Notas iniciais
Olá! vim agradecer os reviews e deixar um outro capitulos para vocês lerem (não consegui esperar mais tempo! XD)
Então,
boa leitura!

As buscas haviam terminado e como temiam não encontraram Saori, por isso foi dada como morta, apesar de não haver um corpo para confirmar tal fato. Os bombeiros disseram que isso podia acontecer devido às chamas serem muito fortes, causando a deterioração de um corpo tão pequeno quanto o de Saori. Isso só fez com que a dor da família aumentasse, pois não teriam nem o direito de ver sua filha uma última vez. Mesmo assim foi feito um enterro solene em homenagem a Saori.

Daisuke estava entre os pais com leves escoriações no rosto e no braço, mas nada se comparava a dor que sentia dentro de si por não poder ter salvado a irmã, não se lembrava muito bem o que tinha acontecido só dos gritos da irmã por socorro, do fogo e de um homem, falou o que sabia para o pai e apesar do mesmo dizer que não teve culpa, Daisuke não concordava com isso, podia ter feito mais, devia ter sido mais forte para protegê-la, devia ter sido mais carinhoso com a irmã, devia ter brigado menos e brincado mais com sua imouto e pensar que não teria outra oportunidade, fazia seus olhos se encherem de lágrimas.

Sakura estava totalmente desolada, tentava parecer forte por Daisuke, mas não conseguia, via as lagrimas do filho e ela mesma não conseguia impedir que as suas caíssem por seu rosto alvo. Ainda não acreditava que estava em um cemitério, em um velório, para sua filha mais nova, e no fundo apesar de toda dor e o vazio que sentia, queria se agarrar a esperança de que sua filha não estava morta, queria se agarrar a esperança de que tudo não passava de um terrível pesadelo e que Saori apareceria sorrindo dizendo ser mais uma de suas brincadeiras.

Sasuke observava inerte o caixão vazio que representava a morte de sua filha e conseqüentemente, a sua também. Pois era assim que se sentia, como se tivesse morrido junto a sua pequena Saori. Olhou para o lado e viu Sakura e Daisuke chorando, mas ele não verteu nenhuma lágrima, se sentia vazio e impotente, não conseguia demonstrar nada mas qualquer pessoa que olhasse em seus olhos saberia o que sentia, dor. E talvez, o único motivo para não ter realmente morrido com essa dor, fosse o resto de sua família, sabia que precisava continuar vivo para cuidar de Sakura e Daisuke e, principalmente, precisava continuar vivo para descobrir e se vingar de quem havia tirado sua filha de si.

-*-

Em um hospital público de Konoha, pessoas de todas as idades iam e vinham sendo carregadas por macas. Cada uma estava lá por motivos que iam desde esfaqueamento, intoxicação por drogas até um simples resfriado. Devido não terem capacidade e nem investimento na área de saúde pública para manterem um hospital digno das necessidades básicas de um ser humano, muitas pessoas não tinham como serem atendidas em quartos próprios ou fazerem cirurgias em uma sala especializada, os medicamentos e instrumentos eram de má qualidade e muitos leitos eram improvisados no corredor do próprio hospital.

Em um desses leitos se encontrava uma garotinha de rosto alvo e cabelos negros, de aparentemente uns quatro ou cinco anos, não se sabia ao certo. Ela havia sido trazida por um senhor que a achou em um beco perto de sua casa. A menina estava toda suja, com cinzas por todo o corpo, na cabeça havia um corte um pouco grande que jorrava sangue pelo rosto da pequena, além de algumas escoriações e queimaduras leves. Os médicos trataram imediatamente do corte feito na cabeça, já que o mesmo parecia ser mais grave. Depois de estabilizarem a garota, foram ver outros pacientes enquanto esperavam-na acordar.

Ouviu barulhos e gemidos de dor, que a fez tentar abrir os olhos e descobrir onde estava, mas logo desistiu da idéia ao sentir a luminosidade entrar pelos seus olhos, fechou-os e depois de um tempo tentou abri-los de novo, dessa vez já havia se acostumado com a luz. Notou estar em um corredor, onde havia muitas pessoas e estas pareciam se queixar de dores, se levantou rapidamente, para tentar entender o que estava acontecendo, no entanto sua cabeça latejou e foi forçada a se deitar novamente, sentiu as lágrimas caindo por seu rosto, assustada, sem saber onde estava, ou o que tinha acontecido, tentava se lembrar como havia ido parar naquele lugar, mas em toda tentativa sua cabeça voltava a doer e acabava por derramar mais lágrimas pela dor que sentia, pelo medo, medo pelo desconhecido e do branco que estava sua mente.

-*-

10 anos depois

Andava pelas ruas sem ter um caminho certo a seguir, já estava há dois dias sem comer e a fraqueza e o cansaço estavam dominando seu corpo o fazendo pender para frente. Sacudiu a cabeça não podia deixar se abater, se a pegassem voltaria para aquele inferno que era o orfanato onde, supostamente, era seu lar. E sabia que não havia nada pior do que aquele lugar, nem ficar nas ruas, dormir em um beco escuro, ou ter que fugir da policia, tudo, qualquer coisa era melhor que voltar ao orfanato.

Encostou-se em um beco, tentando pensar em uma maneira de arrumar comida, mas a única resposta que vinha a sua mente era roubar. Não era algo que gostava de fazer, mas também não era hipócrita a ponto de dizer que nunca havia feito isso, ao contrário, já havia feito inúmeras vezes, e era por causa de disso e algumas outras coisas que não se orgulhava que tinha ficha na policia. Mas já fazia tempo que não recorria a isso e queria se manter assim. Saiu de seus devaneios ao ouvir uma voz grossa ecoando do outro lado do beco em que estava, sobressaltou-se ao reconhecer a voz, “kuso, de todas as pessoas, tinha de ser justo ele?” pensava enquanto amaldiçoava sua sorte.

