Sonhos Escritos

3 Conversa com o editor


Finalmente cheguei à minha casa, coloquei minha mochila no canto e fui até a cozinha preparar algo para o almoço. Depois voltei à sala e peguei meu notebook daqui a alguns minutos eu começaria a utiliza-lo de novo ou pela primeira vez no dia afinal naquela hora apenas deixei aberto... E ele deve ter percebido a pagina em branco... Coloquei o mesmo sobre a mesa e fui tomar um banho.

Mesmo que os meus pensamentos não tivessem nenhuma relação ao que houve de manhã, em quase todo momento, meu pensamento caia para ele, o modo calmo que ele demonstrava ter, aqueles olhos que me chamaram tanto a atenção. Ele em si havia me chamado a atenção. Não importava o quanto eu mantivesse meu foco em outros pontos o que eu gostaria era de ter prolongado aquela conversa, conseguir saber mais, era apenas isso que eu queria naquele momento.

Sai do banho, vesti uma bermuda e enxugando o rosto com a toalha voltei para a cozinha, coloquei a mesma em meus ombros e desliguei o fogão.

Voltando até a sala deitei no sofá e fiquei certo tempo pensando agora no que iria fazer. Até que alguém me chamou:

– Diego você está acordado?

– CREIOEMDEUSPAITODOPODEROSO – Saltei do sofá com um susto que mal posso colocar em palavras. Olhei para quem acabava de ter me arrancado um quase infarto e percebi que era meu editor, tinha hora mais desnecessária do que essa?

– Me desculpe te interrompi enquanto rezava? – Claro, enquanto rezava.

– Não estava rezando e como você entrou aqui?

– Eu tenho a chave se lembra? – Ele falou em um tom arrogante.

“Nota mental: Pegar essa chave ou trocar as fechaduras”

– Claro, eu havia esquecido. Qual o motivo de você ter vindo há essa hora?

– Já marca duas e meia da tarde não foi a essa hora que você pediu que eu estivesse aqui?

“Nota mental: Comprar um caderno para parar de fazer notas mentais eu sempre me esqueço quando faço alguma”

Bom o meu editor se chama Oscar, diferente dos outros ele costuma ser um pouco imprevisível nas visitas e até mesmo toma chá de sumiço quando você quer falar com ele. Parece dono do Um Anel aparece quando quer.

– Foi nessa hora mesmo, vamos resolver logo isso.

Passamos quase a tarde toda falando de como os capítulos tinham ficado ou de como deveriam ficar. Alguns estavam fracos outros fortes demais. E nenhum deles tinha relação com o outro capítulo, o que poderia fazer quanto a isso? Minha mente estava entediada em começar uma simples historia.

– Você chegou a me entregar um capítulo sobre uma guerra espacial e depois um de romance. Tinha alguma relação entre os dois capítulos? – Ele perguntou meio preocupado com a mudança de temas.

Claro que tinha, no primeiro capitulo um E.T vinha para a terra e tinha dois filhos, logo após isso no segundo capitulo começa a guerra sobre adultério.

– Na verdade não tinha nenhuma relação – Em meio ao meu ultimo pensamento quase soltei um sorriso.

Levantei-me e fui até a cozinha colocar meu almoço, não queria morrer de fome antes mesmo que a conversa chegasse ao seu fim. Começamos a comer distraidamente. Querendo apenas achar uma história que valesse a pena escrever ou algo para passar o tempo.

Passamos a ter uma conversa sobre os prazos de entrega e sobre a nova historia que eu deveria empenhar minha criatividade. Isso se prolongou até às seis e meia, antes que ele pudesse ir embora.

Voltei lentamente à sala e puxei alguns pensamentos que achava que nunca mais teria.

“No alto daquele cume, plantei uma roseira... Agora lembrei porque nunca mais pensei nesse poema“.

Quando meu pensamento se focalizou no amanhã, me lembrei, talvez eu não devesse aparecer amanhã na cafeteria. Peguei o notebook e comecei a escrever uma historia que deveria ser entregue ao editor depois de certo tempo.

“E se tudo que estamos destinados a viver fosse apenas uma ilusão? Algo que achamos real, algo inexplicável que mudasse a nossa vida de uma hora para outra, algo como um cara entrando em uma cafeteria e que talvez tivesse te chamado a atenção no mesmo momento. Aqueles cabelos semelhantes ao fogo e os olhos semelhantes à escuridão de um abismo onde nem mesmo a mais forte rajada de luz pudesse iluminar o seu fim”.

Parei e refletir sobre o que tinha acabado de digitar, ele naquele momento tinha dominado cada parte dos meus pensamentos, cada parte das minhas ações. Eu realmente deveria ir até lá amanhã, deveria conversar com ele do mesmo modo que hoje, talvez fosse apenas impressão minha ter me lembrado dele certas partes do dia.

– Isso é apenas minha imaginação, achar que estou pensando nele – Minha voz trêmula nem sequer me enganava. – Talvez seja...

Queria apenas descansar, apenas parar um pouco de pensar nele. Afinal de toda a conversa que tivemos fiquei totalmente fascinado em seu sorriso e em seus olhos. Não sou uma pessoa que passa muito tempo notando as pessoas, só que ele tinha algo de diferente tinha algo que nem mesmo eu havia notado. Então o que o amanhã estaria preparando para mim?

Notas finais
Apresentação de mais um personagem, isso cansa um pouco...