Sonhos De Uma Outra Vida
7 Capítulo 7
Notas iniciais
boa leitura!
Estava deitada em cima de algumas caixas de papelão improvisadas para ser sua cama naquela noite, mas não conseguia dormir. Não era pelo fato de estar com medo por estar dormindo em beco escuro na rua, não, isso ela já estava acostumada, nem se devia ao fato de temer que alguém aparecesse e lhe fizesse mal, sabia que ninguém apareceria à uma hora dessas, já devia passar da meia-noite, além de que o maior perigo, para ela, seriam policiais rondando a área e ela já havia se certificado que ninguém passava por lá. O motivo para que não conseguisse fechar os olhos e dormir era porque toda vez que fazia isso via o rosto daquela mulher de cabelos rosados e seu sorriso gentil.
Toda vez que fechava os olhos se lembrava da cena e de como ela havia a defendido, havia lhe livrado dos tiras e ainda lhe deu a comida que havia roubado de si. Sem contar com o fato que não disse nada com relação à pulseira que também havia pegado. Colocou a mão no casaco que vestia e tirou a pulseira de um dos bolsos, ficou a observar a jóia em suas mãos, era delicada e via-se de longe que era cara, havia um pingente em forma de uma pétala de cerejeira e outro em forma de coração, neste último pode ver que havia gravado duas letras, provavelmente a inicial de um nome, “US”. “Por que ela me deixou ficar com isso? Parecia ser importante, a pessoa que deu essa pulseira deve significar algo para dar um presente desses!” pensava. Mas quanto mais pensava nisso, menos entendia a aquela mulher.
Podia simplesmente esquecer isso e vender a pulseira, conseguiria um bom dinheiro e não precisaria roubar por um tempo, quem sabe até não conseguisse sair daquela cidade e tentar a sorte em outro lugar. Apertou a pulseira na mão e fechou os olhos com força, nunca ninguém havia sido tão bom com ela sem pedir algo em troca, se lembrava de Hikari e como seus favores sempre vinham acompanhados de um “mas”, se lembrou também que o mais perto que havia conseguido de um amigo era um pintor que morava nas ruas e lhe ensinou a desenhar e mesmo assim, não foi algo que ele havia feito sem receber nada em troca, ela tinha que ajudar o mesmo como podia com o que aprendia. Por isso, aquele gesto totalmente altruísta era novidade para ela, a mulher não ganhava em nada e mesmo assim a ajudou.
Além disso, para Saori, não existia um gesto totalmente altruísta, para ela, todas as pessoas tentavam tirar proveito uma das outras, todas tinham alguma intenção por trás daquele ato, aparentemente, bondoso. Foi isso que aprendeu durante os anos em que viveu tanto no orfanato como na rua. E agora aparecia essa mulher e confundia tudo em sua cabeça. Suspirou cansada com o fato de que esses pensamentos não paravam de atormentá-la, sem contar com o fato de que havia saído de lá correndo sem ao menos agradecer a mesma. Voltou a analisar a pulseira, podia ao menos agradecer, pensou. Mas logo desistiu da idéia, o que iria dizer? Desculpe por ter te assaltado e obrigado por não me denunciar e me dar sua pulseira que, a propósito, eu vendi? Não, aquilo seria ridículo e provavelmente ela nem se lembraria de si ou olharia na sua cara depois de ter fugido sem agradecer.
Pensou em devolver a pulseira, “Isso seria o certo a fazer!”. Balançou a cabeça tentando afastar tais pensamentos, podia ser o certo, mas não podia fazer isso, precisava daquela pulseira, afinal, seria com ela que conseguiria sobreviver mais tempo fora daquele orfanato. Além do mais se ela não deu falta da pulseira e nem pediu de volta talvez não fosse tão importante assim, e provavelmente nem conseguiria encontrar a mulher de novo e mesmo se conseguisse duvidava conseguir falar com ela. Ela não devia nem se lembrar e nem faria questão de falar com alguém como ela. Apertou novamente a pulseira, odiava aquela situação, odiava que lhe menosprezasse e a humilhasse, odiava que a tratassem como se fosse um nada. Não iria passar por essa humilhação, não precisava devolver nada, não precisava agradecer, “ela fez isso porque quis!o problema é dela!” decidiu por fim, determinada que iria dormir.
-*-
A noite de Saori não foi das melhores mesmo dizendo que não iria mais pensar naquilo, era mais fácil falar do que fazer, agora se encontrava andando pelas ruas meio sem rumo, ainda perdida em pensamentos. A pulseira permanecia consigo, não teve coragem de vender, apesar de lhe oferecerem uma boa grana. Parou em frente à vitrine de uma loja e reparou no seu reflexo, parecia um menino de rua com o boné virado para trás e cobrindo os longos cabelos que tinha, sem falar da roupa larga que usava, mas nunca ninguém ligou para isso, nunca ninguém ligou para nada relacionado a ela, e Saori também nunca ligou para isso ou para o que os outros pensavam, para toda a sociedade ela era invisível, mas saber que alguém a havia visto e feito algo para a ajudar, mesmo sem pensar, a fez se decidir: iria devolver a pulseira aquela senhora. Nem que fosse a última coisa que fizesse.
