Sonhos e Realidades
2 Capítulo 2 - Declaração e Dor
Notas iniciais
Recebi um SMS da Magali depois de 2 horas que eu já estava em casa.
`` Amiga, você está bem? Vi que depois que você saiu, o DC foi atrás de você e ele parecia preocupado. o Cebola depois veio me perguntar o que estava acontecendo. Por favor, fale comigo. ´´
Olhei para a tela do celular e fiquei pensando se eu conversava com ela ou não, afinal, minha melhor amiga estava escondendo algo de mim. Eu sei que sim, porque quando temos amigas de infância, sabemos de tudo o que acontece conosco. Suspirei e fiquei olhando pro teto, quando outra mensagem chegou :
`` Eu te disse que eu desistiria. Não descobri seu número. ;P ´´
*Meu Deus!* — Eu pensei. Acho que ele estava falando sério. Coloquei seu número nos contatos e coloquei o nome de DC. Eu realmente acho que provavelmente meu nome no celular dele está alterado. Algo como *Coelhinha*, pois um dia ele havia me dito que não colocava os nomes verdadeiros dos amigos (e nem da família) alegando que era coisa que todos faziam. Só espero não pensar que ele poderia ter colocado *Gorducha*...
`` Oi Magá, como ta sendo o encontro com o Cascão? Não precisa me esconder, eu sei que vocês estão de rolo. Não vou contar pro Quim e aliás, não vou contar pra ninguém sobre isso. Só quero que vocês parem de mentir ou esconder algo de mim.´´
Mandei essa mensagem pra ela esperando que ela dissesse que não era nada disso, mas o que ela mandou afinal me deixou surpresa.
``Mô me perdoa, eu realmente acho que sou uma garota má. Mas eu e o Cascão... A gente não tem nada um com o outro... Ele apenas ficou confuso de quando fui ajudá-lo sobre ele e a Maria terem brigado. Queria tirar a limpo, apenas. por isso ficamos quase todos os dias juntos e acabamos que não ficamos com você (e Cebola) e para vocês não pensarem errado, eu não queria que soubessem sobre isso, realmente é embaraçoso, e a Cascuda não quer nem olhar pra minha cara. ;( ´´
Sorri ao ver que tinha minha amiga de volta, e triste por ter desconfiado deles, acho que quem está sendo uma garota má sou eu.
Mandei a mensagem em resposta a ela e contei tudo que havia acontecido semanas atrás e sobre hoje, com o DC.
Logo depois, Magali me ligou.
– Mulher, como assim? Eu acho que você está enganada em relação ao Cebola. Mô, você conhece o Cebola tanto quanto eu e até o Cascão. E sabe que ele deve ter seus motivos pra estar se afastando de você. Eu acho que você deveria ir até a casa dele e botar ele na parede, não literalmente lógico. — Magali estava praticamente quase gritando no telefone, como se pra chamar a minha atenção.
– Tá mas, eu chego lá e falo o quê? * Oi Cebola vim saber o porquê que você está me ignorando?* Cai na real Magali, ele não quer falar comigo e eu não tenho que ficar correndo atrás dele. Fiquei muito puta quando ele me disse que só namoraria comigo depois que me derrotasse, mesmo assim eu concordei com ele e depois de uns tempos pra cá ele começou a me ignorar. Realmente eu não o entendo. Se ele está afim de outra garota ou algo do tipo eu mereço saber! — Meu dia estava ficando pior pra variar.
– Tudo bem, deixa comigo então, vou ver o que ele tá *planejando* E sobre o DC, acho que aquele garoto tá meio fora de si. Tudo bem que ele dava na cara que tava de paquerando mas de repente veio com essa história estranha de que não vai desistir de você e... Mônica, você acha que ele tava falando sério? Se tratando dele acho que não dá pra confiar assim.
– Haa, eu realmente não sei e quer saber? Vou continuar sem saber. Por hora eu quero muito resolver essa história com o Cê. Agora vou desligar, tchau Magá. — Esperei que ela desligasse pra depois eu apertar o botão.
–Mônica, Mônica. Você não é de ficar trancada no quarto chorando ou algo do tipo, vamos lá. — Me levantei da cama e fui pra cozinha.
Enquanto estávamos jantando, minha mãe me olhou estranhamente, com aquela cara de *Me conte agora o que está acontecendo* Meu pai logo levantou-se da mesa e foi se deitar.
– Pois bem mocinha, me diga o que aconteceu hoje à tarde. — Minha mãe não iria me deixar em paz
– Ha mãe, eu não sei o que está acontecendo com a minha vida. — Suspirei
– Filha, você está crescendo, é normal você começar a conhecer as coisas novas da vida. Mas me diga, é qual menino? o Cebolinha talvez? — Acho que todas nós temos uma mãe vidente, pelo amor de Deus!
– Mãe, não é nada disso, ou quase isso. — Bufei
–HHM... Então é mesmo sobre meninos, hahaha, você caiu que nem uma patinha. Filha, essa é uma fase que você vai aprender muita coisa. E bem, quanto à isso, não precisa ficar encucada, logo você saberá que não é nenhum bicho de sete cabeças. — Minha mãe parecia se divertir com essa conversa.
