Sono Te Hanasanaide
7 Capítulo VII
Notas iniciais
Saa omoidashite
Vamos lá, se lembre
Yume ni ikiteta koro wo
Quando você viveu um sonho
Ima yori zutto suteki na
Que era muito melhor do que agora
Shinken na manazashii de
Quando olhamos um para o outro
Mitsumeatteta koro wo
Com olhos sinceros
Saa omoidashite
Vamos lá, se lembre
Kagayaiteita koro wo
Quando você brilhou
Nani mo kamo mabushiikute
Quando tudo parecia brilhante
Noi ni ochiteta koro wo
E você se apaixonou…
Capítulo 7
Yuri havia acabado de chegar ao parque, e olhava apreensivo para todos os lados. Dessa vez sua mãe havia insistido que ele levasse sua prima, Miyako, junto, e ele o fez, embora ela só quisesse ficar perto dele, segurando a manga da sua camiseta com força. Não havia nenhuma outra criança ali, mas a garotinha insistia em ficar por perto, abraçada a um pequeno ursinho, e com a cabeça baixa, com os óculos grande demais no rosto deslizando pelo nariz. Yuri apenas observava a entrada, um tanto aflito, e sem conseguir prestar atenção na garotinha ao seu lado.
— Você não deveria fazer uma cara tão estúpida como essa em público! – Uma voz familiar se fez ouvir. Yuri se virou instantaneamente, vendo a figura loira, pequena e altiva, de braços cruzados e o olhar vacilante.
— Woolf-chaan!! Você voltou!! – Yuri abraçou o garotinho a sua frente com força, apesar do protesto dele.
— E-eu voltei sim, voltei... – O loiro gaguejou sem jeito, deixando-se abraçar, embora visivelmente constrangido. – M-minha mãe... deixou eu vir brincar de novo com você aqui...
— S-solta o meu Onii-chan!! – A garotinha surgiu de repente, tentando puxar o loiro pela ponta do casaco. Ele afastou-se um passo, olhando para a pequena, fazendo pouco-caso. Ela abriu a boca em um “o”, corando furiosamente ao focar seus olhos no garoto. – V-você é bonito... como um príncipe! – Ela exclamou, e o garoto corou ligeiramente, desviando o olhar para disfarçar. – P-pode... pode abraçar o Onii-chan... Eu deixo... – Ela soprou, recolhendo a mão e abraçando com força o coelhinho de pelúcia.
— C-c-como se eu quisesse abraçar esse plebeu!! – O loiro bradou, furioso, com o rosto atingindo um tom escarlate berrante, até as orelhas. Yuri riu do embaraço dele, embora não o entendesse muito bem.
— Não seja rude com seus amigos, Wolfram. – Uma voz masculina e grave soou, tomando a atenção das três crianças. Só então, Yuri percebeu a figura que se erguia atrás dele, sorrindo calmamente. Era o mesmo que buscara seu amigo no parque no dia anterior. Um homem alto, de cabelos castanhos na altura do queixo e uma cicatriz cortando sua sobrancelha direita.
O garoto de cabelos negros mais do que depressa empurrou o loiro para trás de si, junto com a sua prima, e encarou o homem com furor, desafiando-o.
—O que você quer? – Yuri disse o mais alto que podia, lançando-se protetoramente na frente de Wolfram. Ainda não se esquecera da maneira que seu amigo tinha chorado ao ver esse homem no dia anterior.
— Ele é meu irmão mais velho, Conrad. – Wolfram explicou, segurando Yuri pelo ombro. – Foi... ele que me trouxe hoje... porque senão eu não poderia vir...
— É um prazer finalmente conhecê-lo. – O homem agachou-se na altura de Yuri, sorrindo afetuosamente. Colocou uma das mãos na cabeça dele, bagunçando seus cabelos. – Você é muito corajoso, sabia? Fico feliz que meu irmãozinho tenha um amigo tão bom assim.
Yuri corou imediatamente, recuando um passo. Olhou de relance para Wolfram, e voltou a olhar para Conrad, sem saber o que dizer.
