Sonhos
13 Só Hoje
Notas iniciais
Nico encarou com raiva aquela bola laranja no meio da sala.
No meio da sua sala que estava perfeitamente arrumada.
Em sua sala tinha uma bola,
Uma bola, no meio da sala.
No entanto, estava sem saco até para xingar a capacidade para fazer bagunça do loiro. Chutou a bola de basquete para dentro do quarto, esperando que não quebrasse nada.
Ele olhou as paredes do apartamento pequeno, achando que sem Jason tudo parecia mais vazio. O loiro tinha uma capacidade incrível de preencher locais, provavelmente era aquela vontade toda que ele carregava. A diferença entre ele e loiro se via pela manhã, Jason acordava, se espreguiçava, e dava bom dia. Nico amaldiçoava o sol e procurava se esconder na escuridão em baixo das cobertas.
Eles eram tão diferentes, que até hoje, Nico se perguntava como aquilo tudo dava certo.
Os primeiros dias no apartamento novo foram lindos e perfeitos. Não é como se fossem ter problemas em coabitar juntos, afinal, eles já faziam isso. Tinham toda uma rotina que não necessitavam alterar, que podia simplesmente ser adaptada.
O problema mesmo começou quando tiveram de ir à escola. Eles precisavam daqueles malditos diplomas, e infelizmente, nem Quiron nem Annabeth conseguiram fazer muito por eles. Jason pelo menos precisou entrar só no último ano, Nico pela idade que tinha, teve de entrar no segundo.
E como não podia ser diferente, Jason com todo aquele porte de modelo de capa de revista, e sorriso me-amem-eu-sou-incrível tinha conquistado metade daquela escola toda. O loiro tinha se adaptado àquela vida de modo extremamente rápido: Conseguido amigos, e pasmem, um emprego numa dessas cafeterias universitárias.
O que significava que ele estaria sozinho pelo resto da tarde.
Ele foi para a cozinha, procurando algo para comer; ele tinha feito um bolo no dia anterior, e não era possível que já tivesse acabado.
É. Já tinha.
Nico massageou o cenho, aquele loiro idiota maníaco devorador de chocolate já tinha comido tudo.
Os dois tinham tido uma pequena discussão no dia anterior. E ele confessava, que talvez, a culpa da discussão toda fora dele. Mas ele tinha esse direito. Jason agora tinha uma admiradora, que ficava o secando o dia inteiro. Quando os dois iam se encontrar no intervalo, ela estava com ele, eles estudavam juntos, eram da mesma classe, e a menina tinha a cara de pau de ficar cobrindo o outro com elogios.
Ah, mas Maria Penha que se cuide, porque ele estava no limite já.
Jason acreditava que ele estava exagerando.
Mas não estava, e os dois tinham ido dormir com a discussão ainda no ar, ambos foram para a escola com aquela discussão ainda entre eles, e pior, agora Nico tinha que esperar o outro chegar para poder resolver de vez aquilo. Jason era um egoísta mesmo, ele iria ao trabalho, ocuparia a própria mente entregando cafés e pães com nome franceses e ele em casa, se remoendo.
Esse maldito assunto mal o deixara dormir direito, ficou acordando a noite, entre pesadelos e sonhos culpados; ele já tinha insônia suficiente para precisar da ajuda daquele cabeça de vento.
Claro que não era um assunto de vida ou morte, mas o incomodava, aquela sensação toda. Ele só queria Jason ali, com aquele sorriso característico, aqueles olhos elétricos, fazendo ele se sentir vivo.
E não culpado, como se sentia agora.
Por que afinal ele teve ciúmes daquela menina? Não é como se Jason o fosse trocar por qualquer menina só porque o ser humano em questão tinha peitos e ele não. Ele sabia disso. Ele sabia que Jason era apaixonado por ele, que o loiro já tinha aguentado muita coisa por ele para desistir assim, de repente.
Aliás, os dois passaram por muita coisa, para começarem a ser amigos e chegar a ter o que tinham agora.
Eles bagunçou os cabelos, lembrando daquele Jason extremamente perdido de tantos meses anteriores e riu.
— Deixa de ser idiota, Nico. — Ajustou a jaqueta de aviador, e se perdeu nas sombras.
xXx
Quando Nico saiu das sombras, pisou no beco ao lado do café, ele conseguia ver o campus da faculdade mais a frente, e uma série de comércios ligados à proximidade com a faculdade.
Não se importara em dar tanta atenção quando foi lá com Jason, na primeira vez. Olhando agora, a rua parecia fofa. Uma rua fofa... Ele espiou pelo vidro — que tinha uma caneca em tinta branca pintada, nada criativo — e viu Jason lá dentro, conversando com algum cliente no balcão.
Mas que aventalzinho era aquele? Sério, esse mundo atual tem um problema com o bom gosto.
O movimento era pouco, só algumas pessoas nas mesas, quatro no máximo. E ele entrou, amaldiçoando a campainha que tilintou, atraindo alguns olhares para si. Buscou uma mesa mais afastada e esperou alguns segundos, até que um loiro alto viesse o atender.
Tinha uma pose esnobe, nariz empinado e se negava a olhar Nico. — Já escolheu, senhor?
Nico segurou a riso, e entrou na brincadeira. — Já... — Fez uma pose pensativa. — Quero um cappuccino, e um croissant de quatro queijos... Não, não, uma fatia desse bolo de perdão aqui. Não, me vê logo o bolo inteiro.
Ele viu a pose de Jason abaixar e o seus lábios tremularem, como que segurando um sorriso. — Ah, mas esse bolo está caro, cada fatia... — Ele pegou o cardápio, fingindo conferir seus preços. — Duas massagens e dez beijos. Mas dos bem dados.
— Aceitam cheque aqui, né?
— Desde que tenha fundos.
— Eu posso ser idiota, mas não caloteiro. — Sorriu torto. — Desculpa, Jay.
O loiro deu de ombros, resignado. — Tudo bem, só não faça de novo, eu até que consigo entender ciúmes. — Ele apontou para a cozinha. — Vou pegar seu café, e volto para conversarmos.
Nico sorriu, assentindo, no entanto, não poderia relaxar antes de declarar plenamente seu amor pelo mais velho.
— Mas Jason, — O loiro virou para encará-lo. — Se aquela menina continuar dando em cima de você, eu vou arrastar a cara dela no asfalto e se você continuar dando bola para ela, sem noites felizes para você, capisce?
É... O amor.
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