Notas iniciais
Feliz Natal, pessoal!!!^^ É, eu sei que estou atrasada, mas como prometido antes do Natal... quer dizer no dia de Natal eu trouxe um presente para vocês!^^ MAS ANTES gostaria de agradecer imensamente aos reviews maravilhosos que recebi e gostaria de dedicar esse capítulo a Biawhite e CherryChan pelas recomendações maravilhosas!!! Eu as amei meninas!! *-* Agora, eu gostaria de dar três avisos: Primeiro, esse capítulo não está muito com o espírito natalino, então sintam-se avisados!^^ Segundo, o capítulo ficou imenso e, como sempre, ficou faltando coisa, então teremos mais um capítulo além do planejado! Só mais um! E, terceiro... hum... não lembro do terceiro! kkkk Bom, boa leitura!

Mais uma vez estava escorado naquele portão a espera dela. Bufou um pouco irritado pela sensação de déjà vu. Algumas meninas vieram conversar com ele, mas logo as dispensou, não estava com cabeça para flerte, na verdade, desde que descobriu estar apaixonado por Saori, não via mais graça nas outras garotas. Passou a mão nos fios loiros pensando o que havia acontecido consigo para mudar tanto, jamais se imaginou dando fora em alguma garota.

– Será que ela não vem de novo? – perguntou para si um pouco apreensivo e em seguida olhou de soslaio para a irmã que estava ao seu lado rindo junto de Akane.

– Qual a graça? – indagou curioso.

– Nada! – Hana e Akane responderam risonhas, ambas já haviam percebido a mudança de comportamento do mais velho e ficavam felizes por vê-lo tão diferente, principalmente a irmã que não aguentava mais as fãs do loiro.

– Não se preocupe! O tio Sasuke não a deixaria faltar mais de um dia na escola, tenho certeza! – Hana disse para tranquilizar o irmão que até tentou rebater quando foi interrompido por Akane.

– Oe, Hana-chan! – chamou a prima com os olhos arregalados.

– Nani? O que foi Akane? – indagou estranhando o jeito da outra perolada que apenas apontou para algo fora do colégio. Hana e Hideo se viraram para ver o que a prima queria mostrar, mas para o loiro não havia nada fora do normal que explicasse o comportamento da Hyuuga.

– Não entendi! O que houve? – Hideo perguntou e viu sua irmã ficar pálida e tão assustada quanto Akane – Oe, imouto-chan, Akane, vocês estão bem? – tentou chamar a atenção das duas que passaram a conversar entre si e a ignorá-lo.

– M-mas o que ele está fazendo aqui? – Hana questionou olhando para a prima.

– E-eu não sei... a Saori disse que tinha resolvido tudo, lembra? – a Hyuuga respondeu sem desviar o olhar da figura parada do outro lado da rua – Ontem eu pensei ter visto algo, mas agora...

– Oe, do que estão falando? – Hideo se pronunciou irritado – O que a Saori resolveu? Porque estão assustadas com algo? – as duas garotas se entreolharam por um momento sem saber ao certo o que responder e antes que Hana começasse a falar, o mais velho a interrompeu mais uma vez – Não tente me enganar Hana!

A Uzumaki não pode evitar o bico que se formou em seus lábios, mas seu irmão a conhecia bem demais para saber que ela poderia tentar enganar a todos, menos ele, além disso havia o fato de que ele havia a chamado pelo nome o que significava que Hideo não estava com humor para brincadeiras. Suspirou resignada, dessa vez ela não pretendia mentir sobre o que estava acontecendo, mesmo tendo feito uma promessa para Saori, alguma coisa lhe dizia que naquele momento o mais certo a se fazer era contar toda a verdade para Hideo.

– Do outro lado da rua, perto da esquina, tem um moreno de camisa vermelha surrada e jeans, está vendo? – murmurou Hana, olhando para o outro lado. Hideo observou a rua discretamente e pode ver a figura descrita pela irmã quase escondida e ao reconhecê-lo cerrou os punhos com raiva.

– O nome dele é Hikari! A Saori e ele foram criados no mesmo orfanato! – Akane continuou e Hideo franziu o cenho ao ouvir aquilo e a interrompeu:

– Esperem! Como sabem disso? De onde vocês o conhecem? – Hideo se lembrava dele, pois era o mesmo cara que havia visto com Saori um tempo atrás e que depois soube que foi o responsável por toda aquela armação do assalto, mas como as duas garotas o reconheciam se nunca o haviam visto de fato?

– Bom...é porque nós já nos encontramos com ele! – Akane praticamente sussurrou, envergonhada.

– VOCÊS O QUÊ? – gritou Hideo e Hana teve que tampar a boca do irmão para impedir que chamasse mais atenção.

– Hideo-nii, não grite! – pediu antes de ter a sua mão retirada bruscamente pelo loiro.

– Me contem essa história direitinho! – mandou Hideo, cruzando os braços em frente ao peito.

Hana e Akane apenas aquiesceram e iniciaram a narrativa, contando sobre o dia depois da festa em que haviam saído e como foram abordadas por Hikari durante o passeio, falaram sobre como ele as ameaçou e como Saori havia as salvado e que haviam prometido para a morena que não contariam nada a ninguém sobre o que havia acontecido. Hideo ouviu tudo calado e quando terminaram somente disse:

– Bakas! Como puderam concordar com isso? Ficaram loucas?

– Gomen, nii-san! Mas eu havia prometido...

– Não importa! Não se faz uma promessa como essa Hana! – interrompeu Hideo furioso.

– Mas logo em seguida, Saori nos falou que ele foi preso, então não vimos necessidade de contar o que aconteceu! – Akane também tentou se justificar com o primo.

– Meu Kami! E se as coisas não tivessem dado certas? E se Saori não conseguisse ter resolvido tudo? Pelo que parece ele está solto agora! – Hideo continuava a esbravejar com as mais novas.

– Gomen... – disseram as duas juntas com a cabeça baixa e o loiro respirou fundo para tentar se controlar.

– Se falo isso é porque eu me preocupo com vocês! Naquele dia nossos pais ficaram desesperados pelo simples fato de vocês demorarem, imagina se algo acontecesse a vocês três? – ponderou o Uzumaki – Mas agora isso não importa, apenas me prometam que não vão esconder mais algo desse tipo, ok?

– Hai! Mas nii-san...o que você acha que esse cara está fazendo por aqui? – indagou Hana, temendo pela resposta.

– Não sei! Mas pelo o que entendi... – pausou antes de se virar para a prima – Akane, você disse que achou ter visto ele ontem por aqui também?

– Bom...eu acho que era ele, mas não tenho certeza! – respondeu confusa – O que isso tem a ver?

– Hum... nada! Não se preocupem, eu vou resolver tudo! Agora vão pra sala, pois a aula de vocês já deve começar! – respondeu sorrindo para as menores.

– Hideo e você? Não está querendo brigar com esse cara, não é? A Saori disse que ele é perigoso! – avisou Akane temendo pelo loiro.

– Oe, eu não sou de arrumar briga, sabem disso! E não vou fazer nada, somente esperar para ver se a Saori e o Daisuke chegam! Daqui a pouco eu vou pra sala também! – tentou tranquilizar as garotas, praticamente as obrigando a irem para a sala.

– Onegai nii-san, não faça nenhum idiotice! – pediu Hana antes de partir com Akane ao passo que o loiro apenas sorriu e maneou a cabeça em concordância.

Observou as mais novas adentrarem as portas do colégio para em seguida ir em direção do portão do colégio, somente uns poucos alunos corriam apressados para assistir as aulas e viu quando Hikari se afastou de onde estava, caminhando pela rua. Apertou a alça da mochila e, inventando alguma desculpa esfarrapada para o vigia, saiu do colégio, seguindo sorrateiramente o moreno. Ele tinha certeza que a aparição daquele sujeito significava apenas uma coisa, ele procurava por Saori e Hideo se certificaria de não deixar Hikari encostar em um só fio de cabelo da morena.

–*-

O dia parecia agradável e vento soprava refrescando a sua pele do calor, mas ela não conseguia se concentrar na paisagem, muito menos nas ruas ou nas pessoas que passavam por si enquanto seus pés calmamente a levavam em direção à escola, mesmo que ela estivesse atrasada. Estava totalmente submersa nos seus pensamentos. Talvez a palavra correta fosse que estava submersa em preocupações. Desde que acordara não havia encontrado nem Daisuke ou Sasuke e ao perguntar a Chiyo não obteve a resposta que queria.

