Sortilégio...
11 Capítulo 11 DANCE INTO THE FIRE...
Notas iniciais
Aquilo havia se tornado uma febre... e daquelas que se torna crônica, quase incurável. Haviam feito amor antes do almoço e durante toda a tarde de domingo. À noite, Milo tocou seu violino e Camus escutou de olhos fechados, as sensações de reconhecer aquela melodia como se fosse um alimento, a alma plena... Nem toda a sua coleção de CDs com concertos para violino conseguiam trazer aquele encantamento que Milo despertava.
Nenhum dos dois tinha uma compreensão racional destas emoções, mas descobriam-se cada vez mais impregnados um do outro, da necessidade de estarem juntos, da plena sintonia entre sentimento e erotismo e isso era muito bom...
Entretanto, a semana recomeçava e o trabalho exigia a sua parcela de atenção. Segunda-feira chegava ensolarada e fresca. O som do movimento dos carros e pessoas já preenchia o ar. A rotina diária de acordar cedo cobrava seu tributo encontrando Camus e Milo entre os lençóis. Ainda era cedo, mas os dois já estavam acordados.
— Preciso de um banho. Mas você pode ficar descansando. – disse Camus pulando da cama, enquanto Milo se espreguiçava igual a um gato.
— Tá bem, eu deixo você levantar... – falou Milo bocejando e passando a mão no tórax, bem devagar...
Camus desviou o olhar e surpreendeu-se com o calor que sentiu. Era estranho e, ao mesmo tempo, libertador o despertar da sua libido dessa forma. Nunca tinha sentido tanto desejo como quando estava com Milo...
Ficava excitado com um simples toque, tinha uma vontade contínua de fazer amor, algo que antes era quase inexistente. Chegara até a achar que não era normal, que tinha problemas, pois podia passar semanas e até meses sem transar. Sorriu para si mesmo e deixou o quarto.
Nem só de amor e sexo vive o homem, Camus... Bem-vindo ao seu mundo, advogado! Disse para si mesmo ao sentir seu baixo ventre dar sinais. Foi rápido em direção ao banheiro antes que a voz da razão fosse suprimida pelo calor que começava a invadi-lo.
No banheiro amplo e sofisticado, o ruivo olhou-se no espelho amplo que havia ao lado do Box, percebendo-se e gostando do que via. Outra mudança radical que constatava em si, agora tinha mais consciência de seu corpo e encarava a nudez com naturalidade.
Quando se preparava para entrar no banho, Camus ouviu o som da porta se abrindo. Milo entrou logo atrás tendo uma visão privilegiada de Camus nu e de costas.
A imagem projetada do ruivo oferecia detalhes deliciosos daquele corpo enlouquecedor... O grego sorriu e passou a língua nos lábios. Como gostava do corpo de Camus, da cor da pele, das pintinhas nas costas, da bunda redonda e bem feita, de tudo nele...Dele!
— Quer tomar banho comigo? – perguntou o ruivo, tentando manter um tom casual, vendo que Milo estancara e o observava.
— Ainda não. – respondeu o grego abraçando-o por trás e cheirando a curva do seu pescoço.
Camus fechou os olhos num reflexo de extremo prazer. Não conseguia resistir e, simplesmente, não desejava fazê-lo. Mesmo parecendo um adolescente descobrindo o sexo, ainda assim não se envergonhava de nada e permitia que acontecesse.
— Milo... a gente acabou de... Hummmm... não faz isso... – gemeu Camus quando Milo deslizou a mão até o seu sexo e roçou o falo, já ereto, em suas nádegas.
— Abra os olhos... Veja e... Sinta como me deixa... – sussurrou o grego projetando os quadris de encontro às nádegas do outro.
Camus abriu os olhos devagar e viu o reflexo dos corpos unidos no espelho percebendo o olhar lascivo de Milo, aquele olhar aliciante que o fazia sentir um tesão incomensurável.
— Minha sede por você não acaba nunca Camus... – disse ele e o ruivo sentiu o calor do hálito em seu pescoço, sua própria ereção já túrgida e dolorida com aquele contato.
Mon Dieu... Eu nunca me senti assim... Pareço um sátiro. Pensou Camus já com todos os nervos em alerta, a pele formigando, o desejo reacendendo com toda a fúria.
Se esfregando em Camus, Milo tocou seus mamilos com os polegares, deixando-os duros, enquanto mordia o pescoço e lambia, vagarosamente, o lóbulo da orelha do ruivo que já levava a cabeça para trás e buscava os lábios do grego para beijar... As bocas que se conheciam tão bem já sôfregas em meio às línguas e saliva.
