Sortilégio...
8 Capítulo 8 NIGHT FEVER...
Notas iniciais
Sexta-feira.
Camus juntou sua papelada e deixou o tribunal depois de participar da escolha de um júri imparcial e assistir Saga em sua apresentação da acusação formal contra o jovem Hyoga pelo crime de posse de drogas e assassinato. Eram cinco horas da tarde e ainda precisava enfrentar mais duas horas de trabalho no escritório com questões de rotina e conversar com Aiolia que chegara de viagem antes que pudesse ir para casa. Prometera a Milo que estaria no bar quando as portas fossem abertas, mas pelo visto havia muita coisa a ser feita e o trabalho vinha em primeiro lugar.
Olhou para o celular e resolveu ligar para Milo e avisá-lo. Odiava falta de consideração, então não faria o mesmo com o grego e, pelo menos, o deixaria de sobreaviso sobre a sua condição.
— Alô, Milo? Ainda tenho mais duas horas de trabalho no escritório e tenho de conversar com meu sócio que voltou de viagem. Foi um dia infernal, mas estarei aí, assim que puder. – disse Camus apertando o canto interno dos olhos.
— Fica frio, Camus. Eu dou conta de tudo, não precisa se preocupar. – respondeu Milo num tom de voz confiante para não demonstrar seu desapontamento.
Camus suspirou.
— Obrigado pela compreensão. Só me diga se os únicos seguranças que teremos serão Shina e... Mu? É esse o nome?
Milo sorriu. Sabia que Camus tinha ficado preocupado com o fato de o segurança ser uma mulher e também implicado com Mu, algo que era bem comum, visto o visual exótico do amigo.
— Só a Shina, o Mu é DJ e ficará encarregado da música.
Mon Dieu! É pior que do que eu pensava! Exclamou Camus para si mesmo.
— Milo, apesar de confiar na sua competência eu quero dizer que... uma mulher como segurança de um bar noturno é meio...
— Loucura? – perguntou Milo rindo.
Total! Pensou, mas pigarreando baixinho, continuou:
— Milo, veja bem, a mulher mede 1,66m no máximo e o bar é frequentado por homens do dobro da altura dela! Eu sei que hoje, existem muitas profissões masculinas ocupadas por mulheres, mas aquele cabelo esverdeado e aquele corpo mignon não me inspiram muita confiança e isso que me considero um homem civilizado. Então imagina os marmanjos bêbados, loucos por uma confusão dando de cara com uma segurança milhares de centímetros mais baixa que eles!
— Ora, ora, advogado. Pensei que era capaz de ver além das aparências e... tamanho não é documento. Nossos avós já diziam isso ou já se esqueceu? Não se preocupe, Shina é campeã peso-leve de Savate, Taekwondo e Jiu-jitsu. Já deu conta de muito marmanjo maior e mais pesado que ela. Apesar disso, chamei outro amigo que, aliás foi o mestre dela, e que me dará a honra de ajudar na segurança interna. Ele não pode vir à reunião, mas estará no bar esta noite. Fique tranquilo que nada de ruim vai acontecer com estes dois cuidando do ambiente.
— Tudo bem! Confio em você.
— Confia mesmo ou está dizendo isso para se acalmar?- provocou Milo.
— Estou calmo e sim, eu confio em você, senão não teria lhe dado o emprego. — respondeu Camus irritado.
— Certo. Então até mais. – disse Milo desligando o telefone.
Camus suspirou, guardou o celular e empreendeu o caminho que o levava ao seu escritório.
Como já era esperado, Camus não estivera no momento em que o bar reabrira suas portas e nem quando o movimento alcançou o máximo da animação. Milo dizia a si mesmo que ele estava tão ocupado que talvez nem viesse. Já notara que ele era fissurado em trabalho e isso parecia ser uma espécie de marca registrada do ruivo. O bar estava “bombando” como se dizia no meio, então era a vez dele deixar os devaneios e aproveitar o sucesso.
