Sonhos

23 SexyBack


Notas iniciais
Antes de tudo, queria pedir perdão aos escritores da música e aos cantores, porque distorci ela, mesmo. Capítulo inspirado na música SexyBack do Justin, Bieber? Não, Timberlake. Espero que gostem. Notas finais, hun?

It's just that no one makes me feel this way

I think you're special,

You make me smile

É que ninguém faz eu me sentir assim

Eu acho que você é especial

Você me faz sorrir

— Quanto tempo ele vai ficar assim, vai demorar muito para acordar? — Jason perguntou.

O filho de Apollo que cuidava de Nico suspirou, ele já tinha dito seu nomes algumas vezes, até que o loiro finalmente desistira de tentar mantê-lo na cabeça. Estava muito preocupado com Nico para manter em seu cérebro informações sobre semideuses aleatórios.

— Provavelmente não muito, embora já tenha te dito isso. — Ele disse distraidamente, como se a vida de Nico fosse nada, mexendo em um daqueles pacotinhos de soro, que estava cheio de ambrosia diluída. — O problema principal aqui, foi a perca de sangue dele, embora ele não tenha perdido o suficiente levando em questão o fator “semideus”, os exames mostraram que ele não se alimenta bem, então isso acabou influenciando...

— E vai demorar para ele acordar?

— Sou filho de Apollo, mas profecias não vêm assim, sabia?

Jason cruzou os braços bufando, fazendo o outro rir. Ele se despediu, dizendo que tinha outras coisas para fazer e pediu para, quando Nico acordasse, chamá-lo. O filho de Júpiter assentiu, ficando sozinho no pequeno quarto da “enfermaria”.

Provavelmente, Nico quando visitara o acampamento Júpiter não prestara atenção na instalação. Comparada com a enfermaria do acampamento meio-sangue, a enfermaria de Nova Roma era um hospital. E era quase isso, mesmo. Não havia necessidade de ser um grande hospital, mas tinha suas salas de cirurgia, seus grandes aparelhos mágicos e médicos construídos com uma colaboração entre filhos de Vulcano e Apollo, e mais uma série de coisas.

A instalação não passava de dois andares, mas era bem similar aos hospitais das cidades humanas normais.

Na pressa de levar Nico para ser atendido, ele voara através da cidade, fazendo um bom número de Romanos a verem-no. Agora, pensando nisso, ele deveria ter achado outro modo; não havia ninguém conhecido, além dele, que podia voar desse jeito. E isso atrairia atenção demais.

Atrairia, não. Olha que surpresa, já atraíra. Até aquele momento dois centuriões já tinham vindo averiguar se era ele mesmo, ele já esperava a visita de Hazel, Frank ou Reyna. Provavelmente, as notícias de que Nico se ferira, ainda não tinham se espalhado o suficiente para fazer Hazel vir correndo e detonando com qualquer um que ousasse opor seu caminho.

Frank viria por Hazel, e talvez por ele próprio, não é como se ele tivesse uma preferência, o descendente Chinês tinha um coração mole demais para deixar que alguém que conhecesse terminasse em um hospital sem ao menos receber sua visita.

Reyna viria. Simplesmente, viria. Isso ele sabia, por quê? As motivações de Reyna eram tão amplas e imprevisíveis quanto as do próprio Nico. Reyna viria por Jason, em honra a memória de tudo que os dois partilharam, embora o filho de Júpiter não achasse que merecia e ela viria por Nico, porque os dois pareciam se entender de um modo, que ele próprio tinha inveja.

Ele suspirou, olhando pela janela o sol lá fora a brilhar e um céu azul demais. Tão azul que chegava a dar enjoos nele. Certo, talvez ele esteja passando tempo demais com Nico.

Mas não é como se importasse, ele estava passando tempo com Di Angelo, porque assim queria, e não se arrependeria. Quer dizer, tirando esse incidente idiota, ele não se arrependeria.

O quarto era branco demais, brilhava demais, e ele tinha a sensação de que Nico odiaria aquilo quando acordasse. Dava uma sensação estranha o local, como se toda aquela alvura interferisse no tempo, ele quase sentia os segundos ultrapassando, em leves ressoar, o tutano dos seus ossos.

Em algum momento, Nico começou a se mexer desconfortável e abriu os olhos, e olhar aqueles pontos negros, os cabelos e os olhos, os dois mais caos que o próprio caos, no meio de todo aquele branco mandou arrepios por sua espinha.

— Deuses, nem me adoentar eu posso, sem que você fique atrás de mim. — Jason sorriu quando viu um rosa pigmentar as bochechas brancas do outro. — Pare de me olhar assim.

— Pelo menos você está com sangue suficiente para corar. — Ele disse ingênuo.

— Calado. — Nico encarou a parede ao invés de Jason, corando mais ainda. — Por que mesmo eu fui te salvar?

— Porque você me devia uma, talvez? — O loiro respondeu em um tom de pergunta, rindo depois. — De qualquer forma, obrigado, eu estaria perdido se não fosse por você.

Nico assentiu, como se Jason não pudesse ter dito algo mais certo. — Pela primeira vez, você está absolutamente certo, Grace. — E o loiro riu alto com isso. — Pelo que estou vendo, foi só perca de sangue, certo? As flechas não tinham veneno? — Jason negou. — Cara, esses monstros estão cada vez mais incompetentes.

