Notas iniciais
Voltei, pessoal! Só um pequeno aviso: esse e o próximo capítulo vão ser os últimos que eu vou postar por um tempinho. Talvez só volte a postar em um mês e pouco. O motivo sendo que eu quero focar em escrever pra ter mais capítulos pra postar pra vocês ao invés de apressar pra escrever e postar. Então aproveitem antes do pequeno recesso! O lado bom: eu gosto bastante desses próximos dois capítulos :)

Ele tinha enlouquecido. Estava completamente e desesperadamente louco. Era a única explicação para o que estava prestes a fazer. Krystian tinha finalmente, depois de muitos anos de tentativas, enlouquecido de vez.

As coisas que se fazia por amor. Era a frase que se repetia na mente dele enquanto ele encarava a janela do quarto de Noah naquela noite. Depois de sair da casa de Bailey, Krystian passou rapidamente na sua casa, pegou algumas coisas para uma surpresa romântica para Noah e partiu para casa de seu namorado.

Agora lá estava ele: encarando a janela do quarto pensando o quão má ideia aquela coisa toda era. Se a família de Noah o visse e pensasse que era um ladrão, chamariam a polícia, ele seria preso, estava ferrado. E se Noah gritasse e corresse pensando que ele era um assassino tentando invadir sua casa. Tinha tantas possibilidades para aquilo dar completamente errado. Era uma loucura.

Bom, mas todos dizem que os apaixonados são um pouco loucos. Quantos não morreram por causa de loucuras de amor. Romeu e Julieta estavam aí para provar que aqueles que amam estão dispostos a ir aos extremos para não perder um ao outro. Krystian estava apaixonado e ele não queria perder Noah.

Ele suspirou, acumulando toda a coragem que tinha em seu corpo, arrumou a mochila que carregava em suas costas e se aproximou da casa, se preparando para sua escalada. A janela do quarto do seu amado como seu objetivo.

+ + +

O coração de Noah estava mais pesado naquela noite enquanto ele encarava o teto do que tinha estado dias atrás quando disse para Josh que não podiam ficar juntos. Ele tinha dito aquilo para trabalhar na própria culpa, fazê-la desaparecer. Fazer com que não quisesse desmoronar toda vez que olhasse para Josh naquela cadeira de rodas. Parecia que tudo estava indo na direção contrária.

Noah se revirou na cama, se encolhendo contra o próprio corpo. Ele estava tão lindo hoje. Josh. O cabelo loiro, o sorriso maroto e brilhante. Mesmo não podendo dançar, mesmo não podendo fazer o que amava, ele estava lá ajudando Noah.

Seus pais tinham perguntado como tinha sido o ensaio quando ele chegou em casa. Noah não tinha conseguido descrever. Linsey tinha percebido que ele não estava tão bem quanto tentava aparentar. Parecia ter sido a única. Ela sussurrou para ele que conversariam pela manhã, que vinha que ele precisava ficar sozinho naquela noite. Noah às vezes se assustava com o quão bem sua irmã o conhecia, quão bem ela podia lê-lo. Quase tão bem quanto Josh. Quase.

Ele fechou os olhos por segundo. No silêncio do quarto, permitiu-se ficar sozinho. Tentou focar em sua respiração, tentou se acalmar, acabar com a culpa. Enterrar seus sentimentos nas camadas mais profundas do seus ser. Seu amor por Josh, sua culpa pelo acidente, sua confusão por causa da gravidez de Any, sua relutância com Krystian. Só queria ficar bem por um segundo. Desde que aquele maldito acidente, nada parecia estar bem.

Uma batida próxima fez com que Noah saísse de seus pensamentos, trazendo-o de volta ao quarto escuro. Ele abriu os olhos e se virou para sua janela, assustando-se ao ver Krystian do lado de fora.

― Krystian?! ― Noah indagou, levantando-se e indo abrir a janela, os olhos não se desviavam do asiático, que tinha um sorriso tímido em seu rosto ― O que tá fazendo aqui?