Shina permanecia vigilante à porta de entrada, trajada de preto e com microfones de ouvido. Os cabelos esverdeados estavam presos em uma trança embutida fazendo-a parecer uma heroína de filmes de ação e atraía os olhares curiosos de quem passava por ali. Aldebaran, um homem de porte impressionante estava em uma cabine no mezanino do bar e, apesar de grande, chamava a atenção pela elegância ostentada no terno preto de corte impecável.
Mu colocava o som e arrancava suspiros quando movimentava o corpo junto com as músicas que selecionava. Usava uma camiseta de malha preta, justa ao corpo esguio e uma calça jeans vermelha com rasgos estratégicos na coxa, joelho e abaixo das nádegas.
Shiryu e Jabu trabalhavam com Milo atrás do balcão e chamavam a atenção pelo contraste entre os cabelos negros e longos de um com os loiros e curtos do outro. Entretanto, a forma educada de atendimento os colocava em pé de igualdade e arrancavam suspiros das jovens que buscavam drinques refrescantes e elaborados.
Milo supervisionava e mantinha-se atento. Espiou na direção da pista de dança e sorriu ao ver que havia casais dançando, mas também grupos de jovens que dançavam criando passos ao ritmo pop das músicas colocadas por Mu. Lembrou-se da preocupação de Camus quanto à segurança, mas sabia que havia outras infrações que poderiam trazer problemas como permitir a entrada de menores de idade. Principalmente meninas. Ele chamara Shina com este propósito. Como mulher era mais fácil para ela identificar uma maquiagem bem produzida capaz de mascarar a verdadeira idade de uma adolescente.
Também havia outros riscos como o consumo de drogas e... sexo em público. Por isso instruíra Shiryu para vigiar os recantos mais escuros do ambiente e, de vez em quando, dar uma olhada no sanitário masculino, enquanto Yuna fazia o mesmo no feminino.
Milo sorriu lembrando que ele mesmo já experimentara uma transa excitante num banheiro de uma danceteria, mas isso tinha sido uma experiência adolescente. Sacudiu a cabeça para afastar as lembranças e voltou a prestar atenção no que estava acontecendo no bar. Os funcionários estavam trabalhando a contento e os clientes pareciam muito satisfeitos. Sentia-se orgulhoso de si mesmo por liderar uma equipe tão harmônica e poder colher os resultados já de primeira. Era uma pena que Camus não estivesse ali para testemunhar que a sua decisão em contratá-lo tinha sido acertada.
Pela milésima vez na noite, Milo consultou o relógio e ficou frustrado mais uma vez. Desejava tanto que ele viesse... Mas também o que lhe importava? Tava na cara que Camus era um advogado de renome e talvez tivesse decidido ficar trabalhando ou até em casa para não se misturar à plebe. Decidiu caminhar um pouco pelo salão abarrotado e conversou gentilmente com alguns clientes. Sorriu e percebeu que muitos vinham falar com ele com segundas e terceiras intenções, mas mesmo assim, buscou ser gentil sem encorajar quem quer que fosse.
Quando resolveu retornar ao lugar atrás do balcão, ficou surpreso ao ver Camus do outro lado, ainda usando terno e gravata e com as feições endurecidas. Seu coração acelerou e Milo abriu um largo sorriso:
— O que vai beber? Para você é por conta da casa. – disse Milo com uma piscadela.
— Só uma água mineral. Não vou demorar.
Milo o serviu e falou, desapontado:
— Mas você recém chegou. Viu como tudo ficou perfeito? Não ocorreu nenhum problema, até agora.
— É. Estou vendo. – concordou o ruivo espiando ao redor. – Você conseguiu.
O comportamento indiferente e seco aborreceu Milo.
— Parece que o trabalho o deixou azedo.
— Você acha? Pois está enganado, gosto do que faço. O fato é que prefiro ambientes calmos a essa agitação.
— Claro, esqueci que o senhor certinho deve sentir-se perdido em ambientes assim, com pessoas ao invés de papéis e computadores. Já eu curto estar perto das pessoas. Acho excitante e divertido. – alfinetou Milo.