O moreno pediu pela ficha dele, e o outro entregou.

— Disseram que sua alimentação não tem ido muito bem, e que isso piorou a hemorragia.

Nico assentiu distraidamente. — Eu não como muito.

— Você me dá cesta de frutas, mas não as come? Que hipocrisia, Di angelo.

Jason viu o outro dar de ombros. — Acho que já dá para eu ir embora, está tudo bem.

— Você ainda está em observação.

— Eu sempre estarei, nunca me julgam saudável.

Jason o observou atentamente, e de fato, Nico era frágil, magro e pálido demais para ser considerado saudável. As bochechas, mesmo, eram meio fundas, e Jason se culpou por não ter notado isso antes, embora em algum lugar da sua mente algo gritasse que Nico simplesmente era assim.

— Vou embora.

— Não, você ainda não está recuperado.

— Você acabou de ouvir o que eu falei?

Antes que Jason pudesse retorquir, Reyna adentrou o local, dois centuriões ficaram nas portas.

— Você fica, Nico. — Ela disse em um tom que Jason poderia jurar ser até carinhoso. — Nos dê um ou dois dias, além desse.

O loiro ouviu o outro bufar e murmurar em tom de chateação. — Loiro idiota, culpa sua.

Ele sorriu agradecido a Reyna, e ela apontou o dedo em sua direção. — Você, Jason, me acompanhe.

Ele assentiu, se levantando e fechando as cortinas, impedindo o máximo possível a luz de entrar, já que sabia que isso incomodava o outro. — Não vá embora, Nico, por favor.

— Tá, tá... Eu vou dormir, não me acorde caso volte vivo de sua “conversa” com ela.

Jason sorriu, porque ele entendeu como: Quando voltar, não me acorde.

Ele tinha permissão para voltar.

xXx

Os dois andaram em direção à cafeteria que ficava perto do hospital, quase do lado mesmo. Jason tinha que parar e comprimentar oficiais a todo momento, enquanto eles tremiam quando olhavam para Reyna.

Ele quase riu com isso; a morena não era de fato um ser delicado, mas ele não via motivos para tanto medo. Ela era justa, forte, firme e uma amiga fiel. Ele se perguntou se Reyna continuou a conversar com Piper e Annabeth depois que ele sumiu, as três fariam um grupo poderoso de garotas.

Eles sentaram calmamente em uma mesa de madeira, e... Madeira real. Céus, madeira real. Depois de meses em Los Angeles, ele tinha se acostumado com aquele plástico barato que era branco e ficava amarelo com alguns meses. Madeira real era quase um sonho, ele passou o dedo na borda da mesa, se achando um idiota por prestar atenção em uma coisa como essa.

Ela pediu café para os dois, era isso que costumavam tomar quando ambos ainda eram Praetores e iam lá. Durante todo esse tempo, ela não se dignara a falar com ele de forma direta, apenas algumas palavras e os olhares profundos que ele, depois de meses atrás de Nico, já estava se acostumando.

— Então era com ele que você estava.

Ele deu de ombros. — Eu acabei indo parar em Los Angeles, fiquei atrás dele por esse tempo.

Reyna arqueou a sobrancelha. — Los Angeles, o portão...

— Do submundo. Yeah.

Ele sorriu de canto, bebendo o café com um olhar divertido. — Posso perguntar por que o grande Jason Grace foi atrás dele?

— Eu acabei encontrando ele, e foi assim... Não é como se eu pudesse falar algo mais, eu apenas o encontrei quando não tinha para onde ir.

— Você tinha aqui.

— Você sabe o que eu quero dizer.

— Só isso?

— Ah, — Ele olhou ao redor confuso. — Ele é um bom amigo, e me faz refletir, me faz sentir-me diferente.

Reyna apertou os olhos, atenta. — E por que você fugiu?

Ele olhou para as mãos em seus joelhos, claramente desconfortável. Era a pergunta que ele não queria, porque ainda não tinha resposta. Ele sabia que essa resposta tinha algo a ver com Nico, provavelmente a inserção dele no círculo de amigos.

Circulo esse, que ele não contatava há meses.

— Eu... Eu não sei, ainda.

Ela suspirou, e ele sentiu o olhar dela cair sobre si, tão pesado como sempre, mas com nuances de dó e compaixão.

— Jason... — Ela terminou o café em um gole. — Se você quer um conselho, e digo por experiência própria: Não tenha medo de pensar, de imaginar e de deixar os pensamentos fluir.

— O que quer dizer com isso?

— Quero dizer para deixar de ser idiota, e abrir a mente. Não é porque ele é seu amigo que... Bem, você vai descobrir. — Reyna suspirou. — Garotos são tão lerdos às vezes.

Ele ainda não tinha entendido o que ela queria dizer, mas ele percebeu que a conversa acabara, breve e objetiva como sempre, ele pensou. Ela vasculhou dentro da roupa militar que usava naquele momento, e tirou um objeto retangular de suas dobras.

— Não estrague a chance que você tem. — Ela jogou o objeto na mesa. — Para passar o tempo.

Ela saiu, e ele pegou o objeto. Viu que era um monte de objetos, cartas, unidas por um elástico, e no verso delas, ele observou com curiosidade, estava escrito:

Mythomagic.

Notas finais
Okay, diálogos de novo. o/ As coisas estão andando, finalmente, né? Anyway, espero que tenham gostado, qualquer erro digam, okay?