Flashback on

– Ohayo Chiyo! – cumprimentou a garota sonolenta para a senhora que depositava somente o seu café da manhã na mesa e estranhou – Onde está o Daisuke? Ele já saiu? Eu não o vi no quarto dele!

– O menino Daisuke ainda não chegou! – disse suspirando para a garota que arregalou os olhos com as palavras pronunciadas.

– Aquele baka! Deve estar querendo morrer! – resmungou para si, antes de se notar algo – E o Sasuke-san? Onde está? Não me diga que ele foi atrás do Daisuke? – Saori falou um pouco alarmada com a possibilidade de isso acontecer, mas se acalmou ao ver a idosa negar com a cabeça.

– Lie! Sasuke-sama não foi atrás dele! Mas saiu bem cedo hoje!

– Saiu? Pra onde? – Chiyo olhou para a menina e de modo hesitante respondeu:

– Ele foi para o hospital! Parece que aconteceu algo com a Sakura-sama e... – mas antes que pudesse finalizar a fala Saori se levantou abruptamente da mesa e bradou:

– O que aconteceu com ela?

– Calma menina Saori! – disse ao se aproximar da garota que já tinha os olhos cheios de lágrimas – Não sabemos o que aconteceu ainda! Se acalme! Ah! Por Kami eu não deveria ter lhe contado! Sasuke-sama me avisou sobre isso!

– Nani? – Saori disse confusa enquanto passava a mão nos olhos para limpar os vestígios das lágrimas.

– Sasuke-sama pediu que eu não lhe contasse nada! Ele disse que era para vocês irem para o colégio e que depois mandava notícias! – afirmou a velha senhora e Saori sentiu o seu sangue ferver por ser deixada de lado.

– Ele não pode me mandar fazer isso! Eu também quero saber como a Sakura-san está! – exclamou raivosa.

– Menina Saori, ele só não quer preocupá-los! – Chiyo tentou amenizar.

– Ou então ele não quer que eu cause mais problemas à família dele! – disse ressentida.

– Não seja boba! Você foi responsável por trazer vida a essa família que tanto sofreu, não pense assim! – Chiyo falou afavelmente e Saori apenas suspirou encolhendo os ombros – Vamos tome o seu café agora e não se preocupe!

Flashback off

Depois disso ela foi praticamente forçada a comer pela idosa já que todo o seu apetite havia ido embora. E apesar de Chiyo tentar puxar conversa, Saori não conseguia pensar em nada que não fosse a rosada e seu estado de saúde. Após o café, ela ainda teve que insistir muito para conseguir fazer com que a mais velha permitisse que ela fosse a pé para a escola ao invés de deixar o motorista levá-la.

Mas Saori preferia mil vezes andar a pé a chegar de motorista no “Gaiken”, até porque dessa forma poderia pensar com mais calma nas coisas. Ela não teve nenhuma pista ontem sobre o paradeiro de Hikari, mas agora teria uma boa oportunidade de sair para procurar, bastava ela se desviar um pouco do caminho, o problema era que ela não falava com Daisuke desde ontem e ela começava a se preocupar com o paradeiro do rapaz, não sabia explicar, mas tinha um mau pressentimento com tudo o que estava acontecendo. Mordeu o lábio em dúvida sobre o faria: encontrar com Daisuke ou ir atrás de Hikari?

Parou ao ver o sinal de pedestres fechar e ficou observando o fluxo de carros passar por si, enquanto procurava uma solução. Sasuke não queria envolvê-la ou dizer o que estava acontecendo com Sakura e isso fazia com que Saori tivesse vontade de ir procurar por respostas ela mesma, mais uma vez, e fazê-lo se arrepender das palavras que proferiu, mas, ao mesmo tempo, temia que de repente o mais velho fosse ao seu encontro para dar alguma notícia e não estivesse lá. Ela queria saber como Sakura estava e também tinha o fato de que ir para o “Gaiken”, mesmo não tendo cabeça para estudar, poderia lhe distrair um pouco, além de que tinha certeza que encontraria Daisuke ou pelo menos Sasame para que explicasse o motivo desse comportamento estranho do rapaz.

Ao ver as pessoas se movimentarem ao seu lado, retomou sua caminhada, resolvida que primeiro conversaria com Daisuke para depois voltar a procurar por Hikari. Pena que faltando três quarteirões para chegar ao colégio teve uma surpresa desagradável que a fez mudar seus planos.

– Ora, ora, quem é vivo sempre aparece não é, boneca? –disse chamando a atenção da garota que parou de andar abruptamente ao ouvir aquela voz.

– Hikari... – murmurou, ficando em frente ao moreno que estava escorado em uma parede na esquina da rua.

– Então, ainda sabe o meu nome? Estou impressionado! – falou sarcástico – Como anda a vida? Sabe, eu passei umas férias bem interessantes na cadeia, mas você sabe disso, não é? Afinal, foi você que me colocou lá! – disse exasperado.

– Tsc, e você devia apodrecer lá! Aliás, como conseguiu sair?– rebateu apertando a alça da mochila, ela sabia que estava cutucando a fera, mas também sabia que o mais velho não faria nada consigo, pelo menos não enquanto tivessem plateia.

– Sempre tão engraçadinha! Porque não vamos para algum lugar mais silencioso e relembramos os velhos tempos? – disse em falso tom de voz amigável, segurando-a pelo braço, mas Saori rapidamente se esquivou.

– Não sou tão burra a ponto de ir para qualquer lugar que você me leve, Hikari! – bradou, pois mesmo que quisesse confrontá-lo sabia que, agora que tinha a certeza que ele estava livre, ele iria querer se vingar dela. – Conversemos aqui!

– Saori, Saori... – disse balançando a cabeça em desaprovação — ...acho que você ainda não entendeu a sua situação aqui! – se aproximou da menina que instintivamente deu dois passos para trás – Se você não fizer o que eu estou mandando e me seguir como uma boa garota, eu não posso garantir que o playboyzinho fique bem também! – murmurou e sorriu de forma mordaz.

Saori arregalou os olhos e se afastou para observar melhor o rosto de Hikari, não acreditando no que ouvira. De quem ele estava falando? E como um estalo lhe veio à mente o rosto de Daisuke. Não, não tinha como ele ter pegado Daisuke. Não! Aquilo era um absurdo, um blefe para segui-lo! Franziu o cenho e empurrou o rapaz para longe de si e respondeu entredentes:

– Está mentindo! Acha que vou acreditar nisso? – em resposta, Hikari apenas retirou um celular do bolso, mostrando a imagem que aparecia no visor: Daisuke amordaçado, com as mãos e pés amarrados em uma cadeira, seu rosto pendia para o lado e era possível ver um filete de sangue escorrendo por seu rosto.

A visão do rapaz ferido fez Saori estremecer e antes que pudesse raciocinar seu corpo começou a tremer e ela já havia se lançado sobre o moreno, desferindo golpes e gritando para soltá-lo. Hikari não esperava essa explosão de raiva da garota, por isso acabou sentindo o rosto latejar de dor pelo soco que recebera, mas não demorou a contê-la ao agarrar os seus braços.

– Vadia! – vociferou e observou que algumas pessoas observavam o pequeno show que Saori havia dado. Bufou irritado, pois se continuasse assim não conseguiria seguir com o plano, então começou a encenar – Não precisa ficar com ciúmes, boneca! Você sabe que eu só tenho olhos para você! – disse a abraçando e sussurrou para a menina – Eu juro que se continuar com isso, seu amiguinho não vai ver mais a luz do dia!

Saori ainda arfava de raiva e até tentou se debater e gritar alguns desaforos para Hikari, mas ela notou que o moreno falava sério e, provavelmente, só estava piorando a sua situação, então abaixou a cabeça e seguiu o moreno sem dizer mais nada. Não colocaria Daisuke em mais perigo.

– É assim que eu gosto boneca! – Hikari sorriu e a puxou indo em direção ao centro da cidade e Saori já sabia para onde estava indo, o beco que ficava perto da padaria onde não havia muita movimentação e ninguém a ouviria ou a salvaria.

–*-

– Já estamos sozinhos, diga o que quer de uma vez, Hikari! – disse Saori se livrando do agarre do moreno.