— Deu pra notar. Vi como sorria para todo mundo, enquanto atravessava o salão. Diga-me, gosta de provocar só para fazer tipo?- disse Camus sorvendo um gole da água mineral gelada e com ar de desprezo.
Milo fechou o semblante e sentiu vontade de pegar aquela garrafa de água e virar o restante na cabeça de Camus. Ainda bem que naquele exato momento, Shiryu acenava pedindo a sua ajuda. Furioso, mas consciente do seu papel ali, se apressou em direção ao rapaz sem sequer olhar para trás. Quando terminou a tarefa, disposto a retornar e dizer poucas e boas para o ruivo, ele já havia se retirado.
Enquanto andava de um lado para outro ditando ordens e resolvendo problemas, tentava tirar a imagem de Camus da cabeça, mas falhava por completo. Por que ele tinha ido embora tão rápido? E porque o azedume e a falta de consideração, se antes telefonara avisando que iria se atrasar? Ele podia jurar que a última frase trocada tinha vindo carregada de algo semelhante ao ciúme: Diga-me, gosta de provocar só para fazer tipo?
Saindo dos devaneios, Milo se concentrou outra vez no trabalho e pediu para o DJ começar com as músicas mais calmas e românticas para criar um clima e induzir o pessoal a encerrar a noitada.
Assim que o último cliente abandonou o bar, Milo e os demais funcionários avaliaram a noite e promoveram uma limpeza rápida e superficial. No dia seguinte, os faxineiros cuidariam do restante.
Após os funcionários saírem, Milo diminuiu o volume da música. Antes de ir embora, Shina, Mu e Aldebaran comemoraram o sucesso da noite e convidaram Milo para irem a outro lugar, agora como clientes.
— Na boa, pessoal... Nem sei como agradecer a força e a eficiência de vocês. Mas, agora, preciso ficar um pouco sozinho.
— Onde você está ficando? – perguntou Mu. – Pode ficar lá em casa, acabei de terminar uma relação e estou sozinho, novamente. – disse ele piscando para Milo.
— Eu agradeço, meu amigo, mas já tenho onde ficar. – mentiu Milo abraçando Mu, mas sabendo que se aceitasse a oferta do amigo, a coisa evoluiria para o que já acontecera entre eles e, agora, o que Milo menos queria era ser um “F.F”
— Vai mesmo ficar bem, sozinho? – falou Aldebaran.
— Desde que tranquem a porta, quando saírem, estará tudo bem. Não se esqueça que eu aprendi alguns golpes de defesa pessoal naquele verão. – disse Milo com uma piscada insinuante.
Milo ouviu quando os três desceram as escadas e o ruído da porta da rua sendo trancada. Então atirou-se em uma das poltronas e fechou os olhos. A noite tinha sido um sucesso e ele se divertira muito, mesmo trabalhando pra caralho. Tudo fluía bem até o momento em que Camus apareceu para esfriar o seu entusiasmo.
Zangado consigo por se importar tanto com o que Camus achava, Milo se ergueu e pegou seu violino. Tocar sempre o ajudava a espantar qualquer tristeza ou mau humor. Apesar de estar em plena madrugada, o clima era quente e ele resolveu abrir as janelas para deixar entrar o ar da noite. Então, abriu o estojo de seu violino e o retirou com cuidado, sentindo aquela emoção extrema que o fizera abrir mão do conforto para possuir aquele instrumento...
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Camus agitou ligeiramente a taça de vinho tinto para sentir-lhe o aroma. Observava as luzes da cidade mantendo os braços apoiados na grade protetora da varanda do apartamento. Estava cansado e insone. O bar deveria estar fechado e Milo já deveria estar em casa. Ele nem mesmo sabia onde o grego morava. No currículo que ele lhe mostrara só havia o número do celular para contato. Pensou na hipótese de testar a responsabilidade dele e ir até o bar verificar pessoalmente se as portas e janelas estavam devidamente trancadas. Pelo menos essa era a desculpa perfeita que sua mente construía para o desejo de encontrar Milo.
