Sonhos Quebrados
13 Any
Notas iniciais
Era hoje. Não tinha como escapar. Sabina não permitiria que ela escapasse. Talvez se arranjasse alguma desculpa maluca, um compromisso. Uma dor de estômago? Não, Sabina nunca cairia em uma dessas.
Any suspirou enquanto se encarava no espelho do banheiro. Não conseguiria escapar. Sabina iria arrastá-la para a casa de Josh naquela tarde depois da escola como tinha prometido no dia anterior e não tinha nada que pudesse ser feito. Any teria que encarar seu namorado. Ou ex-namorado. Ela nem sabia mais.
Que ótimo. Como contaria para Josh que estava grávida se nem mais sabia onde se encontrava o relacionamento deles?
Talvez fosse melhor não dizer nada. Talvez fosse melhor que ele não soubesse. Que ele nunca soubesse. Aborto não era ilegal na Califórnia nos primeiros meses de gestação, ela poderia ir até uma clínica, se livrar do problema e Josh nunca saberia.
Esse pensamento fez o estômago de Any revirar. Seria mesmo uma solução? Ela queria isso? Não queria mesmo arriscar e ter esse bebê? Tanta coisa pra pensar que ficava difícil pensar em tudo sozinha. Ela precisava de Josh. Sabia disso, mas também sabia que não o queria por perto. Não agora.
Bom, não importaria muito o que ela queria, ela iria estar com Josh naquela tarde depois da escola. Sabina iria garantir tal feito. Não tinha mais o que fazer.
Any se olhou no espelho uma última vez, arrumando seu cabelo encaracolado e, por um puro reflexo, tocou seu estômago, tentando sentir a vida através da pele. Algo se movia, ela podia sentir, mesmo que mínimo. Algo se movia.
Ela pegou sua mochila e saiu do quarto, pronta para ir pra escola. Ou quase pronta.
+ + +
A sala de química estava quase vazia quando ela entrou. Any tinha chegado cedo. Talvez toda a ansiedade com o encontro com Josh fosse a culpada de tal feito. Ela não ligava. Seria apenas mais uma parte da espera até o final do dia.
Ela encontrou Sabina, sentada em uma das mesas do laboratório, Heyoon logo ao seu lado e foi até as meninas. A cadeira ao lado da morena de cabelos lisos estava vaga, então Any se sentou ali, cumprimentando as duas.
― Como foi a noite? ― Sabina perguntou, trazendo Any para a conversa que estava tendo com Heyoon.
― Foi boa ― Any respondeu, tentando sorrir o mais largo sorriso que conseguia. Não precisava que suas amigas percebessem seu baixo astral e a bombardeassem com mil perguntas ― Sobre o que vocês estavam falando?
As meninas não responderam. Em um segundo, o clima mudou. Sabina e Heyoon trocaram um olhar preocupado, como se não soubessem o que responder.
Any percebeu o desconforto, era impossível não perceber, e soube imediatamente sobre o que as duas estavam falando.
― Josh? ― ela indagou, mais como para confirmar do que como uma pergunta propriamente dita.
Heyoon desviou os olhos, mas Sabina não o fez, apenas aproximou mais sua cadeira da de Any.
― Sim, estávamos falando sobre o Josh. Parece que ele começou a fisioterapia.
― Ah ― Any murmurou ― Como... Como você sabe?
― Eu liguei pra mãe dele ontem ― Sabina respondeu ― Pra avisar que estávamos indo visitar hoje. Ela me contou. Você não sabia?
― Claro que sabia ― Any rebateu, tentando soar o mais natural possível. Teria que contar para suas amigas que seu relacionamento com Josh não estava tão bem quanto elas achavam estar, mas com certeza aquela não seria a hora.
Como Any desejou que Noah estivesse ali naquele momento. Podia ir sentar ao seu lado e conversar sobre tudo, sem se preocupar em guardar segredo ou fingir estar bem. Mas ele não estava lá, ainda era cedo demais e ela tinha quase certeza que ele não tinha química no primeiro tempo.