– Ai mãe, mas é tão complicado... Eu não sei o que fazer, tenho medo de me machucar ou acabar machucando alguém.
– Isso é uma coisa que só você pode descobrir. Siga seu coração filha. — Minha mãe se levantou da cadeira e veio em minha direção, me dando um beijo na testa.
– Obrigada mãe, eu te amo. — Eu a abracei com força.
Meu celular vibrou e tive que soltá-la pra ver quem estava me mandando mensagem. Olhei pra minha mãe e ela entendeu :
– Tá bom, to saindo, não quero saber dos seus segredinhos, não por enquanto. Não fique até tarde acordada minha filha e durma bem. — Minha mãe recolheu os pratos da mesa e foi para a cozinha.
Voltei para o meu quarto e logo fui olhar quem estava me mandando mensagem. Não fiquei surpresa por saber quem era : Do Contra, de novo.
`` Por que não responde? Esse número é da Mônica Sousa, errado?´´
Ri por saber que ele realmente não sabia se era mesmo o meu número que ele havia conseguido. Apertei o botão de discar e esperei atender :
– *Tchau*? — disse ele.
– Hã... Do Contra. — Fiquei meio sem jeito.
– Ha Mônica, sabia que era você. Por que não me respondeu? — Senti que ele estava chateado.
–É que eu... não sabia quem era. — Menti.
– Ha, achei até que tava óbvio demais, mas tudo bem, o importante é que você ligou. Isso significa que eu tenho chance?
Corei ao lembrar que horas atrás ele havia me prensado contra parede e quase me dado um beijo(eu acho que ia ter beijo).
– Eu... Só te liguei pra não ficar nenhum mal entendido, e eu ainda preciso resolver meus problemas, não posso ter mais. — Disse por fim.
– Então eu sou um problema? — Ele perguntou — Se sou um problema, eu acho que eu gostei, é melhor saber que você pensa em mim como um problema pra tentar resolver do que não pensar em mim. — Ele riu, e senti meu corpo formigar por causa disso.
– B-bem, que seja DC, agora vou desligar pois amanhã temos aula e não quero me atrasar. Boa noite. — Eu disse firme.
– Tenha pesadelos comigo gata. — Sua voz estava rouca.
Eu fiquei sem reação com isso e apenas escutei sua risada mais uma vez no telefone antes de perceber que eu não diria mais nada e assim desligar o telefone.
Minha vida está de ponta cabeça e eu já não sei mais o que fazer.
O dia seguinte estava um Sol de rachar, parecia uma coisa, e eu não gostava muito do calor, eu preferia o frio.
Chegando no colégio encontrei Magali, que sorriu ao me ver.
– Mô! Que bom te ver melhor. — Ela me abraçou
– Obrigada! Essa semana toda foi um caos pra mim. Acho que preciso de férias, amiga. — Andamos em direção à sala.
Quando estávamos quase chegando na porta, uma voz me chamou :
– Mônica. Posso falar com você? — Droga, era o Cebola. — A sós se for possível.
Magali assentiu e me deu um pequeno beliscão no meu braço e entrou na sala, me deixando a sós com ele.
– O que foi? — Perguntei, tentando parecer indiferente.
– Vamos a um lugar onde a gente pode conversar, por favor? — Ele estendeu a mão e eu fiquei tentada a pegá-la, mas fui firme e apenas andei ao seu lado.
Chegamos a uma sala vazia, onde antigamente servia como depósito de materiais escolares.
– Mônica, eu não quero que você me entenda mal. Naquele dia... Eu realmente fui um idiota em te dizer aquilo. Eu não quero ficar com você só apenas por ficar. Eu preciso te merecer pra isso. — Ele estava tão sério que parecia que algo estava incomodando-o.
– Cê... Eu... Eu não quero ser um prêmio pra você poder merecer. Eu só apenas quero você comigo. Será que é tão difícil você entender? — Eu estava quase chorando.
– Não Mônica. Eu não posso entender, eu preciso estar à sua altura, você precisa de alguém forte ao seu lado e não um cara fraco como eu. — Ele fechou as mãos.
– Mas você não é fraco Cebola, pelo contrário, você é inteligente... Eu não preciso de alguém seja forte, apenas que fique junto de mim, seja na fraqueza, seja em qualquer coisa, estaremos juntos! — Comecei a chorar
– Me desculpa Mônica. Mas não posso ficar pensando nisso. Terá que ser assim. Vou me esforçar Mônica, você verá que isso vai ser melhor pra nós. — Ele apertou meus ombros e saiu da sala, me deixando sozinha.
Caí de joelhos no chão e desatei a chorar como nunca tinha chorado antes, chorando como uma criança. A dor era tanta que eu não podia suportar. Por que as coisas tinham que ser assim? Poderia ser muito mais fácil se Cebola largasse seu orgulho de lado...
Senti alguém me abraçando por trás e não precisava olhar pra saber quem era.
Do Contra me apertou com força e ficamos assim durante um tempo.
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