Sons

17 Olhos Castanhos.


Chip, Brad, Nolan, Mandy e eu estávamos sentados à frente da recepção, insatisfeitos. Não podíamos entrar no quarto, já que éramos muitos.

Já estava com medo do que viria, e, estava mais do que estressada naquele ponto do dia. Então, para se somar a todas aquelas sensações destrutivas, uma enfermeira saiu de dentro do corredor e veio para a nossa direção.

—Algum de vocês seria Frankie? – em resposta, ergui uma das mãos – Steve quer te ver, a sós.

Olhei para todos os lados, todos ao meu redor assentiram. Levantei–me e a segui até o quarto que já conhecia.

Entrando lá, meu grande e imponente amigo, estava sentado em uma cadeira de rodas, virado de frente para a janela. Assim que a porta bateu, ele começou a falar:

—Eu vou sair daqui semana que vem, vocês não precisam se matar para entrar no quarto. Não estou no meu melhor estado para ver todo mundo agora. – seus olhos não saíram do horizonte, não se viraram para me ouvir.

—Você é tão egoísta! Seus amigos vieram aqui para te ver, fizeram um grande esforço para tentar entrar aqui. Quantos outros fizeram isso, Steve? Em troca você vai nos expulsar? – gritei.

Não podia me conter mais e não queria.

Aquela nova fase da minha vida significava também, me defender e não concordar com tudo o que via. Não queria ser mais o tipo de garota que aceita tudo passivamente. Se era para ser uma rebelde, então eu seria, mas da forma que mais me agradasse.

—Chip não é meu amigo. – ele se virou, me olhando fundo nos olhos, repleto de fúria.

—Então, eu também não sou. – dei os ombros.

—Vai escolher o lado do seu namorado? Frankie, eu não achava que você era tão clichê.

Soquei uma parede ao meu lado, liberando tudo que estava preso dentro de mim em um baque. Steve pulou em sua cadeira, arregalando os verdes olhos já não tão assustadores assim.

—Eu não tenho namorado, vamos começar por aí. Estou escolhendo o lado do que acredito ser certo. Você está sendo ridículo, ignorando seus amigos por pura vergonha e uma birra quase que infantil; já havia lhe dito que não quero esse tipo de atitude na minha vida. Estou fora. — saí do quarto, sem olhar para trás, sem dar uma chance de resposta a ele.

Steve era um marco na minha vida, desde o início. Foi quando conheci meus amigos atuais, quando saí da escola, quando descobri o que eu considerava ser feliz. Fora com ele, também, que havia sofrido o acidente que provocou a reavaliação de tudo. Dizer adeus a ele, também era um marco, mas não o suficiente para ser considerado um strike.

Senti–me ser consumida por uma tristeza latente. Aquilo doía, e fazia sentido doer. A necessidade de chorar dominou meu corpo, mas nada que eu não pudesse controlar. Engoli a seco, saí do corredor e fui para o lado de todos os meus amigos.

O que deveria me fazer sentir confortável, apenas apertou meu peito um pouco mais.

—Ele não quer nos ver. Eu vou embora, não estou disposta a esse tipo de coisa mais. Quem quiser ficar, que fique. – cruzei os braços.

—Simples assim? – Nolan suspirou, claramente irritado.

—Se eu pudesse fazê–lo mudar de ideia, faria. Mas, tanto quanto eu, vocês conhecem Steve, quando ele quer ser um completo idiota, não há quem tire isso da cabeça dele.

—Você sempre conseguiu. – Brad continuou.

—Estou cansada de tentar consertar o quebrado. Algumas vezes, o certo é simplesmente deixar que a natureza siga seu curso. Não vou interferir e aconselho que não interfiram.

Peguei a minha mochila em cima da cadeira da qual estava anteriormente sentada, suspirei, observei os olhos decepcionados e fui em direção a saída do prédio, sem saber direito se aquilo significaria algo grande.

Chip correu para me alcançar, fazendo um barulho alto com seus grandes sapatos. Segurou–me pelo braço com firmeza, me girando para dentro de um abraço que quase me fez perder o controle dos sentimentos entalados na garganta. Me deu o braço, a carona, um guia, minha casa.

No aconchego do meu quarto, retiramos sapatos e nos deitamos juntos, trancados em completa solidez. Ele queria conversar, eu não.

Com carinho, ele segurou meu rosto com ambas as mãos, e, com ternura, me beijou. As lágrimas correram grossas pelas minhas bochechas. Ele me sentou, secou meu rosto e me deu um beijo na ponta do nariz, o que me arrancou um sorriso.

Porque estava chorando por Steve quando tinha esse grande homem à minha frente?

Segurei os cabelos da sua nuca e arranquei–lhe mais um beijo, que depois de minutos, virou um amasso, tal que o fez tocar minha cintura, minhas coxas, minha bunda.

Foi natural a forma como nossas roupas caíram ao chão do quarto em uma dança silenciosa de corpos quentes, corpos muito quentes.

Chip me olhava nos olhos a cada peça que tirava, e me arrancava sorrisos sempre que me entregava um beijo, um toque. Ele sabia o que fazer, me deitando sobre a cama com delicadeza e fazendo os beijos percorrerem todas as áreas sensíveis do corpo, me arrancando suspiros. Os gemidos começaram quando o beijo era por entre as coxas e tudo que eu podia sentir se concentrava ali e em seus olhos castanhos.

Doeu, e enquanto doía, segurei firme. Até que, da mesma intensa e nauseante forma que doía, tudo ao meu redor se tornou simples e puro prazer.

Porque eu tinha tanto medo de algo que, a partir daquele momento, queria estar fazendo por todos os instantes da minha vida?

Era seguro, confortável e bom. Como seus grandes braços malhados que me abraçaram ao final.