– Você pode até ter mudado as suas roupas, mas continua a mesma garota de rua que eu conheci, esses Uchiha’s não te deram educação, não? – falou desbocado.

– Só gasto a minha educação com quem merece! – rebateu sorrindo cínica.

– Então, eu acho que mereço se quiser ver o seu amiguinho vivo, não acha? – Hikari falou mostrando o celular para a garota que se encolheu. Ela estava de mãos atadas.

– Daisuke não se deixaria ser pego com facilidade... – murmurou, sem encará-lo.

– E quem disse que foi fácil? Até que eles foram bem compreensíveis com o playboy quando ele tentou fugir, se fosse eu tinha feito coisa pior, você sabe... – sorriu de forma vil.

– Eles? Eles quem? Pensei que fosse algum plano seu! – questionou e arqueou uma sobrancelha, quem mais estaria trabalhando com Hikari para fazer isso? E por quê? – Isso tem alguma coisa a ver com o que você fez com a Sakura-san?

– Não sei do que está falando! – desconversou Hikari – Agora...

– Hikari, foi você que feriu a Sakura-san, não foi? Você fez isso para se vingar de mim, não foi? – esbravejou Saori, não queria mais ouvir meias verdades, precisava de explicações e agora.

– Baixe a bola garota, minha paciência está no limite! – disse entredentes arremessando Saori contra a parede que gemeu pelo impacto. – Se esqueceu do que você me fez? Eu só não acabo com você agora porque tem mais gente na fila! – vociferou apertando o rosto da menina com a mão.

– Me solte! – esbravejou, empurrando Hikari que apenas recuou dois passos – O que quer dizer com isso? Me explica, droga!

– Se quer tanto saber eu vou te contar – falou risonho e antes que Saori pudesse perceber sentiu uma faca zunir perto do seu rosto, causando um pequeno ferimento na sua bochecha – Não fui eu que fiz aquilo com a médica rosada, infelizmente, ou então teria me aproveitado mais da circunstância – e riu malicioso ao ver os orbes ônix faiscarem de ódio.

– Seu desgraçado!

– Mas sabe boneca... a culpa disso é sua! – disse, encarando a menor com a faca próxima ao pescoço desta – Se tivesse me obedecido, nada disso estaria acontecendo...

– Você quer a mim, não é? Então solte Daisuke, eu fico no lugar dele e você pode fazer o que quiser comigo! – interrompeu o moreno desviando o olhar para o chão, não via alternativa para salvar o Uchiha. Hikari era quem tinha todas as cartas na manga agora.

– Não é essa questão, porque agora você e os Uchiha’s vão pagar caro, mas mesmo que eu tenha que te levar viva para eles, não significa que não possamos nos divertir juntos! – disse apertando o braço de Saori que tentou se livrar do agarre — E sabe o que é melhor? Eu ainda vou receber por acabar com a sua raça! – disse antes de posicionar a faca para ferir Saori que fechou automaticamente os olhos para não ver o estrago que ele faria.

– Não se eu puder evitar! – uma voz bradou e Saori viu Hideo afastando Hikari de perto de si e desferir um soco que fez com que o moreno caísse no chão.

– H-Hideo? – gaguejou sem acreditar que ele estava ali. “Como ele soube?” Se questionou.

O loiro apenas a olhou de soslaio e por mais que tivesse vontade de perguntar como ela estava, ver o sangue que escorria pela bochecha da garota foi o suficiente para que ele deixasse a fúria se apoderar dele. Estava furioso consigo por ter perdido o moreno de vista e por aquele desgraçado ter ferido Saori. Voltou à atenção para Hikari que se levantava e vinha ao seu encontro com a arma em punho. Saori sentiu um arrepio na espinha ao ver o olhar que o loiro desferiu para si, se achava que já havia visto o Uzumaki com raiva, agora ela tinha certeza que ele estava colérico, mesmo assim não pode deixar de se preocupar com o fato dele ser o único a lutar de modo justo enquanto Hikari trapaceava ao manusear a faca.

Hikari não esperava a visita de mais alguém, porém isso não o intimidou e bramindo a faca começou a desferir golpes com a intenção de acertar o loiro que fazia o máximo para se esquivar. Hideo não conseguia se aproximar do moreno e aquilo estava o irritando ainda mais, quando deu por si estava encurralado no fim do beco. Sem ver um modo de fugir, acabou se distraindo e somente sentiu a pele do braço rasgar e a dor se acumular naquela região enquanto sangue se esvaia. Droga, não havia conseguido desviar rápido o suficiente!

Saori gritou o nome do rapaz ao vê-lo ferido e, de forma desesperada, agarrou o braço de Hikari que segurava a faca, enquanto ele estava com a guarda baixa, e bateu com toda a força que tinha no rosto dele, seus dedos doeram, mas continuou a bater até sentir um corte profundo ser feito na mão, gemeu de dor enquanto o moreno se recuperava dos golpes e se preparava para atacá-la mais uma vez. Porém, antes que Hikari pudesse fazer outro movimento, Hideo se atirou mais uma vez no moreno o derrubando no chão e jogando para longe a arma.

– Agora vamos ver se você ainda vai ser corajoso o suficiente para brigar comigo! – vociferou o Uzumaki que começou a bater repetidamente no rosto de Hikari que tentava se defender da melhor forma que podia, até conseguiu dar dois murros no rosto do loiro que sentiu o sangue o escorrer pelo rosto, mas aquilo não foi o suficiente para fazê-lo parar.

Saori observava a cena de olhos arregalados e de seu rosto já transbordava lágrimas. Ao ver Hideo interromper a briga e cair ao lado de Hikari, o qual se encontrava desacordado, correu em sua direção para ver como o loiro como estava. Ela ainda não acreditava que ele estava ali e que a havia salvado. Hideo estava de olhos fechados e respirava com dificuldade, da sua boca escorria sangue assim como do seu nariz, mas o que parecia pior era o braço que ele segurava fortemente, ela nem sabia como ele ainda teve força para bater daquele jeito. Ficara tão preocupada com ele e vê-lo machucado dessa forma fazia seu coração se apertar por ter sido ela a culpada pelo estado que se encontrava. Ela tinha que admitir que ele era muito bom de briga, mas nunca mais queria ter que vê-lo desse jeito. Agachou-se ao seu lado e pôs a mão no cabelo dele enquanto o via abrir os olhos e sua respiração se acalmava.

– Você está bem? – indagou o loiro preocupado ao ver a morena chorar em cima de si.

– Baka! Se eu estou bem? Eu que devia lhe perguntar isso! – esbravejou, soluçando – É você que está sangrando aqui! Baka, baka, baka! – brigou com a voz embargada, mas no fundo estava agradecida pelo loiro estar bem e com ela ali.

– Calma! – Hideo disse sorrindo com um pouco de sangue nos dentes e afagou o rosto da menina, onde Hikari havia a machucado e suspirou, deixando o sorriso morrer – Devia ter sido mais rápido! – murmurou, mas Saori apenas negou com a cabeça e replicou:

–Lie! Nunca mais faça isso! Me prometa que não vai mais se arriscar desse jeito!

– Não posso prometer isso, eu já disse que independente de você querer ou não eu não vou deixar você sozinha ou me afastar! – Hideo contestou fazendo força para se levantar, mas Saori o impediu.

– Baka, não se esforce tanto! Você ainda está sangrando! Como pode ser tão teimoso? Você não tinha nada a ver com isso, não devia ter se envolvido!

– Se tem a haver com você, é claro que eu vou me meter! – suspirou Hideo ao ver que iniciariam uma briga – Saori, você...

Mas antes que pudesse terminar a frase sentiu os lábios de Saori pressionar os seus enquanto sentia o gosto das lágrimas salgadas que a garota derramava. O beijo havia sido uma mistura de alívio, desespero e ao mesmo tempo tão terno que Hideo ficou atônito quando a garota se afastou e lhe olhou encabulada.

– Você é muito teimoso! Se continuar assim esse namoro não vai dar certo! – murmurou sentindo o rosto esquentar.

– Só sendo teimoso para conseguir e... O QUE VOCÊ DISSE? – gritou o Uzumaki ao compreender as palavras que Saori dissera.

– Não precisa gritar! – rebateu irritada e depois se encolheu timidamente – Se você não quiser mais ficar comigo eu vou entender e... – mas foi a vez do loiro a calar com um beijo de tão feliz que estava, mesmo que no fundo estivesse um pouco frustrado consigo por ter sido Saori quem propôs o namoro, mesmo que ele já tivesse insinuado a proposta outras vezes.

