudança muito profunda acontecer com ele. Finalmente, Camus ama alguém e esse alguém é você, meu amigo. – disse Aiolia tocando no ombro de Milo.
Os olhos, antes abatidos de Milo, vibraram novamente. Foi como se as palavras de Aiolia se transformassem em uma injeção de ânimo e, este gesto generoso fez Mu sorrir, emocionado. Ele não era, apenas, um advogado egocêntrico e hedonista jogador de charme. Havia bondade e força na forma dele se expressar. Pensou Mu, enquanto disfarçava seu interesse em Aiolia.
Milo abriu seu sorriso habitual e sinalizou para que Jabu viesse anotar as bebidas. Aiolia também sorriu com os olhos fixos nos de Mu. O DJ sentiu o rosto esquentar e se amaldiçoou por isso. No entanto, para o leonino, aquele delicioso rubor só o atiçou ainda mais, acendendo aquela luzinha que piscava dizendo: A-ha... Eu não sou tão invisível para ele como ele procura demonstrar!
— Bem, eu vou voltar pra cabine. – disse Mu.
— Depois desse imprevisto, uma boa música é bem-vinda para relaxar. – disse Kanon.
Mu sorriu e deixou-os, enquanto Kanon acendia um charuto, mesmo sabendo que ali era proibido fumar.
— Kanon, apague isso ou eu vou processá-lo! – disse Aiolia franzindo o nariz.
— Me processe... – respondeu o investigador tragando com prazer.
— Kanon, tem uma porta de acesso ao terraço perto do escritório. Você pode fumar lá. – disse Milo.
O investigador sorriu e agradeceu a gentileza. Pegou uma garrafa de cerveja e foi até o terraço. Lá, apreciou a vista das luzes coloridas da cidade e se escorava na murada quando percebeu que havia mais alguém ali. Era o jovem flautista que chamara a sua atenção pelo talento musical e pela delicadeza dos traços. Ele parecia alheio a tudo, inclusive à sua presença.
Pigarreou tentando chamar-lhe a atenção e Sorento virou-se, lentamente, como se estivesse acordando de um sonho. Só então Kanon percebeu que o jovem possuía uma tonalidade na cor dos olhos que ele jamais havia visto.
Tirou o charuto da boca, no momento em que Sorento aproximou-se e olhou-o sério e um tanto... mal-humorado. Mas o que será que eu fiz? Será que atrapalhei as divagações dele? Pensou o investigador, enquanto pensava em algo para dizer.
— Perdão, eu atrapalhei algo? – perguntou Kanon.
— Detesto cigarro e... assemelhados. – respondeu ele fixando os olhos no charuto de Kanon com uma clara expressão de desagrado. — Boa noite e com licença.
— Não seja por isso! – disse Kanon apagando o charuto na mão, enquanto não tirava os olhos do jovem flautista.
Sorento riu e Kanon cerrou os dentes num sorriso que mais pareceu um esgar.
— Isso deve ter doído... – falou Sorento com uma voz tão agradável quanto sua música.
— Quando o Logan dos x-men faz isso parece mais fácil. – disse Kanon, agora sorrindo.
— Ele tem o fator de cura, algo que você não tem. – retrucou Sorento de forma divertida.
— Esse seu sorriso pode substituí-lo. Já nem sinto mais onde queimou. – completou Kanon.
O jovem fitou os olhos brilhantes e instigantes de Kanon. Houve um momento de silêncio onde ambos sentiram uma conexão que mesclava atração e repulsão como se ambos fossem adversários atraídos, um pelo outro. Sorento piscou, lentamente e, depois, tornou a sorrir. Deu as costas à Kanon e falou:
— Nos encontramos por aí, dublê de Wolverine...
Kanon soltou uma gargalhada sonora e olhou para o sinal escuro no centro de sua mão. Buscou o isqueiro para acender o charuto, novamente, quando então, lembrou-se daquela voz macia: “Detesto cigarro e... assemelhados”.
Procurou uma lixeira e jogou o charuto fora. É... Talvez fosse hora de largar aquele vício... Pelo menos, por algum tempo. Pensou com um sorriso malicioso nos belos lábios.
