Notas iniciais
Hoje tem dois caps de uma vez gente o/ Espero que gostem huhuhuh Desculpem a demora, viu? T.T

Selene encontrou Beatrice em um grande mausoléu de mármore no cemitério da cidade. Lá ela havia instalado seus equipamentos e estava roubando túmulos, tentando novos experimentos. Encontraram-na deitada no chão empoeirado e repleto de folhas secas. A garota segurava uma pequena rosa vermelha e a apertava contra o coração. Parecia não se importar com os espinhos.

A fada não quis acordá-la, pois nunca vira a garota de lata dormir. Resolveu deixa-la ali mais um pouco e andou pelo cemitério com o gato.

— Por que você insiste em ajudá-la? Uma pessoa sem coração não pode ser boa. — Arquimedes estava desconfiado.

— Não julgue. É muito mais complicado que isso. Essa garota sofreu muito.

— Então me conte.

— Já disse que não posso. A verdade pertence a ela, e só por ela pode ser revelada.

O gato bufou irritado, mas antes que pudesse retrucar uma voz rouca interrompeu a discussão:

— Se está tão curioso, posso te contar a verdade. — Beatrice estava parada atrás dos dois ainda segurando a rosa vermelha. Seus cabelos sujos e bagunçados estavam cheios de folhas secas, o vento parecia ter dificuldades em balançá-los. Seu rosto pálido era perfeito, sem marcas ou manchas, seus lábios perfeitamente desenhados e seus olhos eram grandes e negros, pareciam esconder muitos segredos e sofrimentos. Sua beleza era digna de uma rainha. Mas, depois que teve partes de seu corpo substituídas por lata, não parecia mais humana. Sua voz era extremamente rouca por ter tido sua garganta cortada e as cordas vocais danificadas. Se não fosse a fada azul, ela garota já teria morrido várias vezes.

O gato a observava com curiosidade, e Selene apenas ficou calada. A garota tirou do bolso um pequeno espelho e sussurrou algo que os dois não entenderam. Parecia algum tipo de língua das fadas. Imediatamente o espelho brilhou e mostrou uma rua estreita feita de pedras. Na cena havia uma mulher dando a luz, num canto escondida. Uma voz suave saiu do espelho, contando a história que ali acontecia.

“Há muitos anos atrás numa rua suja e escura, nasceu uma garota. Apesar de não ter defeito algum, a criança foi abandonada no primeiro dia de sua vida pela mulher que deveria chamar de mãe. Maurice era um comerciante bondoso que a achou e a acolheu. Tratou-a como sua própria filha e deu todo amor que poderia dar a uma criança. Tudo ia bem para a garotinha, ela havia encontrado um lar e estava mais feliz que nunca. Vivia enfiada em seus livros, sonhando em viver suas próprias aventuras.

Mas, quando completou seus doze anos, seu pai saiu para uma viagem de negócios e nunca mais retornou. Todos no vilarejo acusavam a Fera por matar o pobre homem. A menina tomada por fúria e vingança pegou a espingarda do irmão mais velho e rumou para o castelo, com o objetivo de matar a besta.

Ela não teve chances. Assim que chegou lá, a Fera desarmou-a e jogou-a no chão, preparando-se para devorá-la. Mas algo o impediu, ele não conseguiu matar tão bela garotinha. Ao invés disso, tornou-a sua prisioneira.

Nada se sabia a respeito da Fera, mas a garota aprendeu muitas coisas no tempo em que esteve no castelo. A Fera tinha sido um homem, mas fora amaldiçoado há muitos anos. Uma feiticeira transformou-o numa besta horrenda e mortal até que seu coração voltasse a ser humano. No começo estava condenado durante as luas cheias, mas acostumou-se com a forma e desistiu de sua humanidade, não tinha mais esperanças de que alguém pudesse amar um monstro. Ele viveu sozinho em seu castelo por muitos anos e acabou se tornando o que sua aparência mostrava. Era uma besta. Não mais falava, não mais raciocinava. Apenas matava. Mas a garota mudou isso. No momento em que a viu, tão frágil e bela, sentiu seu coração pulsar depois de tanto tempo. Sua humanidade que estava adormecida em sua mente acordara e poupara a vida da pequena.

O tempo ensinou a garota a perdoar e ela se afeiçoou a fera. Se tornaram próximos e cada vez mais ela o fazia lembrar-se de sua humanidade. Acostumou-se a chamar de Bela, por ser a criatura mais bela que já havia visto. Por nove anos viveram juntos, e aquele se tornara o novo lar dela. Ele a fazia feliz naquele lugar, era gentil e bondoso. E ela o ensinou a ler, falar e amar novamente.

Ainda assim não ganhara sua liberdade, pois a fera temia que ela o deixasse assim que a tornasse livre. Mas ele não sabia que Bela também aprendera algo com ele. Aprendeu a amar um monstro.

No dia que Bela completou vinte e um anos, a Fera tornou-a livre, mesmo sabendo que ela o deixaria, pois a amava a tal ponto de deixa-la ir. Também sabia que morreria se ela não retornasse. Seu prazo estava acabando e via as pétalas da rosa caírem, indicando que seu tempo estava se esgotando. Seria Bela capaz de salvá-lo da maldição? ”

Notas finais
Hummm, o que estão achando dos novos personagens? ^^