Não demorou muito e Hideo ligou para a polícia e uma ambulância, explicando o que acontecera e logo vieram socorrê-los. Saori havia esclarecido tudo que acontecera e o que Hikari lhe dissera e ela praticamente teve que berrar para o loiro não ir em direção ao moreno que estava recebendo os cuidados médicos, ainda desacordado. Hikari em seguida seria levado para a polícia onde iria responder mais uma vez por seus crimes e Hideo tinha certeza de que agora nem com fiança ele sairia de lá. Saori respirou aliviada torcendo para que isso fosse verdade.

– Como me achou? – indagou de frente para Hideo que era examinado pelo paramédico.

– Eu vi Hikari em frente ao colégio e pensei que ele pudesse estar atrás de você e o segui, mas como o perdi de vista, acabei me atrasando, gomen! – se desculpou.

– Porque está me pedindo desculpas? Se não fosse você...eu não sei o que aconteceria... – disse limpando as lágrimas que ainda insistiam em cair. Ela não se reconhecia ali, havia ficado tão aflita por ver Hideo se machucar e mesmo sabendo que tudo estava bem, não conseguia parar de chorar.

– Não pense nisso! Está tudo bem agora! – Hideo disse puxando-a para perto de si e fez uma careta de dor ao sentir o paramédico reclamar que não deveria fazer movimentos bruscos enquanto a ferida permanecesse a aberta.

– Desse jeito vai ficar mais que uma cicatriz! – criticou o paramédico e Saori suspirou, antes de se pronunciar:

– Gomen a culpa é minha! – Hideo teve vontade de bater naquele cara por deixar Saori triste.

– Não tem problema! É só uma cicatriz, não é como se eu não tivesse nenhuma! – falou sorrindo para alegrá-la.

– Duvido!

– Bom, agora que estamos namorando você pode conferir quando quiser o meu corpo para ver se tem mais alguma cicatriz! – rebateu piscando o olho e riu ao ver Saori corar para logo depois brigar consigo. Ele realmente preferia vê-la irritada do que com aquela cara triste que fizera há pouco. – Ah droga!

– O que foi? Está doendo? – inquiriu a morena preocupada, tentando ver o que o paramédico fazia.

– Lie! É que eu esqueci a minha mochila lá no beco! – bufou irritado.

– Deixa que eu pego pra você! – Saori se ofereceu, mas antes que pudesse dar um passo, Hideo a puxou mais uma vez pra si, dando um selinho nela como forma de despedida.

– Agora você pode ir! – respondeu sorrindo e Saori sentiu o rosto ficar quente pelo fato de outras pessoas estarem olhando, mas respirou fundo e foi buscar a mochila do loiro, sem reclamar, mesmo que ela ainda não estivesse acostumada com esse carinho todo.

– É a minha namorada! – Hideo disse para o paramédico com um sorriso bobo e orgulhoso no rosto que apenas revirou os olhos e balançou a cabeça dizendo algo como “adolescentes!” antes de continuar o seu serviço.

Não estava muito longe da ambulância onde Hideo estava, mas como havia muita gente em volta, curiosa para saber o que havia acontecido, chegar até o beco foi quase uma tarefa extenuante, ainda mais porque teve que passar do cerco que a polícia havia feito. Suspirou ao ver a mochila de Hideo jogada no chão e caminhou calmamente até lá, no fundo ela ainda estava preocupada com o que aconteceria a partir de agora. Temia por Daisuke e mais ainda por não saber seu paradeiro. Agachou-se, pegando a mochila enquanto refletia de que forma iria contar para Sasuke que seu filho fora sequestrado por culpa dela?

Além disso, havia o fato de que agora não sabia quem poderia ter ferido Sakura, já que Hikari disse que outras pessoas estavam envolvidas. Ela não se lembrava de mais ninguém que pudesse ter alguma coisa contra si, quer dizer, até sabia, mas fazia tempo que não tinha qualquer contato ou notícia dessas pessoas, foi quando uma lembrança lhe veio a mente:

– E na verdade era o seu amigo delinquente quem estava lá! Ele nos contou tudo!

– Qual era mesmo o nome dele? Hikari?

Porque Karin havia sido tão clara em dizer que fora Hikari o responsável por machucar Sakura? Se fosse qualquer outra pessoa, Saori talvez nem procuraria por respostas, mas como se tratava do moreno e como havia sido acusada na frente de todos, era óbvio que iria tirar satisfação. Mas aquilo não fazia sentido! Porque Karin havia dito o nome de Hikari? Porque a ruiva mentiria? Arregalou os olhos ao ter uma ideia do porquê. Ela tinha que ver Sasuke imediatamente e contar o que havia acontecido e o que descobrira, mas estava tão absorta em seus pensamentos que não notou quando uma figura saiu das sombras até sentir um pano tampar o seu nariz e a boca.

Debateu-se, mas seus braços haviam sido imobilizados facilmente, logo sua força começou a se esvair e sua vista começou a nublar enquanto era tragada pela escuridão.

–*-

Já estava naquele maldito hospital desde cedo e até agora não havia nem sinal do médico que cuidava de Sakura. Bufou impaciente se levantando pela milésima vez daquela poltrona para andar, novamente, por aquela pequena sala que era o consultório do médico. Naruto, Hinata e Karin também haviam ido ficar consigo enquanto esperava notícias, mas naquele momento se encontrava sozinho na sala do médico, pois aquela demora estava o irritando demais. Suspirou ao pensar que nem havia conseguido avisar Saori ou esperar Daisuke chegar para conversarem, até porque não queria deixa-los ainda mais preocupados, sendo que nem ele sabia do motivo que haviam o telefonado para ir até lá. Lembrando-se dos menores, resolveu ligar para casa e falar com Chiyo, não demorou muito e velha senhora atendeu ao telefone:

Residência dos Uchiha’s?

– Chiyo! Como estão as coisas ai? – indagou, ficando de frente para a janela do consultório.

– Ah Sasuke-sama! – a idosa hesitou um pouco e Sasuke estranhou – Está tudo bem! A Saori já foi para o colégio, como o senhor pediu! – completou um pouco nervosa.

– Ótimo! E Daisuke? – a velha senhora ficou muda por um momento e Sasuke já imaginava o que isso significava – Ele ainda não chegou em casa? – questionou entredentes.

– Talvez ele tenha ido direto para o colégio, senhor!– disse Chiyo na vã tentativa de acalmar o patrão. Sasuke respirou fundo para se controlar.

– Assim que ele chegar mande-o me ligar! Nos falamos depois! – se despediu e encerrou a chamada para em seguida digitar o número do filho. Daisuke teria que se explicar! Porém, ninguém atendeu.

Já ia tentar uma segunda vez quando viu o número do “Gaiken School” aparecer no visor e suspirou imaginando se Saori havia aprontado mais alguma coisa.

– Diga Tsunade! – falou massageando as têmporas.

Sasuke, precisamos conversar! Sei que você está passando por um momento difícil, mas se Saori faltar mais um dia, ela pode perder a bolsa! – disse de uma vez e o Uchiha franziu o cenho.

– Como assim? Saori não foi para a aula?

Lie! É por isso que eu estou ligando, ela está ai com você, não é? – questionou Tsunade confusa.

Não! Eu mandei que fosse para o colégio, pensei que estivesse ai! E Daisuke? Ele foi para a aula? – Sasuke começou a ficar inquieto e passou a andar de um lado para o outro da sala ao imaginar a resposta.

Também não veio, por isso resolvi ligar! Achei que os dois estivessem com você e a Sakura no hospital! – Tsunade deu uma pausa antes de continuar – Sasuke, não se preocupe! Depois eu converso com a Saori sobre isso! Os dois devem ter resolvido matar aula juntos, daqui a pouco eles vão até você!

– Humf...e quando vierem ficarão de castigo até completarem a maioridade! – disse exasperado, bagunçando o cabelo. Agora não era a hora para se deixar levar pela raiva, mas eles não podiam estar o ajudando em um momento como esse? Ouviu a diretora suspirar e retomar a fala:

Mas eu não liguei só por causa disso!

– Outra boa novidade? – retrucou de forma irônica e Tsunade teve que contar mentalmente até dez para não explodir com o Uchiha.

Eu consegui aquilo que você me pediu e...