— V-vamos brincar!! – Yuri gritou, segurando Wolfram pela mão e o rebocando para a direção oposta.
Sua prima ficou para trás, fitando Conrad diretamente, com olhos intrigados, abraçada ao seu coelhinho.
— Você é bem grande... – Ela observou. Conrad sorriu de volta para ela, que então saiu correndo atrás de Yuri, tropeçando pelo caminho e muito envergonhada.
Assim, passaram a tarde os três juntos, com Conrad os observando atentamente. Brincaram de todo o tipo de brincadeiras que puderam imaginar. Foram astronautas, piratas, guerreiros, exploradores e construtores de castelos de areia, tudo no espaço de algumas horas. Wolfram nunca havia rido tanto, e Yuri sentia-se tão feliz que era como se tivesse passado toda a sua vida naquele parque e a vida no Japão fosse apenas um sonho distante. Esse pensamento o fez lembrar-se de algo que tinha que contar ao seu amigo o quanto antes. Ele aproveitou de um momento em que Miya havia se distraído e corrido até Conrad, fazendo a ele muitas perguntas (na grande maioria constrangedoras) para chamá-lo.
— Etto... Wolf-chan... Tem algo que eu preciso contar à você...
—O que é? – Wolfram indagou, levantando os olhos do grande bolo de areia que ele ousava chamar de castelo.
— Amanhã... Amanhã eu tenho que voltar para a minha casa... e não vou poder mais brincar com você...
— O quê? – Wolfram afundou as mãos na areia, destruindo sua construção, e se inclinando para mais perto de Yuri. Lágrimas cheias começaram a se formar no canto dos seus olhos verdes, e ele mordeu os lábios com força, querendo impedi-las de caírem.
— Eu já tinha te falado que ia ter que voltar...
— Mas eu não pensei que fosse tão rápido! V-você vai me d-deixar... c-como todos os outros... Eu vou... Eu vou... Ficar sozinho de novo... – Ele soluçou, sem conseguir mais se conter, e as lágrimas caíram como cascatas nas suas bochechas redondas e vermelhas.
Yuri não aguentou ver seu amigo chorando novamente, e sem pensar duas vezes, o abraçou, ainda ajoelhado na areia, como ele. Wolfram soluçou longamente, resmungando algumas palavras desconexas.
— Me desculpe, Wolf-chan! Eu não queria ter que deixar você... de verdade! Eu prometi, não prometi? Nós vamos nos encontrar de novo!! E você vai ser um Graaaaaaande Rei, eu com certeza vou conseguir enxergar você, mesmo longe. E sabe... Eu também vou ser um grande astro do Baseball, e você vai ouvir falar de mim! Nós vamos nos encontrar, e seremos amigos para sempre, tá bom? Então pare de chorar, por favor...
— De verdade?... Nós vamos ser amigos para sempre? – Wolfram se afastou, limpando as mãos cheias de areia no casaco, e então enxugando os olhos com força.
— Vamos sim!! Palavra de Shibuya Yuri! – Ele bradou com confiança, batendo no próprio peito. Wolfram riu fracamente, se recuperando rapidamente. – Você só tem que me esperar, eu definitivamente vou voltar para te ver! Eu sei onde te procurar, é lá naquele castelo grandão, não é?
— É sim. – Wolfram balançou a cabeça afirmativamente, animado com a ideia.
— Ei, crianças, venham aqui um momento! – Conrad chamou. Ele tinha Miya nos ombros, e ela parecia absolutamente confortável naquele lugar. Os dois correram até ele, com Wolfram tentando a todo custo esconder o choro recente. – Eu vou pagar um lanche para vocês – Os três, cada um a sua maneira, reagiram entusiasmadamente a essa notícia. –, mas antes, querem tirar uma foto? Para recordação. – Ele indicou uma câmera que tinha em mãos. Tirou Miya dos seus ombros, colocando-a ao lado de Yuri, e ela imediatamente tomou a mão livre dele, tentando ajeitar os óculos com a mesma mão que segurava o coelho de pelúcia, o que com certeza não deu certo. Wolfram fitou de soslaio Yuri, de mãos dadas com a garota, e cruzou os braços com seriedade, desviando o olhar. Yuri apenas sorriu abertamente, com um dente a menos, e com outro em vias de cair também. E Conrad, com um sorriso calmo, bateu a foto. A última coisa que Yuri viu foi o flash ofuscante da câmera.