― Eu vim te ver ― Krystian respondeu enquanto Noah o ajudava a entrar no quarto.

― Eu tenho uma porta da frente ― Noah retrucou, fechando a janela ― E são quase dez da noite! Por que não me avisou que vinha?

― Se eu tivesse te avisado, você teria me deixado vir? ― Krystian rebateu e Noah não conseguiu responder. Pra dizer a verdade, ele não achava que teria deixado ― Por isso não avisei. E se tivesse usado a porta, você teria me mandado embora. Ou melhor, teria dito pra um dos seus pais me mandar embora ― Noah respirou fundo, ele não tinha como rebater as palavras de Krystian. Especialmente porque ele estava dizendo a verdade ― E eu queria te ver.

― Você ia me ver amanhã na escola... ― Noah mumurou, seus olhos encarando o chão.

― Noah... ― Krystian começou a falar, repousando seus dedos no queixo de Noah e levantando sua cabeça. Agora eles estavam olho no olho. O coração de Noah parecia que iria saltar pela boca ― Eu não sou idiota. Eu sei que já faz um tempo que o nosso relacionamento não anda bem.

― Krystian... ― Noah queria parar de ouvir, queria fazê-lo parar de falar. Queria fazer qualquer coisa que não fosse falar sobre o relacionamento deles. Mas não adiantou. Krystian não parou.

― Só me escuta. Eu sei que tem alguma coisa acontecendo, alguma coisa que você não tá me contando. E, talvez seja pelo acidente, talvez seja outra coisa, mas eu quero saber. Quero saber, porque eu quero estar aqui pra você. Quando eu soube do que tinha acontecido com você e o Josh... ― Noah sentiu um gosto ruim em sua boca quando ouviu aquelas palavras ― Tudo o que eu conseguia pensar era que eu não podia te perder. Precisava se você estava bem. Precisava te ver de novo, te abraçar de novo. Te beijar de novo. Eu quero que a gente volte como era no começo. Romântico, mágico. Quando você me fazia pular de alegria só com um olhar.

Noah não sabia o que dizer, seu coração estava tão apertado que estava com medo de despedaçar. Krystian tinha lágrimas se acumulando em seus olhos, parecia estar se esforçando para não chorar. Mas Noah queria que ele chorasse. Queria que estivessem vulneráveis, porque tudo o que queria agora era ser vulnerável. Ser cuidado, abraçado. Beijado.

E palavras não se fizeram presentes. Noah avançou contra os lábios de Krystian, selando-os com um beijo necessário. Um beijo rendido. Um beijo que dizia: “Só me proteja. Me tome essa noite e me faça seu, porque eu não quero ser meu.”

Krystian retribuiu, suas línguas se perdendo umas nas outras. As preocupações pareciam ter desaparecido. O mundo lá fora parecia ter desaparecido. Agora eram só eles. Noah e Krystian. Nada mais importava.

― Eu te amo, Noah ― Krystian soltou em meio ao beijo. Noah sentiu uma pontada no peito. Seus lábios se separaram, suas testas ainda se tocavam. Noah não abriu seus olhos e podia sentir que Krystian também não o tinha feito, suas respirações se encontravam no espaço entre seus lábios ― Me desculpe por todas as brigas que tivemos. Eu te amo muito e eu quero que isso dê certo. Não sei o que tá te incomodando e prometi não te pressionar, então quando estiver pronto pode me contar.

― Krytian... ― Noah praticamente sussurrou o nome do outro. Não econtrava forças para continuar a falar. Não tinha força de vontade o suficiente para completar seu pensamento. Podia dizer que o amava também, mas sentiu que estaria mentindo para Krystian e para si próprio.

― Não fala nada ― os dedos de Krystian tocaram seus lábios ― Só seja meu essa noite e me deixe ser seu. Como era no começo.

― Tudo bem ― foi a última coisa que Noah disse, as últimas palavras que ecooaram naquele quarto antes de Krystian o puxar para mais um beijo. Um beijo profundo, coberto por desejo e calor. Calor que agora percorria todo o corpo de Noah.

