Sonhos
26 Way Back Into Love
Notas iniciais
I've been lonely for so long
Trapped in the past, I just can't seem to move on
I've been looking for someone to shed some light
Not somebody just to get me through the night
Eu estive sozinho por tanto tempo
Preso no passado, apenas não pareço consigo continuar
Tenho procurado por alguém para derramar alguma luz
Não alguém para só passar a noite.
Nico suspirou quando Jason o olhou emburrado.
Tinha se passado uma semana desde que saíra do hospital, e nesse meio tempo, Hazel veio vê-lo. Disse que não tinha vindo antes pois tinham escondido a informação dela, e bem, Nico até concordava com essa atitude, Hazel conseguia ser assustadora quando seus amigos estavam em perigo.
Qualquer perigo.
Ele suspeitava que caso tivesse sido picado por uma abelha, Hazel as extinguiria da face da terra, primeiro as aprisionando em uma ilusão de névoa, e deixando-as para morrer sem nada palpável.
Ele não tinha nada de mais, fora uma maldita hemorragia, que foi tratada de modo perfeito. E devido a isso ele ficou cinco dias em um hospital. Cinco dias com cara de domingo, jogando conversa fora com o loiro idiota filho de Júpiter, o filho de Apolo que o atendia, e Reyna que se mostrou mais uma vez, para conversar exclusivamente consigo e fazer um pedido.
E o pedido dela o deixou... Interessado.
Ela pediu calmamente e sem nenhum rodeio, para que ele convencesse Jason a ficar no acampamento. Ele quis rir, porque de fato, ele já tinha convencido o loiro a ficar. Reyna disponibilizou um apartamento, o que ajudava em muito, já que Nico tinha certeza que o loiro iria falir só comprando comida e ele... Bem...
Ele era rico, mas duvidava que Jason fosse aceitar um apartamento dele.
E aparentemente, nem de Reyna, já que o Grace se negou veementemente a aceitar o apartamento, cabendo a ele, Nico, convencer o cabeça de vento. Acabou tendo de firmar um acordo de que veria Grace pelo menos uma vez por semana.
Ele nem queria falar o quanto aquilo o irritou. Jason fazia questão disso, para que não tivesse que voltar a habitar Los Angeles e ficar indo atrás dele. E por mais estúpido que parecesse, Nico tinha certeza que Jason voltaria para Los Angeles.
E mais estupidamente ainda, ele tinha certeza que iria voltar a ajudar o loiro caso algo voltasse a acontecer.
Então já prevendo a estupidez de ambos, Nico aceitara. Meio a contragosto, porque odiava ter um compromisso desse tipo, mas aceitara.
E era por isso que Jason o encarava emburrado agora. Ele não conseguira cumprir o acordo na primeira semana.
— Em minha defesa, o tempo passa diferente no submundo. — Ele tentou argumentar, sentindo aquele olhar de eletricidade congelada em cima de si.
— Você prometeu, Nico.
E Nico quis sorrir, porque... Porque ele nunca se sentira tão esperado assim. Era diferente de quando era com Bianca, os dois eram irmãos, estavam acostumados a se ver e quando não se viam por algum tempo sentiam falta um do outro. Mas esse tempo nunca passara de algumas horas, até a morte dela, claro.
Depois disso, Percy e a Annabeth sempre tentaram incluí-lo no acampamento. Mas ele nunca sentira algo real, sempre sentia como se fosse um agradecimento pela ajuda dele nas duas guerras, ou o arrependimento de Percy por deixar Bianca morrer. Ele conseguia sentir o receio que os dois direcionavam a si, como se ele fosse uma provável ameaça.
Com Jason era diferente, tinha um sentimento de ser bem vindo. Ele sentia-se bem em estar ali, não como um sacrifício, mas como uma vontade, de verdade. Como um abrigo confortável.
Ele só não poderia mostrar isso para o loiro, já que ainda tinha um pouco de orgulho sobrando dentro de si.
— Foi só um dia, deuses, — Nico rolou os olhos. — Sério, você não sabe o que cinco dias parados fizeram no submundo, lá está meio que... Um inferno, literal e figurativamente falando.
Ele conseguiu arrancar um sorriso do outro. — Algo divertido?
— Duas rebeliões e a ascensão de um grupo rebelde. — Nico sorriu amargo. — Se você considera meu pai, perdendo aliados políticos, divertido... Sim.
— Oh, sinto muito. — O outro respondeu genuinamente preocupado.
— Não sinta, papai se diverte com tudo.
— Papai? — Nico assentiu rindo. — Seu relacionamento com Lorde Hades é invejável.
Ele deu de ombros, meio sem saber o que falar. Diferente do relacionamento entre Jason e Júpiter, ele e Hades mantinham um contato amigável e constante. Todos sabiam que Nico era uma espécie de Fiscal do Mundo Inferior, o fazendo ganhar mais um título como Príncipe das Trevas.
Ele não ligava muito em ajudar Hades em troca de continuar fazendo suas explorações. O título adquirido era ridículo, mas ele se divertia sempre que Perséfone o olhava com aqueles olhos de rivalidade.
Entre todos os deuses e semideuses, ele sabia ter o relacionamento mais próximo com o pai. Ele também admirava o deus, entre os três grandes, ele fora o único a fazer algo de verdade do seu reino. Ele ganhou uma fama fúnebre devido aos mortos, mas era o local mais rico, mais amplo, e a divisa entre o tártaro e todo o resto.
Zeus tinha um punhado de castelos em nuvens, com deuses tão instáveis e irados quanto ele próprio; que ele controlava à base da tirania. A única coisa que valia nos Céus era o Olympus.
E Poseidon uma quantidade enorme de terras com cheiro de peixes, e deuses com caras de peixe e cérebro de peixe. A política do reino marinho era uma bobagem sem graça.
Sinceramente, ele preferia os domínios do pai e o modo como ele controlava tudo. Nico suspeitava que o pai estivesse assistindo muito Game of Thrones, já que ultimamente Hades tinha trilhado seus lordes para um caminho de matança e rebeliões.
Vê? Muito mais divertido.
Ele sentou-se no mesmo sofá de Jason, surpreendendo a si próprio por não se incomodar com a pouca existência.
— E aí? Fazemos o que?
— Mythomagic?
Nico sorriu. — Você não cansa de perder?
— Vamos ver quem vai perder. — Recebeu a resposta mal criada.
xXx
Jason perdera humilhantemente.
E Nico tinha que ir embora.
Mas em algum momento os dois se perderam do jogo, em uma de suas conversas convencionais, mais feitas de suspiros e expressões do que sílabas em si. Nico via Jason olhando lá fora, o céu brilhava mais no acampamento Júpiter.
Tudo era menos tecnologia e mais magia. E as estrelas eram feitas de um brilho gelado por milhões de quilômetros no vácuo.
Grace se levantou, o puxando pela manga de sua jaqueta de aviador e ele sabia que devia ter brigado pelo toque do outro, mas não se incomodou nem em tentar, porque iria soar como algo que nem ele acreditava, mesmo.
— Vem. — O outro disse.
Saíram do apartamento, e subiram escadas. Jason pulando de dois em dois degraus com aquelas pernas enormes e ele compensando na velocidade. A construção não era muito grande, ficava na parte civil de Nova Roma e alcançaram a cobertura do prédio.
Gastaram tempo ali, observando luzes perdidas no espaço que ele nunca gostara de observar, mas que agora faziam algum sentido, sentados ou meio deitados, enquanto Nico se perdia em uma noite sem fantasmas, o ar rescendendo à poeira de estrela.
Nico sabia que tinha que ir embora.
Mas não foi.
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