Yuri abriu os olhos lentamente, com milhares de imagens lutando para se compor e fazer algum sentido na sua mente. A primeira visão que teve, logo que despertou, só o fez ficar ainda mais perturbado. A poucos milímetros de distância estava o rosto adormecido de Wolfram, que ressonava delicadamente, alheio à agitação e à confusão no interior do moreno.
Ele não conseguiu mexer um único músculo, mesmo depois de passado o choque. Colocou a mão sobre a boca, tentando acalmar sua respiração ofegante, impulsionada pela pulsação inesperadamente acelerada, originada pela repentina visão do rosto supreendentemente sereno do loiro. Ele era infinitamente mais agradável quando estava dormindo, foi o que Yuri pensou enquanto analisava o semblante descansado do colega de classe, com uma atenção rara. Porém, acima disso, e Yuri não podia negar, ele era lindo. Não apenas esteticamente aceitável. Lindo mesmo, do tipo que não se consegue tirar os olhos mesmo que queira, e que não se deixa cansar, não importa o quanto olhe. E era assim que Yuri se sentia agora.
Como continuou deitado, e praticamente na mesma posição que estava quando acordou, aos poucos as imagens do seu sonho foram retornando e se ordenando. Ele precisou de alguns poucos segundos para lembrar completamente, e quando olhou novamente para Wolfram, sobressaltou-se.
Era ele... Era ele...? Era ele!!
Com aquela constatação caindo como uma pedra na sua mente razoavelmente lenta, ainda mais logo após despertar, ele pulou para fora da cama, caindo de costas e fazendo um grande barulho.
Wolfram acordou, ouvindo aquele estrondo, e se sentou na cama, afastando os lençóis e esfregando os olhos preguiçosamente. Depois de se espreguiçar como um gato, ele olhou para baixo, onde Yuri, vergonhosamente posicionado de quatro no chão, o encarava pasmado e sem palavras.
— O que está fazendo aí, fracote? – Ele resmungou, reprimindo um bocejo.
— Wolfram, você... você... não sabe fazer castelos de areia! Não consegue correr rápido, não sabe se esconder direito! E é um chorão! Eu me lembro de tudo, agora! Você se lembra? Se lembra?? – Ele disse apressadamente, levantando-se e pulando sobre a cama euforicamente, com os olhos brilhando emocionados, e um grande sorriso idiota no rosto.
— Eu não sei do que você... QUE RAIOS É ISSO?! – Seu rosto afogueou-se instantaneamente quando Yuri pulou sobre a cama e ele pode ver o tórax desnudo do jogador de baseball quase em frente aos seus olhos. – P-POR-POR QUE VOCÊ ESTÁ SEMINU NA MINHA FRENTE, SEU FRACOTE INDECENTE?! V-você não t-tentou nada de estranho enquanto e-eu...
— Isso? – Ele apontou para o próprio peito à mostra, interrompendo a fala indignada do garoto, e sentou-se para trás, expondo-se ainda mais e obrigando Wolfram a afastar os olhos. – É que eu faço isso quando eu sinto calor, acontece sempre, não é de propósito... O que você pensou...?
— Nada!! Eu não pensei nada! – Wolfram cruzou os braços, com um semblante que sugeria que ele poderia matar alguém a qualquer momento. – Sobre o quê você estava gritando há pouco?
— O quê? Ah! Sim! Eu lembrei, Wolfram, me lembrei de um monte de coisas!! – Yuri voltou a tagarelar, com uma animação que dava a Wolfram dor de cabeça. – Eu e você, nós dois!! E um parque!! Nós dois já nos conhecemos antes, e fizemos uma promessa! Você se lembra?
