Notas iniciais
Bom, ai está o capitulo, desculpem se demorei a postar!
Enfim, boa leitura!

Havia parado um pouco perto da padaria, suas pernas não permitiram que andasse mais devido à fome que sentia, se escorou em um lado do beco e puxou o capuz para frente do rosto, ficou observando quem transitava pela rua para conseguir comida. Viu duas madames passarem por ela, como se fosse invisível. Sorriu de canto. Era assim que todos daquela sociedade hipócrita a tratava, como se fosse invisível, como se ela fosse um nada que não merecia nem respirar o mesmo ar que eles.

Voltou a observar as duas mulheres que passaram por ela, uma tinha cabelos loiros compridos e a outra cabelos rosados, o que lhe chamou a atenção, só não sabia se era pelo fato da cor incomum dos cabelos ou se era porque a mulher segurava uma sacola com comida. Ambas, aparentavam terem dinheiro e pegar um pouco daquela comida não faria muita diferença, além do mais viu que a rosada tinha no braço, uma pulseira que poderia lhe render uma boa grana e que não faria falta a dona. Puxou o ar com força para os pulmões, para reunir as últimas forças e correu em direção às mesmas. Não iria tentar ser sutil como fez com o velho, se ouvisse algo com certeza iria se arrepender e no momento tinha que calar sua consciência para alimentar seu estômago.

Sakura estava tão distraída com Ino que só sentiu ser empurrada com brutalidade para o lado, a fazendo cair em cima de Ino e sentir a sacola que estava em suas mãos ser puxada violentamente junto com a pulseira de ouro que havia ganhado de presente de Sasuke. Ino percebendo o que estava acontecendo e com medo do assaltante tentar fazer alguma coisa com elas começou a gritar pedindo ajuda a policia, enquanto tentava se levantar junto com Sakura.

Saori não olhou para trás para ver quem eram, apenas pegou o que queria e saiu em disparada ao perceber que uma das mulheres estava gritando para a policia. Não demorou muito e pode ver dois policiais em seu encalço. Se havia alguma dúvida de que elas eram ricas, teve sua comprovação, afinal, a polícia só era tão eficiente para aparecer dessa forma rápida quando se tratava de gente rica. Sentiu um dos policiais puxar o seu braço para trás e por reflexo utilizou a outra mão para lhe dar um soco e fazer com lhe soltasse, ainda tinha a sacola na mão, mas a pulseira já estava escondida no casaco para caso fosse capturada.

O outro policial tentou pegá-la pela frente lhe impossibilitando de continuar correndo, tentou se esquivar, mas antes que pudesse fazê-lo o primeiro policial, novamente, havia lhe agarrado o braço e logo em seguida o que lhe bloqueava também a segurava para que não conseguisse bater de novo no companheiro. Debatia-se, insistentemente, enquanto ia arrastada a gritos, xingamentos e pancadas para tentar lhe controlar até as duas mulheres que olhavam horrorizadas a cena, pelo visto nunca haviam sido assaltadas.

- Me solta! Seus filhos da puta! Eu não fiz nada! — berrava aos quatro ventos para a deixarem em paz. Sem sucesso.

- Calado! Ladrãozinho! – falou um dos policiais enquanto desferia um golpe mais forte na cabeça de Saori que não agüentou e cambaleou para frente, sendo solta, no mesmo momento, a fazendo cair de joelhos perante Sakura e Ino, que não sabiam o que fazer. – Agora devolva o que roubou das senhoras. Anda, pivete! – esbravejou mais uma vez o tira.

- Eu não roubei nada! — tentou se defender, mas não adiantou, mais uma vez foi golpeada a fazendo arquear o corpo para frente. – Malditos! Foi só um saco com doces, eu estava com fome! Não fiz nada de errado, eu só queria comer! – gritou de novo, tentando convencê-los.

Sakura se penalizou da cena e do garoto e quando viu que os policiais iriam desferir um novo golpe, interrompeu os mesmos gritando:

- Parem, deixem o garoto em paz! – falou olhando raivosa para os tiras, como podiam ser tão insensíveis, pensava.

- Sakura... – chamou Ino – Deixe os guardas resolverem o assunto, eles estão acostumados a lidar com esse tipo de situação... – tentou argumentar, mas foi interrompida pela amiga.

- Não Ino, eles não sabem lidar com a situação, onde já se viu bater em um garoto indefeso por pegar um pouco de comida! – esbravejou a rosada.

- Senhora, nos perdoe, mas esse garoto não é indefeso, pelo contrário, é um delinqüente que nos agrediu e a senhora também, estamos apenas fazendo nosso trabalho perante a sociedade. – tentou se justificar um dos policiais, ambos, sabiam que estavam indo contra a conduta da policia ao agredir um menor que não estava oferecendo resistência ou risco a alguém, e se aquela senhora os denunciassem poderiam até perder seus distintivos.

