Sons
11 Muito rápido?.
Sábado de manhã.
Acordar sem horário, com o sol em meu rosto. Ir até a minha tão amada e faltosa pista. Passar um dia com os garotos.
Era perfeito, tinha grande potencial. Meu tão esperado sábado!
Já eram 10 horas da manhã. O sol ultrapassava a janela, batendo diretamente no meu rosto. Estava acordada, apenas resolvi ficar deitada, ouvindo minhas músicas. Então, o telefone da casa tocou.
No primeiro toque, não me importei. No segundo, notei que minha mãe poderia não estar em casa pela falta de movimentação. A gritei e nada. O telefone tocou uma terceira vez.
Levantei-me. Estava com uma justa blusa de pijama, um short apertado de academia, cabelos amassados e uma cara de sono.
Corri até o telefone que ficava dentro do quarto de minha mãe. Deitei-me em sua cama e atendi:
—Casa dos Wang.
—Francesca? – uma voz feminina calma me respondeu.
—Frankie, na verdade, mas sim. – juntei as sobrancelhas.
Aquilo era estranho por inúmeros motivos, principalmente, porque ninguém nunca me chamava de Francesca. Este era o nome da minha avó, o meu em certidão, mas, desde pequena, era chamada de Frankie, pelo meu pai. O apelido pegou, fixou e, hoje em dia, era o nome que eu usava, desde amigos ao tribunal.
—Steve Johnson, seu amigo que está no hospital, acordou hoje de manhã. A família dele está aqui, mas ele continua pedindo para te ver, então resolvi te ligar para avisar que você já pode visitá-lo. – a voz do telefone continuou.
A campainha tocou.
—O horário de visita começa as 14. Não são permitidas mais de três pessoas no quarto, há sempre um policial o acompanhando. Precisaremos de uma identificação com foto para te deixar entrar. – ela suspirou.
—Obrigada, avise que irei. – desliguei o telefone.
Desci as escadas rapidamente, abrindo a porta de forma abrupta, sem perguntar antes quem era. Logo, me arrependi.
Assim que a porta se abriu, Chip estava atrás da mesma, sorrindo.
—Você não usa sutiã para dormir? Eu consigo ver seu mamilos. – e entrou na minha casa.
Fechei a porta e me virei. Ele colocou seu skate na escada e cruzou os braços.
—São 10 horas da manhã. – fui em direção a cozinha, arrumando meus cabelos atrás, os penteando com os dedos.
—Sim. Você só vai até a pista daqui 2 horas. Pensei que poderíamos passar algum tempo juntos antes de irmos para a lanchonete. – ele me seguiu.
—Como um casal? – abri a geladeira, a vasculhando por alguma comida pronta.
—Não somos um casal? – ele se sentou na pequena mesa de quatro lugares que ficava ao centro da cozinha.
—Eu não sei. – coloquei um galão de leite sobre a mesa e me virei para a esquerda, onde, acima da bancada, havia armários – Nos beijamos umas cinco vezes.
Procurei por uma caixa de cereais e uma tigela limpa enquanto falava.
—É, mas... Eu nos vejo como um casal. Não namorados, ainda, mas um casal.
—Ok. Somos um casal. Ainda que toda essa ideia me pareça um pouco entediante. – levei tudo para a mesa e comecei a colocar o cereal e o leite dentro da tigela – Você quer comer?
—Você? Claro. Café da manhã? Não. – ele sorriu.
—Você é um babaca. – sorri.
—Sim e olha onde cheguei com isso! Tarde demais para dizer que não gosta.
Rimos e conversamos sobre outras coisas enquanto eu terminava de comer. Chip tinha razão, eu gostava dele. Seguimos para a sala, a procura de pistas sobre onde minha mãe estaria, mas não precisamos ir muito longe. Sobre a mesinha da sala havia um bilhete, dizendo que ele havia saído com meu irmão e voltaria perto do horário do almoço, mas sabia que eu iria sair, então havia deixado 20 reais para que eu saísse para comer como todo sábado. Embaixo do bilhete havia o dinheiro.
Foi quando Chip perguntou sobre meu pai. Todos os garotos sabiam da falta da figura paterna em minha vida e, aqueles que sabiam da existência do meu irmão, conheciam a diferença de paternidade.
Subimos ao meu quarto, ele fez algum comentário sobre a bagunça e eu lhe contei a história do meu pai doente que morreu na ida ao hospital devido a um acidente com a ambulância. Ele tentou me abraçar, mas não deu muito certo, então abaixou a cabeça e perguntou.
—Você está muito abalada com o acidente de carro?