Camus inclinou a cabeça aprofundando aquele contato e Milo passou a ponta da língua nos lábios dele, levando a mão ao falo que já pulsava e iniciando um movimento de sobe e desce, enquanto o seu se encaixava entre as pernas do ruivo e latejava, causando uma leve fricção...
— Vai um pouco pra frente... — pediu ele num sussurro baixo.
Encostando as palmas das mãos no espelho, Camus sentiu a respiração acelerar, percebendo as intenções de Milo.
— Assim...? – provocou Camus afastando as pernas e empinando as nádegas.
— É... — disse Milo esfregando o corpo contra o de Camus, o falo duro e pulsante causando um arrepio na espinha do ruivo.
— Você vai... – balbuciou Camus já completamente excitado com a boca de Milo mordiscando-o, enquanto seu falo roçava entre as nádegas e a mão masturbava-o com maestria.
— Vou... Vou me afundar nesse seu corpo... — gemeu Milo ajeitando os quadris de Camus, simulando uma penetração lenta, lasciva, fazendo-o sentir-lhe a turgidez, mas sem invadi-lo, ainda...
Camus fechou os olhos e se esfregou no falo que se insinuava em suas nádegas convidando Milo, mostrando o seu desejo... As mãos do grego se moveram para aquele rosto já afogueado, segurando-o para então começar a mordiscar o seu maxilar e deslizar a língua até a orelha, mordendo o lóbulo, circundando toda a região, deixando a respiração pesada escapar por sua garganta.
Já ofegante, Camus sentiu a ponta do falo de Milo iniciar a invasão e gemeu de prazer com a pegada forte em seus quadris... Mordeu o lábio inferior com força quando a movimentação lenta tornou-se mais intensa e forçou o corpo para trás, ansiando que Milo fosse mais fundo e sendo plenamente atendido...
A penetração ritmada e certeira atingia Camus com ardor e atravessava o seu corpo deixando um rastro de prazer cada vez mais quente. Ele ofegava, sentindo o falo de Milo mover-se cada vez mais rápido dentro de si, tomando-o com fúria, arrancando gemidos entrecortados e cada vez mais altos de sua garganta.
A mão de Milo escorregou até uma das coxas de Camus e a apertou, deixando a marca dos dedos na pele alva, enquanto enfiava mais e mais dentro da cavidade estreita e gemia ao seu ouvido, deixando-o entontecido, ofegante...
Milo sentia as gotas de suor, formar-se em seu corpo, o calor exalado por ambos os corpos embaçando o espelho, o ambiente ficando mais carregado... Tomar Camus daquele jeito o excitava e sabia que com o ruivo não era diferente. Aspirou o ar próximo da pele dele e afundou mais do membro, movendo-se com mais velocidade.
Os gemidos de Camus eram longos e misturavam o prazer da sua excitação com um pouco de dor. Milo era grande e largo e seu corpo parecia se dividir com as estocadas naquela posição, mas não importava. Abriu mais as pernas e inclinou-se ainda mais, aspirando o ar de forma entrecortada para dentro dos pulmões, enquanto era arremessado para frente e puxado para trás pela mão forte que prendia sua cintura.
O grego grunhia e apertava a pele ardente de Camus e quando o ruivo virou a cabeça para beijá-lo, enfiou a língua em sua boca de um jeito quase animalesco, mordendo, sugando e apertando-se contra ele que agora estava contra o espelho embaçado que recebia seu corpo sacudido pelas estocadas fortes e intensas.
— Camus... – gemeu ele mordendo a nuca do ruivo como uma fera à beira do clímax, sentindo seu falo derramar-se em longas pulsações dentro do ruivo, enquanto seu corpo era sacudido por um intenso prazer.
Fechando os olhos, sentindo o sêmen inundá-lo e continuando a ser masturbado no ritmo do pulsar da penetração, Camus gozou estremecendo e se contorcendo de um modo avassalador.
O membro de Milo ainda latejava e se movia apertado no corpo de Camus, enquanto seu corpo estremecia e seus dedos cravavam nos quadris do amante. Ele jogou a cabeça para trás, deleitando-se com o aperto delicioso e o calor que emanava do corpo do ruivo quando o orgasmo o atingiu, mas forçou-se a ficar com os olhos abertos. Não queria perder um instante sequer daquelas reações que Camus demonstrava em seus braços e que ficavam cada vez mais prazerosas de ver...
Os tremores do corpo, os lábios se abrindo, a ponta da língua rosada, os olhos fechados do ruivo completamente transtornado de prazer...
