Sonhos

29 Accidentally In Love


Notas iniciais
Capítulo curto, malz aê, acho que o próximo acaba vindo mais longo. Inspirado na música Accidentally in love, do counting Crows, e é isso aí. Espero que gostem.

What's the problem I don't know

Well maybe I'm in love

Can't stop thinking about it

Qual o problema, eu não sei

Bem, talvez eu esteja apaixonado

Não consigo parar de pensar nisso

Jason se derretia quando estava com Nico.

Era simplesmente isso, para ele o mundo adquiria uma consistência quase plástica, embora vívida. Tudo era vida e parecia brotar, até mesmo a escuridão. Ele parecia viver em uma dimensão feita de quadros, tudo tão surrealista. E era bom, embora doesse, também.

Ele queria encostar em Nico e abraçá-lo sem ter de ficar pedindo permissão para isso. Ele queria ver sorrisos brotarem daqueles lábios finos e tão inexperientes de sorrisos. Ele queria dispersar toda aquela tristeza que se apoderara daqueles orbes, ainda que agora estivessem mais claros, quase.

Ele queria fazer o outro esquecer Percy.

Ele queria poder ficar olhando horas para Nico, como se o outro fosse uma maldita obra de arte, e fazer Nico ficar puto com isso, porque ele não era uma obra de Arte. Jason se derretia a cada gesto do outro.

E era bom que se derretesse, por que sabe uma coisa engraçada? Os dois não eram perfeitos, nem perto disso. Ele não era, nem Nico era. Os dois não se moldavam perfeitamente um ao outro, eles tinham similaridades, assim como tinham milhares de divergências. Eles não eram a pessoa prometida um do outro, mas poderiam ser um casal, porque é assim que ele acreditava que deveria ser.

Ele era um filho de um deus megalomaníaco e poderoso, e assim era Nico. Os dois primos um do outro. Nico não era lindo, embora na ótica de Jason ele fosse. Nico tinha espinhas, como todo garoto daquela idade deve ter, Nico esquecia de cortar as unhas porque era meio desligado nisso, Nico não gostava de cortar o cabelo e nem de tomar sol. Mas Jason adorava tudo isso.

Ele estava louco por tudo isso.

Ele também tinha tantos defeitos. Ele comia como um esfomeado, mal sabendo usar talheres direito; ele se exercitava e esquecia de tomar banho, ele era bagunceiro e irritante com uma persistência estranha. Como ele iria pedir por alguém perfeito?

Ele entendia sim que Nico não era perfeito, mas assim, olhando-o lendo, os olhos negros parecendo chocolate amargo e os cabelos tão emaranhados quanto os fios elétricos das grandes cidades, ele tinha certeza que o outro não era perfeito, mas de alguma forma, ficava em algum lugar perto da fronteira do perfeito.

Nico suspirou, rolando os olhos e fechando o livro em um baque rápido.

— Olhar idiota, Grace.

— Ah, foi mal.

— O que foi, por que fica me olhando com essa cara?

— Não é nada.

— “Não é nada, quero te contar uma conta, deixa para lá”. Porra, se você fosse mais indeciso, você não iria viver em um apartamento, mas sim em cima do muro. — Nico disse irritado, aquele tom ácido que ele tanto odiava tomando conta da voz que ele tanto adorava. — Fala.

— Eu não posso.

— Pode, pode sim. Abre a boca e fala.

Ele respirou fundo. — Eu não quero.

O moreno apertou os olhares. — Certo, estamos chegando em algum lugar. Por que não quer?

Foi a vez dele rolar os olhos, em uma característica que ele tinha adquirido do outro. — Esqueça isso, Nico; quando eu estiver preparado eu conto.

Ele observou um sorriso de canto brotar nos lábios do outro. — Quando estiver preparado? — Uma risada anasalado foi ouvida em um tom de escárnio. — Você é um idiota. Nunca há o momento de se estar preparado. Há o momento: Minutos e segundos são imparciais, para de bobagem.

— Não é bobagem, eu só não quero ainda, Nico.

— Cara, você é ridículo, sério. — Certo aquilo doeu, mas ele notou uma certa tristeza naquela voz, também. — Você arrancou tudo de mim, cada detalhe, cada verdade. Um segredo que não era para ninguém saber. — Ele frisou bem o ninguém. — Me fez ter que me enfrentar e engolir o que eu sou, mas não confia em mim para contar algo que esconde há semanas.

Acabou mordendo os lábios com força. Deuses, vendo desse lado Nico não estava errado, mas droga, ele também não. Ele sabia tudo que tinha perdido para ficar do lado de Nico, e perdê-lo agora que finalmente tinham se tornado próximos.

— Você não tem o direito de falar isso para mim. Eu confiei em você quando fomos contra Gaia, eu fui atrás de você, eu...

— Você fez tudo isso porque quis. Suas ações, lide com o peso delas. — A Frase veio dura, quase como uma estocada daquela espada negra que Nico carregava. — Eu não tenho a sua paciência, Grace. Ou fala ou eu vou embora.

Ele deixou escapar um ar que saiu oscilando, meio dolorido. Um gosto estranhou tomou a boca do seu estômago, meio ácido e amargo, e ele sentiu-se como estivesse fora de si. Nico iria embora, e mesmo que voltasse, o relacionamento não seria o mesmo.

— Me prometa que não vai fugir pelas sombras ou ficar bravo. — Pediu com uma voz quebradiça.

— Não prometo nada. — A voz veio clara como cristal.

Respirou fundo, tentando puxar o máximo de ar que podia.

— Eu... Eu me apaixonei por você. — A frase veio rápida, quase correndo, como se tivesse feito força para escapar; e antes que o moreno interrompesse, continuou. — E eu não sei como exatamente, só fiquei assim, e eu só quero uma chance, Nico, só...

Nico parou seu discurso com um olhar. — Jason, você não gosta de mim. Não, você deve estar confundindo. — As sobrancelhas se uniram. — Porra, Grace, você é hétero. Se você gosta de mim significa que eu te infectei e...

— Isso não é a merda de uma doença, você não me infectou.

— Esqueça, você não gosta de mim, você não pode gostar de mim, não um cara, não alguém como eu. — Nico pegou a blusa que estava no sofá em que ele lia, enquanto ele tentava o segurar. — Não encosta em mim! — E ele podia jurar que nunca ouvira a voz do outro tão alta, talvez não fora assim tão alto, mas tudo parecia amplificado, tudo doía mais, tudo ardia mais. — Não, Grace, desculpa. — E o filho de Hades se dissolveu nas sombras.

Ele não poderia mensurar quanto tempo ficara olhando aquelas paredes, nem aquela sombra aquele canto sombrio que tinha envolvido Nico. Ele caiu no sofá, achando tudo tão estranho, encostou no sofá, como se tentando reconhecer a forma do objeto.

Estava sozinho, o local era todo sombras, e isso até o aqueceu um pouco porque Nico era todo sombras e gelo.

E quando ele olhou para fora, até a lua e as estrelas eram sombras e gelo.

Notas finais
GENTE, TENHO UMA RECOMENDAÇÃO. Da Sarah Hardt, super fofa, que aparece sempre com reviews e talz. Ela é um amor, valeu mesmo pela recomendação. =D AÊ, penúltimo capítulo, galera. Espero que tenham gostado, amanhã tudo se resolve. Esse capítulo era para ser maior, mas eu me desanimei, não sei porquê. Não conseguia escrever, aquele debate de ontem influenciou meu humor, também, então a segunda cena desse capítulo fica para amanhã. But yeah, see you tomorrow.