― Eu só perguntei por curiosidade ― Any complementou ― E, sobre ir até lá hoje, Sabi, não acha que é melhor esperar um pouco? Eu não quero sufocar o Josh, entende? Ainda é uma situação difícil pra ele.
― Exatamente por isso ele precisa da gente ― Sabina declarou, sempre a menina positiva disposta ajudar seus amigos. Aquela com quem todos poderiam contar. Any sempre admirou isso em sua amiga, agora só queria que ela fosse o exato oposto ― Imagina o quanto ele deve estar triste, pra baixo. Sozinho. Até a mãe dele falou que achava uma boa ideia ter mais gente na casa. Mais amigos do Josh.
― E você é a namorada dele, Any ― Heyoon complementou, juntando-se novamente à conversa ― É ainda melhor do que a gente, que somos só amigas.
Any suspirou. Não teria como se livrar dessa situação. Tinha certeza disso.
― Eu sei, eu sei. Eu só tô preocupada com ele, gente, é só isso. Não quero... Não quero sufocá-lo.
― Acredite, amiga ― Sabina falou, segurando as mãos de Any como se para confortá-la. Any sentiu seu estômago revirar mais uma vez ― Sufocá-lo um pouco agora pode ser a melhor coisa se fazer.
Any forçou um sorriso enquanto Heyoon mudava de assunto, trazendo Sabina para sua própria conversa. Any se virou na mesa, encarando a frente da sala de aula. Havia um relógio a cima do quadro negro. Ainda faltava muito tempo para a aula começar, o laboratório ainda estava bem vazio.
Com um último suspiro, Any retirou seu caderno de sua mochila, uma caneta e começou a rabiscar pelas páginas. Não eram desenhos ou palavras, nada específico, apenas rabiscos para ajudar a tirar sua mente da realidade. Talvez até mesmo uma prece, implorando para que algo acontecesse, alguém aparecesse para salvá-la daquela situação.
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Noah não tinha aparecido na escola. Nem ele e nem Krystian. Já era hora do almoço e ninguém tinha tido sinal deles. Any tinha tentado ligar para Noah, mas não teve sucesso. Ela perguntou para as meninas, Bailey, para todos na escola, mas ninguém tinha uma resposta. Era como se os dois tivessem só decidido não aparecer naquele exato dia.
Provavelmente estavam passando o dia juntos, transando, namorando, sendo felizes. Algo que Any desejava poder fazer com Josh.
Sabina não tinha parado de tagarelar a manhã inteira sobre se deveriam ou não levar algum presente para Josh. Se alguém passasse e escutasse a conversa das duas sem conhecê-las, diriam que ela era a namorada do loiro e não Any. Antes fosse, seria tudo mais fácil para a morena. Ela não estaria carregando um bebê, Sabina nunca seria tão descuidada. Ela podia ser louca, otimista e controladora de vez em quando, mas não era tonta de engravidar naquela idade. Any era.
Any enfiou um livro em seu armário. Tinha dito que encontraria Sabina e Heyoon no refeitório, precisava de uma pausa de toda aquela positividade. Por um certo ângulo, Any tinha muita inveja de Sabina. Ela era a garota de ouro que todo mundo desejava ser, que todos os pais desejavam ter como filha. Seus pais nunca se preocupariam com a possibilidade dela engravidar porque sabiam o quão responsável ela era. Any se perguntava como seus pais receberiam tal notícia. Talvez ela já esperassem isso dela.
Any sempre foi uma menina menos responsável do que as outras. Nas festas, era a que ficava mais bêbada, a que beijava todo mundo, dançava com quem a puxasse, nunca teve muito juízo por assim dizer. Josh ficava muito bravo com isso no começo do relacionamento deles. Any adorava o ciúmes, não podia mentir.
Agora estava pagando o preço por sua inconsequência. Se tivessem usado camisinha naquela noite, se tivesse estado mais sóbria, se ele tivesse estado mais sóbrio. A culpa não era só dela, Any sabia disso, mas não significava que ela não se culpava pelo que estava acontecendo.