Seu celular tocou e, por um instante, ele imaginou se não seria uma espécie de coincidência se fosse o grego quem estava ligando. Atendeu tenso, mas logo aliviou o semblante ao ouvir a voz feminina.
— Oi, Camus! E então, está tudo bem no bar? Conseguiu um bom gerente?
— Tudo bem, Saori. O novo gerente é excelente.
— Muitos clientes hoje?
— Bastante... não fiquei tempo suficiente para contabilizar, mas amanhã saberei o número exato pela roleta.
Ao terminar sua fala, Camus percebeu que desde que entrara no bar naquela noite, seus olhos ficaram fixos em Milo e o grego nem mesmo o vira chegar. Estava ocupado demais espalhando sorrisos para todos os recantos daquele salão. E mesmo que esperasse essa atitude amistosa de um gerente, a forma com que ele era olhado e o magnetismo que exalava dele naquela roupa preta e justa que caía com perfeição naquele corpo, o aborreceu, profunda e radicalmente. A constatação deste sentimento o deixou ainda mais mal-humorado.
— Camus? Ainda está aí?
— Sim, estou. Deve ser problema na linha. – disse ele e tornou a pensar em Milo.
O grego parecia tão confiante naquele sorriso cheio de charme que atraía o desejo de homens e mulheres. Então, fizera questão de não ser notado por ele. Não suportaria se Milo o olhasse como se fosse um engravatado enfadonho e certinho, como todo mundo adorava rotulá-lo.
— Ainda não sei quando devo retornar. Seiya quer visitar um haras em Toledo, na Espanha. – revelou Saori sem demonstrar a mínima preocupação.
— Tudo bem, cuidarei das coisas por aqui até a sua volta. – disse Camus sem saber se poderia dar um jeito na atração que sentia por Milo.
— Obrigada, primo! Sabia que poderia contar com você.
— Cuide-se.
Terminado o telefonema, Camus viu-se, completamente sem sono e ainda mais cansado. Pensou em aproveitar o tempo para estudar um pouco mais o processo que o desafiava. Olhou desanimado para a pasta onde guardava os documentos e decidiu que não estava nem um pouco inspirado para trabalhar. Talvez uma caminhada o ajudasse a relaxar e o deixasse cansado o suficiente para dormir... Já tinha tirado o paletó e resolveu que sairia assim mesmo.
Ainda havia movimento nas ruas, afinal era sexta-feira. Apesar de ter ingerido duas taças de vinho, Camus sentia-se perfeitamente sóbrio. Quando se aproximou do bar apressou os passos ao ouvir o som de música, especificamente o som de um violino. Ele estremeceu e seu coração acelerou.
Tocou na porta e ela estava trancada, assim como as luzes da escadaria estavam apagadas. Ele se afastou alguns passos até alcançar o meio da rua e olhou para o andar superior. As janelas estavam abertas e dava para notar as luzes acesas. Retirou o molho de chaves do bolso da calça e abriu a fechadura com cuidado para não fazer barulho. Queria continuar ouvindo aquela música, mesmo que estivesse tão longínqua.
Milo estava adaptando uma música para o violino quando ouviu o som abafado de passos subindo a escada. Ele parou e ficou escutando. Sem dúvida, havia alguém entrando de maneira sorrateira. Correu os olhos ao redor, tentando encontrar algo que pudesse usar como arma. Havia garrafas vazias e copos cheios de líquidos. Ele poderia jogar o líquido nos olhos do intruso e então imobilizá-lo como aprendera com Aldebaran. Assim pensando, pegou o copo e tentou surpreender o intruso antes que ele alcançasse o balcão. Entretanto, quando avistou a figura familiar de Camus se aproximando e ele o avistou com o braço erguido em posição de ataque, ambos gritaram ao mesmo tempo.
— Que diabos você está fazendo?
Milo encarou-o estranhando o rosto afogueado, a roupa em desalinho e uma expressão transtornada. Do terno clássico, agora só restava a camisa branca e com a parte das costas completamente para fora da calça.
