Sorrisos e desencontros
7 A verdade

Ele foi o primeiro a elogiá-la por ser quem era. Maeve nunca soube ao certo como agir, mas não conseguia evitar sorrir ao ver aquele rapaz, sendo também muito boa em percepção, viu suas vestes e como apenas havia dois príncipes no castelo, deduziu que era o príncipe Matthew. O mesmo confirmou sem mesmo que percebesse. Era irmão do seu prometido... desejou que fosse ao contrário. No chão entre as flores que observava havia algumas pequenas pedrinhas que já haviam lhe chamado a atenção antes, mas apanhou uma e o presenteou. Pareceu-lhe uma atitude boba no momento, até que parou para estudar a expressão do príncipe e viu que ele havia gostado. Ficou ainda mais feliz.
Um presente por ser tão gentil com ela, e por despertar todos os sentimentos eufóricos que a motivavam naquele momento. Ao seguirem juntos de volta ao castelo, seus pais resolveram as questões políticas do casamento e ela viu quem era o príncipe Louis. Ele a estudara de cima a baixo, demorando especificamente em determinadas partes, que para ele, de certo, importavam mais, Sentiu-se desconfortável. Claro que seus sonhos não haviam se realizado, o destino gostava de uma boa piada, sem dúvida.
Ao se despedirem no dia seguinte, Matt havia beijado delicadamente sua mão e lhe desejado uma boa viagem de volta.
´´Nos vemos daqui a sete anos ao que parece, princesa. Tente se comportar- ao menos na frente deles- ele havia sussurrado ao seu ouvido.``
Ambos sorriram. E a mãe de Maeve lhe olhara torto, mais tarde lhe repreenderia, no momento estava muito ocupada estando feliz por tudo ter ido como planejado.
O príncipe Louis, seu ´´encantador`` noivo apenas lhe acenara com a mão e desejara uma boa viagem, por pura e simples cortesia.
Tudo lá era um mundo completamente novo, e os sete anos serviram para Maeve estudar sobre os hábitos da corte do rei David, quando tudo ficava difícil, e os dias pareciam não passar, pensava em Matthew. O príncipe a quem ela queria, mas a piada do destino não poderia carecer de graça, e a graça da piada era ela. Mesmo assim, ao imaginar os cabelos pretos e olhar incitante dele, adormecia sorrindo, e sonhava com realidades impossíveis, porém melhores que a sua.
Havia chegado o dia de voltar, e enquanto as servas embalavam todos os seus pertences, Maeve despediu-se de seus irmãos, dando um abraço forte em cada um, e desejando vidas felizes, não se veriam muito daquele momento em diante. Seus pais lhe deram instruções específicas de como se comportar, apenas se veriam de novo no dia do casamento, pareciam se importar mais com isto do que com o fato de sua filha estar indo embora, o que de fato era verdade, mas Maeve respirou fundo e entrou na carruagem, desejando nunca voltar àquele lugar.
No dia do baile em comemoração a sua chegada, vestiu um vestido preto, com adornos da mesma cor, de fato era uma cor simbólica para ela, luto por tudo que ainda passaria, talvez melancólico, porém de fato, expressivo, Entretanto ninguém pareceu se importar.
Após a dança ela ansiava por falar com Matt, embora não soubesse o que diria quando o visse, apenas o havia visto de longe, porém após os pares de dança serem trocados, ela percebeu que ele havia saído do salão principal. Maeve saiu apressadamente em direção ao mesmo lugar, antes que fosse interrompida. Ao chegar lá, o viu sentado na escadaria, em uma mão, um copo meio cheio de vinho, na outra, a pedrinha que ela havia lhe dado todos aqueles anos atrás.
Ele ficou mais lindo do que havia julgado anteriormente, parecia impossível, mas era verdade.
Maeve perguntou-se como ele se sentia em relação a ela casar-se com seu irmão, ou ao menos... se sentia algo. Era ridículo de pensar, mas não poderia evitar. Quanto mais ele falava, mais ela tinha certeza de que o queria para a vida toda. Outra coisa que ela nunca poderia ter, mas queria saber o que ele pensava sobre si, queria desesperadamente, quase tanto quanto o queria.
´´Não está... feliz?`` ele havia lhe perguntado.
Era como se já sentisse seu coração quebrando e Maeve olhou para o céu, sem responder.
Matthew ainda segurava o presente que havia ganhado, se ela não tinha significância alguma para ele, por que guardar uma coisa tão simples?
—Um casamento deveria ser mais do que um acordo comercial. Fui vendida para um reino desconhecido, para um homem que não vai me amar e apenas com a função de ter filhos e sorrir perante a corte fingindo que isto sempre foi meu sonho. Você não faz ideia do quão feliz eu estou, príncipe Matthew.
Era o suficiente, todos os seus sonhos eram de uma garota tola que não sabia o seu lugar.-pensou, voltando em direção ao castelo.
—Maeve! Me perdoe. É injusto, eu sei. Mas você não tem o direito de me dizer isso.
Do que ele estava falando?
—Como ousa...
—Você não tem o direito!-Matthew falou um pouco mais alto do que gostaria.
Ela pareceu assustada, mas se recompôs rapidamente.
—E quando a você, está feliz com este dia?- perguntou, finalmente
—Eu... -A relutância dele a fez tremer
Ela o encarou, esperando a verdade.
—Me perdoe. -Disse Matthew, antes que a beijasse e o mundo desaparecesse diante dos dois.
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