– Aquilo o quê? – cortou Sasuke, pensando onde os dois menores deviam estar.

Se esqueceu dos documentos que queria que eu conseguisse? – e isso fez Sasuke estancar no lugar, de frente para a porta ao ouvir isso. Ele se lembrava muito bem que pedira a Tsunade para que ela conseguisse algumas informações sobre Saori no hospital onde a menina foi atendida, mas com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, havia se esquecido de saber sobre os resultados.

– Lie! Então o que você tem?

Muita coisa se perdeu nos arquivos do “Konoha Central”, mas eu consegui o nome do médico que estava de plantão naquela noite, então foi mais fácil arranjar os arquivos. Shizune já está a caminho daí para entregar a você! – Tsunade hesitou um pouco, antes de continuar – Mas eu não aguentei e resolvi te contar logo, Sasuke é bom que esteja preparado, pois a Saori...

– Senhor Uchiha! – o médico irrompeu a sala e Sasuke afastou o celular da orelha a fim de ouvir as novidades sobre Sakura.

– Tsunade, conversamos depois! Mande Shizune que eu vejo o resultado aqui! — disse para a loira que ainda tentava se fazer ouvida quando o moreno desligou o telefone e se virou para o médico – Então como Sakura está?

– Por favor, me acompanhe! – disse o médico se virando para sair da sala com o prontuário em mãos. O Uchiha viu que os amigos também aguardavam do lado de fora da sala e caminharam pelo corredor indo em direção ao quarto que Sakura estava. – Eu o chamei aqui porque houve uma mudança no quadro da sua esposa! – disse e Sasuke sentiu seu coração se apertar com medo do que isso significaria.

– Que mudança? Ela está bem? – indagou visivelmente preocupado.

– Sasuke-kun, você tem que ser forte! – tentou consolar Karin ao por mão no ombro de Sasuke que a ignorou, ele aguardava uma resposta do médico que parou em frente ao cômodo onde a rosada estava e indicando a porta, respondeu com um sorriso no rosto:

– Porque não verifica o senhor mesmo?

Sasuke não esperou nem um segundo antes de deixar os amigos para trás e irromper por aquela porta e ao abrir se deparou com a sua esposa, acordada e conversando com uma Ino chorosa ao seu lado. A rosada ao ouvir o barulho voltou o olhar para porta, vendo o seu marido parado a lhe observar. Sasuke se apressou para ficar perto da sua Sakura e tomou o rosto delicado em suas mãos, admirando profundamente os orbes esmeraldas que tanto sentira falta e que tanto lhe preocupara.

Ele tentava murmurar algo, mas sua voz não saía, ele apenas queria ter certeza que ela estava realmente ali consigo e em seus braços. Seu peito batia forte e sentia os olhos arderem com medo de que fosse um sonho e acordasse a qualquer momento, mas ao vê-la sorrir para si a fim de tranquilizá-lo, ele soube que era verdade. O pior já havia passado. Tocou suavemente os lábios da esposa com medo de machucá-la e sentiu a pequena mão de Sakura, ainda com soro, passear por seu rosto e sem poder aguentar mais aprofundou o beijo, mostrando toda a saudade e o amor que sentia.

– Está tudo bem Sasuke-kun! – Sakura murmurou ao se separar do moreno que voltou a abraçá-la.

– Eu sei! – suspirou aliviado, beijando o topo da cabeça dela – Agora eu sei que tudo vai ficar bem!

– Eu sabia que a Sakura-chan iria superar isso rapidinho ‘ttebayo! – Naruto se manifestou chamando a atenção da rosada que viu o loiro abraçando uma Hinata emocionada.

– Na verdade, Sakura ainda ficará internada aqui por mais alguns dias! – disse o médico.

– Quanto tempo? – indagou Sasuke ao lado da mulher.

– Ainda temos que fazer mais alguns exames para saber se está tudo bem e se não ficará nenhuma sequela, mas creio que está tudo bem agora! Por isso lhe ligamos! – avisou o médico antes de se despedir e sair para ver os outros pacientes.

– Testuda, estou tão feliz que você acordou! – disse Ino empurrando Sasuke para o lado para abraçar a amiga – Nunca mais me dê um susto desses, ouviu? E você tem que explicar muita coisa, viu?

– Hai! Eu sei! Mas eu queria que Daisuke e Saori também ouvissem, onde eles estão? – indagou sondando com os orbes esmeraldas o quarto.

Desde que abrira os olhos bem cedo naquele dia, mesmo desorientada e causando um alvoroço por não saber onde estava exatamente, a única coisa que pensara era em ver os filhos e Sasuke. Ela se lembrava perfeitamente do que acontecera e queria vê-los, conversar com eles e explicar tudo a eles. Mas o médico a convenceu a se acalmar e esperar que fossem feitos alguns exames antes de permitir que Sasuke e outros lhe visitassem.

E agora ao ver o seu marido parado na porta do quarto lhe observando, sentiu o seu coração se aquecer e bater descompassadamente enquanto borboletas voavam em seu estômago, a mesma sensação que sentia nos tempos do colégio, e ela sabia que sempre estaria irremediavelmente apaixonada pelo seu moreno não importava quanto tempo passasse e sempre sentiria essa mesma sensação ao vê-lo. Mas, ao mesmo tempo, se decepcionou por não ver os dois menores ao seu lado como esperou, mesmo que também estivesse feliz com a presença dos outros amigos.

Sasuke suspirou sem saber como responder a pergunta da mulher e isso não passou despercebido por ela:

– Qual o problema? Onde eles estão? – indagou com a voz um pouco agitada, tendo um mau pressentimento.

– Antes de qualquer coisa me responda uma coisa, você foi aquele beco por causa da Saori? – inquiriu curioso e Sakura, surpresa, apenas meneou a cabeça em concordância. – Então, quer dizer, que foi mesmo o tal de Hikari que fez isso com você?

– Hikari? Porque...não, espere um momento Sasuke! Como sabe disso? – e foi a vez de Sakura ficar confusa ao ver o marido hesitar em responder.

– Karin nos contou! – por isso Ino interveio em seu lugar. A menção ao nome da ruiva fez Sakura tremer e ficar agitada.

– Karin? O que ela disse? Onde está Saori? – questionou fazendo força para se sentar na cama, sendo prontamente impedida por Sasuke e Ino.

– Sakura, se acalme! Vou ainda não tem condições de fazer movimentos bruscos! – Ino a repreendeu.

– Sasuke, me diga o que aconteceu? – se virou para o moreno em busca de respostas.

– Não aconteceu nada, eles apenas estão um pouco chateados comigo e eu os mandei ir para o colégio! – respondeu – Mas porque todo esse alvoroço por causa da Karin?

– Porque é por culpa dela que eu estou aqui! – vociferou e todos na sala se espantaram com as palavras ditas pela rosada.

– Sakura, você deve estar confusa! Foi Karin quem a salvou e a trouxe para o hospital! – Hinata se manifestou ao se aproximar da amiga.

– Lie!

– Sakura, Karin te salvou e ficou todos esses dias aqui no hospital junto de mim para apoiar a sua recuperação! – Sasuke rebateu não conseguindo acreditar no que a mulher dissera.

– Não acredito que vai acreditar naquela vaca? Onde ela está agora se é tão minha amiga? — contrapôs a rosada e todos os presentes começaram a procurar pela figura ruiva que só agora haviam percebido não estar presente no recinto.

– Não pode ser! – murmurou Sasuke desorientado – Ela também estava machucada e se quisesse nem precisava te salvar, Sakura! Isso não faz o menor sentido! – desabafou.

– Foi ela Sasuke! Ela me enganou, nós brigamos e eu acabei levando um tiro – e começou a contar o que acontecera.

Flashback on

– O que você está fazendo aqui? – questionou Sakura.

– Eu é que te pergunto! O que faz aqui, Sakura? – Karin indagou enquanto se aproximava da rosada que instintivamente se afastou – Qual o problema Sakura? Parece até que está com medo de mim! – disse zombeteira.

– Me responda Karin!

– Por Kami! Vi você passando por aqui e resolvi vim falar com você! Satisfeita? – disse um pouco irritada pela falta de confiança da rosada – Aqui é um pouco perigoso, não era para você estar aqui! – disse dando ênfase na palavra “você”.

– Eu vim me encontrar com alguém! – respondeu, sentindo um arrepio percorrer sua espinha, tinha alguma coisa errada ali.

