Sonhos Escritos

2 Conhecendo aquele que mudaria tudo


Notas iniciais
Vamos começar da melhor maneira possível ou tentar.

Hoje o dia está bonito, alegre com algumas pessoas se divertindo e outras trabalhando e provavelmente a essa hora do dia deve ter alguém dormindo. Bom, estou meio que com fome e com sono. Queria estar em casa comendo ou dormindo.

Há um ano aproximadamente sai da minha cidade natal para começar algumas viagens com minha família. Ao decorrer dessas viagens uma saudade crescente de estar aqui foi se formando e agora que estou não perderia nada para sentir essa brisa em meu rosto mais uma vez.

Um chamado calmo me tirou dos meus pensamentos alheios.

– Diego! Há quanto tempo rapaz, como você está? – Ri sem jeito com esse reencontro, estava cansado e bem com fome também.

– Oi Chris, nem faz tanto tempo assim — Tipo um ano é pouco tempo desde que nos vimos – Eu to ótimo e você?

– Bem obrigado. O que está fazendo há essa hora na rua? – Ele perguntou com certo entusiasmo na voz.

São apenas sete e meia da manhã, o que me traria a rua a não ser a vontade de comer algo em algum lugar... Levar o livro ao editor é algo que tenho que fazer antes de comer.

– Estou a caminho para tentar falar com algum editor e mostrar meu livro – Em breve isso iria se tornar rotina ou não.

– Você não muda nunca. – Disse ele com um tom esperançoso. Como se aquilo acendesse uma chama de alegria, saber que todas as aulas que eu passei dormindo, valeriam pra alguma coisa. Ri sem jeito. O olhar dele era de alguém totalmente renovado.

– Realmente – Soltei um sorriso que nesses momentos seria considerado calmo — Chris, acho que vou ficar por aqui, até qualquer dia.

– Claro. Até mais.

Ele se distanciou aos poucos com passos rápidos e calmos e ao virar a esquina voltei para o meu caminho. Foi meio que calmo até chegar ao prédio onde o meu editor se encontrava, adentrei em sua sala e deixei na sua mesa o rascunho de um capitulo. Estava vendo qual tipo de historia poderia valer a pena. Algumas delas ainda se davam ao luxo de ser interessante o que recentemente não era o caso. Retirei-me e voltei a caminhar a procura de algum lugar para comer e na maior parte dos lugares tinha um movimento constante, eu não gosto de muito barulho.

“Agora já marca nove e quinze em meio relógio, deveria ter ido até lá de ônibus, perdi muito tempo e acho que nenhuma cafeteria estará aberta perto do almoço.”

Continuei o meu caminho até se distanciar cerca de quatro quarteirões do ultimo lugar que havia visto, estava perdendo a vontade de continuar procurando cantos que não tivessem tanta gente. Acabei encontrando uma que estava abrindo.

“Pelo menos não vou ter que escutar muito barulho” Pensei, afinal já estava cansado e não tinha vontade de continuar procurando outro lugar.

Adentrei e notei que o lugar mudou ou seria eu que esqueci completamente de como era? Não importa agora. Aproximei do balcão e pedi um café e alguns pãezinhos de queijo, isso iria distrair a fome até que eu chegasse à minha casa.

No mesmo momento alguém estava entrando no estabelecimento, apenas espiei pelo canto do olho, era um rapaz belo de cabelos vermelhos e olhos negros, não ousei ficar olhando ele por muito tempo, me movi para a mesa enquanto esperava pelo meu café.

Ele parou no balcão e estava a fazer o seu pedido, mesmo não querendo eu não conseguia desviar o olhar dele, até que em um ponto, ele também olhou para mim e sorriu. Desviei o olhar e peguei meu notebook a fim de tentar escrever algo.

Ele se aproximou lentamente e me perguntou:

– Posso ficar na mesma mesa que você? Eu não sou acostumando a comer sozinho.

Eu não consegui resistir a olhar de novo para ele e ele estava aguardando a resposta com um sorriso que eu mal podia dizer não.

– Pode – Respondi sorrindo de volta – Também não gosto muito de comer sozinho.

Enquanto esperávamos que os nossos pedidos chegassem, ele se apresentou seu nome era Will, tinha 20 anos e estava cursando literatura e que estava em um hotel próximo ao lugar onde ele cursava. Apresentei-me formalmente e continuamos a conversar. Nossos pedidos chegaram e paramos para tomar o café, notei que o horário estava chegando perto das dez e meia.

Ele foi até o balcão e pagou a conta, ele pegou sua mochila e falou:

– Bom vou ter que ir, tenho que chegar lá para conhecer o local. Até mais!

– Até mais – Respondi sorrindo.

O mesmo já estava se aproximando na porta quando ele se virou me chamando novamente e falou em um tom calmo:

– Talvez possamos tomar café aqui juntos amanhã de manhã.

Assenti e ele sorriu.

– Até amanhã então.

Ele saiu e eu comecei a cair em pensamentos enquanto fechava o notebook em que nem sequer uma palavra havia sido escrita.

“Será que amanhã eu chegarei a me encontrar com ele de uma maneira diferente a de hoje?”

Levantei-me e quando fui quitar a conta ela disse em um tom nobre:

– O seu amigo pagou a sua conta antes de sair.

Sorri para ela, e me afastei. O motivo ao qual eu estava ficando interessado por ele eu mesmo desconhecia. Seria que finalmente depois de tanto tempo alguém poderia mudar a minha vida ou simplesmente fazer dela algo diferente?

Notas finais
Então como foi esse encontro pra vocês?