Seu instinto atingiu novamente e, sem que ela percebesse, sua mão estava sobre seu estômago. Tinha que parar com isso, estava virando um hábito. Alguma hora iria fazê-lo na frente de um de seus amigos e teria muito para explicar. Se Sabina visse...
Maldito Noah. Deveria ter aparecido na escola. No dia que Any mais precisa dele, ele não está lá. Se Noah estivesse ali, poderia ajudá-la a inventar uma desculpa, despistar Sabina. Ou talvez ele fosse com elas até a casa de Josh. Any tinha jogado uma bomba nas costas dele na esperança de que ele a ajudasse, mas estava sendo injusta com Noah, sabia disso. Josh e eles eram melhores amigos, pedir que ele escondesse algo tão grande assim...
Any bateu a porta do seu armário e jogou sua cabeça contra o metal, deixando sua testa descansar sobre o material frio.
Ela tinha que contar. Estava mentindo para si mesma se pensava que tinha um cenário nessa história em que não contar para Josh sobre a gravidez terminava em algo bom. Noah sabia disso. Se Sabina soubesse, diria a mesma coisa. Se seus pais soubessem, diriam a mesma coisa.
Seus pais. Como iria contar para eles? E os pais de Josh? O filho acabou de perder o movimento das pernas e agora a namorada dele está grávida. Como lidar com algo assim?
O estômago de Any roncou, arrancando-a de seus pensamentos. Tinha que ir para o refeitório, afinal estava comendo por dois agora.
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Fim das aulas. Carro de Sabina. Não tinha mais volta agora. Pelo menos eram só elas duas indo até a casa de Josh, Any teve medo de Sabina acabar convidando mais gente. Não sabia se conseguiria lidar com mais pessoas assistindo a tragédia que estava acontecendo em sua vida.
Sabina dirigia em uma velocidade normal, mas para Any parecia uma eternidade. Por algum motivo, tudo parecia estar passando devagar enquanto ela assistia as ruas de Los Angeles pela janela do banco do carona. Sabina não tirava os olhos da estrada enquanto falava algo do qual Any não prestava atenção. Tudo no que conseguia pensar era Josh.
A conversa que ela tanto adiou estava próxima. A conversa que ela começou dias antes e tomou rumo mais inesperado que ela poderia pensar, estava prestes a ser concluída. Ou seria? Talvez apenas retomada. Concluída, ela não tinha tanta certeza.
Será que dava para ter certeza de qualquer coisa naquele momento? Por muito tempo, ela tinha certeza de que Josh era sua alma gêmea, o menino com o qual iria passar o resto de sua vida. Sim, eles ainda estavam no ensino médio, mas Any sempre sentiu isso. Sempre sentiu uma forte conexão com Josh. Era como se seus corações fossem um só. Um amor sincero, puro.
Mas agora parecia que esse era só o seu ponto de vista. Josh pensava neles de outra forma. Para ele, o relacionamento já não existia mais. Ou estava desgastado, ou ele não sentia mais nada. Ela não sabia dizer. Quanto mais pensava nas últimas palavras que trocou com Josh, mas Any percebia o quão vaga eles tinham deixado a situação entre eles. Ainda tinha muito para ser dito. Até demais, talvez.
― Any! ― a voz de Sabina. Any desviou o olhar, encarando a menina de cabelos negros ― Você ouviu o que eu falei?
Any demorou alguns segundos para encontrar a própria voz.
― Não, não ouvi. Desculpa. O que você disse?
― Eu perguntei se queria parar no Chiptole e pegar algo pra comer ― Sabina respondeu, intercalando seu olhar entre a estrada em sua frente e Any ao seu lado ― Tá tudo bem com você? Você tem estado estranha o dia inteiro.
― Tá tudo bem sim. Por que não estaria?
― Me diz você. Tem alguma coisa que você não tá me contando?
