Sons

1 Antes.


As coisas não foram muito fáceis durante a minha infância. Quando pequena, tudo o que eu queria era uma Barbie, pode até parecer banal, mas era a minha realidade.

Quando fiz exatamente 6 anos, pouco antes do meu pai morrer, ganhei a maldita Barbie. Ela não era loira, tinha uma muda de roupas azul e uma mecha do cabelo que mudava de cor quando se passava uma espécie de chapinha que veio na caixa com ela. Era tudo que eu queria.

Infelizmente, não fiquei com ela durante muito tempo. Isso porque naquela época, ainda era uma garota sensível e que realmente se importava com todas as pessoas e esse tipo de coisa.

Uma dessas garotas da minha classe tinha os sentimentos a flor da pele e chorou por dois dias seguidos, então, como a minha Barbie tinha me feito tão feliz, dei a boneca para esta garota, Mandy. Ela parou de chorar e eu ganhei uma "amiga".

Amizades de crianças são simples assim.

As coisas escalaram rapidamente a partir daí. Um ano depois, meu pai morreu.

Não é uma história que eu queira contar, mesmo que em minha própria história.

Mandy me ajudou, não que isso tenha resultado em alguma coisa, e a culpa não é dela. Acho que sempre houve algo de quebrado dentro de mim que nunca soube direito como consertar. E foi meio isso que aconteceu, ou não?

Nada nunca foi a mesma coisa.

Com 10 anos comecei a andar com os garotos mais velhos, aqueles legais que você acha que nunca vão realmente te dar bola, e a Mandy seguiu seu caminho. Ela ia bem na escola e eu matava as aulas para ir a pista de skate. Os garotos gostavam dela e eu gostava de bebidas, ela ia ao cinema e eu fumava cigarros. Quando ela deu seu primeiro beijo, eu dei o meu primeiro porre, e, quando ela perdeu a sua virgindade, eu roubei meu primeiro carro.

Em algum momento no caminho, parei exatamente aqui, fazendo serviço comunitário por seis meses como um último aviso antes de ir para a cadeia. Não é em si uma coisa horrível, porque já havia feito algo assim poucos meses antes, ou porque poderia ter ido para o mesmo lugar que meus amigos.

O meu trabalho era simples: ser ajudante de uma professora chamada Lydia em uma escola para surdos a dois quarteirões da minha casa.

Eu só tinha que sair da minha cama.

Eu só tinha de ir lá.

Eu só tinha de não estragar tudo uma última vez.