Sonhos e Realidades

3 Capítulo 3 - Amor ou Ódio


Notas iniciais
Olá, mais um capítulo pra vocês :3 espero que gostem. Boa leitura!

A última vez que eu tinha ido a escola foi à exatamente 2 semanas atrás.

Minha mente ficava repetindo e repetindo a cena em que eu estava acabada no chão. Pra piorar ainda mais a situação, descobri depois que Cebola estava saindo da escola para estudar no exterior. Aquilo foi uma despedida? Talvez ele não quisesse que eu sofresse mais e por isso havia me dito todas aquelas coisas. Talvez, naquela semana quando brigamos realmente, ele já havia planejado tudo isso. Eu quero acreditar que foi.

Desde então, há duas semanas que eu mal como, mal durmo, mal vivo. Era como se você perdesse um ente querido, eu estava sofrendo demais, doía demais. ``Porquê, Deus?´´ Eu pensava. Na minha vida passada eu era alguma assassina? atropelei alguma senhora? O que eu fiz pra merecer tanta dor?

Era realmente difícil suportar toda essa situação. Magali tentou me confortar, acabou faltando alguns dias para ficar comigo, mas isso estava prejudicando-a nas aulas. Meus pais tentavam de tudo para que eu me animasse, mas não adiantava, não havia ninguém nesse mundo que conseguisse me fazer voltar a ser a velha e alegre Mônica. Não havia ninguém, exceto uma pessoa.

– Filha, tem uma pessoa querendo te ver. — Minha mãe hesitou na porta por um momento, olhou pra mim para ver se eu estava vestida e então acenou com a cabeça para alguém entrar.

Virei-me rapidamente de costas para a porta, não queria ver ninguém, mas talvez pudesse ser o Cebola? Será que ele desistiu daquela ideia de tentar mudar seu jeito para poder ficar comigo? Acabou que minha atenção foi tirada dos meus pensamentos quando eu ouvi a voz.

– Mônica?

Olhei pra trás e vi Do Contra parado com as mãos nos bolsos.

– O que você quer? — Perguntei querendo que ele fosse logo embora.

– Vim te ver. Você sumiu da escola e eu fiquei preocupado, aliás todos estão. — Disse ele, se aproximando da minha cama.

– Então agora você virou o porta-voz do pessoal da escola? Pode falar pra eles que eu estou bem, é só uma gripe forte. — Continuei — Não precisava ter vindo.

– Eu vim porque eu quis. EU sabia que você preferiria me ver do que ver os outros. E eu gosto de aparecer onde eu não sou convidado. — Vi um sorriso torto surgir no seu rosto.

– Nada convencido você,hein? — Sorri um pouco.

Ele continuou me observando enquanto eu fitava meu travesseiro. Passou-se dois minutos que pareciam eternidades. De repente ele se sentou na beirada de minha cama e pegou um punhado de meu cabelo que estava todo desgrenhado. Não me mexi. Não tinha forças pra ficar brigando com ele.

– Você... Está chateada comigo? Quer que eu vá embora? — Me perguntou enquanto ficava alisando meu cabelo.

– Se você parar de mexer no meu cabelo eu agradeceria. — Olhei pra ele

– Então é só isso? Ta bom. — Ele sorriu de novo fazendo com que eu corasse um pouco.

– O quê, você está bem? Tá vermelha, tá com febre? — Ele aproximou seu rosto e colou sua testa na minha, fazendo com que eu me sobressaísse com o susto.

– Do Contra! Quer parar com isso, realmente é muito irritante! — Agora ele tinha me tirado do sério.

– Hahahahahahaha, desculpa. Mas eu consegui fazer você ficar brava ao invés de triste, isso é um bom sinal de que você precisa de mim.

De repente eu entendi. Naquele dia em que o Cebola definitivamente me deixou, Do Contra estava lá. Ele estava me reconfortando. Eu havia acabado de perder a pessoa mais importante pra mim naquele momento. Ninguém mais se importava com isso, apenas Do Contra. Ele estava demonstrando preocupação, diferente do Cebola, que por mais que ele me falasse que me amava e que queria estar a minha altura, DC estava apenas ao meu lado. Não disse que me amava nem nada, apenas estava ali comigo. Tudo que eu queria do Cebola era isso. Mas não obtive isso dele e sim de outro.

– Ele não vai voltar não é? Ele definitivamente está disposto a tentar me derrotar pra provar algo que eu não me importo. Ele... Simplesmente se foi achando que seria melhor pra nós dois... — Meus olhos se encheram de lágrimas.

– Mônica... Eu... Gosto de você. Me deixe te ter. Não quero te ver sofrendo. — DC me abraçou com força como havia feito naquele dia.

Fiquei em silêncio. Não podia dizer nada a ele, não podia iludi-lo ou qualquer coisa que desse esperança a ele. Eu não estava mentalmente preparada.

Mas por um momento, tive vontade de beijá-lo.

Era estranho, minha mente estava tão desvairada que eu não conseguia assimilar toda a situação. Minhas mãos foram parar em seu rosto e fitei seus olhos que estavam calmos. Eu podia sentir sua respiração pesada e sabia que ele estava ficando nervoso. Acho que nunca ninguém tinha deixado ele numa situação dessas. Minha roupa era um pijama, um tanto infantil até se não fosse pela blusa estar meio aberta. Eu estava vulnerável.

Aproximei meu rosto calmamente até que percebi que Do Contra estava levantando a mão. Ele me parou. Olhei confusa pro seu rosto e soltei um suspiro. O que há de errado com esse garoto? Ele havia acabado de se declarar pra mim, mas parecia que não havia dito nada.

– Não desse jeito Mônica. — Disse por fim — Não quero ficar com você enquanto você tá mal. Já tinha te dito isso uma vez não? — Ele me olhou sério, mas ainda suas palavras eram calmas e baixas.

– Me desculpa. Eu acho que preciso dormir. — Virei meu rosto. — Você pode ir embora?

– Só se você me prometer que amanhã vai botar esse seu rosto na rua. — Ele estava se levantando da cama.

– Eu prometo.

Quando ele estava prestes a abrir a porta do meu quarto para ir embora eu disse :

– Obrigada Dc.

Ele sorriu e depois fechou a porta.

Meu quarto ficou em silêncio. E um vazio no peito surgiu novamente.

Poderia ter sido você, Cebola.

Esse foi meu último pensamento antes de cair no sono.

Notas finais
Sim, bem curtinho x.x mas prometo que no próximo vou alegrar mais as coisas huehuehue até eu fiquei meio depressiva com esse capítulo x.x Gomen pessoal. Sayonará!