― Claro que não, Sabi! ― Any rebateu em um tom que ela desejava ter sido mais controlado ― Eu nunca esconderia nada de você. Eu só... Eu só tô pensando no Josh. Só isso.
― Sei ― Sabina indagou, fixando seus olhos na rua ― Tá bom.
Any não discutiu. Podia perceber que Sabina não tinha acreditado, mas não queria entrar nessa conversa agora. De qualquer maneira, se tudo corresse bem com Josh, Sabina saberia exatamente tudo o que estava acontecendo. Então não tinha porque embarcar naquela tortura agora. Bastava esperar.
Então, Any voltou a encarar a rua pela janela do passageiro.
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― Não vou mentir, ― Josh falou, sentado em sua cama com as pernas esticadas ― fiquei surpreso quando minha mãe disse que você tava vindo me visitar. Não achei que fosse querer me ver depois da última vez...
― Acho que exatamente por isso eu precisava vir te ver, não é? ― Any rebateu. Estava sentada em uma cadeira do quarto, a que ficava logo ao lado da bancada de Josh. Estavam sozinhos, Any com suas mãos entre as coxas, nervosa. Sabina tinha dito que iria ajudar Úrsula a preparar um suco, conversar um pouco. Talvez tivesse percebido que Any queria ficar sozinha com Josh. Ou talvez só tivesse assumido que, por serem namorados, iriam querer um tempo a sós. O que importava era que estavam sozinhos ― Eu não queria vir.
Josh engoliu em seco. Ele estava tão lindo. Como sempre, na verdade. Os olhos de um azul profundo, o cabelo penteado para trás e uma bandana branca amarrada na testa. Josh e suas bandanas. Usava uma regata que deixava seus músculos à mostra e uma calça de moletom cinza. Uma barba por fazer. Any o amava tanto.
Mais uma vez o instinto a atingiu e mais uma vez ela levou a mão até seu estômago. Maldito hábito.
― Me desculpa pela última vez ― Josh quebrou o silêncio ― Eu não queria te magoar.
― Você só disse o que estava pensando ― Any respondeu, apertando os dedos contra a pele de sua barriga como se tirando forças do que crescia dentro de si. Ela podia sentir as lágrimas se acumulando em seus olhos enquanto encarava Josh. Por outro lado, ele não parecia demonstrar uma única emoção ― É isso o que você quer mesmo, não é? Terminar?
Ele não desviou o olhar. Nenhum deles o fez. Any encarava aquele mar azul assim como ele encarava sua floresta castanha.
― Eu conversei com o Noah ontem ― foram as palavras que saíram da boca de Josh, pegando Any de surpresa. Ela com certeza não pensava que fosse o que iria ouvir. Estava preparada para tudo, menos aquilo ― Eu ia te ligar depois do que ele me falou.
― E o que ele te falou? ― Any questionou, seus lábios tremendo de ansiedade. Ele sabia? Noah tinha contado?
― Que eu precisava falar com você.
― Sobre? ― o ar no quarto parecia ter diminuído para cinquenta graus negativos. Any podia sentir um calafrio percorrendo seu corpo todo.
― Ele não falou ― Josh respondeu e foi como se uma brisa fresca de verão tivesse atingido Any. O frio passou, o arrepio foi embora, o aperto contra sua barriga diminuiu. Mais as lágrimas ainda ameaçavam cair ― Só falou que eu precisava perguntar pra você. Que eu precisava falar com você.
― Josh... ― Any começou a falar, mas não sabia muito bem como iria concluir aquela frase. Não sabia se tinha as palavras para continuar aquela conversa.
― Você contou pra ele o que eu te falei, né? ― Josh a interrompeu. Palavras não saíram, então Any apenas afirmou com um movimento lento de sua cabeça. Para cima e para baixo ― E o que mais você disse pra ele?
Era agora. Agora era a hora. Diga as palavras, Any. Diga: “Contei pra ele que eu estou grávida”. Acaba com toda essa tortura agora, faz o que você veio aqui para fazer. Conta pra ele.
Mas quando ela abriu a boca, não foram essas palavras que saíram.