– O Sasuke sabe disso? – indagou com um sorriso malicioso e Sakura a fuzilou com os olhos.

– Lie! É a respeito de Saori, por isso estou aqui! – rebateu e ruiva suspirou.

– Sakura, porque não deixa essa órfã em paz? Devolva-a para o orfanato ou para as ruas que é o lugar onde pertence e vá embora! É um conselho de amiga! – disse sorrindo, parando ao lado de Sakura.

– Já disse que não quero que fale dela assim! Eu a adotarei e ela será a minha filha! – disse entredentes, sem entender o que a ruiva tinha para estar tão insuportável.

– Tudo bem! Então vamos ter que mudar o plano! Mas, talvez, esse seja mais divertido! – disse com um sorriso estranho nos lábios.

– O que quer dizer? – deu mais um passo para trás.

– Confesso que eu realmente não esperava por você! O meu objetivo era a maltrapilha e dei muita sorte de passar por aqui bem na hora que você resolveu aparecer! – falou sondando Sakura que ficava cada vez mais confusa.

– Foi você quem entregou aquela carta para a Saori?

– Eu? Não! – disse com um sorriso cínico no rosto – Quem fez isso foi outra pessoa, mas isso não vem ao caso!

– Karin, eu não entendo, o que quer?– inquiriu Sakura tentando não acreditar no que sua mente lhe dizia. Não podia ser verdade, Karin era sua amiga há anos! – Pare de brincar! Nós somos amigas! – disse sorrindo nervosamente e ruiva começou a rir descontroladamente.

– Francamente Sakura! Não venha me dizer que acreditou nessa história de “amigas”! Mas, você sempre foi muito tola e sempre confiava nos outros, por exemplo em Sasori! – Sakura arregalou os olhos ao ouvir o nome do ruivo – Mesmo sabendo que Sasuke não gostava dele, você acreditou que ele era seu amigo e o deixou se aproximar!

– Porque está fazendo isso? O que Sasori tem a ver com isso? E Saori? – ela ainda estava em estado de choque sem conseguir digerir todas as palavras da ruiva que se aproximou para sussurrar em seu ouvido.

– Quer saber mesmo, Sakura? Então, esse será o nosso segredinho... – Sakura arregalou os olhos e tinha a certeza que as palavras que Karin lhe dissera jamais seriam esquecidas por ela.

Sentiu seu sangue ferver, cerrou os punhos com força enquanto tremores perpassavam por todo o seu corpo e trincava os dentes. Seus olhos adquiriram uma tonalidade mais escura e mesmo as lágrimas lhe nublando um pouco a visão, não permitiu que nenhuma vertesse pelo seu rosto, não sem antes afastar Karin de perto de si e desferir um soco, derrubando-a no chão.

Flashback off

Todos ouviam estupefatos a narrativa da rosada e Sasuke sentia um buraco se formar dentro de si por acreditar na ruiva e mais ainda por ser feito de bobo por ela ao brigar com Saori e Daisuke. Karin havia feito todos de idiota ao fingir ser amiga da rosada para se aproximar e fazer com que ninguém desconfiasse de si.

– Mas porque ela te salvou Sakura? – indagou Hinata sendo abraçada pelo marido.

– Eu só lembro de ouvir sons de sirene por perto, depois que eu levei o tiro, e começar a gritar por ajuda! – disse se lembrando de alguns borrões antes de desmaiar – Provavelmente, como viu que não conseguiria acabar comigo ali, disse que me salvou para não levantar suspeitas!

– Aquela vaca! Temos que chamar a polícia! Isso não pode ficar impune! – Ino foi a primeira a se manifestar, indignada. – Eu estava certa sobre ela esse tempo todo!

– Hai! Mas antes eu quero ver Daisuke e Saori para ter certeza que eles estão bem! – disse Sakura limpando as lágrimas quando algo lhe ocorreu – Mas Sasuke, você ainda não me disse onde eles estão? E o que Karin disse a vocês?

– Karin acusou Saori pelo seu acidente e... eu fui tolo o bastante para acreditar nela a princípio...discutimos e Daisuke e eu brigamos também... – murmurou Sasuke cerrando o punho com raiva de si.

– Sasuke... – disse a rosada um pouco decepcionada com a reação do marido para suspirar em seguida – não se preocupe com isso agora! – tentou animá-lo e um sorriso se desenhou na face da rosada – tenho certeza que quando ela souber o que aconteceu e que somos uma família novamente, ela lhe perdoará!

Sasuke estranhou um pouco o comportamento da mulher, havia mais alguma coisa que ela sabia, mas não havia lhe contado, já iria questionar quando a porta se abriu com um estrondo e Hideo passou feito um furacão até o Uchiha.

– S-Sasuke-san! – ofegava devido a corrida para chegar até ali e foi só quando parou que percebeu que sua tia Sakura havia acordado e seus pais também estavam presentes.

– Hideo! Meu filho o que aconteceu com você? – indagou Hinata assustada ao ver o rosto do loiro com curativos e o braço enfaixado.

– Eu estou bem, oka-san! – respondeu a perolada e a afastou de si.

– Como assim está bem? Olhe só para você! Todo machucado, andou brigando? – repreendeu a matriarca Hyuuga.

– Hideo, o que houve? – Naruto também questionou.

– Não foi nada! – e antes que começassem a questioná-lo de novo se virou para a Uchiha — Tia Sakura, fico feliz que esteja bem! – disse sorrindo antes de assumir uma postura séria – Mas eu tenho que perguntar, a Saori, vocês a viram? Ela veio para cá?

– Nani? Lie! O que houve, Hideo? – Sasuke indagou e Hideo cerrou os punhos, desviando o olhar para o chão.

– Tinha um cara atrás dela, o tal do Hikari! Eu a ajudei, mas depois... – franziu o cenho antes de encarar o Uchiha – Gomen, Sasuke-san, por trazer más notícias, mas eu acho que sequestraram a Saori!

– O-o q-que disse Hideo? – Sakura indagou com a voz trêmula – A levaram? Quem? Você viu?

– Lie! Não estávamos juntos nessa hora! – respondeu com raiva de si.

– Não se precipite Sakura! – Sasuke tentou acalmá-la – Se você não viu nada, Saori pode apenas ter ido embora.

– Lie! Ela não faria isso! Ela havia ido pegar a minha mochila e não voltou mais! Ela não iria embora sem nenhuma explicação! – contrapôs Hideo.

– Não! – murmurou Sakura consternada – Sasuke, ela a pegou! Karin pegou a minha Saori! – sua voz saia estrangulada e o desespero era evidente.

– Onegai, Sakura! Não fique assim! – Ino murmurou abraçando a rosada.

– Mas porque Karin faria algo contra Saori? – Sasuke questionou e ficou atordoado com as palavras proferidas pela mulher:

– Porque ela é nossa filha! – Sakura lamuriou com a voz condoída pela dor.

– O-o que? – Sasuke questionou. Diante dos olhares chocados que recebeu, Sakura soluçou e continuou a falar enquanto mais lágrimas rolavam pelo seu rosto:

– Eu não sei muito bem o que aconteceu, mas Karin confessou que descobriu que Saori era nossa filha e queria a afastar de nós! Ela sempre foi a nossa Saori, Sasuke!

Por um momento Sasuke não conseguia se focar em mais nada a sua volta e as palavras da mulher ficaram reverberando na sua mente. Saori... era a sua filha? A sua hime? Não, não podia ser! Depois tanto tempo desejando, pedindo a Kami para ver sua filha de novo, ele a teve em seus braços, ela dormiu debaixo das suas asas mais uma vez e nem havia percebido. Na verdade, até percebera diversas semelhanças, mas nunca quis acreditar. Imediatamente se lembrou de Tsunade querendo lhe alertar sobre algo, então era isso! Ela devia ter descoberto também! Cerrou os punhos, pondo-os em frente ao rosto enquanto se lembrava do quanto havia sido estúpido e a tratado mal. Por Kami, quantas vezes a destratou? Gritou com a menor ou fora preconceituoso com ela?

Amaldiçoou-se ao se recordar das palavras duras que proferira contra ela e as caras de tristeza e decepção que ela lhe lançara diversas vezes. Como pôde ser tão cego? Ela estava bem ali ao alcance de suas mãos e demorou tanto tempo para aceitar que tinha uma certa afeição a menor. Imagens do rosto alegre da menina invadiram sua mente quando ele disse que ela poderia estudar, repassou o modo como ela sorriu ao conseguir passar no teste no “Gaiken” e, principalmente, como os olhos dela brilharam de felicidade ao dizer que teria uma família novamente.

