Sons
10 Fofo.
Nos dirigimos ao fundo da sala. Estava na frente, com Nolan atrás de mim e Brad ao seu lado.
O rosto dos dois foi logo de encontro aos cadernos, caindo em um sono profundo. A aula estava maçante, chata, os entendia, mas eu precisava daquilo, anotando cada palavra com rapidez, devorando todas as informações.
O tempo correu, cerca de 20 minutos. Houve uma batida na porta. A velha e alta professora pediu que entrasse. Chip abriu a porta com violência, fazendo com que a mesma fosse de encontro a parede.
Seu cabelo castanho estava preso. Usava a mesma roupa daquela manhã, segurava seu skate em uma mão e um caderno na outra. Parecia perdido, o que era algo de se esperar, já que acredito que ele nunca tenha entrado naquele lugar. Pediu desculpas e seguiu para o meu lado.
Chip se sentou, de forma violenta, acordando os garotos atrás de nós. Ele não era tão grande ou tão forte assim, mas se movimentava como um ogro quando observado. Soltou seu skate abaixo dos seus pés, jogou o caderno em sua mesa e apoiou seus ombros em sua cadeira, fazendo barulho.
Pronto. Era isso. Eu não conseguiria mais prestar atenção nas aulas. Minha mente ia e voltava em seus fios castanhos amarrados para trás, em seus olhos, agora tão destacados, ela parava em seus lábios, ela caminhava sobre seus braços.
Uma chama se acendeu dentro de mim. Queria tocá-lo, sentir seu calor, sua pele... Minha mente parou. Porque eu queria tanto algo que não conseguiria?
—Frankie.
Respirei fundo. A voz dele me acalmava.
—Chip? – sorri, me virando para ele.
—Poderia se acalmar e parar de bater essa caneta na mesa? – seus olhos penetraram nos meus.
Joguei a caneta sobre o caderno.
—Desculpe, eu só estou pensando demais.
Nolan cutucou Brad, então disse baixo, ainda que pudesse ouvi-lo:
—Vai começar a conversa.
—Pensando no que? – Chip suspirou, e então começou com algo tão característico seu como as suas mãos – No que aconteceu hoje de manhâ? Se arrependendo?
Suas palavras saiam entrecortadas e espaçadas em espasmos de pensamento.
—Pare. – sabia que ele iria continuar, iria divagar a respeito, tinha de pará-lo.
Mas então, quem parou naquela ideia fui eu. Esse era um momento decisivo. Tinha de decidir em ser sincera, me expondo, sendo a garota dos sentimentos a flor da pele.
Quando não se tem muitos, é fácil saber o que fazer com eles. Mas, agora, meu coração parecia não querer ficar quieto, segurando-se a uma ideia. A minha mente mudava tão rapidamente, pulando de emoção em emoção, sem me dar muito tempo para aprender a lidar com tudo.
Quem eu era fora daquele estado dormente? O que cada opção me traria com Chip? Estaria eu pensando demais e não tomando ação alguma?
A última divagação me atingiu. Talvez, não eram Frankies diferentes. Eu era a mesma pessoa. Gostava de correr riscos, de ser honesta, e, acima de tudo, aqueles garotos tinham o meu voto de confiança – ainda que não fosse com a minha vida. Porque com meus sentimentos aquilo tinha de ser diferente?
—Estava pensando em você, idiota. Mas não me arrependendo... Na verdade, é bem o contrário. – respirei fundo.
Chip sorriu.
—Agora eles são desinteressantes. – Brad se voltou ao recosto da cadeira.
—Então... Você quer continuar com isso? – Chip chegou mais perto da minha cadeira, se inclinando.
—Claro que sim! Eu só tenho que pensar em algumas coisas primeiro. Nós temos de conversar sobre isso direito. – tentei segurar a sua mão, mas não consegui ir muito longe com a ideia.
—Pensar no que? – ele juntou as sobrancelhas.
A professora jogou seu livro sobre a mesa, então citou nossos sobrenomes, de forma alta e aguda. Faltavam exatamente 6 minutos para o final da aula. Resolvi que virar a minha atenção para o quadro era a melhor opção.
Minha cabeça buzinava a cada segundo que se passava. No que ele estaria pensando?
O sinal soou.
Fechei meu caderno, meu livro, joguei o meu material dentro da mochila e me levantei.
—Pensar em que? – ele continuou.
Olhei para todas as pessoas saindo de seus lugares e passando pela porta. Estávamos quase sozinhos.
—Pensar em tudo que eu posso te oferecer e até quando isso vai ser o suficiente. Pensar em quando sou insegura e não quero te dividir. Pensar se isso foi só um beijo ou vale a pena pensar em todas essas coisas. – terminei de juntas todas as minhas coisas que estavam sobre a mesa, jogar na mochila e colocá-la nas costas, então, parei a sua frente – Eu nunca fiz esse tipo de coisa, você deveria estar me ensinando, não ficando aí parado com esse sorriso idiota.
—Isso tudo é algo bem... Fofo. – seu sorriso se abriu mais.
Soquei seu braço.
—Eu não sou fofa.
Aquilo realmente me irritou, de uma maneira bem 13 anos.
—Você está perdendo a cabeça por causa do seu primeiro beijo. Isso é fofo. – ele riu.
—Eu não estou perdendo a cabeça, Chip. – juntei as sobrancelhas.
—Isso, todo esse pensar, é classificado como perder a cabeça, Frankie. – seu sorriso se fechou em um terno carinho, então, ele continuou – Não foi só um beijo e acho que deixei isso bem claro quando disse todas aquelas coisas sobre seu pescoço, então, acho que faz bastante sentido você ficar obcecada a respeito de todas essas ideias das quais eu não dou a mínima. Afinal, eu não estou nem ao menos sonhando com outras garotas, quanto mais as desejando.
—Mas vai, Chip. Vai querer outras garotas quando eu não puder te dar tudo o que você precisa. – bati o pé no chão, em um espasmo involuntário.
—Você está falando de sexo? – ele ergueu uma sobrancelha e eu assenti. Chip abriu um sorriso cintilante, um que dizia "eu sempre tenho razão", então riu – Você não acha toda essa ideia um pouco machista? A ideia de que eu não posso controlar o meu desejo sexual? Frankie! Eu nem ao menos fiz isso! Obviamente gostaria de fazer com você, mas nunca iria te pressionar ou forçar isso. Eu te respeito! E os garotos me matariam. Eu sinto algo por você, Frankie. Estou disposto a me adaptar as suas peculiaridades.
Seus olhos eram ternos e cuidadosos, como quando eu caia do meu skate e ele tinha de me levantar e jogar água nos meus ralados. Confiava nisso, na sua palavra e nesse olhar.
Fiquei sobre a ponta dos pés, para ficar à sua altura, me aproxime dele e o beijei.
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