-*-
Já fazia alguns dias que havia feito aquela promessa de devolver a pulseira a mulher de cabelos rosas, mas aquilo estava se mostrando cada vez mais difícil de se realizar. Não havia nem sequer visto novamente a mulher, parecia que tinha evaporado da terra. O único lado bom é que com esse propósito de devolver a pulseira, não tinha mais visto Hikari o que já era uma coisa que deixava Saori feliz. Outra coisa boa é que não tinha mais passado fome, quer dizer, pelo menos tinha um pouco para tapar o estômago, já que não havia comido todos os doces que a mulher lhe deu naquele dia, mas sabia que aquilo não ia durar muito tempo.
Voltou sua atenção à rua ao se deparar com a mesma mulher loira do dia do assalto, “elas eram amigas, quem sabe consigo algo com ela?”. Saori sempre foi uma garota muito esperta, tinha um raciocínio rápido e por isso sempre sabia se livrar de algumas armações, encontrar a loira não significava que iria até lá perguntar, pois sabia que a policia seria chamada de novo por medo que fosse outro assalto. Mas era bem provável que ambas estivessem ou saindo para um passeio ou estivessem em algum intervalo de trabalho e foram à padaria, Saori torcia para que fosse o segundo e resolveu seguir a loira para ver aonde ia.
Para sua sorte a loira não pegou nenhum carro, o que significava que para onde quer que estivesse indo era um lugar perto como naquele dia o que reforçou a sua idéia de terem parado lá por acaso, já que não era comum pessoas com dinheiro saírem andando por ai ao invés de usar carro. De vez em quando, se escondia para não pensarem que estava seguindo a mulher tão descaradamente, pois aquilo poderia chamar atenção para si e a corda sempre arrebentava do lado mais fraco, ou seja, o seu.
Viu quando a loira adentrou um grande portão de ferro e se pôs a observar o local, era um hospital particular da cidade, na verdade aquele era “O” hospital particular da cidade, considerado um dos melhores do país, o St. Gakure Hospital. Nunca tinha posto os pés lá e achava que nunca iria por, não tinha dinheiro para se tratar lá, quando sofria maus tratos no orfanato ou na rua era encaminhada para um hospital público que mal tinha verba para manter o ambiente, e mesmo que fosse como visita os seguranças do local não pareciam que iriam acreditar em suas boas intenções. Suspirou e se deixou sentar em um canto do lado de fora, longe das vistas dos seguranças e de qualquer um, iria esperar para ver se a mulher trabalhava mesmo naquele local e se confirmasse isso, devolveria a pulseira quando saísse.
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Sakura suspirou cansada, o dia havia sido muito agitado com seus pacientes, a única coisa que queria agora era encerrar o expediente e ir tomar um banho em casa e ficar com seu marido. Guardou o seu jaleco e foi se despedir de Ino. Caminhou para fora do hospital para esperar Sasuke que iria lhe buscar.
Saori já estava cansada de esperar e estava quase desistindo de ficar ali plantada quando a viu. A mulher de cabelos rosados dava passos calmos em direção à saída. Era a sua chance! Levantou-se, mas só conseguiu dar dois passos antes de ver que ela não estava sozinha, um homem muito bonito de cabelos e olhos negros estava a esperando, encostado em um carro que parecia ser muito caro. Aquele homem parecia ser alguém poderoso, notava-se de longe pelo porte que era um homem sério e que impunha muito respeito aos outros. Não soube explicar, mas parecia que já tinha o visto antes. Ansiedade de ir falar com ele e receio se misturavam dentro dela. Balançou a cabeça para afastar tais pensamentos, afinal nunca que alguém como ele iria lhe dirigir a palavra ou poderia a conhecer.
Sakura ao ver Sasuke lhe esperando não pode deixar de exibir um sorriso, não importava quantos anos passassem, Sasuke sempre seria lindo como no dia em que o conheceu. Sasuke sorriu de canto ao vê-la, tinha que admitir pelo menos para si mesmo que sem Sakura provavelmente não conseguiria seguir em frente, a amava com todas as forças, se aproximou da mesma e envolveu sua cintura depositando um beijo apaixonado em seus lábios, sem saber que eram observados por uma garota que olhava a cena um pouco corada.
Saori não pode evitar corar com a cena que via, ”eles são tão bonitos juntos! Será que são as iniciais dele que estão na pulseira?”. Essa era outra coisa que não entendia, eles se amavam muito, isso era nítido para qualquer um que visse os dois juntos e um presente daqueles deveria significar alguma coisa, não tinha sentido aquela mulher permitir que ficasse com tal presente, aquilo a deixava confusa. Voltou a observar a cena a sua frente, sentiu algo apertar seu peito, parecia que já havia visto isso, tentou forçar a mente para se lembrar, mas logo sentiu a cabeça latejar e resolveu desistir. Lembrou-se do motivo de estar ali, no entanto, ficou compelida a se mover, alguma coisa lhe alertava que o homem podia amar muito a sua mulher, entretanto, talvez não tivesse tanta compaixão com alguém que tivesse roubado sua esposa.
Viu o casal se afastar, entrar no carro e sumir de suas vistas. Suspirou pesadamente, como se um peso saísse dentro de si, não entendeu o que havia acontecido, se sentiu estranha com algo que nem sabia explicar o motivo. Preferiu não pensar no assunto sua cabeça já começava a dar sinais de uma bela enxaqueca, era melhor descansar e outro dia entregar a pulseira, já que agora sabia onde encontrar a rosada.
Notas finais
beijos e até a próxima!
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