Sonhos

28 Wicked Game


Notas iniciais
Well, quase atrasado, mas está aí. Capítulo inspirado na música Wicked Game, do Chris Isaak, eu acho. Well, that's it. Me encontrem nas notas finais.

I never dreamed that I'd meet somebody like you

No, I don't want to fall in love

Nunca sonhei que encontraria alguém como você

Não, eu não quero me apaixonar

Nico quase caiu quando saiu das sombras, tinha pisado em uma bola no meio da sala de estar.

Sério, se havia uma coisa que ele nunca esperaria de alguém tão perfeitinho como Jason, era essa capacidade de ser bagunçado. Na realidade, a palavra bagunçado é muito pouco para definir o que Jason era. O loiro não era apenas bagunçado, ele era a bagunça, tanto que por onde ele passava deixava um rastro de desorganização e sujeira.

Nico tinha certeza que ele fazia de propósito, só para irritá-lo, de outro modo seria impossível ele chegar a aqueles níveis de desordem.

Nico acreditava que o pai de Jason não era Zeus, como falavam, mas sim o Caos. Aquele garoto era o caos, com seus olhos de tempestades e uma personalidade inquieta escondida por certa timidez e cavalheirismo.

Ele acreditava, também, que o loiro tinha o feito prometer voltar lá toda semana para que limpasse aquela bagunça toda como se ele fosse uma doméstica para o outro, já que ele não conseguia se conter sempre que via o apartamento se afundando em algo que a humanidade tinha visto apenas na segunda guerra mundial.

Ele andou por entre latinhas de refrigerantes e camisetas usadas jogadas sobre chão, chutando algo que ele jurava ser uma colônia de microrganismos tão avançada que planejava visitar marte em um ou dois meses. Tomou cuidado, jurando ter um baixinho, com um bigode ridículo, gritando em alemão para que o matassem; porque aquilo era o panorama de uma guerra.

Jason, aparentemente, não estava presente. O que era levemente suspeito, já que nunca antes ele tinha ido visitá-lo e outra estava fora. Claro que ele sabia que o outro saía todo dia, para exercitar-se um pouco, mas nunca ele nunca viera em um desses momentos.

O apartamento parecia um tanto impessoal sem o filho de Júpiter, ali. Meio escuro demais; não que ele se importasse com a escuridão, céus, ele era filho de Hades, mas tinha algo que o inquietava naquela visão, como se tudo estivesse meio distorcido, como se não se encaixasse.

Ele continuou a rondar o apartamento, mais furioso do que antes, e cada vez que olhava mais bagunça, mais furioso ele ficava, ele estava prestes a mandar toda aquela sujeira e a mobília para o tártaro pelas sombras, quando, de repente, ele encontrou um pacote, embrulhado em tecido macio. Quando ele o abriu, seu olhar se abrandou. Três de seus livros, tão perfeitos quanto eram quando ele os tinha trazido, protegidos do pó. Karl, Nietzsche e Sartre envoltos por uma seda que parecia ser mais macia que as nuvens.

Ele voltou a envolver os livros, apertando as têmporas, sem conseguir ficar tão bravo quanto antes. Esse maldito cavalheirismo de Jason o deixava sem armas a todo momento.

Soltou um suspiro que soava como a desistência de uma guerra e se dirigiu à pequena lavanderia do apartamento para buscar tudo que precisava.

E inacreditavelmente, foi tudo muito rápido. A maioria das coisas ele poderia apenas jogar fora, as roupas colocar na máquina de lavar, ele se negava a lavar a roupa do loiro, e o pouco espaço o ajudou na agilidade de ter que varrer e tirar pó.

Ele sorriu satisfeito vendo como tudo estava perfeito após terminar. E seu humor teria continuado ótimo, se Jason não abrisse a porta da sala no exato segundo que ele largava a vassoura, e entrasse com os tênis sujos em seu chão limpo.

Certo que o chão não era dele, mas ele limpara, ou seja, se tornava um pouco dele, também.

Jason pareceu assustado quando entrou no apartamento, e soltou um pequeno grito quando notou o filho de Hades ali.

— Deuses, Nico, desculpa. — Ele disse, pelo que Nico julgou ser o chão. Até ele perceber que o loiro estava sem camisa, e que a mesma repousava em seu ombro. Ele viu Jason pegar a camisa, e estendê-la sobre seu tronco, como se fosse uma garota protegendo os seios.

De repente uma vontade absurda de rir tomou controle de si, e ele riu.

— Grace, é seu apartamento, e você está só sem camisa, não tem problema. — Ele olhou um Jason corado e com o olhar no chão. — Só não suje esse chão. Sério. Não. Suje.