― Contei pra ele que eu te amo ― e, pela primeira vez naquela conversa, ela viu o olhar de Josh mudar. A falta expressão, a falta de emoção tinha ido embora ― Eu disse... Disse que não sabia como era possível amar alguém como eu amo você. Que nunca pensei que eu amaria dessa forma, mas eu amo. E... Quando o acidente aconteceu... Quando eu soube das suas pernas... Tudo o que eu queria era te abraçar ― não tinha mais motivo para segurar as lágrimas. Any deixou que as emoções tomassem conta e sentiu a água escorrer de seus olhos ― Eu queria te beijar e dizer que ia ficar tudo bem. Eu queria estar ao seu lado e te deixar bem. Não queria que sofresse ― respirando fundo, ela levantou os olhos, encarando no fundo da alma de Josh ― Disse prar ele que não queria terminar.
Silêncio. Ele não disse nada por alguns segundos, parecendo absorver tudo o que ela disse. Any viu quando os olhos dele marejaram. Talvez a dor dela tenha atingido seu coração. Talvez... Talvez Josh tivesse percebido que ainda a amava também.
Any não sabia dizer porque tinha dito tudo aquilo. Porque não tinha dito sobre a gravidez, porque não tinha aberto o jogo e sido honesta. Assim como a mão sobre sua barriga que insistia em acontecer o dia todo, o que ela disse tinha saído de sua boca por puro instinto.
― Eu me importo com você, Any ― Josh quebrou o silêncio. A voz embarcada como se segurando o próprio choro. Any sentiu uma dor no coração. O tom de voz de Josh dizia tudo ― Me importo de verdade. Mas eu não estou mais apaixonado por você ― mais lágrimas ― Não estou há algum tempo. Eu... Eu sinto muito.
Ela engoliu o próprio choro. Se recusava a derramar mais lágrimas. Não queria. Não queria mais chorar na frente dele.
Então era isso. Tinha acabado. Seu relacionamento... Ela e Josh... Aquele era o fim pra eles.
A gravidez. Tinha que falar da gravidez...
―Agora ― a voz de Josh a impediu de dizer qualquer outra coisa ― Para de mentir pra mim ― aquelas palavras foram como um forte soco no estômago. Em um único instante, suas lágrimas secaram, a vontade de chorar se foi dando lugar a um sentimento mais forte. Mais quente ― Me conta o que mais você disse por Noah.
Any encarou Josh nos olhos. O sentimento que ele tinha demonstrado alguns segundos atrás tinha desaparecido de seu olhar.
― O que? ― ela indagou.
― Eu sei que você ainda tá escondendo algo de mim ― Josh respondeu ― Você dois. Tem algo que estão escondendo e eu sei muito bem disso. Não mente pra mim, Any. Me conta.
Ela não queria mais contar. Não queria mais olhar para ele. Toda a raiva do término, toda a dor de ouvir as palavras que tanto temia de Josh pareceu se acumular em seu peito. Naquele momento, ela decidiu: Josh não iria saber sobre a gravidez. Não agora, pelo menos. Any não conseguiria ter essa conversa depois de ouvir a frieza nas palavras dele.
Ela se levantou da cadeira, arrumando a mochila em suas costas.
― Acho melhor eu ir embora.
― Any! ― Josh protestou, mas ela já estava perto da porta, virando a maçaneta. Ele não podia pará-la, forçá-la a continuar aquela conversa.
― Eu não vou te visitar mais tão frequentemente, Josh ― Any se voltou uma última vez para Josh ― Eu preciso de um tempo. Muita coisa aconteceu e eu... Eu espero que você entenda e... E não me ligue.
Ouvindo os protestos do loiro, Any respirou fundo e saiu do quarto. Aquele não seria o dia que ele descobriria a verdade. Any não sabia o que aconteceria daqui por diante com eles, com seu filho, mas tinha uma certeza: precisava se descobrir sem Josh Beauchamp antes de permitir que ele entrasse em sua vida novamente.
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