—Não vou mentir, é claro que o fato de eu ter provocado um acidente me trouxe várias lembranças horríveis a respeito do acidente do meu pai. Mas não foi só isso que ele trouxe. Ele me fez reavaliar tudo, sabe? O que me levou a chegar aquele ponto? – segurei sua mão, sem pensar na profundidade daquele gesto.
—Você estava se divertindo... – Chip não movimentou sua mão dentro da minha, talvez, tentando fazer com que aquilo não se acabasse.
—Eu realmente estava? Porque eu me lembro de beber porque eu estava entediada e meio mal com a minha vida. Todos vocês tinham uma garota, você tinha uma garota; eu tinha um Nintendo Wii e várias cervejas. Quando Steve me achou no banheiro, estava tão aliviada de finalmente poder ir embora. – apertei a sua mão.
Ele abaixou a cabeça, sabia que estava ponderando.
—Você tem razão. Todos nós estamos nesse ciclo, sabe? É algo que, tem me feito pensar, mas ainda não tenho conclusões... Você está mudada e eu não vou mentir dizendo que não gosto. – sua mão foi delicadamente posta sobre a minha.
Com aquele pequeno toque, minha ficha caiu. Estávamos naturalmente nos tocando! Singelamente, mas era um toque. Intenso e delicado, pequeno, mas com grande significado.
Queria mais daquilo, com maior intensidade, com mais toque, mais calor. Ele notou que eu observava nossas mãos.
—Tem algo de errado? – ele retirou ambas as suas mãos, rapidamente, as colocando junto ao seu corpo.
—Não! Está tudo bem. – sorri – Me dê suas mãos!
Chip ergueu ambas as sobrancelhas, retirou seus tênis, cruzou as pernas, ficando de frente para mim, bem próximo. Então colocou ambas as suas mãos viradas com as palmas para cima sobre seus joelhos. Suspirou.
Suas veias estavam ressaltadas. Ele tinha uma tatuagem geométrica de algum símbolo nórdico no antebraço direito. Tive a urgência de tocar todas aquelas linhas errôneas em seu corpo. Ponderei durante algum tempo, mas resolvi não me conter a respeito daquilo.
Agarrei seus dois pulsos, delicadamente. Então, corri minhas mãos subindo seus braços. Senti seus pelos eriçarem, fazendo ele soltar um gemido baixo, cheio de ar.
—Como você faz isso? – ele suspirou.
—O que? – voltei para seus pulsos.
—Faz de todo toque algo incrível, algo grande. – seus olhos ficaram parados nos meus.
—Eu não sei... Não estou tentando fazer alguma coisa. – toquei seu pescoço com ambas as mãos.
Senti o cabelo da sua nuca. Por deuses, como eu queria tocar em seu cabelo...
—Você consegue me deixar louco sem fazer absolutamente nada.
Chip respirou fundo, então colocou as mãos sobre a minha cintura. Aguardou algum tempo, esperando que eu protestasse, mas não o fiz, queria aquilo. Um ligeiro sorriso cresceu no canto de seus lábios, então, me colocou em eu colo, me fazendo o abraçar com as pernas.
Estava confortável ali, tão próxima, tocando tanto nele. Não havia medo, tremedeiras, suor frio ou batimentos cardíacos acelerados. Era só calmaria. Era apenas eu e ele.
Inclinei-me e o beijei, agarrando seus cabelos da nuca. Suas mãos ratearam em minhas costas.
Estava indo rápido demais ou apenas acompanhando o ritmo do meu desejo?
Minha respiração aumentou em compasso e intensidade. Não sabia distinguir se queria ficar ou se queria correr, mas aquele arrepio em minhas costas era bom demais para fugir.
Chip segurou a minha cabeça com cuidado, então a inclinou para beijar meu pescoço. Seus lábios encostaram em minha pele, me arrancando sensações que eu não conhecia.
Sua mão começou a sair da minha cintura, tentou descer, mas algo subiu em minha espinha.
—Pare. – segurei ambas as suas mãos.
Chip respirou fundo, então assentiu.
—Tudo bem... Eu fiz algo errado?
—Eu não sei... – saí de cima dele, me sentei ao se lado – Estava acostumada com você segurando em um lugar e de repente não estava mais lá, estava em outro lugar... Acho que foi rápido demais. – respirei fundo, estava com as bochechas rosadas e quentes.
—Desculpe. – ele beijou meu ombro.
—A culpa não é sua. – sorri, segurando sua mão.
—Você vai conseguir, Frankie. Já chegou muito longe. Eu posso esperar quanto tempo for necessário.
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