— Você me deu um susto! O que faz aqui há essa hora? – perguntou o grego.
— E você? Deveria estar em casa e o clube fechado e... esta música, era você?
— Calma, advogado... Seu precioso alvará de funcionamento não será revogado por causa de um tempo a mais, nem por um violino tocado por alguns minutos.
— Não é com a licença que me preocupo! É perigoso ficar sozinho em um lugar tão grande e aquela música... Mon Dieu, que calor! – disse Camus levando a mão aos cabelos sem entender a origem daquela profusão de sentimentos dentro de si.
— Com calor, advogado? Acho que posso dar um jeito nisso... – disse Milo pressionando o copo que ainda mantinha na mão e erguendo-o no ar.
Camus percebeu o movimento e abriu a boca com espanto:
— O que vai fazer? Você não...
Antes que terminasse a frase, o ruivo sentiu o líquido gelado lhe atingir o tórax. A frente da camisa ficou ensopada em segundos. A surpresa o impediu de esboçar qualquer reação e Camus permaneceu imóvel, apenas olhando o tecido molhado aderindo ao seu corpo como se fosse uma segunda pele.
— Talvez devesse repensar sobre a ideia de um bar de strippers.— disse Milo com um sorriso divertido por conta da expressão indignada que Camus exibiu, ao mesmo tempo em que notou a musculatura bem definida do tórax do ruivo revelada pela transparência do tecido molhado.
Como será que o senhor certinho reagiria a um segundo banho? Pensou Milo enquanto pegava outro copo cheio.
— Não se atreva! – disse Camus ao captar a intenção do grego.
Tarde demais... Dessa vez o líquido atingiu-o no rosto e parte dos cabelos.
Com um movimento mais ágil do que o esperado para um advogado, Camus contornou o balcão para alcançar Milo do outro lado e, num piscar de olhos, tirou o copo das mãos do grego e puxou-o pelo braço de encontro ao próprio corpo.
— Gosta de brincar, não é? Vamos ver se aguenta quando alguém reage na mesma moeda e sendo duro com você! – disse Camus erguendo o copo de maneira ameaçadora.
Milo não soube dizer se foi a proximidade ou a expressão furiosa do ruivo que o fez ser ainda mais malicioso que de costume e dizer olhando nos olhos de Camus:
— Adoraria que fosse duro comigo.
Camus sentiu algo inédito e feroz se apoderando de seu corpo. Permaneceu imóvel por algum tempo encarando Milo. Os olhos azuis envoltos em turbulência e emoção bruta encontrando-se com o azul luxuriante e ardente do grego.
Sem desviar o olhar ele atirou o copo para longe e antes que Milo pudesse ouvir o ruído do vasilhame se estatelando, sentiu a mão poderosa e macia se unir à outra e estreitá-lo num abraço sufocante.
Ofegante, Milo entreabriu os lábios, os sentidos entrando em ebulição, a malícia transformando-se em um tesão crescente. Camus aproximou a boca daqueles lábios que puxavam o ar e tomou-os num beijo lento e profundo. A boca do ruivo explorava a de Milo, enquanto seu corpo roçava o dele, de uma forma urgente.
Ficaram um tempo naquela deliciosa coreografia erótica, onde as línguas se procuravam, tocavam e sugavam fazendo Milo sentir um prazer tão grande que seu corpo todo latejava e ele não conseguia raciocinar. Camus mordiscou-lhe o lábio inferior, depositando breves beijos ali, enquanto se insinuava mais, deixando que Milo sentisse a sua ereção túrgida roçar em suas coxas.
Milo o desejava e desejava já. Por isso direcionou as mãos para o peito de Camus na intenção de lhe desabotoar a camisa. Porém, o tecido molhado ofereceu resistência e ele acabou por puxar as laterais com força até que se rasgasse e ele tocar a pele aquecida e os mamilos rijos com os polegares. Gemeu ao sentir o prazer do contato com os músculos e a textura da pele sem pelos.