Ficaram trêmulos e abraçados junto ao espelho. Os fios vermelhos de Camus grudando no suor da testa e os de Milo grudados às costas. Camus sentiu o sêmen escorrer por entre as pernas e deu-se conta que Milo era o único com quem havia feito amor sem proteção nenhuma e como era bom... Não sabia como, mas tinha a certeza que com o grego acontecia o mesmo.
— Deus, Milo... se continuar assim eu... – Camus nem conseguia terminar a frase, tanto era o retumbar do seu coração por todo o corpo.
— A culpa é sua... em ser tão...gostoso. – balbuciou Milo com os olhos quase fechados pelo torpor do gozo.
Ofegaram e riram juntos, antes de encostar as costas no espelho e escorregar para o chão. Os dedos de Milo brincaram com o cabelo ensopado de suor de Camus, puxando-o de leve. Camus sorriu com aquele toque delicado, beijou o ombro de Milo e acabou levantando, franzindo o cenho e sentindo um pouco de dor.
— Tá tudo bem? Eu te machuquei? – perguntou o grego, agora sério e também levantando.
— Tarde demais pra esse tipo de pergunta, non?— respondeu Camus sorrindo de um jeito malicioso.
— Vem cá... – disse o grego agarrando-o pela nuca, puxando-o de encontro aos seus lábios, começando a beijá-lo com pressão, mas aos poucos foi suavizando e o beijo tornou-se lento, mais amoroso que sensual...
— Toma banho comigo, agora? – perguntou Camus rente aos lábios carnudos do grego.
— Tomo... – respondeu Milo no mesmo instante em que a campainha tocou.
Camus franziu o cenho. Não esperava ninguém, mas talvez fosse Aiolia com a documentação que ele pedira quando se encontraram.
— Entra no banho que eu atendo. Isto é, se você não se importar. – disse Milo buscando uma toalha para enrolar nos quadris.
— Tudo bem, a essa hora deve ser Aiolia, meu sócio, diz prá ele aguardar uns minutos. – falou Camus.
Na pressa, Milo pegou uma toalha de rosto que mal cobria seu corpo e foi atender a porta.
— Oi, você deve ser o Aiolia. Entre, Camus está no banho. – disse Milo sorrindo.
O homem a sua frente pareceu ficar perplexo e olhou-o como se tivesse com dificuldades para respirar.
— Você está se sentindo bem, Aiolia? – perguntou Milo, preocupado.
Com os ombros rígidos e olhos raivosos, o homem não se mexeu. Simplesmente, ficou parado diante do grego e, com o cenho franzido, disse num tom frio e carregado:
— Eu não sou Aiolia. Me chamo Saga.
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O homem com fisionomia animalesca que se escondia em um quarto miserável e sujo, segurou com mãos trêmulas de raiva a folha do jornal New York Liberty Star onde estavam publicadas as notícias sociais.
“O bar conhecido como Pégasus, ponto de encontro dos jovens e adultos que buscam uma boa diversão no Brooklyn, reabriu com estilo nesta sexta-feira e sob nova gerência que, aliás, é um jovem com talento empreendedor. Ele se chama Milo Karedes e...”
— E o cacete! Vou... tirar esse filho da puta do caminho e voltar a ser gerente. Mas antes, vou cuidar daquele maldito advogado! – grunhiu Jamian, enquanto fincava o canivete em uma barata que se arrastava pela mesa.
Já fazia dois meses que se escondera ali, pensando em uma estratégia para voltar à ativa. Olhou para os pacotes enrolados em jornal e sorriu, exibindo dentes amarelados. Pelo menos a droga estava em suas mãos, pronta para assegurar a sua saída daquele lugar.
Sorriu ao lembrar-se da expressão do garoto loiro quando o obrigou a dar-lhe os pacotes com crack. O idiota achou que eu ia deixá-lo ir assim e que não ia denunciá-lo! Fedelho burro! Repetiu para si mesmo, enquanto pensava em um plano para livrar-se das pedras do seu caminho.
Uma batida na porta retirou-o dos seus planos e Jamian ficou em silêncio, quase sem respirar.
— Abra! Sou eu! – disse uma voz anasalada.
Jamian levantou num pulo e abriu, deixando entrar um homem enorme com um curativo no dedo mindinho.
— Fiz tudo como mandou. Criei confusão pra ver como a segurança se saía. Aquela vadia quase quebrou meu dedo! – falou o homem de barba cerrada e que parecia um marinheiro.
— Você será recompensado e terá a sua vingança. Deixou a faca no lugar que eu mandei?
— Deixei.