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Apesar do contratempo, a noite terminara com um saldo positivo. A equipe dos funcionários foi reunida após o fechamento do bar e Milo fez algumas colocações sobre segurança e a necessidade de contratar mais gente para trabalhar. Camus já havia saído, acompanhando seu cliente para o depoimento na delegacia. Aiolia permanecera para repassar a ele a reunião feita por Milo. No final de tudo, mesmo exaustos, todos comemoraram a superlotação da casa e o sucesso das apresentações ao vivo.
— Bem, eu estou indo em direção ao East village. Alguém precisa de uma carona? – perguntou Aiolia.
— O Mu mora no Queens, tá sem carro e é no caminho, não é? – perguntou Milo.
Um sorriso se abriu no rosto viril do advogado e ele agradeceu a Milo, mentalmente, pela chance que estava esperando com tanta ansiedade. Mu sentiu um arrepio na base da coluna, mas manteve a expressão blasé que fazia sempre que ficava sem jeito.
— Não, que nada! Eu vou de...
— De carro comigo. Está decidido. – disse Aiolia com uma entonação que só não chegava a ser, totalmente, prepotente, porque ele disfarçava bem.
— Vai com ele. – disse Milo piscando.
— Você me paga... – respondeu Mu baixinho.
Milo já havia notado o interesse de Aiolia e, assim como gostara de Kanon, simpatizara muito com o sócio de Camus. Na verdade, também sentira um clima entre Aiolia e Mu, algo que seu amigo tentara ocultar, mas ele o conhecia muito bem para saber que, diferente de outros lances, o advogado poderia transformar-se em algo... duradouro.
Num canto, Shina observava a tudo e franzia o cenho. Aldebaran notou a expressão da moça.
— O que foi? – perguntou Aldebaran.
— Nada, só estava observando e pensando... Não é que eu seja preconceituosa, mas Milo e todos aqueles homens maravilhosos... Ah... dá uma pena saber que...
— Que eles são homossexuais?
— É. Não quero dar a impressão que acho isso horrível. Não é isso. Eu apenas acho um certo... desperdício pra nós mulheres ficarmos de fora dessa festa.
Aldebaran riu. Ele também custara um pouco a entender o princípio da coisa, porém, Milo e Mu eram seus melhores amigos e homens de tanto caráter e honestidade que suas opções sexuais ficavam em segundo plano.
— Ainda tem muito hétero por aí. Aliás, você está olhando para um... – disse Aldebaran com um sorriso malicioso.
— Isso é um convite, mestre? — perguntou Shina sorrindo.
— Depende das suas intenções, jovem gafanhoto-fêmea...
Os dois riram, porque entre eles havia uma grande e velha amizade. Mas, pensando bem, até que o grandalhão não era de se jogar fora... Pensou Shina tomando na sua, a enorme mão de Aldebaran.
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—“Paz e Prosperidade”— disse Aiolia quando parou o carro no sinal vermelho fazendo o gesto típico imortalizado por Spock na série Star Trek.
— Eu não acredito! Você sabe mesmo! – falou Mu rindo.
— Mas é claro! Eu sou fã dessa série. Na verdade, eu devia ter nascido na década de 60 ou 70. Eu amo tudo que foi produzido nestas duas épocas. Desde a música, cinema, teatro, enfim, tudo! Sabia que eu tenho uma coleção de vinis? Led Zeppelin, Iron Maiden, Beatles, Janis Joplin, Jimmy Hendrix, The Doors e por aí vai. Eu sei que o CD é um dos avanços da tecnologia, mas a gravação digital não captura o áudio em sua totalidade. Tem nuances que só o disco de vinil é capaz de reproduzir sem distorção. – disse Aiolia entusiasmado.
— Puxa! E eu pensei que só eu tinha essa... mania. – disse Mu.
— Somos dois, então. Almoça comigo amanhã e eu te mostro a minha coleção.
— Almoçar com você? – perguntou Mu, um tanto surpreso.
— Sim, eu sei que você trabalha à noite, então pra gente se encontrar tem de ser de dia. A não ser no domingo, não é? – perguntou Aiolia só, então, notando o piercing na língua de Mu.
— Tá. E como a gente faz, você me dá o endereço e eu te encontro?
— Eu te pego aqui, amanhã às onze. – disse Aiolia.
Mu sorriu e Aiolia quase o puxou para um beijo, mas não queria ser apressado, nem passar uma ideia errada de si. Sentia algo diferente em relação à Mu. Queria conhecê-lo, agradá-lo e não apenas ir para a cama com ele. Embora o tesão que sentia quando estavam próximos fosse intenso, havia algo mais, uma cumplicidade e um entendimento entre eles que era misterioso e... muito agradável! Haviam engatado uma conversa desde que tinham saído do Pégasus e não ficaram sem assunto um só segundo, até então.
