Sons

16 Sexo.


O dia de levar todos os garotos para rever Steve havia chegado. A minha cabeça não estava parada na explosão que seria quando ele e Chip se encontrassem, mas sim, em outras situações distintas.

Havia várias ideias indo e vindo em minha mente.

A noite anterior havia sido pacata. Conversamos na ida sobre diversas coisas, comemos hambúrgueres no estacionamento do Drive–Tru e chegamos a sua casa em silêncio. Seu quarto era longa da entrada e tivemos de andar em extrema calma e quietude. Ele tirou os sapatos, a blusa e a calça. Eu estava tímida, então vesti uma de suas blusas no escuro. Dormimos calmos, abraçados, sem muitos rodeios.

Ainda que nada tivesse acontecido, muitas coisas começaram a surgir dentro de mim.

Queria que aquela sensação boa continuasse. Chip entendia as minhas vergonhas, minhas vontades. Ele me fazia sentir bem, respeitada.

Queria, além disso, fazer aquilo. Mas não assim, repentinamente. Queria saber por onde começar, o que dizer e fazer, até que terminasse. Queria estar confortável com a ideia toda. Parece simples, mas eu queria explodir. Não sabia por onde começar, só sabia que existia uma pessoa no mundo que me ajudaria.

A última realização, por fim, foi das piores, e, só me ocorreu no café da manhã. A relação de Chip com sua família me causou uma angustia grande e devastadora. Sua mãe o acordava de manhã, de uma forma carinhosa e não intrusiva. Ela quis não parecer muito surpresa por me encontrar ali, naquelas condições. O café da manha era em família, e as conversas eram sobre a vida e os sentimentos de cada um.

O mundo caiu em meus pés quando notei que a minha mãe não se importava com a minha felicidade. Ela queria seus resultados quadrados e certos da máquina que ela investiu para implantar em meu cérebro; e, convenhamos, eu era redonda.

Chip queria me levar em casa. Chip queria me deixar em sua casa. Chip queria tudo, mas eu só queria sair dali.

Precisava de um tempo, sozinha. Precisava do meu skate, alguns cigarros e a falta de rumo entre minhas rodas.

Queria pensar, assimilar, entender ou o que quer que fosse. Eu só queria. Mas tinha de ser sozinha.

O deixei insatisfeito em seu quarto. Subi a sua rua de casa de subúrbio e fui para a loucura do centro da cidade. Esquivando-me de carros, ultrapassando pessoas, toda a ação em cima das quatro rodas me faziam sorrir.

Em algum momento e por alguma razão, parei à frente da casa de Mandy.

Assim que vi a sua porta amarela sorri, pensando que Lydia tinha alguma explicação inconsciente para aquilo.

Desci das rodas, segurei o skate, toquei a campainha e esperei.

Sorridente, sem nenhuma maquiagem e com um ar de calmaria, ela atendeu a porta:

—O mundo vai acabar. – ela encheu seus pulmões.

—Eu não tenho a menor ideia do que estou fazendo aqui.

—Eu tenho todas as respostas, Wang, todas as respostas.

Entrei, seguimos até seu quarto.

O mesmo cheiro de incenso de anos atrás.

Mandy se sentou em sua cama, cruzou as pernas. Fechei a porta e me sentei a sua frente.

—Como foi a noite? – seu sorriso se fechou em olhos cheios de compaixão.

—Nada aconteceu. – soltei meu skate.

—Você dormiu com ele e não... – suas sobrancelhas se juntaram.

—Não. – sorri, em uma expressão de terror – O que tem de errado comigo?

Mandy riu, uma risada grossa e, que naquele momento, me soou meio intimidadora.

—Não ria assim. – soquei seu braço.

—Você é tão virgem, é engraçado. Frankie, a rebelde, agindo como uma garota de treze anos. – seus olhos se voltaram ternos para mim.

—O que você está dizendo?

—Que você não precisa fazer isso. Todo esse seu terror faz parecer que tem alguma força sobrenatural te obrigando a fazer sexo! – ela deu uma pausa – Me contaria se o Chip estivesse te pressionando, não é?

—Ele não está. Tem sido muito compreensivo, na verdade. Me disse coisas sobre como ele me respeita, como não precisamos, como eu sou machista por achar que ele vai se decepcionar se nada acontecer. – comecei a olhar para as minhas mãos, em nervosismo.

As palavras saltaram da minha boca, o que foi bom, afinal, nunca contaria se precisasse. Dizer aquelas coisas me acalmava.

—Frankie... Eu sei como é. Você está de recuperação, na escola, enquanto todas as crianças estão brincando no parquinho. Dentro da sala de aula você começa a se perguntar: "se eu tivesse estudado aquele sábado, eu estaria aqui?". – ela segurou as minhas mãos – Não tem nada disso. Não tem o porquê disso. Todo mundo tem o seu tempo. O meu tempo foi com 15; o da minha mãe com 23; o seu não precisa ser 17. Você não está perdendo toda a diversão do mundo se simplesmente não conseguir tirar a calcinha.

Sabia de tudo isso. Entendia tudo isso. Mas precisava ouvir.

É uma daquelas coisas idiotas, como quando sua mãe sempre te diz a mesma coisa, mas, no momento em que sua amiga te conta a mesma história, é óbvio.

Era óbvio.

—Eu não estou me forçando a nada! – suspirei, um peso enorme de 30 quilos havia sido retirado das minhas costas – Quero isso, Mandy. E não queria isso semana passada. Quero isso agora, quero entender porque ele me deixa desse jeito, porque ele me faz sentir tão desesperada para fazê–lo. Quero isso, e quero agora. Eu só... Não tenho a menor ideia de como começar a fazer...

—É instinto. Não tem um manual! Você tira a roupa e de repente, puft.

—Mas... E se ele me achar gorda?

—Então ele não é o cara certo pra você.

—E se doer?

—Frankie, – ela segurou minha mão – vai doer. E eu te prometo que vai ficar tudo bem se você aguentar por pouquíssimo tempo. Você confia em mim?

—Confio. Eu só...

—Não quer fazer papel de idiota.

Assenti.

—Você não vai. E se fizer, ele vai entender. E se ele não entender, conta para os garotos da pista e eu tenho certeza que você verá um Chip sem dentes.