— Então você não se sente incomodado em eu ficar sem camisa? — O outro perguntou, mostrando o peitoral.

Bem, incomodado não é a palavra certa.

Sentiu um calor tomar suas bochechas.

Negou com a cabeça, fingindo estar calmo. — Somos ambos homens, não?

Jason tirou o cabelo que teimava em cair sobre seus olhos, assentindo levemente. — É, somos. Claro. Quer dizer, somos meio, já que uma parte é divina, mas yeah.

Os dois ficaram ali, se olhando, as cabeças ainda se mexendo um pouco de quando assentiram. — Grace, vá tomar banho, dá para sentir cheiro de suor daqui. — Isso era verdade, mas de alguma forma, não parecia tão ruim para ele. — OS SAPATOS. — Ele gritou, quando Jason ia andar.

Quando Jason adentrou o banheiro, Nico se jogou no sofá, as mãos mexendo na loucura que era seus cabelos, pensando quando foi que os garotos começaram a ter um efeito tão forte nele, e tentando não pensar em como o AMIGO estava lá dentro.

Ele suspirou.

— Odeio a puberdade.

xXx

Quando Jason saiu do banheiro ele nem notara, primeiro porque o outro foi correndo para o próprio quarto, fechando a porta logo em seguida. Rápido. E segundo, porque ele estava entretido lendo um de seus livros.

Depois de alguns minutos, ele ouviu a porta se abrir em um rangido meio estrangulado, e um Jason com a toalha ainda no ombro apareceu. Com camisa dessa vez.

Ele sentou-se ao seu lado, mesmo tendo dois espaços sobrando no sofá e mais um sofá no outro canto. Nico franziu a sobrancelha, mas não disse nada, voltando à sua leitura.

Minutos depois, ele sentiu o atrito, e Jason se aproximou; mais alguns minutos e Jason estava quase colado a ele. Ele suspirou.

— Está com frio, Grace?

— Não. — O outro respondeu. — Por quê? — Disse na maior cara de pau.

Nico encarou os braços deles, colados, e depois olhou o outro. Soltando um sorrisinho de lado e dando de ombros, provavelmente, mais uma das “estranhezas e estratégias para se tornar próximo de Nico” que Jason criava.

— Desculpe por ter feito você limpar tudo.

O moreno rolou os olhos. Como se houvesse muita opção, ele pensou. E estava prestes a falar isso, mas quando virou-se, ele encarou uma tempestade branda demais, como se fosse apenas o início delas. Os orbes do outro brilhavam e pareciam atentos demais para ele. Atentos demais em sua boca.

— Grace? — Ele perguntou, arqueando a sobrancelhas.

— Hum? — O outro perguntou, meio aéreo.

— Você anda agindo estranho ultimamente.

— Eu? — E Nico arqueou as sobrancelhas, tendo certeza que deu um daqueles olhares que faziam quem recebê-los se sentir um idiota. — Eu... Eu queria te dizer uma coisa.

— O que?

— Nada, deixa para lá.

— Fala. — Ele disse, seus olhos se tornando afiados: Um mistério.

— Sério, nada mesmo. — O loiro disse, se levantando. Uma sombra em seu olhar, o que fez Nico se preocupar. — Não importa.

— Grace, eu posso te ouvir se você quiser. — Ele observou o outro morder os lábios, pensando e logo depois chacoalhar a cabeça.

— Não hoje, não agora.

Ele deu de ombros, uma hora ele descobriria. — Que seja, com fome? — Jason assentiu como uma criança. — Vou fazer algo para comermos, além dessas besteiras que você come.

— Hey, cara. — Ele ouviu ser chamado, quando estava entrando na cozinha. — Obrigado por estar aqui.

Nico o olhou suspeito, mas assentiu, meio sem saber o que fazer. Enquanto preparava a comida, lá na sala ele ouvia a televisão em explosões, aquele idiota estava assistindo um daqueles programas policiais. E meio em surpresa, meio em vergonha, se pegou sorrindo.

— Droga, de novo não. — Ele se apoiou na pia, socando a superfície com raiva; e mandando uma oração a seu pai, Afrodite, Eros e qualquer deus que pudesse ajudar. — Por favor, de novo não.

Notas finais
Minha escrita me trollando de novo, porque eu estava louco para fazer piadas, mas queria uma coisa mais dramática, então tive que arrancar à força. Sério. Escrita travou, DE NOVO, deve estar com defeito. Whatever, espero que tenham gostado. See you tomorrow.