E ele havia estragado tudo isso! Só de lembrar a decepção e a tristeza que invadiram o rosto da menor ao dizer que ela um problema... sua garganta se fechou, seu peito se comprimiu e ele pensou que fosse morrer sufocado com aquele sentimento. Ele mesmo havia sido responsável por afastá-la de si. Ele havia construído mais uma vez uma barreira entre ele e sua filha, quem ele mais queria abraçar e proteger. Ele fora o responsável e isso estava o consumindo. Havia sido um tolo e sem poder aguentar mais, urrou de dor, quebrando um pequeno vaso localizado na cômoda ao lado da cama de Sakura, espantando a todos com sua reação. Seus olhos arderam e ele se amaldiçoou mais uma vez.

– Sasuke... – ouviu Sakura chamando-o, mas não ousou se virar para encará-la, como ela podia perdoá-lo por ter feito as coisas que fez com Saori? Mesmo depois de dizer que haviam discutido, Sakura acreditava que tudo ficaria bem, mas como se ele próprio não conseguia se perdoar por fazer sua hime sofrer?

– Ela deve me odiar... – murmurou arfando, tentando se controlar.

– Você a aceitou, mesmo sem saber quem ela era... agora... – foi interrompida pelo som do celular de Sasuke, este até pensou em ignorar, mas ao ver que era Daisuke lhe ligando, atendeu, ansioso para falar com o primogênito.

– Daisuke! – disse e viu Sakura prestar atenção com a menção do nome do filho – Onde está? A sua mãe...

– Não é o Daisuke quem está falando! – uma voz fina se fez presente que ele logo reconheceu.

– Karin! – sibilou – O que está fazendo com o celular de Daisuke?

– É uma pena que tudo tenha que terminar dessa forma, Sasuke-kun, mas talvez você possa ajeitar tudo!

– Do que está falando? Onde está o meu filho? – vociferou, alarmando a todos.

– Nunca gostei quando gritava, Sasuke-kun, principalmente comigo! – Karin suspirou – Eu vou explicar tudo basta me encontrar...

– Eu não vou me encontrar com você! – interrompeu furioso o Uchiha.

– Se eu fosse você reconsideraria isso! – Karin disse e encerrou a chamada, logo em seguida uma mensagem chegou ao celular de Sasuke que arregalou os olhos ao ver a foto Daisuke e Saori, desacordados e amarrados, ambos com alguns ferimentos no corpo e embaixo a descrição de um endereço, a hora e uma frase: “Venha sozinho e não chame a polícia!”. Aquilo não podia ser verdade!

– Sasuke! – chamou Sakura, mas o moreno a ignorou, ele estava em um estado de completo torpor – SASUKE! – gritou desesperada enquanto chorava mais vez, aflita pelo o que estava acontecendo.

– Oe, teme! – Naruto disse agarrando o braço do moreno que piscou os olhos para voltar a realidade – O que aconteceu? O que Karin queria? – o moreno olhou de Naruto para Hideo e fixou seu olhar na esposa que o encarava apreensiva.

Andou até o leito da rosada e acariciou sua face delicadamente, em seguida beijou sua testa, seu nariz, descendo até chegar a sua boca e murmurou de encontro a esta:

– Não se preocupe! Eu vou resolver tudo agora! Ninguém vai machucar a nossa família! Vou trazê-los a salvo para você! – Sakura ainda tentou protestar, mas sentiu os lábios de Sasuke contra os seus em um beijo desesperado e profundo. Ao se separarem, Sasuke pediu que Ino e Hinata tomassem conta dela e mesmo ouvindo a esposa lhe chamar não se virou e saiu do quarto, sendo seguido por Naruto e Hideo.

– Teme, o que pensa que está fazendo? – indagou Naruto segurando o amigo pelo braço e Sasuke lhe mostrou as fotos no celular.

– Eu vou tirá-los de lá! – replicou o Uchiha.

– E como você pretende...matte, Sasuke, você não está pensando em ir até lá, não é? – ponderou Naruto ao ver que essa era a ideia do amigo.

– É exatamente isso que eu vou fazer! – disse resoluto. Hideo apenas observava a cena entre os mais velhos, esperando a deixa para se manifestar e ir junto do Uchiha.

– Ficou louco? – Naruto se controlou para não berrar, lembrando que ainda estavam em um hospital – Sasuke, você não sabe o que Karin pode fazer! Ou o que te espera lá! Você não considerou que isso é uma armadilha?

– Claro que considerei... mas eu não tenho escolha Naruto! – Sasuke respondeu.

– Chame a polícia, Sasuke! São eles que devem cuidar disso! Vai deixar Sakura aqui desesperada enquanto se arrisca atrás da Karin? – bradou Naruto.

– Naruto, é dos meus filhos que estamos falando! – replicou tão agressivo quanto o amigo – Eu não posso ficar de braços cruzados sem fazer nada! Eu não posso e não vou, não de novo! – explicou, respirando fundo para se acalmar.

Naruto entendia como o amigo se sentia, pois se fosse Hideo ou Hana na mesma situação ele faria alguma coisa e, considerando o modo como Sasuke se comportou ao saber que a garota que vivera por meses debaixo de seu teto era, na verdade, a sua filha, o Uzumaki sabia que não importava o que aconteceria, Sasuke iria com isso até o fim por sua família, principalmente agora que ele parecia desesperado para compensar a mais nova por todo o sofrimento imposto.

– Me deixe ir com você, então!

– Lie! – disse Sasuke, meneando a cabeça – Você tem que ficar Naruto, preciso que alguém fique com Sakura para protegê-la, já que eu não sei o que a Karin planeja e ela pode tentar fazer algo contra Sakura enquanto eu estou fora! – explicou e, mesmo a contragosto, Naruto concordou.

– Então eu vou com o senhor, Sasuke-san! – Hideo se pronunciou, chamando a atenção dos mais velhos que já haviam se esquecido da presença do jovem ali.

– Não vai mesmo! – rebateu Naruto.

– Otou-san, eu quero ajudar! Saori e Daisuke são importantes para mim também! – contestou o mais novo. Sasuke agradeceu por ver que seus filhos tinham amigos leais ao seu lado, mas também negou a presença do jovem. – Demo...

– Acho que você já passou por muita coisa! Descanse um pouco Hideo! Além do mais, preciso de um favor dos dois... – Sasuke disse encarando os dois loiros a sua frente — ...Quero que me deem trinta minutos para sair com Saori e Daisuke de lá, mas caso eu não consiga...

– Sasuke! – interrompeu Naruto.

– Lie, Naruto! Caso eu não consiga voltar nesse tempo, quero que chame a polícia, diga o que aconteceu e mande-os para esse endereço! – disse mostrando o lugar para onde iria – Onegai, Naruto, não importa o que aconteça, eu preciso que você salve os meus filhos! – pediu com os olhos brilhando determinação.

– Tenho certeza que todos vocês vão conseguir! – respondeu Naruto, tentando não pensar nas possibilidades que Sasuke estava querendo propor.

– Arigatou! E cuide de Sakura por mim! – disse antes de se despedir do amigo e do jovem.

–*-

Abriu os olhos lentamente sentindo sua cabeça rodar, sua visão estava desfocada e ela não conseguia se orientar para saber onde estava, tentou se mover, mas seu corpo parecia pesado e havia algo retendo seus movimentos. Estava completamente desnorteada e grogue, deviam ter lhe injetado alguma substância para ela ficar desse jeito, não conseguia se lembrar do que havia acontecido, somente de Hideo e Hikari naquele beco.

– Finalmente a Bela Adormecida acordou! — disse atraindo a atenção de Saori que tentou focar a visão para ver quem falava consigo, mas sua cabeça pesava e ela não tinha o completo controle sobre o seu corpo, além disso a pessoa estava contra a luz e ela só conseguia ver borrões – Oe, vamos lá se você não estiver acordada não vai ter a menor graça! – a voz se manifestou novamente.

Parecia que fazia um esforço sobre-humano para encontrar a sua voz e falar algo, sentia língua pesada e sua garganta estava seca demais, mas se forçou a não desmaiar de novo quando sentiu agarrarem o seu queixo para encarar quem quer que fosse a sua frente.