Em resposta, Camus ofegou e afundou os dedos longos nos cabelos revoltos e espessos de Milo, agarrando-os pela raiz e, ao mesmo tempo, avançou um passo, forçando-o a se recostar no balcão.
Milo gemeu, adorando o gesto impetuoso, mas não violento e Camus voltou aos lábios carnudos e beijou-o novamente, agora de um jeito faminto e puxando-o de encontro a si , enquanto caminhava de costas em direção à poltrona próxima.
O grego moveu as mãos para os ombros do ruivo e puxou o tecido que restava da camisa rasgada e molhada, até conseguir livrá-lo da peça por completo. Permaneceu por alguns segundos admirando o torso nu e alvo, com pequenas sardas. A musculatura definida provocava uma vontade irresistível de provar a textura, porém antes que Milo satisfizesse sua vontade, Camus começou a despi-lo e seus dedos pareciam espalhar brasas onde tocavam. O grego ergueu os braços para que Camus retirasse sua camiseta e, em questão de segundos, estavam ambos sentindo a pele um do outro...
A poltrona estava próxima a uma mesa de bilhar e antes de chegar nela, Milo acabou puxando Camus em direção à mesa e deitou-se nela bem no centro do tampo revestido com o tecido verde e grosso. Os cabelos loiros em contraste com aquela cor deixou Camus ainda mais excitado.
O ruivo afastou-se um passo e começou a despir o restante das roupas. Depois avançou sobre a mesa e cobriu o grego com o próprio corpo. Os ombros largos e os braços fortes o aprisionaram e Milo firmou-se nos cotovelos deliciando-se com o apetite voraz que percebeu nos olhos incendiados de paixão antes de Camus se mover sobre ele, deslizando o corpo para baixo enquanto espalhava uma trilha de beijos até chegar a parte interna da virilha.
As mãos de Camus correram por todo o corpo de Milo. Seus dedos longos exploravam a curva das axilas, apertavam os quadris e deslizavam sobre os mamilos rijos, enquanto seus lábios, língua e dentes provocavam a carne sensível e ardente do grego fazendo-o entreabrir os lábios e gemer, agarrando-se a ele com desespero.
Milo não havia imaginado o quanto aquela boca sabia provocar prazer. Ele parecia tão certinho, tão tímido! Quem era esse cara ardente que o dominava desse jeito? Desde os beijos profundos, em que a língua dele mergulhava quase em fúria, buscando a sua, até agora em que ele a deslizava por todos os centímetros de sua pele num lento e tortuoso assalto ao seu corpo, arrancando tremores, deixando rastros, fazendo-o arder e gemer alto.
A boca de Camus continuou a explorá-lo cada vez mais profundamente, até chegar ao falo, tomando-o por inteiro e levando-o às profundezas de sua garganta.
Milo sentiu as mãos fortes agarrando as suas nádegas em concha e erguendo-o na direção da boca exigente, quente e úmida que executava movimentos de vai e vem, num ritmo lento e alucinante. Com um gemido de prazer, viu Camus abandonar o falo e mordiscar a parte interna de sua virilha, chupando e lambendo todo o seu baixo ventre, insinuando a língua em sua entrada, fazendo-o contorcer os quadris.
Seus calcanhares se fincaram nas costas de Camus quando ele inseriu um, depois dois dedos dentro de si e aumentou a intensidade e a velocidade dos movimentos com a boca, sugando o falo com força, enquanto penetrava-o com aqueles dedos que o tocavam direto naquele lugar.
A forma como Camus o tomava, cada toque sensual e demorado com a língua era por demais alucinante e Milo não conseguiu suportar mais, cedendo àquele vendaval erótico que vinha crescendo dentro dele como um fogo líquido embrenhando-se pelas veias. Seu corpo tremeu, arqueou e foi sacudido com violência pelo clímax rápido e intenso. Ele agarrou-se a Camus, cravando com força, seus dedos nas costas largas.
— C-Camus! – gritou, enquanto o ruivo colhia aquele orgasmo em sua boca e sorvia com gosto, orgulhoso de deixá-lo, naquele estado.