- Pois o que vejo é um garoto faminto que está apanhando sem ter a chance de se defender! E se é o trabalho de vocês agredi-lo por ter fome, e ter roubado uns míseros doces, eu recuso seus trabalhos, então soltem-no pois não darei queixa do que houve. – replicou Sakura aos tiras e depois voltou seu olhar para o jovem – E quanto a você pode ficar com os doces. – falou mais brandamente e com um singelo sorriso no rosto.

Mesmo a contragosto os policiais soltaram Saori, que observava a discussão da senhora e dos policiais em silencio e em profundo choque, não entendia o motivo daquela mulher a defender e a tratar tão cordialmente se havia acabado de lhe assaltar e como assim “míseros doces”? Será que ela não havia dado por falta da pulseira? Antes que pudesse entender o que havia acontecido ali, Saori saiu correndo em disparada para o lado contrário em que estavam, desaparecendo da vista de todos, sem deixar um único som sair da sua boca, sem agradecer pelo que haviam feito por ela, com medo de que sua salvadora se arrependesse e acabasse tendo que voltar para o orfanato.

-*-

- Ainda acho que foi imprudente Sakura! – ralhou Ino – Aquele garoto podia ser perigoso, e se ele quiser vir atrás de você?

- Não seja boba Ino! Porque ele viria atrás de mim? Só fiz o que achei certo, aquele menino estava com fome! – tentou justificar Sakura.

- Como assim “porque”? Sakura, ele pode tentar te perseguir e te roubar de novo! Sei que não gostou da atitude dos policiais, nem eu gostei, mas, talvez, fosse necessária!

- Necessária? Ino, não diga um absurdo desses, o pobre menino não tinha nem como se defender!

- Mas ele também não me pareceu nem um pouco agradecido por você ter salvado a pele dele! E talvez ele tente algo contra você de novo, por saber que não fará nada contra um “menino indefeso” – rebateu Ino, ambas estavam saindo do hospital e ainda discutiam sobre o ocorrido de mais cedo – e tem mais... – tentou falar mas foi interrompida por Sasuke que havia chegado para buscar sua esposa e havia ouvido parte da conversa.

- O que aconteceu para vocês estarem discutindo? – perguntou olhando para Sakura.

- Nada – respondeu a mesma, não queria preocupar Sasuke com algo que sabia que não ia dar em nada.

- Nada? Como nada, Sakura? – respondeu Ino, indignada – Acontece Sasuke, que fomos vitimas de um assalto e Sakura não quis dar queixa por pena do garoto – falou para o moreno.

A primeira coisa que Sasuke fez foi repreender mulher com o olhar, já havia entendido o motivo da discussão, para logo depois procurar no corpo da mesma qualquer sinal de que estava ferida ou machucada. Parou o olhar no pulso de Sakura e falou:

- Não pegaram o ladrão? – ao receber o sinal afirmativo das duas mulheres voltou a falar – Então onde esta sua pulseira, Sakura?

Sakura apenas levou a mão ao pulso no qual deveria estar à pulseira, havia dado falta por ela, mas preferiu no dizer nada para não piorar a situação do jovem. Não precisou de muito para que Sasuke entendesse que a mulher havia deixado o ladrão levar a jóia, sabia que sua esposa tinha bom coração, mas temia que por causa disso acabasse se machucando.

- Quem foi? – perguntou já um pouco irritado, não era pelo fato da jóia em si, mas iria se certificar de que o ladrão pagasse pela audácia de roubar sua mulher e dessa forma, mostrar que era melhor não tentar de novo.

- Sasuke... – tentou Sakura mas foi interrompida pelo marido.

- Diga logo, Sakura! Não posso deixar isso impune, esse cara pode tentar alguma coisa com você de novo! – falou ríspido, iria até a delegacia e faria a queixa do infrator mesmo que a mulher se recusasse.

- Podemos terminar essa conversa em casa, pelo menos? – ao ver o marido confirmando mesmo a contra gosto, suspirou, desde daquele incêndio Sasuke havia ficado muito mais protetor com relação a sua família. Não podia culpá-lo, sabia que fazia isso por amá-los, mas, às vezes, passava dos limites, esperava ao menos não ter que discutir sobre isso por muito tempo.

Notas finais
Gostaram? Puxa, algumas pessoas tinham acertado em cheio quando disseram que a Saori ia a roubar a mãe! Mas as coisas não foram tão simples assim, né? Afinal, a Sakura não reconheceu a filha, se passou muito tempo e Saori mudou muito desde quando tinha cinco anos, além de que a Sakura pensou em se tratar de um garoto! E Saori, bom, ela não lembra de nada! Mas i ai o que acharam? mereço reviews?
beijos e até a próxima!