Wolfram, ainda com os braços juntos ao corpo e olhando para o outro lado, reagiu a essas palavras. Seus olhos piscaram, atônitos, e seu rosto voltou a se colorir, levemente. Ele abriu a boca para dizer alguma coisa uma ou duas vezes, mas nada saiu. Então, ele girou lentamente a cabeça, focando a visão no moreno que sorria tolamente, da mesma maneira que se lembrava, mas dessa vez com todos os dentes.
— Você... não... me esqueceu... – Ele murmurou, deixando os braços caírem sem forças do lado. Segurou o lençol, como se isso fosse mantê-lo firme no chão, ou então para se assegurar de que aquele cenário não se esvaeceria. Mordeu os lábios, sem saber o que dizer. Yuri, por sua vez, apenas sorria.
— Você lembra também!! Aah, isso não é incrível? Nós nos encontramos de novo, como eu disse que aconteceria! Eu cumpri minha promessa, não foi?! – Yuri parecia extasiado, exclamando com emoção. Wolfram não conseguiu o responder, e sem poder mais se segurar, ele se jogou nos braços de Yuri, esquecendo-se do seu orgulho, da sua posição, e até mesmo do fato do moreno estar sem camisa.
— Seu grande idiota, imbecil, cabeça de vento! Fracote! Você me fez esperar muito! Eu pensei… que tinha me esquecido de vez! Eu achei que nunca mais ia te ver! Todo esse tempo... Todo esse tempo, eu... – Um soluço cortou suas palavras, e com a voz embargada, ele parou de falar. Yuri viu os ombros de Wolfram, repentinamente frágeis, tremerem e se encolherem, e então, circundou os braços pelo corpo dele também, um pouco incerto. Sentiu lágrimas quentes molhando seu peito, e se sobressaltou. Wolfram estava realmente… mostrando para ele seu lado mais fraco, que muito provavelmente, ninguém nunca havia visto.
— Vai ficar tudo bem, Wolf... – Yuri balbuciou, hesitante.
— Não me chame assim! – Wolfram rosnou, ainda com a cabeça enterrada no peito dele.
— Certo... Eu... Me desculpe, eu acho. Eu realmente tentei pedir aos meus pais para voltar àquele lugar, depois que voltamos pra casa, mas eles nunca me atenderam... Então com o tempo, eu acabei...
— Me esquecendo! Você se esqueceu de mim, seu fracote inútil! E eu continuei te esperando mesmo assim! – Wolfram reclamou.
Nesse mesmo instante, uma batida fraca foi ouvida, e a porta se abriu, tornando visível a delicada figura de Susanna Julia, acompanhada de uma das suas empregadas, que por sua vez, ofegou ao visualizar o quarto, e sussurrou algo no ouvido da sua patroa, assustada. Ela apenas sorriu de uma maneira enigmática.
— Desculpe-me, eu não quis atrapalhá-los em nada. Na verdade, a noite foi tão silenciosa, que eu pensei que fossem tímidos, o que me deixou desapontada. E eu tenho ouvidos muito bons, sabem... Se soubesse que estavam, ahn... ocupados agora, não teria invadido, mas eu ouvi ruídos, e imaginei que já estavam despertos. Se quiserem, podem continuar de onde estavam, não se incomodem comigo ou com qualquer uma das meninas. – E, dizendo isso, ela se preparou para fechar a porta. Yuri, porém, foi mais rápido, e afastando Wolfram, saltou para fora da cama e segurou-a.
— Eu não sei o que você está pensando, Susanna Julia-san, mas não é nada disso! – Ele se apressou em dizer, exasperado.
— Como não é nada disso, Yuri?! – Wolfram gritou, da cama. Aparentemente, havia retornado ao seu estado normal. – Você me fez promessas!! Não lembra mais dos momentos que passamos juntos? Como ousa negar isso na minha frente??
Julia soltou um gritinho de empolgação, e a empregada corou furiosamente, baixando a cabeça. Yuri ficou sem palavras, de repente, sentindo uma vontade de sumir, ou então de bater em Wolfram, o que viesse mais rápido.