De olhos fechados, Milo arfava e tentava normalizar a sua respiração.
— Céus! Isso foi...
— Só o começo! – emendou Camus, invadindo a boca de Milo com a língua ainda impregnada com o seu prazer, deixando-o sem fôlego.
Com aquele beijo, não precisou de muito tempo para Milo recuperar-se e acolher Camus entre as suas pernas, olhando-o febril, seus lábios abrindo-se num sorriso lascivo que fez o falo do ruivo pulsar, dolorido.
— Vem... — disse o grego.
Camus ficou sério, o olhar fixo nos olhos azuis e brilhantes de Milo. Depois sorriu e sussurrou-lhe ao ouvido:
— Não pareço tão certinho agora, pareço?
Milo sorriu e jogou a cabeça para trás, mas manteve o olhar fixo no dele.
Então, Camus entrou dentro dele num único e longo movimento, arrancando um gemido abafado do grego. Mesmo que não costumasse ser o passivo, Milo ignorou a dor inicial e começou a movimentar os quadris, estimulando Camus a mover-se dentro dele e deixar escapar um gemido de puro êxtase em sentir-se tão apertado e quente.
Arquejando e pressionando todo o seu corpo contra o de Camus, Milo abriu mais as pernas, fazendo com que ele entrasse cada vez mais fundo, mais rápido e mais intenso dentro de si. O rosto afogueado de Camus e o brilho aquoso nos olhos azuis mostravam o prazer que ele sentia em apossar-se daquele corpo que despertava os seus instintos mais primitivos, selvagens e sacanas...
Moveu-se com força para sentir melhor o calor úmido que emanava de Milo e, enquanto movia-se dentro dele, sentia a pulsação furiosa do sangue em seu pescoço, coração e falo, todas as células do corpo inundando-se de uma luxúria possante, ao ponto de fazê-lo arfar descontrolado e sentir a aproximação do gozo eletrizando até o último fio dos seus cabelos. Jamais se sentira assim! Nunca o sexo fora tão despudorado, quente e prazeroso quanto estava sendo naquele momento...
Olhou para Milo que fechara os olhos e estocou com mais força, vendo-o cerrar os dentes e arquear o corpo. Ambos estremeceram convulsos, quase ao mesmo tempo, os gemidos intensos vibrando na carne quente, o suor vertendo por todos os poros...
Camus grunhiu ao alcançar o orgasmo e puxou Milo para si, afundando-se mais dentro dele, esgotando cada gota de seu prazer na cavidade quente que, se contraía e o apertava mais forte. Neste momento, Milo gritou e abriu os olhos em meio aos espasmos de seu corpo, derramando-se no tórax de Camus e sentindo o sêmen dele jorrando em jatos quentes e intensos dentro de si.
Milo acordou com frio. Ainda era de madrugada e, por alguns segundos, ficou confuso. Não se lembrava de onde estava e o que havia acontecido. Tudo o que percebia no momento era o ar que entrava pelas janelas abertas e o peso de um corpo sobre o seu. Então fez força para levantar e de repente reconheceu Camus. A memória voltou num instante. Estava no clube e o homem sobre si havia lhe dado prazer como nenhum outro ou outra já havia feito em todos os seus vinte e quatro anos.
Por conta do movimento do corpo de Milo, Camus acordou num sobressalto.
— O que aconteceu? – perguntou em pânico olhando para Milo. Por instantes, demonstrou a mesma confusão que o grego. Depois as feições bonitas do ruivo relaxaram ao reconhecer Milo.
Ambos se olharam por alguns momentos.
— Está com frio? – Camus perguntou enquanto dava espaço para Milo. – Sinto muito, acabei caindo no sono.
— Eu também. E... considero isso uma raridade. Deve ser o cansaço.
— Deve ser. Aliás, eu nunca durmo após o sexo. Eu tenho insônia. – disse Camus desconcertado.
