Sonhos De Uma Outra Vida
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Boa leitura!
Começou a andar pela rua tentando identificar um “alvo” considerado fácil, não podia pegar um jovem, pois suas forças estavam se esvaindo e não conseguiria correr muito, parou sua atenção em um idoso que andava distraído vendo se não havia esquecido nada na carteira, “que idiota, vai ser perfeito!” era só esperar ele colocar a carteira no bolso de atrás da calça e a puxar e correr, seria moleza. Apressou o passo para ficar mais colada ao “vovô”, seus olhos estavam atentos a carteira mas também prestava atenção no movimento ao seu redor para que se aparecesse algum policial pudesse dar o fora rápido.
Quando tudo estava certo, fingiu esbarrar no velho, que, no momento, falava no celular, e pegou a carteira sem o mesmo perceber, anos de prática ajudavam a fazer uma abordagem mais sutil, e continuou a andar. Porém, antes que pudesse correr dali, ouviu uma frase que preferia não ter ouvido, o que a fez se amaldiçoar e rogar pragas até a décima geração do “vovô”.
- Meu filho não se preocupe, mesmo estando doente sei que tudo dará certo, estou levando o dinheiro para pagar as despesas do hospital e ver quando retorno.
Olhou para o céu se perguntando se era castigo, voltou seu olhar a rua, precisava da grana tanto quanto o velho, não comia há dois dias e resolveu continuar andando, apressando o passo, tentando não pensar no que havia ouvido, mas não conseguiu. O velhote precisava daquela grana. Estava doente. E se morresse? E se não tivesse como pagar o hospital? E se aquela fosse toda a sua economia? Suspirou e revirou os olhos, iria morrer de fome sendo boa samaritana desse jeito, mas sua consciência não a deixaria em paz se não fizesse. Fingiu novamente esbarrar com o velho, dessa vez enquanto ia à direção contrária a ele e colocou a carteira no bolso da frente. E correu dali o mais depressa que pode.
Já havia passado das três da tarde e ainda não havia conseguido comida, sentiu um cheiro delicioso invadir seu nariz e parou para descobrir de onde vinha, virou o rosto e viu uma padaria muito famosa da cidade. Ela conhecia muito bem esse lugar, quer dizer, pelo menos a fachada ela conhecia, sempre que podia ficava lá vendo as pessoas comerem aquelas coisas que pareciam tão gostosas a seus olhos ou, talvez, fosse a fome que a fizesse ficar naquele estado. Não demorou muito e um segurança veio enxotar-lhe de lá como sempre fazia, chamando-a de pivete imunda, mesmo sem ter feito nada para tal ato.
Dessa vez, no entanto, não obedeceu à ordem do segurança, estava faminta e era como se seus pés simplesmente tivessem sido colados na porta da padaria à espera de alguma migalha. Observou algumas famílias lanchando, felizes, aproveitando a comida e a companhia de seus entes queridos, Saori não pode deixar de sentir um aperto no coração por nunca ter vivido tal cena com sua família, se é que tinha, não se lembrava de nada desde que foi socorrida em um hospital público e, duas semanas depois, levada para viver no orfanato. Não sabia explicar o que sentia com relação à família ou aos pais, às vezes ficava triste por não saber quem eram ou conhecê-los e outras vezes sentia raiva dos mesmos por terem-na abandonado, afinal foi encontrada ferida em um hospital, sem nada além de um cordão e um nome, “será que eles não me queriam? não me amavam?” balançou a cabeça para dispersar tais pensamentos, não era hora para se lamentar ou pensar nas coisas que não tinha ou queria, saiu de lá após ouvir a ameaça do segurança em chamar a policia.
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Durante o tempo que se passou desde o incêndio na casa da família Uchiha, muita coisa havia mudado, Sakura entrou em uma grande depressão após a suposta morte da filha e mesmo com o apoio do marido e do filho que imploravam para que a mesma não desistisse e não os deixassem estava sendo difícil passar por essa fase negra em sua vida. No entanto, passado um tempo, Sakura sentiu que precisava reagir, algo nela praticamente gritava que sua filha estava viva, já que nunca encontraram o corpo de Saori. Isso lhe deu novas esperanças para continuar a viver e a ajudar seu marido e filho que também não conseguiam superar a morte da caçula, cada um da sua própria forma. Havia voltado a estudar medicina e agora trabalhava no mesmo hospital que antes fazia sua residência anos a atrás.
Daisuke havia crescido e se transformado em um belo jovem de dezoito anos, que acabou se tornando muito fechado com os outros, apenas com os mais próximos ele se soltava, e mesmo assim dificilmente se via o garoto rindo ou demonstrando seus sentimentos. Continuava levando sua vida, saia com os amigos, ficava com garotas, mas não criava novos laços por medo de perder outra pessoa que amava. Tentava não causar mais problemas aos pais do que eles já tinham, por isso, era muito estudioso, dedicado e nunca se metia em confusão ou brigas, tentava ser o filho perfeito, talvez, para, dessa forma, suprir a falta que seus pais tinham de sua irmã.
Sasuke, no entanto, foi o que mais mudou com o tempo, havia poucos resquícios da pessoa que era, se tornou mais frio, rude, autoritário e mais protetor quando se tratava de sua família, não permitiria que mais nada os machucassem, e não havia desistido da idéia de saber quem foi o responsável pelo incêndio, mas apesar de todas as investigações feitas não obteve sucesso. Por causa disso, agora trabalhava mais do que o normal, para dar todo o conforto e segurança que mereciam, além de que quando trabalhava se esquecia daquele dia e da dor que sentia. Quando Sakura conseguiu sair da depressão, achou que as coisas pudessem melhorar, mas a idéia fixa da esposa de que sua filha ainda estava viva o atordoava e o frustrava por saber que isso não era verdade, que a esposa havia inventado uma válvula de escape de todo o sofrimento que passavam e que ele não podia usar a mesma saída já que ninguém poderia tentar tomar o lugar no seu coração que pertencia a sua hime.
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Estava perdida em pensamentos, enquanto olhava a ficha de um paciente, refletia sobre sua vida e como ela havia mudado tanto, suspirou, e tentou afastar tais pensamentos até que ouviu a voz de sua amiga, Ino, lhe chamar.
- Testuda, vamos, está na hora do nosso intervalo, vamos comer alguma coisa naquela padaria que você adora! – falou a loira com um sorriso no rosto.
- Claro, porquinha, deixa só eu terminar aqui e já vamos – respondeu.
Tinha muita sorte por ter amigos tão bons como Ino, sem eles achava que nunca conseguiria seguir em frente. Terminou seus afazeres e rumaram para uma padaria que era a favorita de Sakura em toda a cidade. Era um lugar muito bem freqüentado, os pães e doces eram da melhor qualidade e já eram consideradas até freguesas do local, devido irem lá quase todos os dias pela parte da tarde, durante o intervalo do hospital.
Enquanto eram atendidas, Sakura viu o segurança expulsar um jovem da frente da padaria. A cidade sofria com um alto índice de criminalidade e, por isso era comum em quase todos os lugares terem seguranças e policiais fazendo ronda pelas ruas, aquela cena fazia parte do cotidiano e já havia se acostumado a ver, o que ela considerava como, um ato de violência. Para ela, não era necessário expulsar o jovem daquela forma, afinal, o mesmo não havia feito nada, pensava que muitos repudiavam o estranho e acabavam por se utilizar de violência e isso acabava repercutindo em um circulo vicioso, gerando cada vez mais violência. Pegou o pedido e saiu da padaria, conversando com a amiga enquanto comia o doce.
Notas finais
beijos
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