Suas mãos passeavam pelos corpos um do outro, amassando suas roupas, agarrando sua pele. A mochila que Krystian carregava foi jogada no chão, as mãos do asiático removeram a camiseta de Noah, expondo seu tronco nu.

Os beijos de Krystian desceram para o pescoço do menino de olhos verdes que, com um último gemido, tropeçou contra cama, fazendo os dois no colchão com seus corpos se tocando e se amando mais do que nunca. Uma paixão que não existia entre eles há muito tempo. E que, mesmo Noah não tendo percebido, tinha sentido falta.

Sentindo os beijos de Krystian descendo do seu pescoço para seu peito e continuando a descer, Noah desistiu de seus pensamentos e se entregou completamente ao prazer de ter o asiático para si novamente.

+ + +

― Obrigado por dormir aqui hoje ― Josh falou em meio à escuridão do quarto. A única luz vinha da lua que iluminava pela janela. Era a única luz de que precisava para encarar Taylor do outro lado da cama.

Ela lançou um sorriso fraco para o melhor e o acariciou na bochecha. Um carinho solidário, não romântico.

― Não parecia que você queria ficar sozinho hoje.

Ele não queria mesmo. Depois de ter contado tudo para Taylor, Josh não parou de chorar nos braços dela por quase dez minutos enquanto estavam estacionados em frente à sua casa. Após alguns instantes, ela disse que não iria embora, que se recusava a deixá-lo sozinho naquele estado.

Taylor tinha ficado pra jantar, tinha conversado com a família, jogado videogame com os irmãos de Josh, agora eles estavam prontos pra dormir. Como eles não tinham planejado aquilo, ela estava usando uma camiseta e uma calça de moletom de Josh para dormir. Não seria a primeira vez, então Josh nem ligou.

― Eu vou ficar bem ― ele indagou, tentando sorrir de volta para ela.

― Você podia ter me contado, sabia? ― Taylor falou, afastando sua mão. Josh queria se revirar na cama, mas já tinha descoberto que era muito mais difícil fazê-lo quando suas pernas eram peso morto ― Sobre você e o Noah.

― Eu não queria que ninguém soubesse.

― Eu sou sua melhor amiga, Josh.

― Ele era meu melhor amigo.

Silêncio. Josh não encarava mais Taylor nos olhos.

― Sabe que podemos encontrar outra pessoa pra ser seu substituto, não é? ― Taylor continuou a falar, mudando o rumo da conversa. Talvez tenha percebido que falar daquilo não mudaria nada do que aconteceu ― Não precisa ser o Noah, se for muito difícil pra você...

― Não ― Josh a cortou ― O Noah é bom, já pegou quase toda a coreografia e a competição é em pouco tempo. Ele é nossa melhor opção, sabe disso.

― Mas, Josh...

― Não vai ser um problema, Tay. Essa competição é muito importante pra você. Eu sei disso, Noah sabe disso. Não vai ser um problema.

― Tudo bem ― Taylor respondeu em um tom fraco ― E o que você vai fazer? Com relação a tudo isso? E a Any?

Josh suspirou. Taylor tinha evitado aquele assunto a noite toda. Any.

― Eu não sei ainda ― Josh admitiu ― Mas esse é um assunto pra amanhã. É melhor a gente dormir um pouco. Tô super cansado.

― Tá bom ― Josh estava prestes a fechar os olhos quando Taylor se aproximou e depositou um beijo carinhoso na testa dele, surpreendendo-o. O gesto, por mais pequeno que possa parecer, fez com que uma sensação revigorante e segura percorresse o corpo dele ― Vai ficar tudo bem, Josh. Prometo que tudo vai se resolver no final.

E, pela primeira vez desde que acordou naquela cama de hospital, Josh decidiu acreditar naquelas palavras. Permitiu-se ter esperança de que ele e Noah ficariam bem. De que ele ficaria bem. E, com esses pensamentos, fechou os olhos e dormiu.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Vai ter uma surpresinha no próximo capítulo :)) Vai sair ainda essa semana.