Sonhos

9 True Love


Notas iniciais
Nossa, esse daqui pegou umas boas horas de mim. E eu tenho que estudar para uma prova e mais umas atividades aí... Eu estou lentamente morrendo. Capítulo inspirado na música E no vídeo de True Love, do ColdPlay, leiam as notas finais, por favor.

— Grace, se eu uso uma coisa dessas, eu perco toda a minha mobilidade. — Nico explicou. — Não, muito obrigado, prefiro ir com minhas roupas normais.

— Mas esse jogo é mais perigoso, você sabe... Você pode ser pego de surpresa e...

— Claro, porque eu sobrevivi a duas guerras para morrer em um jogo com intuitos “pacíficos”. Se eu morrer aqui, eu mereço morrer, porque já é uma idiotice participar dessa brincadeira, mais idiotice ainda é morrer em um jogo “pacífico”. — Disse mal humorado.

Jason começou a rir do seu lado, guardando o peitoral de aço. Ele sorriu para o menor, e puxou um capacete leve que estava perdido no meio do arsenal. — Pelo menos um capacete? Nunca se sabe quando um projétil voa para cima da gente. — Nico aceitou para calar o loiro de vez, sabendo que assim que entrassem no campo de batalha jogaria aquilo fora.

Nico bagunçou os cabelos, segurando o capacete no braço esquerdo. Jason estava muito sorridente, e ainda que ele próprio estivesse com um pouco de mau humor, não podia negar que a coisa toda tinha lá seu apelo. Ele, afinal, nunca participara de um jogo desses, e estava um pouco empolgado para ver até onde as coisas podiam parar.

— Pelo menos estamos no time vermelho, dá a impressão, com essas roupas, que vamos fazer uma revolução. — O loiro desviou o olhar, que parecia brilhar ao ver tantas armas, e fitou Nico.

— ‘Tá falando daqueles caras do socialismo, né?

Nico assentiu. — Mas eu sou anarquista, não confunda.

— Você já reparou que é um anarquista namorando com um cara que foi a maior representação do estado de Nova Roma?

O moreno deu de ombros. —Não é como se vocês fossem um Império, ou mesmo uma cidade capitalista... Vocês sobreviviam de modo quase igualitário, com funções definidas e uma qualidade de vida boa, então eu não ligo.

— Nossa, que esquerda fajuta que você é. — Nico sorriu com o canto dos lábios.

— Tem razão, eu devia fuzilá-lo em uma audiência para as grandes massas, de modo a degradar o sistema Imperialista Norte-Americano.

Jason até pensou em responder algo, mas eles ouviram o barulho do metal começar a se chocar lá fora, tilintando e chamando todos ao evento que se aproximava.

— Vamos lá, terminar logo com isso. — Murmurou o filho de Hades, se dirigindo à saída.

Mas Jason não o deixou ir, o segurou pela mão, sentiu o frio gelado de metal do anel de caveira contra os próprios dedos e os entrelaçou, apertando fracamente.

— Toma cuidado, okay? A Thalia não vai ser boazinha com você. — Ele disse, visivelmente, preocupado.

O moreno rolou os olhos, assentindo. — Tá mãe, pode deixar.

Jason riu fraco, algo se acendendo em seu olhar enquanto ele sorria para Nico, que tinha a tendência de se esquivar de qualquer cuidado, se já não estivesse completamente destruído. Quando as mãos se soltaram, elas pareceram frias demais, secas demais, e o moreno sentiu vontade de trancar o maldito arsenal e se prender lá, segurando mãos com o outro.

— Eu te amo, Nico.

— De novo isso? Já disse que gosto muito de você, também. — Respondeu, o rosto mais vermelho que a própria camiseta.

Ele não precisava responder que amava o outro para ele saber, porque mesmo se Nico negasse ambos sabiam que era a verdade. Jason pareceu reluzir com sua resposta mal criada, cego naquela ingenuidade pura que ele gostava tanto. Jason fez Nico usar o capacete, e assim que saíram algo voou na cabeça de Nico, o fazendo cair.

— Tá vendo? — Disse Jason, o olhando deitado no chão. — Mãe sempre sabe das coisas.

xXx

Tinha dado merda de uma maneira que ninguém acreditaria.

Ambos os times, entraram no campo com estratégias planejadas, planos de defesa e sangue nos olhos; tudo detalhadamente calculado. O tempo pareceu parar, quando as duplas dos mais poderosos se encontraram, e o que rolou foi quase um filme de hollywood em efeitos especiais.

Nico recebeu tantos choques que podia jurar, tinha mais potencial elétrico do que Itaipu naquele momento. Thalia estava cheia de hematomas, cabelo queimado. Percy estava eletrocutado, também, obviamente molhado, mas isso ele gostava, e uma mão de um morto ainda grudada em suas roupas. E Jason, céus, Nico até sentiu dó quando o olhou, estava sujo de lama, extremamente encharcado, recebendo pequenos choques devido à própria eletricidade, a bochecha roxa e inchada.