— Ótimo. Agora pegue um destes pacotes e comece a distribuir em papelotes. Hoje à noite, vamos começar o nosso negócio... – disse Jamian olhando a barata mexer as pernas, mesmo tendo sido transpassada pelo canivete.
— Isto é nojento! – disse o homem olhando para Jamian e o inseto.
Os dentes amarelados foram exibidos em um sorriso de escárnio, junto ao comentário que fez o homem sentir medo do brilho assassino que viu naqueles olhos.
— Faça o seu trabalho que eu to praticando... E agradeça à barata, por servir de cobaia, senão eu ficaria tentado em sentir de novo o prazer de enfiar a faca em barriga de gente.
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— Saga? – falou Camus, entrando na sala envolto em um roupão escuro, os cabelos molhados caindo revoltos na testa.
O promotor olhou na direção do ruivo como se estivesse diante de uma cena trágica ou impossível. Milo então percebeu a forma como Saga olhava para Camus. Era um olhar penetrante e carregado de interrogações como se ele estivesse com ciúmes!
— Poderíamos conversar às sós, Camus? – perguntou Saga ignorando Milo.
— Sem querer ser indelicado, Saga, eu gostaria que avisasse antes de vir. Não creio que esse seja um bom momento. – falou Camus, seco.
— Venho a pedido de seu pai. Mas, se não quiser saber o motivo, eu me retiro.
— Meu pai?
Milo continuava encarando Saga, cada vez mais incomodado. Não gostava de ser ignorado e não gostava do jeito autoritário daquele homem. Estava tão atento às reações do promotor que esqueceu estar com uma toalha de rosto envolvendo seus quadris e, de repente, a toalha escorregou...
Tanto Saga quanto Camus olharam para o corpo exposto e o grego permaneceu alguns segundos sem se importar com o fato. Depois pegou a toalha mantendo um brilho de desafio nos olhos azuis.
— Estarei lá dentro, Camus. Se precisar, é só chamar.
Ditas as palavras, deu as costas mostrando as nádegas roliças e deixou-os às sós.
Mesmo que seu interesse recaísse sobre Camus, Saga não deixou de sentir uma pontada de excitação ao ver o corpo perfeito de Milo. Em sua mente brilhante e recheada de casos, trabalho e... perversões, imaginou um chicote batendo naquela bunda perfeita e como seria sentir-se dentro dela até o fundo. Sua boca secou, mas logo se refez e voltou-se para o ruivo que o observava um tanto impaciente.
— Pelo que vejo, você sofreu algumas... mudanças. Até onde eu o conheço, nunca soube que trazia michês para dentro de casa.
— Milo não é um michê, estamos morando juntos. Mas creio que isso não lhe diz respeito. Então vamos direto ao assunto. O que o trouxe aqui?
Os olhos de Saga se estreitaram como um predador avaliando a sua caça. Morando juntos? Mas que... porra Camus estava dizendo e...fazendo?
— Ontem seu pai convidou dois dos magistrados que querem indicar você para o cargo de juiz para um jantar ao qual você não compareceu e nem ligou avisando. Hades ficou profundamente decepcionado. Você conhece seu pai. Eu disse que você devia estar trabalhando na defesa daquele garoto, mas vejo que tinha outras coisas em mente. Morando com esse homem, você disse? Acha apropriado se expor dessa forma neste momento? Você sabe a repercussão desse tipo de relacionamento para alguém na sua posição, não sabe? Não creio que seja tão ingênuo ou irresponsável a esse ponto.
Camus franziu o cenho. Havia esquecido totalmente do jantar com o pai e se perguntava o porquê de ter dito a Saga que estava morando com Milo. Na hora, quis tirar aquela expressão arrogante dos olhos do promotor, porém ao ouvir-se dizendo aquilo, não deixou de sentir um grande prazer...
— Tenho vinte e quatro anos, me sustento e jamais pedi algo ao meu pai. Minha vida pessoal me pertence e, se você não sair por aí gritando que seu oponente nos tribunais tem um relacionamento com um homem, creio que ninguém virá me investigar.
— Hummm... então quer dizer que este... relacionamento é algo novo e um tanto... confidencial?
— Seu jogo de palavras é interessante, promotor. Mas, creio não estar interessado em começar uma audiência sobre minha vida privada. Então, acho que nossa conversa já terminou. E não se preocupe, ligarei para meu pai e direi que fez bem a lição que ele lhe passou. – disse Camus.
— Como queira, Camus. Mas deixe-me dar-lhe um último conselho, é natural que um homem como você que sempre se manteve na linha queira experimentar o proibido. Mas, meu caro, esteja preparado para arcar com as consequências e saiba que muitas delas podem destruí-lo.