– O que foi garota? O gato comeu a sua língua? – questionou e ela ouviu a risada debochada dele.

– Q-Quem...o-onde... – murmurou com a voz embolada e trêmula, quase em um sussurro.

– Humf e eu que pensei que você fosse ser mais difícil que o garoto! Mas pelo jeito está dopada demais para sequer tentar fugir! – desdenhou.

Saori fechou com força os olhos para abri-los em seguida e tentar focar algo. Ele estava falando de Daisuke? Os borrões se tornaram sombras e ela agora conseguia distinguir um pouco mais as coisas que via. Havia um homem de cabelos ruivos, quase laranja, falando consigo, mas ela ainda não conseguia ver os seus traços perfeitamente.

– D-Daisuke... o..o que você fez c-com e-ele? – indagou mais uma vez debilitada.

– Deveria se preocupar com o que eu vou fazer com você! – disse dando batidinhas no rosto da menina.

Saori procurou se mexer, mesmo seu corpo estando pesado e notou que estava em uma posição como se estivesse sentada, seus pés estavam amarrados e a única coisa que a impedia de ficar largada no chão eram as suas mãos que estavam suspensas e amarradas de forma que parecia que sangue não estava mais circulando. Virou o rosto, ignorando o homem a sua frente e tentou perceber mais alguma coisa que pudesse lhe indicar onde estava. O lugar era escuro e amplo, havia algumas caixas que ela não conseguiu identificar o que era, uma mesa com algumas cadeiras e mais ao fundo algo que ela não conseguia distinguir direito.

– Oe, não seja curiosa, garota! – disse o homem, virando o rosto dela mais uma vez de forma brusca para frente, ela iria questionar mais alguma coisa quando viu uma luz entrar no recinto e uma figura borrada surgir no seu campo de visão.

– Então, ela já está acordada? – uma voz fina se manifestou e Saori semicerrou os olhos para tentar enxergar quem era, mas não precisou se esforçar muito, pois a pessoa se aproximou de si, perto o suficiente para reconhecê-la. – Você me deu muito trabalho, sabia garota?

– K-Karin...

– Ah então consegue me reconhecer? Pensei que estaria tão dopada que nem conseguiria tal feito! Mas assim é bem melhor, pois não estará anestesiada o suficiente para não sentir isso! – disse desferindo um tapa no rosto da menina seguido de outro.

– Karin... – alertou a primeira figura e fez a ruiva parar de bater na menor.

– O que foi Juugo? – reclamou irritada e Saori se recordou daquele nome, ele era o marido de Karin.

– Não se esqueça do plano! – respondeu de forma séria e a ruiva passou a mão no cabelo, suspirando.

– Eu sei! Só estava me divertindo um pouco! – e se virou para a garota – Você sabe por que está aqui, pivete? – Saori se forçou a levantar o um pouco o rosto para tentar encarar a ruiva e sorriu de forma debochada antes de falar fracamente:

– P-porque você é louca! – e em seguida sentiu lhe baterem no nariz e sangue escorrer por seu rosto.

– Você está aqui porque é um estorvo! Tudo estava caminhando perfeitamente bem, mas você tinha que aparecer, não é? – vociferou com raiva. Saori não entendia o que a ruiva queria dizer, mas no momento não conseguia raciocinar claramente.

Karin respirou fundo e voltou a se acalmar antes de falar novamente com a menina.

– Mas você também me ajudou em algumas coisas. Está vendo ali? – indagou virando o rosto da menina e Saori conseguiu distinguir que havia mais alguém naquela sala – É o seu querido Daisuke! Se não fosse por você, talvez, as coisas não tivessem funcionado!

Saori arregalou os olhos ao ver o corpo de Daisuke jogado em um dos cantos do recinto, tentou observar se ele estava bem, mas em nenhum momento o viu se mexer e aquilo estava a desesperando, imaginando o pior seus olhos se encheram de lágrimas.

– Daisuke...

– Ahh, está chorando querida? – disse Karin em um falsete de voz – Você devia ver como ele ficou calmo com a menção de que machucaríamos você se ele não se comportasse, mas mesmo assim eu tive que pedir para Juugo ensiná-lo uma lição! – e sorriu ao ver as lágrimas escorrerem do rosto da garota.

Não conseguia acreditar no que estava ouvindo e vendo, soluçava ao pensar que era a culpada pelo o que estava acontecendo, forçou seu corpo a se mexer, debatia os braços na tentativa de se livrar daquele agarre, queria acabar com aquela ruiva que debochava de si, mas quanto mais se movimentava mais se sentia cansada e suas forças logo foram embora para o deleite da mulher a sua frente.

– Está com raiva, é? Bom, saiba que eu também não gosto nem um pouco de você ou do garoto ali! Só não acabo com vocês agora, pois ainda falta uma parte do plano, queridinha! Então, seja uma boa garota até lá, ok? – disse se aproximando do rosto de Saori e sorrindo ameaçadoramente.

– Vá para o inferno! – resmungou antes de cuspir no rosto da ruiva que a encarou mortalmente.

Karin estava se controlando para não extrapolar com a garota, mas detestava ver aquela ousadia que tanto a lembrava de Sakura e cuspir em si havia lhe tirado do sério. A fúria a dominou e Saori pela primeira vez temeu a ruiva que começou a lhe bater, primeiramente no rosto e depois lhe socou a barriga. Saori ficou sem ar e começou a gemer pela dor, mas a ruiva não parou. Os gemidos viraram gritos e demorou um pouco para a garota perceber que era ela quem estava emitindo aquele som, ela não conseguia distinguir mais nada, só sentia a dor se alastrar pelo seu corpo enquanto cuspia sangue e tentava puxar o ar para respirar, mas somente saia gritos. Ela não aguentava mais, estava prestes a perder a consciência quando viu alguém se aproximar e impedir Karin de continuar a agredi-la.

– Pare! – uma voz raivosa surgiu, agarrando o braço da ruiva – Está louca Karin? – bradou e Saori percebeu a figura empurrar a ruiva que caiu nos braços do marido.

– Essa desgraçada mereceu! – vociferou se afastando do marido e indo de encontro a sombra que encobria a menor.

– Isso não fazia parte do plano e você sabe disso! Não vou deixar você piorar as coisas ainda mais! – rebateu a voz colérica e ouviu a ruiva murmurar alguns impropérios antes dela chamar o marido e sair batendo a porta com força.

Saori não conseguia distinguir quem havia a salvado e por um momento pensou ser Sasuke quando a figura se voltou para si acariciando o seu rosto e murmurando algo que a princípio ela não entendeu, sua vista estava escurecendo até que sentiu o cheiro de algo forte perto de si.

– Saori, Saori! – chamou a pessoa aproximando um pano com álcool perto da garota – Não desmaie! Você precisa ficar acordada! – Saori não conseguiu responder, mas seu olhar continuava desfocado, impedindo-a de ver quem era, mas sentiu quando foi desamarrada, caindo nos braços da pessoa que começou a cuidar de si.

– Q-quem... – sussurrou ao sentir ser aninhada no peito da pessoa.

– Não se preocupe, vou lhe contar tudo! – disse limpando com um pano o sangue que escorria do rosto da menina – Saori, está na hora de você saber toda a verdade!

Notas finais
Então, o que acharam? Deixa eu explicar algumas coisas: o flashback da Sakura está incompleto, mas isso foi de propósito, afinal eu quero que algumas coisas sejam explicadas pelos próprios vilões já que eles sabem melhor o que aconteceu!^^ Então, no próximo tudo o que falta será revelado (como o incêndio e todo o plano) e a Saori também descobrirá sobre a sua família! (Afinal, ela é a única que ainda não sabe que é uma Uchiha!) Eu até tentei colocar umas cenas bonitinhas nesse capítulo como o momento HideoxSaori e o reencontro do Sasuke e da Sakura, mas acho que isso não aliviou a tensão né? kkkk mas eu já tinha dito no capítulo anterior que os vilões dominariam esse capítulo e preparem-se pois o próximo também trará fortes emoções!!^^ Reviews, recomendações, dúvidas, críticas? Ahhh lembrei do terceiro aviso, farei de tudo para o próximo capítulo ser postado antes da virada do ano! E aos poucos responderei aos reviews (sei que estou em falta! u.u') Beijos e até a próxima!