Milo notou que Camus parecia ansioso por sair dali e nem um pouco à vontade de falar sobre o que acontecera entre eles. Bem, ele é que não iniciaria esse tipo de conversa. Achava-o atraente, mas nunca imaginara que um homem como ele pudesse ser tão sexual e ardente. O mais certo a fazer seria colocar o pé no freio e não criar drama, nem constrangimento. Com o rosto parcialmente escondido pelos cabelos loiros e revoltos, Milo desceu da mesa e murmurou:
— Bem, pelo menos a gente matou a sede e a curiosidade.
— Matamos?
— Sim. E não vai acontecer de novo. Foi bom, mas é melhor a gente não confundir as coisas. – disse Milo fingindo indiferença e indo em direção às roupas espalhadas.
— Tem razão. – concordou Camus de um modo seco. – Acho melhor irmos embora. — disse vestindo as calças.
— Pode ir, eu ainda vou ver algumas coisas por aqui. – falou Milo coçando a cabeça.
Camus franziu o cenho. Estava surpreso com a atitude de Milo, mas havia algo mais além do que era dito. Como advogado, ele percebia quando alguém escondia alguma informação ou estava mentindo. O grego estava acostumado a dizer o que pensava, mas parecia tão desconcertado quanto ele próprio.
— Onde você mora, Milo?
— Eu? Ainda não tive tempo de ver um apartamento. Estou num albergue perto daqui.
— Deixe-me adivinhar... mesmo gostando de agito e de estar entre as pessoas, você tinha a ideia de dormir aqui,hoje, não é mesmo?
Além de um furacão sexual aquele homem era alguma espécie de vidente ou o quê?
— Como adivinhou?
— Simples, você não foi embora com seus amigos e está louco para me ver pelas costas. Aposto que pensava em ficar no sofá do escritório ou talvez, tenha até um saco de dormir entre as suas coisas.
— Você é bom mesmo, advogado. – disse Milo batendo palmas.
— Como eu disse antes, não sou tão certinho e muito menos ingênuo. Só que tem um pequeno detalhe nisso tudo. Este é um prédio comercial e não residencial. Não pode ficar aqui.
— Mas será apenas por uns dias! Ninguém vai saber e...
— Nada feito. Olhe o nosso estado. Eu nem tenho mais camisa, estamos com nossos corpos encharcados de suor e... Bem, você sabe! Aqui não tem nenhum chuveiro decente, nem nada!
— Estou cansado, Camus. E o albergue... Tem muita agitação por lá e eu confesso que também tenho dificuldades em dormir. Por favor, passe somente uma vez por cima das malditas regras e me deixe ficar aqui.
— Eu tenho uma proposta. Pode ficar uns dias no meu apartamento. Moro sozinho e tenho um quarto de hóspedes que está vago.
Milo ergueu os olhos e olhou-o desconfiado.
— Está brincando?
— Não, Milo, não estou. Já é tarde, quase cinco da manhã e logo mais terei que mergulhar no caso, extremamente difícil, que estou defendendo. Você precisa descansar para gerenciar o bar e eu, para construir uma defesa capaz de enfrentar um dos maiores promotores de Nova York. Não estou o convidando para viver comigo, nem para repetir o que aconteceu aqui. Será apenas um hóspede até achar um lugar para ficar. Essa é a minha oferta. Ou você aceita, ou vai para o albergue. Decida rápido.
Milo ficou sem palavras. Camus falava de um modo tão frio e racional que nem parecia o homem ardente de horas atrás. Ele realmente era um excelente advogado... Se era assim que tratava com seus clientes, bem, ou eles confiavam totalmente nele ou...eram convencidos na marra!
— Está bem, advogado, eu aceito a sua oferta. Agora me deixe emprestar-lhe uma camisa. – disse Milo olhando para o torso nu de Camus.
O ruivo enrubesceu ao perceber-se seminu e completamente à vontade com o grego. Sorriu daquele jeito tímido que Milo achava, particularmente, excitante e ambos deixaram o bar quando as primeiras luzes da aurora despontaram no horizonte cinza da cidade...
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