— Vindo de um homem de moral imaculada, como você, este conselho tem um gosto especial. – ironizou Camus piscando para o promotor.
Saga sorriu, engolindo o fel daquelas palavras sem perder a postura elegante que possuía. Saiu deixando Camus pensativo e Milo irado.
Milo, que antes parecia uma fera sensual, agora parecia um felino raivoso disposto a destroçar quem surgisse na sua frente. Procurava um pacote de bolachas e batia as portas dos armários com mais força que o necessário. Aquele homem o olhara como se ele fosse um...puto!
Merda! Eu devia ter arrebentado aquela cara debochada! Rosnava para si mesmo ao mesmo tempo em que girava o corpo para sair da cozinha e dava de cara com Camus que estava bem atrás dele.
— Está tudo bem?
Claro que não! Pensou o grego ao ver Camus com a expressão tranquila.
— Você teve algo com aquele homem... O jeito que ele me olhou foi de quem se viu preterido. – disse Milo com a voz carregada de raiva, enquanto voltava ao armário e pegava um copo.
Camus suspirou.
— Saga e eu tivemos uma história breve, nada significativo.
— Não foi o que me pareceu. – respondeu Milo enchendo o copo com leite que já tinha tirado da geladeira.
— Saga nunca me teve como você me tem Milo. Aliás, ninguém foi capaz de me despertar como você. Eu te amo. – disse o ruivo.
Mal aquelas palavras ecoaram e o copo explodiu na mão de Milo. O coração estava tão acelerado e os dedos trêmulos que ele não se ligou nos cacos de vidro entrando em sua carne. A única coisa que interessava era o olhar intenso de Camus e a segurança com que proferia aquelas palavras.
— Milo... você se cortou! – disse Camus olhando para a mão do grego.
Milo sorriu e deixou que os cacos escorregassem, acabando no chão.
— Deixe-me ver sua mão. – Camus pediu com o cenho franzido.
— Não foi nada, ruivo. Nada! – disse Milo com a respiração alterada.
Ignorando a dor do corte, o grego aproximou-se de Camus, percorrendo com a mão que não estava cortada aquele rosto que amava. As bocas se aproximaram e passou a língua por entre os lábios de Camus. Ansiava mais do que imaginava por aquela certeza que o ruivo o amava tanto quanto ele. E, ao sentir a entrega de Camus daquela forma, sorriu em meio ao beijo esquecendo-se de Saga por completo.
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Saga entrou em seu escritório com a cabeça fervilhando, mas ainda assim portou-se educadamente com sua secretária cumprimentando-a com um breve sorriso. Ao sentar em sua mesa, encontrou seu cappuccino e alguns documentos para análise.
Respirou fundo e pegou seu celular. A voz que o atendeu era parecida com a sua, talvez, um pouco mais rouca. Levou a mão ao canto interno dos olhos e pensou se devia mesmo pedir ajuda a ele. Então a necessidade falou mais alto e ele decidiu que sim.
— Fala, Saga... O que o fez ligar para o seu querido irmão? – perguntou a voz do outro lado da linha.
— Preciso que me faça um favor. Quero que investigue uma pessoa.
Bebericando um café forte e mastigando uma rosquinha, Kanon mexeu os pés que mantinha sobre a escrivaninha de seu escritório de investigação.
— E que pessoa é essa?
— Um grego que está morando com Camus. Quero que o siga e descubra quem ele é.
Kanon sorriu, malicioso, e ergueu as sobrancelhas.
— Continua com essa... obsessão pelo ruivinho, irmão? Pensei que já tinha superado. Aquele ali é jogo duro. Ops, acho que não devia ter mencionado o duro!
— Não seja desagradável. Vai fazer o que estou pedindo ou preciso falar com outra pessoa? – perguntou Saga irritado.
— Pode deixar... O que você não me pede sorrindo que eu não faça gargalhando... – falou Kanon rindo.
Saga desligou o celular, depois ligou para outro número onde uma voz melodiosa atendeu-o um tanto sonolenta.
— Sim... o que você deseja a essa hora, promotor?
— Quero você. Espere-me na hora do almoço, preciso relaxar... – disse Saga já sentindo seu membro dar sinais.
Estendido na cama ampla cheia de travesseiros em forma de coração, Afrodite se espreguiçou e sorriu, levando o indicador aos lábios.
— Estarei esperando... Devo pensar em algo especial?— perguntou o jovem.
— Você sabe do que eu gosto... – respondeu Saga já se sentindo menos irritado e voltando a visualizar um chicote e um belo par de nádegas alvas e arredondadas...
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