- Ora, ora, quem nós vemos aqui, Saori, quanto tempo boneca! Ou deveria chamá-la de boneco? – falou ao se aproximar da menina e reparar os trajes da mesma. Saori não usava roupas femininas, não gostava de chamar a atenção dos homens, pois sabia o que eles podiam fazer e já tinha tido tal experiência. Por isso, usava apenas uma calça jeans velha e um pouco rasgada pelo tempo, um moletom grande e um boné virado pra trás, prendendo seus longos cabelos.

- Vai se fuder, Hikari! – resmungou Saori se levantando para ir embora daquele lugar e não ver cara daquele imbecil.

Hikari apenas sorriu debochado da birra da garota, já a conhecia de longas datas e apesar de ser mais velho com seus dezoito anos, considerado o dono de uma das gangues mais conhecidas e perigosas da cidade, e da mesma saber do que era capaz, ainda sim a pirralha estufava o peito, se enchia de orgulho e coragem e lhe enxotava como se fosse um nada. Prensou-a contra a parede tentando ver se a mesma continuava com aquela pose toda e falou sério, tentando assustá-la:

- Cuidado com o que diz vadia! Ou já se esqueceu que me deve? Já se esqueceu quem te protege aqui nas ruas? – falou acariciando sem a menor delicadeza o rosto da garota.

Saori sentiu seu corpo tremer com a aproximação de Hikari, mais ainda quando o mesmo lhe prensou na parede e lhe tocou, tinha medo dele, sabia que estava mexendo com fogo, mas não podia deixar que ele falasse assim com ela ou então estaria, realmente, ferrada. Bateu na mão de Hikari para que se afastasse e disse:

- Não, não me esqueci, mas não sou suas vadias para me tratar assim, e se não quiser levar um chute nas partes baixas, sugiro que me solte agora!

Hikari sorriu debochado e se afastou dela, sabia que falava sério sobre o chute e mesmo sabendo que poderia domá-la a qualquer hora, estava mais interessado em saber o que estava fazendo ali. Como se adivinhasse o pensamento, Saori tratou de se explicar:

- Não estou procurando droga ou trabalho, se é o que pensa! Apenas parei aqui para descansar, não se preocupe, eu já me mando, só preciso recuperar as forças.

- Hum... Deixa eu adivinhar, fugiu do orfanato? – perguntou debochado, ao receber um aceno positivo da menina, continuou falando com um sorriso cínico no rosto – E pelo que parece já está alguns dias na rua... E está morrendo de fome porque a franguinha aqui não sabe pegar o que precisa! Realmente Saori você é uma imbecil – finalizou rindo da situação da menina.

Aquilo foi o suficiente para que Saori explodisse, não tinha muita paciência e não levava desaforo quieta, se metia em briga e brigava melhor do que muitos homens, e ouvir Hikari debochar por não querer roubar só mostrava o mau-caráter que era, ele não ligava se estava tirando dinheiro, se machucava alguém, a única coisa que ele se importava era em tirar vantagem, em estar por cima de todos, não importando como chegaria lá.

- Baka, não gosto de roubar sabe disso, e tampouco perguntei o que você acha disso, sua opinião para mim é pior do lixo, não vale nada, e agora sai da minha frente se não quiser apanhar!

- Fala muito bonito, mas suas ações são o oposto ou já se esqueceu dos vários assaltos que cometemos juntos, se acha que está acima de mim se engana, você faz tudo o que eu faço, cadela! – retrucou.

- Não me compare a você, maldito, se fiz ou faço essas coisas é porque não tenho escolha e sabe disso, se ainda não me livrei de ver essa sua cara imunda é porque me mantém presa. – respondeu querendo avançar sobre os olhos e cabelos castanhos de Hikari, o deixando com um roxo bem no meio da fuça.

Hikari perdeu a paciência com aquela garota que sempre falava as coisas como se fosse melhor que ele, e a prendeu novamente na parede com a mão apertando o pescoço, impedindo-a de respirar normalmente e disse:

- Então é melhor ficar caladinha e melhorar essa sua boca suja se quiser ter seu “tesouro” de volta. E como castigo, dessa vez, não vou lhe dar o que comer, se quiser comida, faça o que tanto detesta, roube um idiota, ou morra de fome, ou volte para o orfanato. – falou e para logo depois se afastar e ver Saori puxando o ar com força para os pulmões, caindo sentada no chão.

Maldito!” pensou, o odiava com todas as forças, graças a Hikari havia ido parar na policia mais de uma vez, graças a ele a única coisa que lhe importava, sua única lembrança, um cordão no qual estava gravado seu nome, havia sido tirado de si, e por causa dele havia aprendido que não podia confiar nas pessoas. Levantou-se e deu as costas para o mesmo, se revidasse com certeza seria pior e não estava com forças para brigar. Puxou o capuz do moletom para frente para cobrir mais o rosto, odiava ter que admitir, mas Hikari estava certo, se quisesse continuar ali teria que roubar ou morrer de fome, e a sobrevivência nessas horas fala mais alto.

Notas finais
Então o que acharam? Eu disse que as coisas iriam mudar radicalmente na vida familia Uchiha! O que acharam da Saori? muito boca suja? ela mudou muito durante o tempo devido alguns fatos que serão mostrados mais adiante...
bom...por enquanto é só pessoal, não vou estragar os próximos capitulos! se deixarem reviews posso tentar postar mais rápido!
beijos e até a próxima!