Em algum momento, a luta se tornou quase generalizada, Nico movera terra, trouxe mortos, raios por todo o lado e água na terra. Acabou com todos sujos de lama da cabeça ao pé, e Annabeth portando a bandeira do time vermelho com orgulho.

Enquanto os campistas pararam para olhar de longe a luta, ela se infiltrou no campo adversário, e trouxe a bandeira, terminando o jogo.

Agora, Annabeth repreendia os quatro, e Nico queria se esconder, tamanha vergonha.

— Nico, eu jurava que você seria o mais sensato, mas trazer fogo do submundo com mortos acompanhando não é minha definição de sensatez.

Ele deu de ombros. — Thalia ia me levar para a morte, você acha que eu ia deixar ela me matar?

Todos riram, nem Annabeth conseguiu segurar. Certo, todos sabiam como a irmã de Jason era. Annabeth começou a distribuir toalhas, estavam todos reunidos. Hazel o observava com Frank a seu lado, ambos rindo. Leo fazia piadas sobre a luta, e Percy estava com aquele semblante idiota de sempre. Reyna observava a tudo séria, como era de praxe e Nico se sentiu culpado ao perceber de que talvez a cena toda prejudicasse a relação dos gregos com Romanos.

Mas tudo se esvaiu quando ele ouviu Jason gemer de dor ao tentar limpar o próprio rosto e tocar a bochecha. Ele esticou o braço, pegando a toalha para ajudar o outro. — Idiota, que mandou ficar na minha frente na hora do soco?

— Eu não pensei muito na hora. — Sussurrou desviando o olhar.

— Isso se percebe constantemente. — Ele ironizou, terminando de limpar o rosto do outro. Tentou secar os cabelos do loiro, mas enquanto fazia os movimentos, a cabeça do filho de Júpiter parecia um pêndulo, chacoalhando. — Segura a cabeça. — E Jason levantou as mãos, como se fosse tirar e realmente segurar a cabeça.

Foi o suficiente para Nico começar a rir, até tentou se conter, mas a visão era demais para ele. Jason o encarava risonho, também. Pareciam duas crianças a se divertir. O que ele podia fazer? Estava feliz.

— Oh, além de invocar mortos ele sabe rir, de verdade. — Leo se apoiou em Hazel. — Ele está crescendo, Hazel.

A filha de Plutão deu um tapa na cabeça de Leo, e Nico rolou os olhos. Percebendo que só os amigos mais próximos dele e de Jason estavam presentes. Ele passou as mãos nos cabelos sujos, as roupas em fiapos... Certo, não era assim que ele se imaginava contando a todos, mas ele duvidava que fosse haver um mais agradável.

Mirou o filho de Júpiter com receio. — Talvez agora, seja o melhor momento?

O loiro assentiu e chamou a atenção dos amigos. — Hey, pessoal, eu e o Nico queremos falar algo com vocês. — Ele sorriu com os olhares focados neles. — Nós estamos namorando.

Nico lutou para não corar como a superfície de Marte, e amaldiçoou Jason por falar bruto, daquele jeito. Mas diferente de quando contou para Hazel, não foi silêncio que teve. Leo começou a rir, parando aos poucos quando foi vendo que ninguém o acompanhava.

— É sério? Tipo, mesmo? Por que nunca me contou? — Ele perguntou elétrico. — Quer dizer que aquela vez no vestiário...

— Não! — O filho de Júpiter levou a mão ao rosto. — Aquilo foi um acidente, de verdade.

— Pera, que vez no vestiário? — Perguntou Frank, subitamente interessado em algo que pudesse zombar de Leo.

— Nada, Ditto. Fica de boa aí.

Piper sorriu, relaxando em seu assento. — Agora as coisas começam a fazer mais sentido.

O filho de Poseidon sorriu para Nico, passando segurança para o outro. Mas ainda tinha aquele olhar meio tapado no rosto. — Você estava certa, Annabeth.

— Eu sempre estou, cabeça de alga.

Nico pegou a sua toalha, tampando o rosto e se afundando no próprio assento, sentindo os dedos de Jason fazer carinho em seus cabelos. — Olha pelo lado bom, eles vão te matar de vergonha, não de discriminação.

E ainda que ele negasse, não podia dizer que não estava feliz. Aquela vergonha toda tinha algo de bom, fazia quanto tempo que ele não era aceito desse jeito? E ele quase riu, sentindo uma empatia grata por Leo quando ele lhe dirigiu a palavra.

— Eu não sei muito sobre essas coisas de gay, mas se você precisar de companhia para assistir séries gays tipo Glee, ou Queer as Folks eu tô aqui, viu? Não que eu assista, só falando...

Notas finais
Então, tem alguns trechos da música espalhadas pelo capítulo, não estão em inglês e eu preferi assim porque se integrava melhor. Mas confesso que me inspirei mais no vídeo, que é um amor e passa a ideia de companheirismo, vejam galera, é bom. Eu tive ideias. =DD Isso é tão bom, então a história vai continuar por um tempo, aí. Qualquer erro, de grafia ou de plot, me avisem para eu concertar, okay? Espero que tenham gostado, see you tomorrow.