Como advogado, Aiolia era um homem acostumado a enfrentar desafios. No entanto, aquele homem representava um dos mais intrincados mistérios para si e este fato o levava a desejar conhecer Mu como jamais se permitira antes com outros relacionamentos.
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— Eu vou ficar preso? – perguntou Crowley com as mãos suadas.
Camus olhou-o fundo nos olhos, notando o medo e a relutância, assim como a tensão crescente.
— É claro que não. Basta colaborar com a polícia e contar tudo sobre Jamian, inclusive onde podemos encontrá-lo.
— V-Você garante isso?
— Farei tudo para que responda o processo em liberdade, já que está colaborando.
— Está bem, eu vou contar tudo. – disse o homem enxugando o suor da testa com um lenço de papel oferecido pelo seu advogado.
Há alguns metros dali, sem saber de nada, Jamian saboreava um café forte e comia bolo de cenoura com cobertura de chocolate. Não era bem assim que pretendia passar a noite, mas o convite de Lúcia fora, de alguma maneira, algo inexplicável, que ele não conseguira recusar.
— Espero que esteja bom. Você está sendo a minha cobaia para este bolo. – disse ela sorrindo.
— Está gostoso.
— Mesmo?
O sorriso que ela lhe deu fez com que ele sorrisse também. Ele estendeu a mão magra e tocou o rosto de Lúcia com gentileza.
— Você é... especial. Em toda a minha vida, nunca encontrei uma mulher como você.
O elogio inesperado trouxe lágrimas aos olhos de Lúcia. Ela virou o rosto, envergonhada e, ao mesmo tempo, se sentindo importante, desde que perdera a visão. Mas, a reação de Jamian foi imediata e um pouco chocante.
— Venha, vamos sair daqui. – disse ele pegando Lúcia pela mão e arrastando-a para fora do apartamento.
Fechou a porta e acionou o elevador. Puxou Lúcia para seus braços, mantendo-a ali de maneira firme e gentil.
— Vou te levar em um lugar. – disse Jamian mantendo-a junto a si.
Lúcia sentiu o calor daquele abraço que lhe trazia conforto, fazendo-a perceber o quanto também se sentia vulnerável. Jamian, apenas a abraçava sem tentar nenhum avanço e, ao mesmo tempo em que isso a deixava tranquila, havia outra parte de si que ansiava por algo mais.
— Aonde nós vamos? – perguntou ela num fio de voz.
— Você já vai saber. – respondeu Jamian.
Um táxi os levou até um restaurante em um píer que ficava aberto 24 horas. Já eram cinco horas da madrugada e logo iria amanhecer. Jamian pedira uma mesa posicionada na direção do nascer do sol. E quando o astro rei iniciou sua caminhada pelo céu nova-iorquino, Lúcia sentiu na pele o calor agradável e acariciante de seus primeiros raios.
Jamian permanecia ao seu lado e os dois estavam de mãos dadas. Quando ela sorriu, deliciada, ele beijou-lhe a mão dizendo:
— Eu sou um homem rude, ignorante, até... Mas, eu queria que você sentisse aquilo que fez comigo.
— Eu fiz? Eu apenas...
— Você foi como esse sol. Chegou aquecendo e iluminando algo escuro dentro de mim. Lúcia, eu... Eu sou um crimino...
— Você é um homem maravilhoso, Jamian. – disse ela interrompendo a fala e colocando os dedos nos lábios dele.
— Não, não sou. Mas, eu... gostaria de ser.
De forma impulsiva, Lúcia buscou os lábios de Jamian e beijou-o. Perturbado com aquela carícia, ele ficou constrangido. Mas, ainda assim, sorriu e disse:
— Venha, vou levar você de volta.
Lúcia sentiu o rosto quente, mas percebeu que ele sorria, então... Ele também tinha gostado dela!
Os dois voltaram de mãos dadas e quando Jamian percebeu a movimentação da polícia em frente ao apartamento da mulher que caminhava sorridente, ao seu lado, ele só tinha duas opções: levar Lúcia até sua casa e enfrentar a polícia ou abandoná-la, ali mesmo, e fugir.
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