— Eu já disse, não se incomodem comigo, podem ficar aí o tempo que precisarem! – Ela tornou a dizer, esticando os braços para fechar a porta. No entanto, ao invés disso, acabou tocando no peito desnudo de Yuri, que estava bem a sua frente. – Oh, meu Deus! Ele está nu! Essa informação era essencial, você não me contou isso, Maria! – Ela repreendeu a empregada, que corou até fumaça saírem das suas orelhas.
— E-eu não estou nu, Susanna Julia-san... – Yuri argumentou, em vão, já que sua anfitriã já estava em outra sintonia, fantasiando loucamente, e não o ouviria.
— Certo... Acredito que o clima já acabou totalmente, não é? Perdoem-me. – Ela suspirou, com pesar, depois de alguns segundos. – Melhor descerem para tomar um café, vocês devem estar famintos... Mas vistam-se primeiro! – Ela alertou e, sem esperar por resposta, virou pelo corredor, seguida de perto pela empregada que nem mesmo ousava olhar Yuri nos olhos.
Yuri nada disse, lamentando intimamente sua sorte, e ele e Wolfram voltaram a vestir seus uniformes escolares que já estavam perfeitamente limpos, um virado para cada lado, tomando o cuidado de não se olharem. Depois de passado o momento constrangedor, e de Yuri censurar Wolfram por falar coisas tão absurdas, e ele alegar que não sabia do que ele estava falando, os dois desceram para a sala de jantar, onde Susanna Julia os aguardava com um magnifico café-da-manhã típico de Shin Makoku.
— Eu achei que você apreciaria um café da manhã da nossa terra natal, Wolfram. – Ela anunciou sorrindo, enquanto os garotos tomavam seus lugares, um de cada lado da cabeceira da mesa que era ocupada por ela. – É uma pena que Adalbert não possa estar aqui também, ele adoraria conhecê-los.
— Muito obrigado por sua consideração, Lady von Wincott. Eu estava sentindo falta disso... Desde que chegamos, minha mãe insiste em preparar alimentos orientais, e eu não aguentava mais...
— Eu nunca tinha comido isso, é muito bom! – Yuri exclamou de boca cheia, servindo-se de mais da comida, enquanto uma das empregadas servia chá em sua xícara.
— Quem bom que gostaram. – Julia sorriu, satisfeita, servindo-se também.
— Eu agradeço muito por sua hospitalidade, Lady von Wincott. Sou tão grato que palavras não poderiam ser suficientes para expressar. Mas já é hora de seguirmos... A senhora saberia nos informar como faremos para sair daqui? – Wolfram indagou, polidamente, e Yuri arqueou uma das sobrancelhas. Desde quando ele sabia ser tão educado?
— Isso depende muito. Para que lado vocês pretendem seguir? – Ela respondeu com outra pergunta.
— Para casa... – Wolfram respondeu com um fio de voz, e então, levantou os olhos para Yuri, que o encarava com incerteza, e as bochechas infladas pela comida. – Eu vou... voltar para Tókio.
Yuri engoliu tudo de uma vez, para então sorrir na direção do loiro.
— Então você não quer mais fugir?
— Não. Eu pensei sobre o assunto ontem, durante a noite. Se eu retornasse para meu país... isso só causaria desordem e eu com certeza seria capturado pelos anti-monarquistas mais radicais. E... Shin Makoku sempre estará no meu coração, mas não é mais o meu lar. Meu lugar é… junto das pessoas importantes.
— Você está falando de mim? – Yuri apontou para si mesmo, surpreso.
— Claro que não! Estou falando da minha família, fracote! Quem se importa com você?! – Wolfram exaltou-se, corando ligeiramente, e Susanna Julia riu.
— Aahh~ vocês são tão fofos! Podem deixar que eu arrumarei um carro que os leve até a estação, e de lá, vocês tomam um trem para Tókio. Mas você deve ligar para sua mãe, Wolfram, e você também, Yuri. Suas famílias devem estar preocupadas.
— Sim, claro. – Yuri respondeu, e Wolfram assentiu.
— E... me permitem fazer uma pequena pergunta? – Ela indagou timidamente, mexendo com o garfo nas suas panquecas.
— Sim...? – Wolfram permitiu, temeroso.
— Qual de vocês... morde o travesseiro?
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